Quando ﹙ Shin Seori ﹚ passa sob as estrelas, há quem poderia jurar que ﹙ Lyra ﹚ sussurra seu nome, mas talvez seja apenas o mar deslizando na areia, contando seus segredos. Se ouvir com atenção, se escuta que ela é ﹙ Criativa ﹚e, sem julgamentos, um tanto ﹙ insegura ﹚ no auge dos seus ﹙ 29 anos ﹚. No continente, juram que se parece com ﹙ Katie Kim ﹚, você sabe do que estão falando?
Seori sempre foi uma garota cujos sonhos transbordavam a realidade. Sua imaginação podia viajar muito mais longe do que as limitações do planeta permitiam, mas sempre teve dificuldade em viver a vida real. A realidade podia ser um pouco dura, a frustração, o medo de não ser considerada boa nas coisas que amava, tudo isso a atormentava todos os dias.
A situação familiar da garota nunca foi das melhores, pais controladores que desejavam para ela um futuro que estava muito longe dos desejos da mesma. Já fazia muito tempo que não visitava a casa da família em Vesper, às vezes se esbarrava com a mãe em lugares não muito oportunos, mas não era como se a mais velha ligasse. Ela apenas ignorava a imagem da filha que fugiu de casa e seguia seu caminho como se nada tivesse acontecido.
No fundo de seu coração, Seori desejava que as coisas fossem diferentes. Hoje a garota mora em um pequeno loft em Magdalene, que era o único que cabia no seu orçamento, já que a mesma sobrevivia de seu trabalho em uma das cafeterias locais e os pequenos shows que fazia em alguns estabelecimentos da ilha.
Ela dedica seu tempo a compor e aprender novos instrumentos, além de fotografar tudo aquilo que faz seus olhos brilharem. Ganhou uma máquina fotográfica após o falecimento de seu avô, era um modelo antigo, mas que funcionava perfeitamente. Levou um tempo até que aprendesse como revelar as fotos e a melhor maneira de utilizar o aparelho, mas hoje se orgulha da qualidade de seu trabalho artístico.
A garota tenta se manter o mais ocupada possível, é a forma que encontrou para fugir da escuridão que a persegue. Noites mal dormidas são rotina desde o acontecimento envolvendo Delfim e preocupações rondam sua mente toda vez que o nome de Dragão é mencionado. Apesar de todas as dificuldades, Shin gostava do sabor de liberdade que adocicará sua vida.
˚ Insulana — nunca deixou saint abbon de fleury
˚ idade: 29 anos
˚ ocupação: musicista
˚ moradia: MAGDALENE
(4) para um starter de Nantier assustando muse ao sair da água de noite em Loredana-sur-Mer
onde: Loredana-sur-Mer
com quem: @shinlyra
Quanto tempo ele passava debaixo d’água? Melhor ainda, quanto tempo passava embaixo d’água sem precisar ir à superfície buscar por ar? Nantier não tinha ideia se seu tempo era proporcional ao dos outros tarka, se era mais ou se era menos, mas tinha consciência que enxergava bem nas águas negras e que rodava por ali como se estivesse caminhando calmamente, sem pressa, como se num estado semimeditativo. No mínimo, contemplativo. Era de se imaginar, no entanto, que uma criatura como ele, saindo de uma água iluminada somente pela lua, assustasse quem estivesse por perto. Fácil de prever, exceto para ele, que achava uma situação completamente casual, previsível. Não o era. Vestido de uma calça preta de algodão, ele parecia não notar a temperatura baixa da água. Seus pés tocaram a areia e ele iniciou seu percurso à superfície, emergindo alguns poucos metros de distância da faixa de areia da praia em si. Inspirou fundo e começou a retornar, passos somados ao empurrar da onda, logo teria o mar apenas nos calcanhares. Foi reconheceu Seori na areia, sob a luz fraca.
Seori não se lembrava de quando havia se tornado a melhor amiga da noite, mas atualmente era o momento em que se sentia mais confortável. A alguns anos, ela teria medo de sair e perambular por aí durante a madrugada, mas agora era a coisa que mais fazia. A noite estava gostosa, estava fria, mas era agradável para a garota. Embrulhada em um casaco quentinho, Seori andava pela areia da praia, a água tocando seus dedos do pé conforme as ondas iam e voltavam. Era no mínimo irônico que se sentisse tão confortável num lugar onde um de seus maiores traumas aconteceram, aparentemente o tempo realmente curava as feridas do coração e da mente.
Isso não significa que estava blindada, quando o barulho na água e uma criatura se mexeu na água, emergindo de dentro, Shin deu três passos para trás sentindo seu coração palpitar. Em sua mente, ela pedia para que não fosse nada demais, afinal não estava no momento de criaturas emergirem do oceano e aquela praia era muito segura pra isso, mas o medo era inevitável. - Quem esta ai? - perguntou alto e forte, tentando transparecer que não tinha medo, mesmo que estivesse cheia dele. Quando sua visão finalmente enxergou o rosto à sua frente, uma onda de alívio explodiu pelo seu corpo. - Nantier! - exclamou, se aproximando do rapaz e dando um tapa em seu braço. - Esta planejando matar alguém do coração? - questionou, finalmente respirando fundo.
