onde: dirty joe's com: lae'zel (baldur's gate 3) para: shadowheart (@shwdowheart)
"chk", lae'zel sibilou, jogando o aparelho na poltrona ao lado com mais força do que o necessário. como esperado, a superfície fofa do móvel fez com que o celular fosse impulsionado para o chão, imediatamente quebrando a tela. "kaincha! essa coisa tá contra mim", resmungou em gith, algo que ainda fazia nos meses em que chegara em aspen cove mesmo com os conflitos em suas memórias. ainda não tinha encontrado ninguém do seu povo naquele lugar esquisito, e suspeitava que, mesmo se o fizesse, não seria capaz de reconhecer, ainda que lhe custasse a admitir – o que quer que estivesse influenciando a magia daquela cidade lhe fazia parecer... humanoide. como odiava aquela palavra. e o que tinha se tornado. as memórias em sua cabeça viviam em constante conflito, e ela precisava descobrir quem era o responsável por toda aquela bagunça. provavelmente os illithids, mas sem acesso ao seu povo não tinha a menor chance de conseguir remover aquela larva sozinha.
quando se levantou em direção ao celular no chão, reconheceu alguém – de verdade, não através de suas memórias fabricadas – pela primeira vez em meses: a elfa que havia encontrado no nautiloide, presa em uma das cápsulas, provavelmente capturada da mesma forma que ela. ignorando o fato de que havia deliberadamente ignorado seu pedido de ajuda na ocasião, se aproximou dela sem nenhuma cordialidade: "ei, você! você também estava no nautiloide, não estava? por favor me fala que você tem alguma ideia do que eu tô falando", exigiu, se esquecendo momentaneamente do próprio celular no chão.
Apesar das poucas atrações naquela cidade, frequentar o bar não fazia parte de sua lista de afazeres normalmente. Não só significava que teria de gastar dinheiro que não possuía, como o local parecia lhe deixar tensa sempre que insistia em se tornar uma de suas freguesas. (Sabia, no entanto, que ninguém deveria prestar atenção em si realmente e sua sensação de estar sendo julgada deveria estar em sua mente.) Naquela noite, porém, acreditava que merecia alguma distração para empurrar seus pensamentos em qualquer direção que não fosse o dia horrível que havia tido, razão pela qual se encontrava com uma garrafa de cerveja aberta à sua frente pela metade e um copo abandonado ao lado, como se há muito não fosse tocado. Imersa em sua própria mente, já estava certa de que se passava por invisível quando a voz de alguém a fez saltar, batendo o joelho no tampo da mesa. "É o que?" Questionou confusa, massageando a área atingida enquanto tentava focar no rosto da garota ao seu lado. Não se recordava de já terem se esbarrado em qualquer lugar, o que apenas contribuiu para o franzir em seu cenho. "Desculpa, mas não sei do que fala... Isso foi uma festa?" Encolheu os ombros, acreditando que aquela era a única saída que fazia algum sentido para a fala alheia. "Eu não costumo frequentar essas coisas. Deve ser outra pessoa."







