Desde que chegara ao festival, a barraca em questão o incomodava. As letras brilhantes e chamativas com o insulto piscando como se fosse uma enorme gozação. Terminou o cigarro e o apagou no cinzeiro próximo, se questionando se a dúvida valeria seu dinheiro. Ele não era romani o suficiente para os humanos e nem lobo o suficiente para os lobisomens, mas conhecia uma farsa quando a via e isso acabava sendo o caso da maior parte das “ciganas” de festivais. Caminhou até o banco em frente a banca e se virou para a pessoa sentada ali. - Se importa se eu me sentar? Não quero atrapalhar.
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Adivinhação nunca havia sido o forte de sua avó e, por consequência, jamais fora o seu também. Mas Shelley sabia que existia, e a perspectiva de ter a sua mão lida por uma cigana a deixara extremamente animada. Quem sabe a mulher pudesse ensiná-la um pouquinho? Não faria mal, vez que, além de conjuração, parcos eram os domínios sobre outras escolas. Já sentada e de palma estendida, ostentava um sorrisinho ansioso enquanto os olhos inquietos vasculhavam cada centímetro da barraca, analisando a decoração exotérica. Tão entretida, ouvir a voz masculina foi uma surpresa, de modo que virou o rosto para encará-lo. Uma surpresa boa, constatou. --- Fica à vontade. --- Direcionou-lhe um sorriso simpático. A mulher à frente de ambos pigarreou, indicando que iniciaria. Passava a mão sobre a destra de Shelley teatralmente, fixando-a com concentração. “Pois bem, vejamos o que temos aqui...” Começou.










