𝐏𝐎𝐎𝐑 𝐔𝐍𝐅𝐎𝐑𝐓𝐔𝐍𝐀𝐓𝐄 𝐒𝐎𝐔𝐋𝐒 ! – Por Glinda e sua varinha mágica! Olha só se não é LIZBETH MORTIMER caminhando pelos corredores da torre DOS PESADELOS. Por ser filha de ÚRSULA, é previsto que ela deseje seguir caminhos parecidos com o dos pais. Ao menos, é o que se espera de alguém com VINTE E OITO, mas primeiro ela precisará concluir o módulo III, para depois se assemelhar como um conto de fadas.
𝖓𝖔𝖛𝖔 𝖈𝖔𝖓𝖙𝖔: o forte tritão, como morg/medusa.
devenvolvimento.
𝐑𝐄𝐒𝐔𝐌𝐎
Lizbeth é a cópia cuspida da úrsula, sua mãe, pelo menos em grande parte da personalidade e esse era exatamente o objetivo da bruxa ao criá-la. Ninguém conhece sua verdadeira origem, mas muitas teorias apontam que ela é filha biológica de Úrsula, fruto do relacionamento com um homem que nunca esteve realmente interessado ou presente, e que as abandonou logo após o nascimento da garota. Por este motivo, a bruxa condenou a própria cria ao mesmo destino de traição no conto que foi predestinado a ela. Mas talvez isso não passe de uma fofoca difundida pelas más línguas.
Sua habilidade é a persuasão, mas quase não faz uso da mesma, pois é orgulhosa ao ponto de querer conquistar as coisas por mérito próprio, não usando artimanhas que tornam tudo mais fácil. É controladora, autoritária, perfeccionista, orgulhosa, persuasiva, sedutora, maliciosa... mas também pode ser uma boa companhia pra quem não pisa no calo dela. Apenas cuidado, Mortimer é como um verdadeiro campo minado, onde qualquer passo em falso pode despertar o que há de pior nela.
No fundo é uma alma perdida, que se revolta sempre que se lembra que está fadada a se humilhar e se destruir pelo amor de um homem, que nunca foi seu pra começo de conversa. Quer aproveitar o tempo que resta antes de ser sugada para a maldição que é seu conto e o relógio tá correndo....
𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐍𝐎𝐍𝐒
i. Lizbeth Mortimer foi criada à imagem e semelhança de Úrsula, lapidada para ser a herdeira perfeita para a bruxa do mar, que finalmente conquistou sua ascensão e pôde ter tudo que sempre almejou. Sua origem é uma grande incógnita e pouco se sabe sobre sua infância. Muitos teorizam sobre sua adoção, mas a maioria, que acredita que a bruxa é sua mãe verdadeira, desconfia da traição e do abandono cometido pelo pai biológico - cuja identidade permanece um mistério - o que levou a mulher a escolher o mesmo triste destino para a própria prole por puro desprezo.
ii. A notícia a respeito de seu destino como Morg não foi bem aceita por ela, pois não achou de bom tom que assumisse a persona de uma mulher rejeitada, que se humilha e rasteja pelo amor de um homem que considera mediano. Acha especialmente humilhante ter que se submeter a esse papel por ser filha de uma figura tão poderosa. A revolta, obviamente, rendeu a Úrsula diversas discussões e indagações sobre o assunto, mas um resposta negativa era sempre o resultado destes confrontos. Até hoje, Mortimer ainda não aceitou o que o futuro lhe reserva e tenta encontrar uma forma de burlar a própria condenação do destino.
iii. Enxerga sua mãe como uma figura a se admirar, pois além de ser uma mulher forte e inteligente, enfrentou todas as adversidades e conquistou aquilo que de mais valioso que uma pessoa pode ter: o poder. Por colocar a figura de Úrsula sobre um pedestal, não reage bem quando alguém a critica ou ataca, mesmo ciente de que ninguém é perfeito e até a bruxa do mar é merecedora de algumas ressalvas. Isso não significa que o relacionamento entre elas é pacífico, pois a colisão entre as duas personalidades fortes já causaram muito maremoto em meio a águas pacíficas.
iv. Conviver com Lizbeth é estar na companhia de um verdadeiro campo minado, onde qualquer passo em falso pode despertar o que há de pior nela. Controladora, autoritária, perfeccionista, orgulhosa... estas são algumas de suas muitas características negativas que, por ela, são vistas como as mais preciosas qualidades que poderia ter e que a tornam uma mulher imbatível. Dentro de si mora o medo do exilamento sofrido pela mãe antes de seu nascimento, sendo essa a principal força motriz que a move e a convence a agir com autenticidade. No fundo, tenta aproveitar cada momento que tem nas mãos e age como bem entende, pois - até o momento - está fadada à infelicidade e destruição. O discernimento de que não passa de uma alma perdida é apenas ignorado por ela, assim mantendo em curso os planos de ser temida e respeitada antes de seu aniquilamento.
v. Apresenta um charme natural, bastante envolvente e irresistível, sabe como seduzir e persuadir. Usa esse poder para seu benefício e não tem medo de colocá-lo em prática. Com uma inteligência admirável, tem sempre uma resposta na ponta da língua, que também carrega em si muito veneno a ser distribuindo por quem ousa se meter no seu caminho. Pode ser uma companhia bastante interessante e divertida, basta que não testem o limite de sua paciência ou a menosprezem.
vi. Herdou de sua mãe uma joia - no seu caso, um anel - que a permite respirar debaixo d'água, assim como seu irmão.
𝐏𝐎𝐃𝐄𝐑𝐄𝐒
Persuasão: Através de suas palavras, ela pode persuadir as pessoas a agirem como deseja, mesmo contra sua vontade, podendo fazê-las se convencerem de que suas alegações são verdadeiras e que devem ser obedecidas. Para a surpresa da maioria, Lizbeth não usa sua habilidade com frequência, pois aprecia a satisfação de saber que suas conquistas são de seu próprio mérito.
𝐃𝐀𝐄𝐌𝐎𝐍
Khaos é seu Daemon, um dragão de quinze metros de altura, cuja figura é essencialmente formada por uma densa e acinzentada fumaça, que pode ser tóxica para aqueles que se aproximam sem autorização do criatura. O relacionamento entre o animal e Lizbeth começou com a mais pura cordialidade e respeito, mas logo se aprofundou para algo muito mais intrínseco, tornando-se, possivelmente, a conexão mais duradoura e verdadeira que Mortimer já tivera em toda a sua existência.
Jun respirou fundo algumas vezes, sem se mexer. Sempre evitava contato físico, nunca gostou muito que segurassem sua mão. Mas aquele momento era uma exceção, e relaxou os ombros que estavam tensos até então. Concordou com a cabeça, ouvindo com atenção e tentando se acalmar. "Todo mundo" repetiu, só para ter certeza. Por isso, mesmo com o caos tendo passado, as coisas ainda não pareciam muito boas. Queria perguntar quem era essa outra pessoa, mas se conteve. Respirou fundo mais uma vez. "Tá bem. Já.. recebeu tratamento, né?" Não sabia direito como perguntar. Se estava doendo? Se alguma coisa a mais poderia ser feita? Não adiantava se responsabilizar por aquilo, não tinha como saber o que ia acontecer. Claro, era fácil dizer essas palavras, era fácil entendê-las em si, mas não tão fácil levá-las pro coração e não sentir nenhum resquício de culpa. "Eu.. estou bem. Meus machucados foram mínimos. Foi só.. sabe... foi a primeira vez que as sombras fizeram alguma coisa assim. Eu sempre achei que elas eram uma força consciente, mas nunca... realmente fizeram alguma coisa".
Notando-a se acalmar, Lizbeth recuou a mão, concedendo a ela espaço para se recompor. A repetição da parcela de sua fala a fez suspirar baixo, revivendo os momentos de terror que permaneciam vívidos em sua memória. Nunca havia presenciado algo daquela magnitude. Em resposta à preocupação alheia, ela sorriu, agradecendo pela sensibilidade de Juniper. ── Sim, pelo menos não posso reclamar da equipe médica, todos são muito solícitos. ── Essa era uma característica importante considerando o número de pessoas que careciam de atendimento. Seria uma longa noite para todos eles. Escutando-a atentamente, compreendia exatamente o que tentava dizer. ── O problema é o impacto interno, não é? Nos deparamos com cenas e sentimentos que nunca havíamos imaginado. ── Tentou contribuir com o que fora dito, complementando os sentimentos traduzidos pela amiga. ── Foi tudo muito confuso e, pelo que eu escutei por aí, todos se surpreenderam com essa súbita autonomia de seus poderes. ── Até mesmo ela havia se deparado com novas cores em sua persuasão, todas elas bastante inquietantes. Ponderou sobre o caso de outrem, considerando que conhecia sua habilidade melhor do que qualquer um, mas também atendo-se ao que observara naquela noite. ── Mas, mesmo que elas sejam conscientes, não podemos descartar que suas sombras estavam sendo controladas por alguém. Quer dizer, você viu o que aconteceu com o Jhonathan, não viu?! ── Quem quer que fosse o responsável pelo aviso, também era o culpado pelo que ocorrera. ── Não sei se em algum momento teremos uma resposta para o que aconteceu, mas sei que devemos cobrar alguns esclarecimentos. ── Continuou com sua honestidade. ── Mas, nesse meio tempo, precisamos nos cuidar.
A suavidade que emanava de Mortimer era como um sussurro no ar, uma aura calorosa que se libertava de seu ser, delicadamente, assemelhando-se ao sol despertando numa alvorada primaveril. Era um convite ao toque, uma chamada suave que acolhia sem incendiar, um abraço de calor que transcendia a mera sensação térmica, transformando-se em uma solicitação à proximidade íntima. Esse calor, distante de repelir, convidava à união, uma fusão harmoniosa de doçura e aconchego que tornava cada momento compartilhado um deleite intoxicante. A pele macia de Lizbeth e a calorosa sensação que dela emanava criavam um cenário sensorial íntimo para Porter. Cada carícia era um poema em movimento, um mergulho em um oceano de maciez e calor, um convite sussurrante e sedutor para explorar os recônditos daquela textura que despertava não apenas o tato, mas também os sentidos mais profundos. Aproximar-se dela era desvendar um mistério encantador, era como adentrar um jardim secreto onde o toque ganhava vida própria. A cada roçar dos dedos na pele suave de Lizbeth, sentia-se envolvido por uma atração embriagante, um calor que acolhia como um afago suave. Era uma dança entre os sentidos, uma melodia de sensações que se entrelaçavam de maneira terna e apaixonada, transformando cada gesto em uma experiência quase transcendental.