Assentiu em concordância com a lembrança, e nem podia culpa-la já que ela costumava demorar bastante para escolher qualquer coisa do cardápio também; infelizmente para ela, já tinha chegado atrasada e tinha horário limitado de almoço. Por causa disso, ao pegar o cardápio se obrigou a olhar e focar nele, dando 100% de sua atenção àquilo para que pudesse escolher logo - será que estava afim de carne de porco ou boi? Talvez peixe… “ Você o que?! ” perguntou um pouco estridente, mas o barulho da barriga roncando fez com que pausasse o questionamento e virasse para a garçonete “ Eu vou querer o peixe ao molho de limão siciliano ” pediu com um sorriso, que logo se desfez em uma expressão fechada, o cenho franzido e o olhar repressivo - ao menos o melhor que conseguira “ Como assim você está sem comer, Shin?? Achei que já tínhamos conversado sobre isso ” seu tom denunciava que estava mais preocupada do que com raiva, realmente “ E você não tem nem desculpa, trabalha em um café, pode simplesmente pegar alguma coisa e descontar depois ” ela certamente engordaria bastante trabalhando em um lugar assim.
Os olhos da garota se arregalaram com a reação da amiga, tendo que segurar fortemente a risada que acompanhava a expressão, porque sabia que sua vida estaria em risco caso escapasse. Era sempre fofo a forma como Nesrin cuidava de Shin, ela sentias quase como se tivesse uma irmã mais velha. Aproveitou a deixa para se virar para a garçonete - Eu vou querer um Peixe à belle meunière e uma limonada pra acompanhar. - agradeceu a moça, se virando para a amiga que ainda reclamava sobre a sua falta de alimentação.
Concordou com a cabeça porque sabia que ela estava certa, o problema é que Seori tinha a mania de se concentrar demais no trabalho e esquecer do resto do mundo. - Eu sei que poderia - afirmou - Problema foi que hoje a movimentação estava fora do comum! - resmungou - Nunca vi tanta gente querendo café ao mesmo tempo. - continuou a reclamar enquanto o bico de indignação nascia em seus lábios. - Prometo que vou me alimentar melhor nos próximos dias. - sorrio para a garota a sua frente. Apoiou os cotovelos sobre a mesa, jogando o peso do corpo pra frente como quem procurava sussurrar um segredo. - agora para de me enrolar e me conta o que rolou de tão serio que você se atrasou.
Uma pessoa popular reconhecia outra pessoa popular. Certo? Cão Maior, acompanhado dos amigos, apreciara o show com mais afinco do que os demais. Culpe os pais por usar desse belíssimo artifício para distrair o primogênito elétrico e agitado (mesmo que promissor). Suas palmas foram as mais altas, assim como o assobio sonoro com os dedos na boca.
Noah a acompanhou distante, observando e pensando em maneiras de se aproximar. Algo que merecesse uma resposta, não uma cantada na cara dura. E a brecha veio. "Galera, falow." Cumprimentou com a mão já erguida, pedindo silêncio. Contornando as pessoas, pulando no banquinho ao lado dela, o começo da conversa se perdeu. A resposta dela tão diferente do que esperava que ele se viu rindo.
"Boa noite, meu anjo, tudo em cima. et toi?" Tamborilei os dedos na mesa, as batidas consecutivas. "Pode me chamar de Noah, Seo- Seori? Assim que fala?" Ele nem ficou muito magoado por não ser reconhecido, o queridinho da ilha. Um primeira vez pra tudo, certo? "Mas, deixa eu rebobinar isso para o começo. Eu vim perguntar se não queria ajuda com os equipamentos. Tenho músculos, tenho energia pra gastar e vi uma necessidade." O sorriso brilhante, sua marca registrada, enfeitou os lábios. "E, quem sabe, me deixar pagar uma rodada sua. Em agradecimento pelo show, claro."
No minuto em que ouviu o nome do rapaz, teve uma leve vontade de socar a própria cara. Era obvio que ela sabia de quem se tratava, apenas era lerda demais pra reconhecer os rostos de primeira e sempre acabava passando a vergonha de não reconhecer alguém que é simplesmente Impossível de não reconhecer, mas esse era seu segundo dom. - Ah claro! desculpa não ter reconhecido. Eu sou meio lerda a essa hora da noite. - brincou, mas na verdade era lerda sempre. - Pode chamar de Seo se ficar mais fácil - respondeu com um sorriso educado.
Deu uma rápida olhada para seus instrumentos vendo que daria bastante trabalho carregar o amplificador ate sua casa. Voltou seu olhar para noah, com um sorriso maior abrindo nos lábios. - Eu vou aceitar! - afirmou - Tanto a ajuda quanto a rodada de bebida, minha mãe me ensinou a nunca rejeitar uma bondade. - respondeu brincalhona - Fico feliz que tenha gostado do Show! - agradeceu genuinamente, afinal sua arte era o que mais interessava.
