newbie || @ gillian
gillian
Aquele sotaque americano lhe deu flashbacks horríveis. Faziam bons meses que Gillian não ouvia a voz do pai (ele, é claro, tem preferência por falar com seus advogados) e isso junto à semelhança entre Richard e Olivia fizeram com que a mais nova quisesse pular a mesa e começar a arrancar os cabelos da professora ali mesmo. Para sorte desta, Gilly não mais é uma adolescente desenfreada arrumando briga para todos os lados. Ela só sorriu minimamente ao ter sua ordem acatada.
– Se me permite, qual o nome do livro? A gente sempre tem alguns guardados por aqui, talvez um deles tenha uma nota ou aviso que é para você… – Muito a contra-gosto, ofereceu sua ajuda antes de se dar conta de que, se pudesse escolher, deixaria a mais velha ter perdido seu tempo ido ali. No entanto, se fosse pensar direito, ela poderia descobrir mais sobre Olivia com o livro e quem sabe ela tinha um affair com o antigo bibliotecário? Isso seria ótimo. “Blá, blá, blá, estávamos mais para colegas mesmo.” Yeah, right. – I see. – Nem em um milhão de anos acreditaria naquilo.
– Olivia… That’s a pretty name. – Girava na cadeira giratória, de um lado para o outro, sem dar uma volta completa. – Seus pais que pensaram nesse nome juntos? – Não poderia deixar de perguntar, é claro, queria ver a reação nos olhos da mais velha… Mas talvez, só talvez, não fosse insistir agora. Too risky. – Eu me chamo Gillian, é um prazer. Ainda não conheci ninguém por aqui… Estou começando a ficar com medo de que ficarei sozinha e não vou ter amigos. – Riu baixinho como se debochando de si mesma. Sua afirmação é metade real, metade proposital, uma vez que está num país estrangeiro com pessoas bem diferentes de si e com acesso a uma idade que simplesmente detesta em outros seres humanos (adolescentes), mas que também serve para despertar simpatia na sua mira. – No pressure! – Adicionou com outro risinho, remetendo à Olivia se sentir obrigada em ser sua amiga.
com a pergunta proferida pela outra mulher, a mais velha inclinou levemente o corpo contra o balcão de madeira, buscando em sua memória o nome do livro em questão. o srº hwang havia mencionado pouco do livro, dizendo apenas que acreditava que iria gostar do livro. era algo sobre uma mãe perdida numa estação de trem. era apenas isso o que olivia se recordava da pequena sinopse do livro. “ – eu acho que é alguma coisa mamãe... – ” apertou os lábios e as unhas medianas pintadas de rosa e azul bebê tilintavam contra a madeira; uma pequena mania que possuía desde sempre. percebendo, recolheu as mãos e voltou sua atenção para a recém conhecida. “ – lembrei! é ‘please look after mom’!
a falta de crença alheia no que havia dito passou despercebido pela Coleman, que apenas deu de ombros para a resposta da mesma. se dissesse sobre ter algum envolvimento com colegas de trabalhos, diria que não havia opinião formada sobre tal. apesar de saber que poderia não ser algo bom para ela, mas não deixava de pensar na professora de literatura quando se pegava em devaneio.
“ – oh, thank you, my mom choosed my name by herself. – ” de inicio achara estranho a pergunta sobre seu nomes e pais, mas não se importou de fato. sentia-se incomodada apenas com perguntas diretas sobre eles, fazendo com que ela sempre mudasse de assunto. mas agora não era o caso. os dedos enrolavam a pontinha dos fios loiros enquanto ouvia a mais nova. “ – gillian é um belo nome, não muito usado, né? quem escolheu tem um ótimo gosto. – ” dissera com um riso e assentindo brevemente. quando mencionado sobre sentir-se sozinha, não pode deixar de se imaginar no lugar dela. havia passado pelo mesmo quando chegou no país que não possuía muita informação sobre sua cultura, apenas o estereótipo que existia na américa sobre. “ – sei como é... as vezes ainda me sinto assim, sabe? mesmo já tendo mais ou menos dois anos por aqui. – ” suspirou e ajeitou a sua postura. “ – geralmente eu e alguns funcionários saímos na sexta pra beber ou comer alguma coisa, se quiser, pode vir junto na próxima vez. – ” como sempre, tentando ser inclusiva com todos que estavam ao seu redor. apesar de acabar de tê-la conhecido, não poderia deixar de pensar em como estia sentindo-se solitária por ali e não faria nada mal uma nova amizade.