Nos olhos ávidos de Porter, Mortimer permanecia como um quadro vivo, capturando-lhe a atenção com a mesma intensidade de um amante que se deleita com a descoberta da beleza singular das curvas femininas a cada olhar renovado. Ele a absorvia faminto, como se desejasse inscrever na memória cada sulco, cada delicada textura da pele alheia. Cada parte dela se desvelava como uma obra de arte em sua mente, dos pés à cabeça, e Korak não deixava escapar nenhum ângulo, explorando cada detalhe com devoção meticulosa. No entanto, para além da mera apreciação do físico, residia a verdadeira essência de sua admiração: era a resposta de Lizbeth aos seus toques e beijos que o arrebatava. Era como uma dança de sutilezas e tentação, um jogo de reações que o fascinava. Observava com intensidade as manifestações mais íntimas dela, desde a cadência de sua respiração até o suave gemido que escapou de seus lábios, ecoando nos ouvidos de Caleb e suspendendo-lhe a própria respiração por um breve, porém intenso, lapso de tempo. Imerso na vertigem do desejo, ansiava ser o arquiteto dos suspiros e gemidos de Lizbeth. Sonhava ser o catalisador da sinfonia de sensações que desejava despertar nela, como se cada toque seu fosse uma nota a mais nessa melodia de prazer e entrega.
Ele não se conteve, entregando-se aos toques que provocavam o mamilo, sentindo-o reagir sob a pressão de seus dedos. A sensação do endurecimento sob seu toque inflamou Korak com um desejo ardente, enquanto contemplava extasiado a textura e o contorno do mamilo dela. Suas carícias ganharam um tom mais intenso, um beliscar suave para estimulá-lo ainda mais, ajustando a pressão com maestria para proporcionar a Lizbeth apenas o prazer mais sublime. Seus olhos, testemunhas de cada gesto, se deleitavam com a cena, revelando o lado mais sensual e voraz de Porter. O desejo de sucumbir à tentação de saboreá-los, de sentir a suavidade sob sua língua, pulsava intensamente. Ansiava por aquele contato, ávido para conduzi-la ao ápice do prazer, mas as mãos de Lizbeth o detiveram com gentileza, guiando-o até repousar suas costas no colchão, alterando a dinâmica da posição com suavidade e Korak deixou que um suspiro alto e excitação escapasse por entre seus lábios, sem apresentar nenhuma resistência a aquela mudança.
Seus olhos encontraram os dela mais uma vez quando Lizbeth se posicionou sobre ele. Mesmo silencioso, transparecia um intenso anseio de possuí-la em todas as formas naquele instante. O fascínio persistente que Korak nutria por ela se amplificava, refletido em um olhar mais penetrante, que não deixava dúvidas sobre seus sentimentos e desejos. Naquele momento, entregava-se aos desejos de Mortimer, imerso em uma torrente de sensações arrebatadoras. Quando Lizbeth ergueu os braços, entrelaçando seus dedos aos dele, o coração de Korak pareceu sincronizar seu ritmo com o dela, criando uma sinfonia palpável de emoções. Cada centímetro de sua pele vibrava, inundado pela excitação que percorria seu corpo como uma corrente elétrica, estimulando todos os sentidos.
Como se estivesse lendo os desejos mais íntimos de Korak, Lizbeth ofereceu-lhe um de seus mamilos ao se inclinar sobre ele, e o aroma sutil de seu perfume misturado com o cheiro natural da pele dela preencheu as narinas de Korak, um convite olfativo ao desejo intenso. Seus lábios mergulharam com avidez, envolvendo o mamilo com uma devoção ardente. A textura suave e a temperatura delicadamente diferente do mamilo despertaram sensações táteis intensas, enquanto a língua explorava cada contorno, desenhando círculos e espirais, provocando arrepios na própria pele sensível ao toque. Mesmo sem a liberdade total de seus gestos, Korak entregava-se por completo ao prazer de explorá-la com os lábios e a língua. Cada carícia era uma ode ao desejo e à entrega, mergulhando em um oceano de sensações avassaladoras que emanavam de cada poro de sua pele e o consumiam por inteiro.
Sentiu o mamilo escapar de sua boca quando percebeu que ela continuava a se deslocar, descendo um pouco mais por seu corpo até que seus lábios se encontrassem para mais um beijo passageiro. A voz de Lizbeth, carregada de provocação, arrancou um suspiro contido, carregado de pura excitação, dos lábios de Korak. "Não mais do que eu passei com você." Não era uma competição, mas Korak viu valor em deixá-la ciente de que ela habitava seus pensamentos mais sujos desde o início. A trilha de beijos deixada por ela sobre sua pele, em direção ao seu ouvido, fez Korak fechar os olhos por um breve momento. Sua respiração pesada, impregnada de excitação, escapava entre os lábios entreabertos, buscando desesperadamente recuperar o ar que parecia faltar em seus pulmões. Seus pulsos se moviam ligeiramente, como se implorassem por libertação, ao ouvi-la mencionar sobre suas intenções. Korak pretendia mostrar, colocar em prática todas as fantasias que nutria desde o primeiro instante. Porém, quando os lábios macios dela encontraram o ponto sensível em seu pescoço, ele abandonou temporariamente a ideia de se libertar, entregando-se completamente às sensações que ela lhe proporcionava. Cada traço de sua língua e cada beijo de Mortimer sobre sua pele eram como ondas de prazer percorrendo seu corpo. Um gemido sutil, porém audível, escapou da garganta de Korak ao sentir a mordida dela. Céus, como ele adorava a sensação que ela provocava nele! Era como se estivesse à beira de uma explosão de desejo a cada toque, com Lizbeth desafiando e explorando seus limites de maneira intensa e certeira.
A nova posição trouxe o peso e a pressão do corpo de Lizbeth sobre o de Porter, ela o montando sem reservas, permitindo que suas intimidades se encontrassem, ainda que separadas por camadas de tecido que obstavam o contato direto. "Eu deveria ter me livrado de sua calcinha assim que tive a oportunidade", lamentou, sentindo a frustração da barreira entre eles. O novo ângulo de visão de Korak permitia a descoberta de detalhes até então desconhecidos do corpo dela, registrando-os como preciosidades em sua mente. A pele dela parecia um convite ao toque, uma promessa de texturas sedutoras que o deixavam arrepiado. Cada curva, cada traço, despertava em Korak uma intensa vontade de desvendar ainda mais, como se ele estivesse diante de um mistério a ser desvendado. Era como se cada peça de roupa fosse um obstáculo para ele, um desafio que aguçava seu desejo. Korak ansiava pelo contato direto, pela fusão de seus corpos sem barreiras, pelo calor e pela intimidade que apenas o toque nu poderia proporcionar.
Com a permissão de Mortimer, suas mãos voltaram ao contato sobre os seios dela, libertadas para explorá-la novamente. Espalmadas, arrastavam-se sobre os seios de maneira sincronizada, buscando oferecer ainda mais prazer a Lizbeth enquanto aproveitava o roçar proposital do mamilo contra a palma de sua mão. Cada toque, cada movimento, era uma coreografia sensual que visava intensificar a sensação, e cada reação dela alimentava ainda mais o desejo de Korak. Seu foco mudou quando ela iniciou um movimento com o quadril, rebolando de forma lenta e deliberada sobre o volume que se formara sob sua cueca há tempos. Se movia com uma destreza que sugeria pleno conhecimento do caminho para levá-lo ao ápice do prazer. Ele já estava entregue ao desejo, completamente rendido por Lizbeth Mortimer, e seus gemidos roucos e carregados de desejo eram a expressão inequívoca desse sentimento, cada suspiro um testemunho do fogo que ardia dentro dele. As unhas afiadas que resvalavam sobre seu abdômen faziam Korak se contorcer levemente, seus músculos abdominais se tensionando involuntariamente ao toque dela. O corpo de Korak respondia em êxtase, cada músculo tenso, cada respiração ofegante denotando a intensidade de sua excitação. . A provocação das unhas de Lizbeth sobre seu abdômen acendia chamas de desejo, fazendo-o arquear sutilmente as costas, rendido ao deleite carnal que ela despertava nele.
"Eu não estou com pressa alguma para ir embora", respondeu Korak, seu sorriso tingido pelo desejo primitivo que o consumia por dentro. Não havia pressa, apenas o tempo que necessitassem para se entregar um ao outro da maneira que ambos desejavam. Outro breve beijo aconteceu, embora fosse um beijo apaixonado que se encerrou antes do desejado. Korak tentou prolongar aquele momento, mas Lizbeth parecia ter outros planos ao alcançar seu maxilar e iniciar uma trilha de beijos descendente até seu abdômen definido. Cada beijo dela sobre sua pele era como uma onda elétrica, cada toque uma combustão de prazer que incendiava Korak, despertando um desejo avassalador por ela. Sua respiração se tornava mais irregular à medida que ela demorava sobre os músculos e em resposta, ele contraía os músculos, delineando-os ainda mais, convidando a língua de Lizbeth a explorá-los e saboreá-los. Porter ansiava por cada toque, cada movimento, cada carícia desenhada sobre sua pele. Cada contato era uma promessa de êxtase, um fogo que o deixava completamente submerso. Sua mente, inflamada pelo desejo que ela despertava, ansiava por mais, ansiava por entregas mais profundas e intensas. Korak, envolto na voragem de sensações, rendia-se ao incêndio que ela acendia dentro dele, desejando-a com uma intensidade que o deixava ansiando por mais, uma sede insaciável por ela que transbordava de seu ser.