Merda, ia se atrasar! O pensamento apareceu de repente em sua mente, quase esquecendo do almoço que tinha marcado com a miga. É claro que, quando tinha marcado o almoço, tinha pensado em estar na cidade, em sua floricultura, de modo que seria muito mais fácil chegar até o restaurante marcado. Desnecessário dizer que não foi o que aconteceu - além de precisar faltar sua aula de dança logo cedo, tinha ficado presa a manhã inteira nos campos de lavanda em Vesper, resolvendo um problema que agora era pequeno, mas lhe daria muita dor de cabeça caso não tivesse priorizado isso logo. Ainda assim, não mudava o fato de que agora estava correndo feito louca pelos campos, os trabalhadores braçais a acompanhando com o olhar e, infelizmente, nem ao menos estavam surpresos àquela altura - até que conseguira uma carona em uma das carroças de plantas para uma região mais próxima da cidade, lhe poupando bastante tempo andando. Aliás, correndo. Quando chegou ao restaurante, estava levemente esbaforida, mas felizmente o tempo esfriando significava que não tinha suado e nem estava totalmente horrível " EI! Eu atrasei menos de dez minutos! " reclamou, se sentando na mesa pesadamente " Você já pediu? " perguntou, chamando a garçonete com o braço enquanto olhava para Seori " Você nem teve tempo de morrer de fome, se eu te contasse porque me atrasei ia ficar se sentindo mal de me fazer sentir mal " comentou dramaticamente.
Pela cara da amiga era possível saber que o dia estava sendo muito mais movimentado do que ela gostaria. Seori apreciava o carinho de Nesrin em não cancelar o almoço e dar um jeito de aparecer, mesmo que atrasada. Não era sempre que se sentia amada por alguém, mas os pequenos gestos da amiga sempre eram o suficiente para lembrar que alguém naquela ilha gostava da bagunça que era Shin - Eu ainda não pedi, sabe como eu sou indecisa e sempre perco vinte minutos escolhendo. - relembrou a mesma. Abriu um sorriso na direção da amiga, fechando o cardápio que segurava e colocando sobre a mesa. - Pois não se contenha, eu adoro fofoca - brincou, querendo saber o que estava deixando os cabelos da amiga virados pro ar. - mas se pudermos pedir antes da fofoca, eu agradeceria muito. - complementou rindo pequeno. - Eu não como nada desde as 7 da manhã quando abri a cafeteria. - contou para ela, mesmo sabendo que era provável que levasse uma bronca por não estar se alimentando da forma correta.
Quando o despertador soou em seu telefone, a garota suspirou aliviada. A fome já estava consumindo todas as suas energias e a sanidade. Havia marcado um almoço com Nesrin, não há via a bastante tempo, desde que se mudou e vesper ficava mais difícil ter tempo para encontrar os amigos. Tudo que Seori fazia era trabalhar e cantar em bares a noite, o que ocupava 90% do seu dia, o restante ela dedicava a sua gata, composições e uma boa soneca.
Shin tirou o avental e avisou ao colega que sairia para sua hora de almoço, se despedindo do mesmo. Com a bolsa pendurada nos ombros, deslizou as mão nos bolsos da calça e saiu do local, sentindo a brisa fria batendo em seu corpo. O clima estava até que agradável comparado a semana passada, o que deixava a garota extremamente feliz.
Não demorou muito para avistar seu restaurante favorito, já podia imaginar o sabor da comida apenas ao olhar pro local, era mais do que viciada em tudo que eles serviam. Empurrou a porta, fazendo o barulho do sino ecoar enquanto cumprimentava os funcionários conhecidos que estavam próximos a porta.
Após cinco minutos de fofoca com a atendente, Seori se sentava na mesa de sempre, se aconchegando no estofado. Aproveitou os minutos de atraso da amiga para conferir o cardápio e decidir o que gostaria de comer, já que sempre demorava muito para escolher. Quando a voz de Nesrin ecoou em seus ouvido, levantou o olhar com um sorriso nos lábios - Eu já estava achando que você pretendia me Matar e fome - brincou.
Seori sorrio para o publico que aplaudia sua musica antes de se curvar como forma de agradecimento. Era sempre agradável quando os shows iam da forma que a garota planejou e quando a resposta do publico era positiva como a daquela noite. A garota esperou que o publico se dispersasse para dançar a musica do dj que tocava, para poder reunir seus instrumentos dentro de suas respectivas sacolas.
Assim que suas coisas se encontravam arrumadas, decidiu tomar uma bebida antes de seguir seu caminho de volta pra cada, que não era tão longe do local. Algo que agradava muito a garota, já que seus materiais eram extremamente pesados.
Se sentou em um dos bancos do bar, pedindo um gin e tônica para o barmen que se encontrava a sua frente. Enquanto aguardava a bebida, ouviu uma voz , que de inicio não entendeu se falava com sigo ou com outra pessoa, mas ao olhar na direção do rapaz, entendeu que era ela o destinatário da mensagem. - Boa noite! Tudo bem? - respondeu ao rapaz com um sorriso educado. - Qual o seu nome ? - questionou já que não se lembrava de conhecer o mesmo.