Hoje olhei-me ao espelho, não literalmente. Apenas uni as minhas pálpebras e todas as cogitações que com o meu orgulho enclausurava. Lágrima a lágrima, reavi um aspeto meu do qual sentia falta, a capacidade de não me sentir desonrada por tristezas derramadas. O choro e o lamento, fazem parte da natureza humana, todavia e por algum motivo, isso foi por alguém designado de fraqueza. Acho que isso me deixa no direito de afirmar que a existência humana em si, é uma fraqueza. Isto é, todos nós temos sentimentos que se traduzem em gotas salgadas e verdades amargas. Todos nós, sentimos e o sentimento, seja ele qual for, é bravio. A nossa individual subsistência, consiste em várias sementes que, para brotarem, necessitam de ser regadas com sentimentos líquidos. Independentemente do sentimento, são eles que nos edificam, que decoram o jardim errático que cada um de nós é. No momento em que deixamos de banhar as flores do nosso âmago morremos e eu confesso, um jardim morto e uma beleza mórbida, são semblantes impactantes, mas o que têm eles para nos oferecer para além de prazer visual? O que tem um indivíduo que deixou o jardim do seu âmago murchar para oferecer? Sentir não é uma debilidade. Sentir permite-nos ter histórias para contar, permite-nos viver e desfrutar da crueldade e do fenômeno que é a existência humana e o nosso mundo.
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