Com a intenção clara de Lizbeth, Korak ergueu levemente o quadril para facilitar que ela puxasse sua calça para baixo. O ato de se livrar da peça trouxe um suspiro de alívio, como se ele tivesse se desfeito de mais uma barreira que o mantinha afastado dela. Agora, só restava a cueca, escondendo seu pênis rígido e ansioso por qualquer contato com Mortimer. Quando a mão dela o cobriu, ele respondeu imediatamente, gemidos baixos escapando involuntariamente, expressando o êxtase que o invadia. A língua feminina forçou o tecido que ocultava seu pênis totalmente excitado, fazendo-o pulsar sob a cueca. Outra onda de alívio o tomou quando o elástico da cueca foi puxado para baixo, menos um obstáculo até a boca dela. Korak estremeceu levemente ao sentir os dedos de Lizbeth envolverem seu membro com firmeza, finalmente sendo tocado por ela. Nesse momento, um gemido mais alto, quase suplicante, escapou de Korak, como se implorasse para seguir adiante.
Completamente tomado pelo desejo, seu corpo se contorceu em êxtase quando a língua dela encontrou seu membro. Um riso contido escapou quando ele ouviu sua provocação. Não seria difícil gemer o nome dela no auge da excitação, afinal, ela era a única responsável por ele estar naquele estado de desejo incontrolável. Ele se apoiou nas mãos contra o colchão, erguendo-se ligeiramente para apreciar a performance de Lizbeth com seu pênis inteiramente envolto pela boca dela. Era uma das cenas mais excitantes que Korak já testemunhara em toda a sua vida. Completamente encantado e consumido pelo desejo avassalador.
Uma das mãos de Korak alcançou a cabeça de Lizbeth, gentilmente acomodando seus longos cabelos para um lado, permitindo que não atrapalhassem sua visão do que ela fazia. "Isso... continua", sua voz saiu baixa, um pouco contida pelos movimentos habilidosos da boca de Lizbeth. Seu corpo tremia ligeiramente, sinais claros de que ela estava no caminho certo para conduzi-lo ao ápice do prazer. A respiração desordenada, ora esquecendo-se de respirar, ora buscando desesperadamente o ar, revelava a intensidade do momento. Gemidos constantes e incontroláveis ecoavam de sua garganta, expressões de prazer exponenciais. "Lizbeth..." Ele gemeu roucamente seu nome, atendendo exatamente ao que ela buscava. "Liz... Eu vou gozar." Anunciou segundos antes, deixando à decisão dela o sabor ou a visão do momento iminente. De repente, uma momentânea escuridão invadiu sua visão, trazendo alívio imediato enquanto seu corpo se contorcia levemente com os espasmos do ápice do prazer.
Ele precisou de alguns segundos para recuperar o fôlego, cada músculo relaxando momentaneamente enquanto uma sensação de regozijo tomava conta do seu corpo. Com um movimento suave, Korak a segurou pelos braços, trazendo-a para cima e deitando-a ao seu lado. Sua mão direita buscou o rosto dela, acariciando-o ternamente antes de lhe dar um beijo nos lábios. "Você foi maravilhosa", sussurrou em agradecimento, seus lábios roçando suavemente contra os dela. "Agora é a minha vez." Deu outro beijo delicado antes de se afastar. Korak deslizou pelo colchão, ajoelhando-se ao lado da cama. Suas mãos contornaram uma das pernas de Lizbeth, movendo-se com calma e firmeza sob sua saia, encontrando uma das coxas e apertando-a com determinação, sem restrições. Então, ele agarrou o tecido da saia e começou a puxá-la para baixo lentamente, revelando a calcinha fina que ela usava.
Posicionando um dos pés de Lizbeth sobre seu ombro, Korak começou uma série de beijos, trilhando um caminho desde o calcanhar até a coxa, inclinando-se sobre ela com avidez. Sua mão repousou sobre a vulva de Lizbeth, acariciando-a suavemente por cima da calcinha, já úmida e revelando a excitação crescente. Com sutileza, ele retirou a fina peça de tecido, mantendo o olhar nos olhos dela, capturando aquele momento íntimo. Afastou levemente as pernas dela, admirando a visão da vagina molhada, cada detalhe revelando sua sensualidade. Deslizou a língua sobre os lábios, denunciando sua ânsia de saboreá-la. No entanto, optou por explorá-la com os dedos, acariciando cada dobra delicada com uma ternura apaixonada. Seus lábios desceram pelo ventre de Lizbeth enquanto seus dedos encontravam o clitóris, acariciando-o suavemente com movimentos circulares, um carinho dedicado, enquanto sua língua tocava suavemente a região do monte de Vênus nela. Seus lábios aproveitavam para beijá-la e raspar levemente os dentes sobre a pubis de Lizbeth. A língua, com inveja de seus próprios dedos, afugentou-os em direção a abertura da vagina, onde pareceram encontrar um encaixe perfeito ainda não explorado. Então, a maciez de sua língua conquistou seu objeto de desejo. Korak passou a utilizar a ponta da mesma para contornar o clitóris como se estivesse desenhando o formato dele, saboreando-o cada detalhe e toda a umidade que trazia um pouco do gosto de Mortimer para sua boca. Mas, ele queria mais. Logo, passou a lambê-la com mais intensidade, sempre tomando cuidado com a maneira de tocá-la na região mais sensível de seu corpo, a fim de levar apenas o mais puro prazer para Lizbeth.
Também ávida para vê-lo em ação, Lizbeth não perdeu tempo em se ajustar sobre o colchão ao notá-lo se ajoelhar ao lado da cama, posicionando-se mais à extremidade dela, de forma a facilitar o acesso do rapaz à sua intimidade. Os toques delicados e firmes sobre a perna serviram como uma provocante introdução para o que ainda estava por vir, e ela desfrutava de cada instante de carícia que recebia do rapaz, deixando-se inflamar pelo rastro de tentação que as mãos alheias deixavam sobre sua pele, como injeções de adrenalina que se espalhavam por todo o corpo. Auxiliando na retirada de sua saia, ela ergueu o quadril apenas o suficiente para que, finalmente, fosse libertada da peça. Ainda restava uma estreita e inconveniente camada os separando, mas Mortimer se controlava para não se adiantar demais ou se afobar, assim podendo absorver cada segundo e particularidade do momento que vivia ao lado de Korak, deleitando-se com a satisfação de ter seus anseios realizados na companhia de alguém por quem nutria um enorme carinho.
Os ouvidos musicais de Mortimer eram treinados para apreciar as mais diversas melodias, mas encantavam-se com os sons de deleite produzidos por Korak a cada novo estímulo presenteado a ele, o que alimentava suas fantasias mais depravadas, das quais ele sempre havia sido o protagonista. Senti-lo pulsar e vê-lo estremecer perante seu toque, assim como a expressão de pura satisfação em seu rosto, também a enchia de euforia, incentivando-a a dar continuidade ao que fazia. Oferecer prazer a ele incitava a própria excitação, deixando suas marcas na peça que abrigava-se debaixo da saia. Vê-lo sucumbir aos seus estímulos reduzia o impacto de todos os espetáculos já presenciados por ela até aquele dia. Sustentando o olhar durante todo o tempo, enquanto mantinha a cadência de seus movimentos, continuava a estimular seu membro, sem se esquecer de atentar-se também ao par localizado em sua base, por vezes massageando-o com delicadeza e destreza com as mão, mas também deixando que a língua o alcançasse para sorver seu sabor. Não havia uma parte dele que não quisesse provar. Alternava com alguns momentos de respiro, durante os quais o tocava superficialmente com toques mais suaves, até receber os sinais que a instigavam a continuar em um ritmo um pouco mais acelerado. Escutar o próprio nome ser entoado com um gemido arrancou dela um suspiro que reverberava na excitação alheia, e o anúncio apenas atiçou ainda mais sua fome. Sem afastar a boca, o testemunhou chegar ao clímax, sentindo a evidência física do prazer de Caleb se manifestar dentro dela. Como era extraordinário vê-lo daquela forma. Concedeu a ele o tempo necessário para apreciar o momento, aproveitando a pausa para recuperar o fôlego e limpar os lábios com as costas da mão, notando o rosto corar com o calor que emanava. Não demorou para ser conduzida por ele, deitando-se ao seu lado para receber as gratificações por um trabalho bem feito. Recebeu seu beijo e sua carícia de bom grado, mas era a suavidade em suas feições que dava a ela a felicidade se vê-lo satisfeito.
O apoio oferecido por ele contribuía para o seu conforto, deixando-a aconchegada para se embeber nos beijos que trilhavam sua perna, atiçando sua pele em brasa, que reagia ao contato com um delicioso eriçar que se espalhava rapidamente. Lizbeth observava atentamente cada movimento desempenhado pelo rapaz, com toda a devoção que tinha a oferecer a ele, um sentimento que transbordava do seu olhar e permeava o sorriso com nuances de devassidão que não deixava seus lábios. O inferior deles foi mordido durante o encontro dos dígitos com sua excitação ainda encoberta, silenciando o suspiro de satisfação que se aprisionou na garganta, mas que logo encontraria a liberdade que procurava. Novamente ergueu o quadril para facilitar a retirada da calcinha, respirando aliviada por não ter mais nenhuma constrição os separando, uma exultação que se traduzia no olhar que se encontrava com um dele, criando uma conexão que incitava suas fantasias, que agora se tornavam realidade.
Prendeu a respiração quando o foco de Korak se voltou para sua intimidade, que já ostentava todos os sinais de excitação, suplicando por um contato direto com a pele alheia e o estímulo que certamente a levaria até o tão almejado clímax. Dentro de Lizbeth pulsava uma angústia latente que precisava ser amenizada, e ele era o único capaz de saciar aquela necessidade. Assisti-lo lamber os lábios em preparação, alimentou o que de mais primitivo existia dentro dela, fazendo-a suspirar baixo para controlar a inundação de desejo que a consumia. Não se lembrava da última vez que havia ansiado alguém como fazia por ele. Quebrando as expectativas, foram seus dígitos que a encontraram primeiro, arrancando dela uma risada baixa e radiante, rapidamente se transformando em um murmúrio de prazer após a combinação do estímulo em seu clitóris e na região próxima a ele. Por instinto, os olhos se fecharam, permitindo que seus outros sentidos apreciassem em completude a nova espécie de arrebatamento que nascia em seu ventre acalorado. Os movimentos sobre o ponto mais sensível de seu corpo eram delicados e ritmados, dando início a pequenas descargas elétricas, que timidamente se alastravam e causando nela um arfar a cada novo disparo. Controlando o ímpeto de suas pernas de se fecharem, tamanha era sua vontade de tê-lo contra si, como se desejasse absorvê-lo naquela maré de excitação que a envolvia, a destra agarrou-se na roupa de cama.
Mas foi a maciez e a umidade da língua de Porter que a levou até um novo mundo, salpicando constelações na escuridão dos olhos cerrados. Tombando a cabeça para trás, fazendo com que a cascata de fios negros pendesse formosamente em contraste com a pele alva de suas costas, um gemido rouco ecoou de sua garganta, sendo este um sinal de aprovação para o desempenho do rapaz. Mantendo a outra como apoio sobre o colchão, Mortimer levou a mão aos cabelos de outrem, afundando-se nos fios para agarrar-se neles, sustentando a delicadeza de seu toque. Enquanto era inundada pelas ondas de prazer que se agitavam em seu interior, ela dirigiu o olhar para Korak, sorvendo a imagem dele entre suas pernas, como uma das cenas mais eróticas que já havia presenciado em toda a sua vida. Não podia acreditar na veracidade do que via. Espontaneamente, um sorriso jubiloso nasceu em seu semblante, sendo incapaz de esconder sua felicidade naquele momento. Demonstrando esse sentimento, abandonou a firmeza nos dedos por um momento, acariciando os cabelos alheios. Com calafrios percorrendo o corpo, seu quadril se uniu à cadência executada pela habilidosa língua alheia, também se deslocando em pequenos movimentos circulares, assim colaborando para o seu próprio estímulo. ── Assim, Korak. ── O nome se desprendeu dos lábios como a mais doce melodia sibilada, sem qualquer hesitação ou remorso, e um novo sorriso radiante se desenhou neles, feliz por finalmente ter conquistado aquele a quem tanto queria.
Com a pressão e o ritmo irretocáveis em seus estímulos, que se intensificavam gradativamente, o rapaz continuava a incendiar a labareda que queimava no baixo ventre de Mortimer, que se espalhava em diversos pontos de flamas cada vez mais ardentes, se abrasando em seu interior. A excitação crescente se apoderava também dos movimentos dela, despontando alguns espasmos que surgiam pontualmente à medida que era conduzida até o clímax. Alternava entre fechar os olhos e admirar a linda cena de Korak naquela posição, hesitante em perder qualquer instante da ocasião. Seus músculos tornavam-se tensos, mas cobertos por uma aprazível e envolvente onda de relaxamento, como se esperassem em expectativa pelo deleitoso alívio para toda a tensão que se acumulava dentro dela. O silêncio do quarto era invadido pelos sons de regozijo que deixava sua boca, entre suspiros e gemidos, cada vez mais ritmados e altos. Como se uma onda gelada perpetuamente se quebrasse contra a base de sua coluna, já não encontrava mais forças para respirar e sua visão tornava-se turva, sentindo o ápice se aproximar. Em preparação, penteou os cabelos dele para trás, então voltando a agarrar-se a eles enquanto as pernas se fechavam delicadamente para mantê-lo ali. ── Continua… ── O incentivou com a voz sôfrega, uma ordem que logo se mesclou com uma lamúria longa e pesada. Apertando os olhos, seu corpo se contorceu e tremulou, invadido por um orgasmo intenso que a fazia flutuar até outra dimensão, onde era abraçada pelo mais puro êxtase. Desfrutou da extasiante sensação durante os segundos pelos quais se perdurou, sentindo a adrenalina pulsar forte em suas veias, juntamente com o júbilo que exalava da pele abrasada. Exausto e clamando por um pouco de descanso depois do apogeu, seu corpo lentamente procurou pelo conforto do colchão, deitando-se sobre ele enquanto os pulmões buscavam por ar. Uma risada baixa brotou de repente, expressando o contentamento que a acometia. Dirigindo o olhar para ele, assim como um sorriso que atravessava seu rosto, o chamou com o indicador. ── Vem aqui. ── Já não sabia mais se conseguiria permanecer afastada por muito tempo, ansiando por tê-lo em seus braços novamente.
𓍢ִ໋ ʿ ainda que desejasse poder evitar a mortimer por mais tempo, o destino não parecia contribuir com seu plano. skylar quase esbarrou em lizbeth no meio do corredor, seus reflexos rápidos consequência do dragonball foi o que certamente evitou aquela esbarrada. antes que pudesse pedir desculpas pelo encontrão, percebeu de quem se tratava. a expressão em sua face rapidamente se tornou algo mais voltada para a culpa, aquele sentimento que vinha lhe perseguindo desde o dia do equinócio de outono. foi por pouco que não queimou a Academia, tinha quase certeza que caso não a tivesse machucado, o desastre seria maior. ferir alguém foi o que lhe fez retomar o controle dos poderes e recolher suas chamas azuladas. “ ━━━ eu ia pedir desculpa por atrapalhar o caminho... mas na verdade acho que devo desculpas por outra coisa." começou. “ ━━━ sei que todo mundo perdeu um pouco do controle dos poderes..." e o aparelho auditivo que usava era a prova disso. "... mas mesmo assim sinto muito pelo o que acabei fazendo. estava desorientado com os gritos da hook e... bem, a merda aconteceu."
Caminhando em direção à sala de aula, para cumprir com sua agenda irrelevante, repleta de obrigações e compromissos que em nada contribuíam com sua vida, Mortimer distraia-se com os próprios pensamentos, até sentir o corpo colidir contra outro. Com o semblante pesado, dirigiu o olhar até a figura, encontrando o responsável por sua queimadura ali. Sua reação foi empertigar-se Não ficou satisfeito por quase me carbonizar? A provocação morreu na ponta de língua, impedida apenas pelo remorso que o outro transparecia. Devido ao estrago causado na fatídica comemoração, comovia-se com a atitude do rapaz, mas não ao ponto de demonstrar seus sentimentos benevolentes. ── O que espera que eu diga, Bjorgman? ── Arqueou uma das sobrancelhas. ── Está em busca do meu perdão? ── O tom usado era firme, mas não intimidador o suficiente para afugentá-lo. Os olhos semicerrados o estudavam, apenas interessada na reação despertada através de suas perguntas. No fundo, Lizbeth não condenava nenhum dos estudantes pela cadeia de incidentes transcorridos durante a caótica noite do Equinócio de Outono, mas não podia amansar-se diante dos filhos dos benfeitores de um dia para o outro. Era o que esperavam dela, afinal.
Ser colocado em ronda nos jardins só poderia significar que alguém realmente odiava Arkyn, ou qualquer nascido mocinho que fosse, já que isso era competência de Gothel e ele sabia muito bem que não podia esperar nada de bom vindo da diretora. Odiava a ideia de ficar tão próximo da floresta depois dos acontecimentos recentes, mas alguém ainda tinha que fazê-lo e infelizmente, naquele dia, esse alguém era Arkyn. O homem se mantinha quieto em um dos cantos, encostado as estatuas da fonte, com o olhar perdido no horizonte, quando um murmúrio estranho se fez presente no ar, trazendo um arrepio gélido a sua espinha e a percepção de mais alguém ali. A voz da Mortimer chamando por sua atenção, faz com que Haddock vira-se no sentido dela, negando com um balançar de cabeça. "nenhuma palavra.", além daquelas que proferia no momento. "por um instante, achei que pudesse ter sido você, mas se não foi nenhum de nós dois, então sobra..", seu olhar desviou no sentido da floresta, a nevoa que a recobria avançando no sentido de Tremerra, estava assim fazia alguns dias, avançando para tomar a academia.
Quando suas suspeitas foram confirmadas, o instinto inicial de Lizbeth foi se enraivecer, pois estava cansada de lidar com problemas e situações inexplicáveis diariamente. Não tinha ideia de qual caixa de Pandora havia sido aberta ou qual maldição havia sido lançada sobre aquele lugar, mas tudo que existia de mais assombroso parecia rondar o território de Tremerra. ── Eu detesto esse lugar. ── Queixou-se com um suspiro baixo, dispensando qualquer explicação sobre seu ponto de vista, certa de que o rapaz compreendia exatamente ao que se referia com o comentário pesaroso. Com alguns passos, aproximou-se do caminho que levava até a floresta, uma região que se banhava na mescla de penumbra e nevoa, invadida por uma atmosfera sombriamente intrigante. A razão tentava convencê-la a virar as costas e retornar ao seu dormitório, deixando para trás o ruído com potencial para se tornar um problema. Entretanto, cansada de não ter qualquer informação sobre os acontecimentos recentes por parte da diretoria, sabia que cabia a si mesma a busca por respostas. ── Sua ronda implica uma aventura na floresta ou acha melhor buscar reforços para isso? ── Voltou-se para o rapaz, indiretamente sondando-o para descobrir qual era sua opinião como membro do esquadrão.
Em outro contexto ou momento, ouvir a descendente de Úrsula confessar que estava adquirindo alguns hábitos ou maneirismos de Korak poderia ser interpretado como um sinal de proximidade, de uma naturalidade incrível na convivência que os deixava à vontade para replicar certos costumes um do outro. No entanto, naquela circunstância específica, fosse apenas uma brincadeira dela ou não, Korak se viu agitado com a possibilidade de encontrá-la ferida novamente, seja por algum impulso leviano ou algo mais sério e inexplicável, como no Equinócio de Outono. Se o perigo se aproximava, era necessário redobrar a cautela. Todo cuidado era pouco diante das desgraças que assolavam Tremerra nos últimos meses, e Korak não estava disposto a correr o risco de perdê-la para outra noite como aquela. Nem mesmo conseguia conceber o que faria caso algo acontecesse a Lizbeth. Com esse pensamento, um nó se formou em sua garganta, obrigando-o a observá-la da distância de sua maca, proibido de se aproximar após a repreensão da enfermeira. A distância parecia aumentar sua angústia; ela estava ali, tão perto, e ainda assim ele não podia encontrar abrigo nos braços de outrem após a onda de caos na noite anterior. "Estou lidando bem com isso." Arranhões e hematomas nunca derrubariam o filho de Tarzan, mas a tormenta mental abalou Korak mais do que qualquer ferimento físico, algo que nunca experienciara antes. "Hazal não fez por mal." Mesmo sendo uma dor intensa, ele jamais culparia a amiga quando todos pareciam desconectados, ele incluso. Um suspiro desolado escapou dos lábios de Porter, enquanto buscava mais uma vez os olhos dela, cujo verde tinha o poder de acalmá-lo. O som da embalagem do esparadrapo ao cair fez Korak se sobressaltar de onde estava, e seus olhos se voltaram rapidamente para compreender o ocorrido. Não demorou para identificar quem provocara o som. Ele teve de abaixar a cabeça para esconder o sorriso que se formava em seus lábios ao perceber o gesto de Lizbeth e o olhar repreensivo da enfermeira. A mão dela propositalmente tocou a sua, como se buscasse apoio para recuperar o objeto. O contato trouxe um calor irradiante ao local, espalhando-se por seu corpo, até suas bochechas corarem levemente. "Eu sei. Eu também fui um deles." Admitiu com a voz baixa, enquanto seus olhos fixavam as mãos entrelaçadas, desejando poder segurar as dela como desejava. "Mesmo que não tenha sido minha culpa, machuquei alguém nesse surto. E machuquei de verdade." Revelou em voz baixa. Não era segredo, logo, os feridos e os agressores seriam tema de muitas conversas em Tremerra, mas isso não diminuía sua vergonha e remorso. Seus olhos buscaram os dela, procurando por julgamento sobre aquele assunto. "Eu quase arranquei a costela dela, Liz." Confessou ao vê-la se levantar diante dele, seu semblante assumindo uma expressão mais sombria e pesarosa, como se essa confissão atormentasse mais Korak do que a própria dor sofrida por Charming. "Essas coisas precisam parar antes que alunos morrendo se torne uma nova modalidade por aqui." E, principalmente, antes que alunos comecem a ceifar a vida uns dos outros, como quase aconteceu na noite passada. "Você... Você tem conversado com sua mãe desde o..." Não ousou mencionar o ataque de Úrsula contra sua própria filha, apenas indicou discretamente a pequena cicatriz deixada na pele dela. O que esperar de alguém que machucava a própria filha? "Para saber se estão investigando o que está acontecendo."
Por mais que Korak tentasse transmitir tranquilidade através das palavras, seus olhos transpareciam melancolia e remorso, características que ela nunca havia encontrado no par que tanto lhe trazia alento. Era quase desconcertante vê-lo naquele estado, pois sempre apresentara uma postura confiantemente radiante, com o poder de encantar a todos sem qualquer esforço. A entristecia profundamente presenciar o colapso de alguém a quem tanto adorava. Encontrá-lo tão abalado, também reforçava a dimensão do impacto negativo de tudo que havia acontecido naquela noite, e causava grande apreensão em Mortimer, que não tinha perspectiva alguma de que as coisas pudessem melhorar, não enquanto todos fossem mantidos em absoluta ignorância sobre o que ocorria e os responsáveis pela instabilidade geral. Não discordava da inocência de Hazal naquelas circunstâncias, pois seus próprios olhos haviam presenciado o descontrole que assolara todos os alunos, assim como o próprio desequilíbrio, entretanto não descartou uma possível participação de Charming em todo aquele caos. Afinal, ainda esperavam por uma confirmação da morte ou sobre o paradeiro do homem. Sem nem sequer terem a oportunidade de se recuperarem por completo de cada golpe que recebiam, porém, não podia culpar as pessoas por se esquecerem com facilidade de alguns detalhes relevantes. Deixando de lado as teorias conspiratórias, Lizbeth devotava sua atenção ao rapaz, ativamente escutando sobre sua experiência e chocando-se com o que descobria. Era inconcebível a ideia de Caleb atacando alguém com tamanha violência, o que justificava a confusão e a culpa que o assolavam. O coração se apertou em seu peito e por um instante o mundo ao redor desapareceu, concedendo a ambos uma momentânea privacidade ilusória.
Decidida a confortá-lo e demonstrar amparo, a destra repousada sobre a mão dele procurou por seu rosto, delicadamente o emoldurando. Com firmeza no olhar, silenciosamente o convidou a fitar suas írises, criando um vínculo de cumplicidade. ── Não há nada que possamos fazer para desfazer as consequências do que aconteceu aqui hoje, mas a gente ainda tem a oportunidade de remediá-las e evitar que novos incidentes como esse aconteçam futuramente. ── O polegar deixava carícias delicadas sobre as marcas recentes que cobriam a pele alheia. Como desejava beijar cada uma delas e fazê-las desaparecer. ── Você precisa me prometer que não vai ficar remoendo essa culpa, porque ela não te pertence. Trate a si mesmo com o mesmo carinho, respeito e compreensão que está oferecendo à Hazal. ── Em momentos como aquele Lizbeth mostrava sua força, adquirida graças ao seu papel como irmã mais velha, mas que nem sempre encontrava espaço para ressurgir. ── E eu estarei aqui pra conversar sempre que precisar. ── Um sorriso afetuoso foi sua última demonstração de carinho, antes que seu corpo e suas mãos recuassem, afastando-se apenas o suficiente para que não chamassem a atenção negativa de ninguém ali. Com a introdução de Úrsula no assunto, um suspiro pesado se desprendeu de seus lábios e a frustração logo inundou suas feições. Ainda não se sentia completamente confortável em discutir sobre qualquer questão envolvendo a bruxa dos mares com ele. ── Ela nunca me contou nada sobre a vida dela ou o que acontece por aqui, duvido que vá começar agora. ── Sua atitude defensiva se fazia presente, ainda que sutilmente. Além de não saber ser seguro envolver Korak em sua vida, pois reconhecia os perigos que sua mãe empregava a ela, identificava o julgamento implicado na entonação alheia. Qualquer ressalva sobre Úrsula era justificada, mas ainda era difícil para sua filha lidar emocionalmente com todas as acusações que sempre recaíam sobre ela, como se fosse a responsável por todo o mal que assolava Tremerra. Aquele parecia ser um fardo que sempre a acompanharia. ── Mas, tentarei descobrir algo outro dia. ── Falava a verdade, pois estava cansada de lidar com o desconhecido diariamente, como se o medo já não fizesse parte de sua rotina desde o seu nascimento. ── Todo esse lugar deveria ser investigado.
Ainda estava se recuperando da sensação de isolamento, a solidão que sentiu enquanto estava presa na jaula que as sombras, que deveriam estar em seu poder, fizeram ao seu redor. Até onde sabia, a única pessoa que estava próxima o suficiente para se machucar foi Liz, uma das únicas pessoas que, ao saber que também estava na enfermaria, a deixaria naquele estado. Os olhos lacrimejando, o nariz, já todo vermelho, ameaçava começar a escorrer. "Tem certeza que tá tudo bem? Eu... Tem alguma coisa que eu posso fazer pra ajudar? Só falar, que eu... eu.." Tinha ido ali com intuito de ter uma conversa normal, ver como as coisas estavam sim, mas de forma calma. "O que aconteceu? Depois do início do caos, eu não vi mais nada. Fui eu que fiz isso?"
Em meio ao borrão formado por suas memórias mais recentes, Lizbeth identificava o incidente que marcava seu encontro com Juniper entre a multidão em descontrole, uma situação assustadora, mas não pelos ferimentos causados em sua pele. Recordava-se de vê-la ser engolida por um dome de sombras e de todos os espinhos originários dele, uma imagem que ainda desprendia ondas de arrepio por seu corpo. Reconhecendo-a como uma figura delicada, lhe partia o coração vê-la tão abalada depois do que havia vivido, principalmente por se responsabilizar pelo ocorrido. ── Jun, a única coisa que pode fazer por mim é se acalmar. ── Seu timbre era afável e a destra buscou pela mão alheia, firmando-a entre seus dedos como sinal de amparo. ── Não gosto de te ver assim. ── O polegar deixava carícias sobre sua pele. ── Está tudo bem comigo, foram apenas alguns arranhões, nada de mais. Essa queimadura foi causada por outra pessoa. ── Outra pessoa igualmente isenta de qualquer culpa. Sem saber como explicar toda o pandemônio, o qual ainda tentava racionalizar sobre, Mortimer inspirou profundamente. ── O que aconteceu foi mais confusão. Todo mundo acabou perdendo o controle de alguma forma, mas ainda não dá pra saber exatamente qual foi o resultado disso tudo. ── Não mentiria, dando à filha de Hades a honestidade que merecia. ── Mas, e você, como está?
Mesmo diante da possibilidade de Mortimer estar falando a verdade, Seamus não admitiria sua falha naquele momento íntimo. Sua virilidade e moral estavam sendo questionadas, e ele se via nas mãos de alguém tão inconfiável e escorregadia como a prole de Úrsula. Sentia a necessidade de pressioná-la, jogar com as peças que tinha em mãos para reprimi-la e amedrontá-la, fazendo-a se tornar a única culpada daquela situação desastrosa em seu dormitório. "Claro que estava! Mais parecia que eu tinha uma defunta na minha cama, mais árida que o deserto, como você mesma disse, não é?" Com intrepidez, ele revidou, cercando-a em seu próprio discurso. O peso de seu corpo esmagou o sutiã contra o chão, impedindo-a de recuperá-lo, concedendo-lhe mais tempo para atormentá-la e garantir sua vitória naquela batalha. "Só que agora faz sentido porque eu tive que gastar toda minha energia para te deixar molhada. Você tinha outro em sua mente." Cada palavra era pronunciada com a convicção de que Mortimer era uma verdadeira criminosa, merecedora de qualquer castigo. Nunca enfrentara problemas com outras mulheres que estivessem dispostas a se deitar com ele e tê-lo como único objeto de desejo. Não se importava com o desdém alheio nem com a irritação que o pirata incitava na prole de uma das Três Grandes. A competição era acirrada, e Seamus não podia desistir, pois sua moral estava em jogo. "Você nunca deveria ter feito eu perder tanto tempo quando a única coisa que você deveria fazer era abrir as pernas para o idiota da selva ou, pelo menos, esconder muito bem esse seu desejo vergonhoso", vociferou Seamus, segurando o rosto de Lizbeth com agressividade. A proximidade física e a nudez não importavam para ele naquele momento, pois seu único objetivo era impor sua superioridade como homem. "Agora, não sei se procuro primeiro esse tal de Korak ou a Dona Úrsula para uma conversa séria. O que vale mais? O valor da renda de um sutiã ou o pescoço do seu namoradinho?" Seamus estava determinado a recuperar sua honra e provar sua masculinidade. A raiva pulsava em suas veias, misturada com um sentimento de humilhação e a necessidade de vingança. Ele não mediria esforços para alcançar seu objetivo, mesmo que isso significasse confrontar pessoas perigosas e mergulhar mais fundo em um mundo obscuro de intrigas e segredos. "Sugiro que comece a tentar me convencer a não dar início aos meus planos ao invés de destilar o seu veneno em mim."
Tão estúpido quanto o idealizava, Seamus apenas reafirmava a própria ineficiência com seus argumentos, que não tinham qualquer eficácia em atingi-la ou intimidá-la. Não era culpa dela a falta de excitação ao deitar-se com outrem, já que o mero devaneio envolvendo outra pessoa em seu lugar fora eficiente para avivar a libido de Mortimer. Mas também não podia culpá-lo por se ofender com suas investidas, já que esse era exatamente seu objetivo com elas. ── E quem você acha que foi o responsável por me deixar árida? Ou achou mesmo que eu ficaria molhada pensando em você? ── O desprezo escorria de sua boca, onde se moldava um sorriso arrogante. ── Mais uma vez está tentando jogar a responsabilidade sobre mim, mas no fundo sabe que a incapacidade é mérito todinho seu. Devia me agradecer por ao menos ter tentado. ── Se não fosse por Korak, certamente teria abandonado aquela cama antes mesmo que o outro tivesse a oportunidade de tocá-la, o que considerava um privilégio concedido a poucos. Os lábios tremeram de raiva diante dos impropérios tecidos a respeito de Porter, cuja figura era preciosa demais para sequer ser citada por alguém tão imoral quanto Seamus. Mas o limite de sua tolerância foi ultrapassado no momento em que seu rosto foi agressivamente agarrado, um ato de violência ao qual não se submeteria. Podia ser submissa e temente a Úrsula, mas a mais ninguém. Permitiu que o rapaz concluísse suas ameaças, deixando que cada uma das palavras alimentasse sua cólera, sentindo-a crescer dentro de si, prestes a transbordar. A respiração tornou-se pesada, assim como o olhar que recaía sobre ele, tão sombrio quanto a tempestade que se formava dentro dela. ── Antes de me ameaçar, devia saber que a persuasão é minha maior arma. ── Um risinho pedante complementava a frieza presente na voz, demonstrando-se pouco impressionada com a tentativa de intimidação performada pelo rapaz. ── Eu nem sequer preciso levantar um dedo pra te destruir, sabia? E mesmo depois de fazê-lo, minhas mãos continuariam livres de sangue e você seria o único suspeito como responsável pela própria destruição. ── Retrucou com frieza. Lizbeth nunca havia levantado a mão ou se alterado para confrontar alguém e aquela não seria a primeira vez que o faria. ── Que tal uma pequena demonstração prática do meu alerta? ── Uma fagulha de sadismo cintilou em seu olhar e uma inspiração profunda foi o que precisou para regular sua habilidade, então podendo executá-la. ── Tire sua mão do meu rosto, se afaste do meu sutiã e se ajoelhe perante a mim com as mãos nas costas. Agora! ── Deformada pela própria autoridade, completamente inundada pela fúria que o rapaz despertava nela com seu atrevimento, Lizbeth se tornava uma réplica perfeita da própria mãe, transparecendo seu lado tirânico e impiedoso. ── Quer morrer flácido, Teach? Também posso me assegurar de que esse será o seu fim, caso queira continuar com as suas brincadeiras.
A constatação compartilhada por Lizbeth sobre a frequência dos ferimentos trouxe um sabor amargo à boca de Korak, uma sensação que ele tentou, em vão, engolir. Não queria aceitar tal realidade, tampouco se acostumar a vê-los feridos com tanta frequência. Temeu por eventos futuros, especialmente pelo que aconteceu a Jhonathan no Equinócio de Outono. O medo o assolava, sobretudo pelos que ele mais prezava, como Lizbeth, cujo bem-estar estava no topo de suas preocupações. "Pensando por esse lado, não posso discordar", ele admitiu com uma inclinação de cabeça, embora mostrasse descontentamento. No entanto, esforçou-se para manter uma fachada serena, escondendo o verdadeiro peso de suas preocupações. Seus olhos desviaram para o antebraço ferido apresentado por Lizbeth, expressando alarme. "Não quero que adote esse hábito meu de se ferir com frequência", expressou, o rosto angustiado pela preocupação, tocando delicadamente a pele ilesa próxima à queimadura. "Está doendo muito?", perguntou, alternando o olhar entre o ferimento e os olhos dela, ouvindo com leve sarcasmo o otimismo de Lizbeth. "Você não tem jeito." Um riso suave escapou dele ao ajeitar alguns fios de cabelo atrás da orelha dela. "Espero que não só seu rosto, mas você inteira, permaneça intacta." Seu dedo deslizou até o queixo dela, erguendo-o levemente antes de se atrever a dar um breve beijo em seus lábios, uma mistura de alívio por vê-la bem e saudade. Antes que pudesse alcançá-la com seus lábios, uma enfermeira o interrompeu com uma ordem firme. 'De volta à sua maca, Sr. Porter.' Ele suspirou profundamente, retornando à sua cama, visivelmente contrariado e frustrado, acomodando-se sentado no colchão. "Como estou?" Por onde começaria? Seu olhar vagueou pelo teto da enfermaria por um momento, reflexivo e consternado em abordar aquele assunto. "Fisicamente estou bem, apesar dos arranhões e hematomas que causei a mim mesmo, e a tortura mental imposta por Hazal", confessou ao fitá-la, agora a uma distância que nada lhe agradava. "Psicologicamente... não estou tão legal assim. Perdi completamente o controle da minha mente e do meu corpo, me tornei um monstro e machuquei pessoas que eu gosto no meio disso tudo." A lembrança turva trouxe desconforto, tensionando seus músculos. "Não foi uma noite fácil. Ainda não consegui digerir o que aconteceu com todos."
O sopro fraco de um riso desprendeu-se de seus lábios, enquanto Lizbeth tentava encontrar um pouco de humor na frequência com a qual se reencontravam feridos, ainda que lamentasse o fato de raramente terem tido momentos de serenidade juntos. Temia que todos os hematomas e lacerações que marcavam suas peles, simbolizassem o presságio do desenlace daquele envolvimento entre ambos. Essa preocupação parecia irrelevante e egoísta em meio à desordem que assola Tremerra naquele momento, e ela tinha ciência disso. Entretanto, ninguém podia condenar uma pessoa criada imersa no caos por desejar o mínimo de tranquilidade ao iludir-se com um vislumbre da alegria atrelada a ela. ── Estou tentando, mas sua influência sobre mim tem sido inevitável. ── Segredou a confissão, voltando o olhar para o toque delicado sobre seu braço. ── Não, acho que meu cérebro nem está tendo a chance de reconhecer a dor. ── Mesmo durante o ataque de Skylar, atribuía apenas à sorte e ao instinto de sobrevivência a fortuna de não ter sofrido ferimentos mais graves, pois sua mente encontrava-se completamente aturdida com tudo que acontecia ao seu redor e em seu interior. ── Acho seguro concluirmos que os perigos sempre nos encontrarão, independente se nos cuidarmos ou não. ── Os olhos se dirigiram para o rosto de Caleb para contemplá-lo sorrir. ── Pelo menos eu tenho um enfermeiro pessoal pra cuidar de mim. ── Envolvida pelo sentimento de alívio e pelo carinho que recebia do rapaz, foi com facilidade que Mortimer se esqueceu que estavam em público, inclinando-se na direção alheia para receber os lábios dele nos seus para um beijo afetuoso. A voz da enfermeira irrompeu de repente, transpassando a frágil redoma de intimidade que acreditava ter criado entre eles e colocando uma barreira entre eles. Depois de ser arrastada para a realidade, lançou um olhar zangado para a mulher, mas logo avaliou demais alunos e funcionários que se encontravam no local, checando se mais alguém os observava. Mais do que nunca, temia pela segurança de Porter e não podia se arriscar como fazia ali. Também suspirou, evitando pensar nos erros que cometia a respeito dele, então concentrando sua atenção no que dizia. Imaginá-lo na situação descrita, mesmo que lhe faltasse detalhes, deixou seu coração apertado. Ele havia sido o responsável pelos próprios ferimentos. ── Tortura mental? Korak… Eu sinto muito. ── O fitou com comiseração, desejando abraçá-lo. Se recusando a confortá-lo à distância, alcançou uma embalagem de esparadrapo que jazia sobre sua maca, estratégica e descaradamente a lançando no chão, próximo de onde o rapaz estava. Dirigiu à enfermeira um olhar reptante, a desafiando a tentar impedi-la de se aproximar de Caleb. Saltou para fora da maca, então se abaixando para recuperar o objeto, usando a atividade como pretexto para se segurar na mão de outrem. ── Por tudo que eu vi, vivi e escutei por aqui, todos acabaram perdendo o controle. Novamente! ── Procurou pelo olhar dele, então apertando seus dedos com delicadeza. Desde o incidente na comemoração de Úrsula, nada estava igual e, quanto antes admitissem que nada retornaria ao normal, não sem o mínimo de esclarecimento e cooperação daqueles no comando, melhor. ── Não sei o que exatamente aconteceu com você, mas espero que saiba que não foi sua culpa. ── Concluiu, erguendo-se diante dele.
Naquela tarde tranquila, Lizbeth caminhava pelos caminhos sinuosos do encantador jardim localizado no território da Academia. As flores exalavam seus aromas suaves, e o sol derramava seus raios dourados sobre o cenário plácido, com a natureza exuberante dando a ela uma falsa sensação de tranquilidade. Absolutamente nada encontrava-se em serenidade ali, mas fingir era o que os impedia de serem tomados pela completa revolta ou insanidade. De repente, um ruído estranho rompeu a mansidão do momento, tão insólito que carregava consigo uma algidez igualmente inusual. Um murmúrio fantasmagórico pairava no ar, fazendo-a se sobressaltar. Confusa, virou-se rapidamente, buscando a fonte do som misterioso. Seus olhos encontraram Arkyn, o único presente no local naquele momento. ── Você disse algo? ── Perguntou, seu olhar fixo no rapaz, com seus olhos transmitindo uma mistura de curiosidade e apreensão. ── Não sei se entendi. ── Novamente, buscava ser iludida com a inverdade, pois sua intuição apontava para outra origem para o sussurro, que sequer parecia humano.
O murmúrio ao pé do ouvido de Seamus atiçou uma chama intensa em seu ímpeto, impelindo-o a se dedicar com afinco às carícias íntimas sobre o corpo de Mortimer. Cada tremer de suas pernas era uma confirmação silenciosa de que, pelo menos ali, Seamus era um mestre. No entanto, seu próprio membro parecia se rebelar, recusando-se a seguir o comando usual. O álcool, antes um aliado, agia como um traidor, deprimindo seu sistema nervoso e minando sua performance. A voz de Lizbeth, entrelaçada com gemidos, era seu catalisador, mas um equívoco abrupto fez com que a sinfonia sensual desmoronasse. Um nome que não era o dele escapou de seus lábios, interrompendo a harmonia que Seamus tentava criar. Os movimentos perderam a cadência, os olhos escuros do pirata buscaram os dela em busca de explicações, sua expressão uma mescla de incredulidade e raiva. O afastamento brusco por parte dela coincidiu com a própria elevação de Seamus, sua face contorcida pela indignação. "Você me chamou do quê?!" A pergunta, enérgica e irritada, ecoou no ar. Não era apenas sobre um equívoco na cama; era sobre ser confundido com um imbecil. "Como é que é?" Os olhos dele fixaram-se em seu próprio membro, agora mais flácido do que nunca, uma visão que o incomodava tanto quanto a confusão dos nomes. "Claro! Como você quer que fique duro me chamando pelo nome de outro?" A retórica afiada era uma recusa obstinada em aceitar qualquer falha, ignorando qualquer explicação ou contexto. Seamus agiu rapidamente, antecipando-se ao movimento de Mortimer em direção ao sutiã, esmagando-o sob o pé antes que ela pudesse alcançá-lo. "Korak, hum? As pessoas sabem que você está gemendo o nome de um fracassado por aí? A sua mãe sabe?" A provocação cortante era um golpe direto à Lizbeth, um lembrete cruel de que Seamus não aceitava nada menos do que ser o único nome em sua mente naquele momento.
Intencionalmente ignorava qualquer indagação confusa expressada pelo rapaz, a quem dava toda a razão por estar indignado, pois sequer conseguia assimilar o que havia acabado de acontecer. Dentre todas as besteiras que podia cometer a respeito de seu relacionamento com Korak, sibilar o nome do rapaz na cama e na companhia de um de seus maiores rivais não constava na sua lista de temores. Pagava caro pelo lapso de julgamento que, em uma decisão desesperada e condenável, a havia condicionado a recorrer à Seamus em busca de consolação sexual. Sairia daquele quarto, porém, não apenas sem saciar sua fome, mas também humilhada e temerosa pelas possíveis consequências da revelação inesperada. Agora, existia o risco daquela informação chegar aos ouvidos das pessoas erradas. Ele não ousaria. Lizbeth era filha de Úrsula, afinal, parte efetiva da temida tríplice e soberana dos mares. Além disso, quem em sã consciência acreditaria nele? Não permitiria que a angústia prevalecesse novamente, atendo-se ao que lhe restava de otimismo. ── Seja sincero consigo mesmo, Seamus. Essa porcaria estava mole muito antes de qualquer nome escapar da minha boca. ── Por orgulho, não consentiria que fosse responsabilizada pela impotência alheia, também investindo em seus ataques pessoais para desvirtuar o foco da discussão, enquanto buscava por suas roupas e, posteriormente, fugisse sem olhar para trás. ── Procure ajuda profissional, isso não é normal na sua idade. ── A mão que buscava alcançar a lingerie pairou no ar quando o viu ultrapassá-la, sentindo sua fúria aumentar ao vê-lo pisar na peça. Era uma afronta a quem já estava no limite. A bravata conseguinte, então, foi a gota d’água para Mortimer, que lançou um olhar letal a ele à medida que se aproximava com passadas lentas. ── Você se acha na posição de chamar alguém de fracassado, Teach? ── Nuances sombrias permeavam sua voz, tornando-a mais grave e ameaçadora. Temente à própria mãe e ao que seria capaz de fazer contra Porter, caso descobrisse sobre seu interesse por ele, Lizbeth agigantava-se diante de outrem, protegendo aquilo que lhe era de valor. ── Você não tem nem a capacidade de manter uma ereção! ── Dos lábios escorria o cruel desdém, que se mostrava muito mais alarmante do que uma simples provocação. ── Também duvido que saia vitorioso se quiser me desafiar como está tentando fazer aqui. ── Quase sussurrava, parando a centímetros de distância dele, sem se importar com a possível fragilidade de seu corpo nu. ── Tire seu pé imundo do meu sutiã, agora! Só a renda dessa peça vale mais do que sua vida, seu imprestável.
A leveza com a qual a conversa seguia, lembrava Verena de momentos mais simples e menos caóticos, fossem em Tremerra como um todo, ou na sua vida pessoal, e ela gostava de momentos assim, sentira falta deles e ainda mais na companhia de outrem. Seu sorriso espalhava, de certo modo, o de Lizbeth, mais largo, leve e divertido, quase como se não tivessem começado aquela conversa num desabafo sobre inconvenientes. Os olhos permitiram perder-se no momento junto com a mente, vagando pelas feições alheias e apreciando os traços que tinha descrito instantes atrás, que gostava na outra. Verdade seja dita, Verena tinha alguns princípios que a impediam de investidas sérias e consistentes com outrem, mas jamais negaria que Lizbeth era portadora de uma beleza estonteante, daquelas de tirar completamente o folego, e juntar isso com a personalidade confiante só agravava mais a questão. Quem não cairia por ela? Naquele breve devaneio, a loira podia até imaginar o amigo junto a ela, Korak também era um acontecimento para os olhos, adorável e charmoso numa mesma medida. Céus, realmente formariam um casal bonito. A mente a trouxe de volta para a realidade, despertando-a no instante em que foi questionada, "suponho que sim, infelizmente já o vi treinando e é realmente um monumento. O infelizmente fica no quesito do time sempre perder, e é só isso que vou revelar.", até por considerar que isso já falava o suficiente sobre quem era. Seu olhar desviou outra vez para a piscina e a água que ondulava pouco, quase parada, "não sei se ele acharia o mesmo, talvez preferisse que eu não falasse nada ou que tivesse esquecido. Mas aqui entre nós, acho que ele mereça uma chance, nem que seja uma conversa franca.", pois desconhecia os sentimentos da mulher ao seu lado, mas conheceu os dele, então era importante que eles descobrissem se estavam na mesma página ou não. Na perspectiva da Westergaard, ambos mereciam um pouco de cumplicidade romântica na vida, mas não seria ela a bancar o cupido ali, nem sempre acabava bem. A frase ouvida a seguir, arrancou um riso sem jeito da loira, acompanhando de um contido suspirar. "eu tento, afinal já estamos fodidos o suficiente para ficarmos uns contra os outros.", já bastavam os pais, Tremerra, o maldito livro; tudo parecia uma guerra naquele lugar e Verena, apesar de tudo, se recusava a levar mais uma para os colegas. "não o culpo por ser retraído, pelo que diz, não deve ter sido nada fácil crescer com Úrsula como mãe.", não que fosse fácil crescer com Hans, mas ela teve alguma liberdade durante a infância, as coisas só complicaram na adolescência, "e apesar disto, vocês Mortimer's conseguem crescer na gente. Mentiria se falasse que não gosto dele, não tanto quanto de você, mas gosto.", Ace tinha conquistado um pouco do respeito de Verena, para depois conquistar parte de seu afeto, mesmo que as conversas se baseassem em favores, tinha algo nele que a fazia cruzar a linha dos negócios e realmente se importar com o outro. "é uma ótima ideia, só espero que ele não se sinta enganado.", completou entre risos, desviando o olhar para a morena, fitando o sorriso que surgia em seus lábios sobre o kraken. "dócil? Um gato ronronando no seu colo, é algo dócil. Uma criatura com tentáculos e olhos maiores do que eu, é algo completamente diferente e assustador, com todo respeito.".
As pistas seguintes a respeito da identidade do misterioso deus grego arrancaram de Mortimer uma risada curta, também confirmando a desconfiança que já lhe parecia correta. Pouco acompanhava sobre o dragonball, sem qualquer interesse pelo esporte ou a rivalidade entre os dois times de Tremerra, mas admitiria ter encontrado um bom motivo para assistir aos próximos confrontos entre os Leões e os Escorpiões. ── Pelo menos os treinos estão surtindo algum efeito positivo. ── Com as mãos diante do próprio torso, desenhou no ar o que minimalisticamente ilustrava o peitoral e abdômen definido de Caleb, sugestivamente arqueando as sobrancelhas e piscando para ela, antes de render-se mais uma vez ao riso. Não via problema em revelar sua admiração pelo físico alheio, o que parecia ser um apreço compartilhado por muitos. Ainda que não precisasse ter Verena apontando as qualidades de Porter, uma vez que já as havia presenciado de maneira íntima, estimava ter uma opinião positiva vinda de alguém em quem confiava, especialmente de uma pessoa com raízes tão similares às suas. Por outro lado, contemplar tudo de bom que o rapaz tinha a oferecer a fazia questionar o motivo de desejar se relacionar com alguém como ela e o quão seguro podia ser se envolverem como gostariam. ── Sim, ele merece. Ele é merecedor do que há de melhor. ── O aprazimento já não estava mais presente em sua expressão e nuances de pesar surgiram na voz ao admitir a realidade, mas ainda assim conseguiu oferecer um sorriso gracioso à outra. Sabia estar sofrendo por antecipação, por isso achou melhor adiar o sentimento quando este viesse à tona com o indivíduo em questão. Assentiu, concordando que a desordem natural de Tremerra já era suficiente e que ninguém ali precisava tentar dificultar ainda mais as coisas. Nunca imaginava encontrar-se naquela situação, porém, pois no passado havia acreditado ser uma adepta e disseminadora do caos. Também concordava com a percepção conferida a Alastair, ainda que notasse uma mudança no comportamento do irmão durante o passar dos anos e percebendo uma força externa que também interferia em sua conduta. ── Acho bom que continue assim, odiaria perder o posto como sua Mortimer favorita. ── O sentimento era genuíno, mas a confissão era acompanhada de uma risada espirituosa. Era prudente que considerassem o sentimento de Ace ao ser enganado daquela forma, mas o objetivo daquele plano justificava qualquer ação cautelosa para protegê-lo. ── Ele vai entender. Até porque será convidado a fazer parte dessa tripulação restrita. ── Confiava na compreensão do irmão. ── Mas era uma criatura de tentáculos e olhos enormes filhote, Vee. ── Fez uso do bem humor em sua argumentação, defendendo a criatura incompreendida pela maioria.
"Podemos dizer que não foi tão acidentalmente assim e podemos supor que machucou uma ou duas pessoas no momento da explosão." ele fez uma careta desgostosa apoiando a cabeça no encosto posterior do sofá fechando os olhos por um momento. Nem tinha ferido tanto assim as pessoas, tirando o susto e uma pessoa desmaiada todos ficaram bem. Seus olhos recaíram sobre o ferimento coberto por ataduras e sua mão foi ao antebraço sadio dela fazendo um leve carinho "Se precisar de ajuda eu dou um jeito. Para você sempre vou trabalhar de graça... Só esperar isso ser resolvido princesa" Odiava estar sem seus poderes, mas o estresse que estava atrapalhava na dissipação dos seus poderes, que tinham que ser aterrados constantemente para não acabar carregando algum objeto sem querer. "Acho que minha sorte é tão grande que de quebra fiquei doente. Acordei com uma dor de cabeça dos infernos, a garganta arranhando e uma vontade de me isolar no meio do mato... "
Conforme escutava novas revelações sobre o incidente envolvendo o ex-namorado, suas sobrancelhas se arqueavam progressivamente, em simultâneo com o sorriso discreto que nascia nos lábios. Presumia não ter sido nada grave, já que Lector permanecia livre pela Academia, tendo recebido apenas uma punição branda pelo equívoco, fatos que concediam a ela o privilégio de se divertir um pouco com a maneira que o outro se expressava. ── Se importa em me contar mais detalhes? Fiquei intrigada. ── Respeitaria a decisão alheia, independente de qual fosse, mas em seu âmago desejava escutar uma narração esmiuçada do episódio. Pendeu a cabeça para o lado, demonstrando gratidão pelo olhar enquanto o fitava. ── Acho que você já está lidando com problemas demais, então vou te poupar dessa vez. Mas, obrigada por se oferecer. ── A mão enfaixada procurou por aquela que repousava sobre seu braço, devolvendo o carinho que ofertava. ── E você já viu algum médico a respeito disso? Com a loucura que anda acontecendo por aqui, não podemos pressupor ser apenas um resfriado simples.
Alastair estava distraído, muito mais que em seus pensamentos, sua mente jazia no copo à sua frente, sua mente completamente vazia, apenas focada na ideia de existir. Momentos de paz eram difíceis de se encontrar, principalmente quando sua própria cabeça o repreendia por tirar seu tempo para algo que não visasse seus interesses diários; talvez isso fosse, em parte, herança de sua mãe, que o ensinara a estar sempre dois passos à frente, então, deveria pensar quatro passos adiante. De qualquer forma, o relaxamento veio depois de todo o ocorrido do início do outono, com a realização de que não adiantava pensar à frente se não tinha todas as informações para elaborar um plano útil e concreto. Seu olhar foi à mão que o tocava e seguiu até a voz que reconhecia bem. "Melhor do que nunca... É o que eu gostaria de responder." Infelizmente a realidade nunca era a que gostaria, mesmo assim, exibiu um sorriso à irmã. "Não... Na verdade, faz algum tempo desde a última vez que ouvi dela." Admitiu. "Desde quando se preocupa com nossa querida mãezinha?" O tom que utilizava denotava sua diversão com o pensamento de dar a Úrsula aquela posição.
Por motivos evidentes, não se surpreendia com a resposta que obtinha com o irmão. ── Existe algo que eu possa fazer pra te ajudar? ── Mostrava-se genuinamente interessada em ampará-lo, mas tentava não fazê-lo se sentir pressionado a se abrir. ── Isso inclui te escutar, aliás. ── Alastair era sinônimo de incógnita, representava uma verdadeira muralha intransponível e de custosa interpretação. Esse exterior impassível, porém, não garantia que o interior estivesse no mesmo estado. ── Eu pareço preocupada com ela? ── Arqueou uma das sobrancelhas, lançando a ele um olhar jocosamente severo, mantendo a frieza no semblante. Uma parcela de Lizbeth sempre se importaria com sua mãe, mas este era um sentimento difícil de ser acessado, ainda mais difícil de ser expressado abertamente para quem a conhecia de verdade. ── Eu só queria descobrir se ela tem alguma informação sobre o que aconteceu na festa. Estou cansada do silêncio dela! ── Nem mesmo se importava o suficiente com os próprios filhos para alertá-los ou conscientizá-los sobre o perigo iminente que infiltrava-se em Tremerra.
A enfermaria não era, de fato, o lugar predileto de Korak. Ele sempre acreditou que conseguiria cuidar de seus próprios ferimentos, afinal, como o filho de Tarzan, deveria estar acostumado com arranhões e feridas. Contudo, após a noite anterior, seu descontrole total trouxe consequências que Porter não conseguia enfrentar sozinho. A sensação de ressaca, a pulsação anormal e dolorosa na cabeça e os músculos exaustos, somados aos hematomas e arranhões causados por si mesmo durante a invasão de Hazal à sua mente, eram problemas que exigiam mais do que sua resistência física. Além disso, a consciência pesada pairava sobre ele, uma carga para a qual não havia remédio. Ao ingressar na ala de curativos e recostar-se em uma das macas dispostas, deparou-se com Lizbeth ocupando a outra ao seu lado, causando-lhe um pequeno sobressalto, contudo, sua expressão logo suavizou-se ao perceber a grata surpresa de encontrá-la após o caos da noite anterior. "Hey." Sua voz escapou como um suspiro, seus lábios esboçando um discreto sorriso que, apesar de tingido de tristeza, ainda transmitia certo alívio. "Que ótimo lugar para um encontro, não?" Tentou uma graça, embora se mostrasse abatido demais para rir. Com um suspiro pesaroso e um arquear leve de lábios, dirigiu-lhe um olhar tingido de preocupação. Era reconfortante vê-la ali, ilesa, sem aparentes ferimentos graves, no entanto, ainda assim, buscava com o olhar entender a razão de sua presença na enfermaria. "O que aconteceu com você?"
Esperando pelo retorno do profissional que cuidava de seu ferimento, Lizbeth permanecia sentada em sua maca, contemplando toda a loucura que havia vivido naquela noite, que agora deixava nela a sensação de ter se estendido por toda uma vida. O corpo estava exausto, mas a mente não parava de reviver os momentos de medo, confusão e impotência que experienciara, assim como o súbito surto de tirania, durante o qual havia comandado um grupo de pessoas a sucumbir aos seus comandos. Uma névoa densa confundia seus pensamentos, até o olhar encontrar a figura de Korak ali, encaminhando-se para a maca ao seu lado, parecendo não notar sua presença. Subitamente, qualquer reflexão a respeito da própria experiência se dissipou, dando espaço para a preocupação para com o outro. Os lábios se entreabriram para chamá-lo, mas o silêncio prevaleceu quando notou os hematomas e arranhões espalhados por sua pele, quase a incitando a levantar-se de vez para abordá-lo. Foi impedida apenas pelo reconhecimento feito pelo rapaz, que a tranquilizou um pouco, a colocando de volta em seu lugar. ── Oi! ── O cumprimento foi tão gracioso quanto o dele e um sorriso discreto, também pesaroso, se desenhou nos lábios. Era um alívio vê-lo com vida. A tentativa de brincar com a situação surtiu efeito, arrancando dela uma risada curta. ── Me parece coerente, já que estamos criando o hábito de nos machucarmos com frequência. ── Desenvolveu o gracejo, dando de ombros. ── Acho que estou andando demais com você. ── Introduziu sua resposta, então revelando o antebraço queimado, cujo ferimento estava apenas parcialmente coberto por ataduras e bálsamos. ── Um rapaz acabou me queimando com seu poder. Pelo menos meu rosto continua intacto. ── Investiu no jocoso otimismo, com um riso baixo que logo se desvaneceu no ar, pois o consternamento se apoderou de sua expressão e voz. ── E você, como está? O que te aconteceu?