quando a porta enfim foi aberta, a carroway estava preparada para iniciar uma sessão de todo o tipo de xingamento que conhecia por ethan ser imbecil ao ponto de deixá-la plantada do lado de fora o aguardando - embora, de longe, aquela nem seria uma das piores ações dele -, e seria de todas as formas merecido para ele. entretanto, ao se dar conta que em sua frente não era ele, e sim alguém com feições semelhantes, teve até que dar um passo para trás. entre piscadelas em altíssima velocidade e uma boa encarada no outro, era óbvio para qualquer um que estava bem na frente do antigo cunhado, mas não poderia deixar de estar surpresa com isso. “william?” ela pronunciou o nome alheio, franzindo o cenho. com a relevação seguinte, alina praticamente teve de se segurar para não soltar uma risada irônica e repleta de raiva; era óbvio que o desgraçado, depois de tantas, não estaria ali justamente quando ela queria e precisava. aparentemente, nem para estar em casa poderia contar com a boa vontade do idiota. “é claro. ah, é claro que justo hoje ele não vai estar em casa. seria um crime para a humanidade me fazer um favor.” por seu próprio autocontrole, forçou-se a parar de esbravejar em voz baixa e respirou fundo; o plano era ruim desde o princípio, aquele era somente mais um sinal de que não deveria ir até ethan só para atualizá-lo do vínculo de uma vida inteira que agora compartilhariam. respirando fundo uma vez mais, e então outra, segurou no braço do outro com delicadeza, concordando em seguir will para dentro. não conseguia imaginar como ele poderia resolver a situação em que estava, mas - e isso era uma verdade irrefutável - o mais velho sempre fora gentil consigo, e isso era algo que alina valorizava muito. não eram todos que lhe apresentavam o mesmo tratamento, e lhe enchia de pesar saber que a lista começava com o próprio irmão dele. “desculpa, eu… não sabia que você era quem estaria aqui. sozinho, no caso, e… não queria te atrapalhar, claro que você deveria estar fazendo alguma coisa.” murmurou, embaralhando-se com a sua própria linha de pensamento. um tanto defensiva, abraçou a própria barriga e olhou para o chão, ponderando as próximas atitudes que deveria tomar quanto a tudo aquilo. céus, estava perdida. “eu precisava, muito, falar com o seu irmão, mas… não tem o quê fazer agora. e também não quero ligar pra ele.” embora uma amiga próxima houvesse deletado o número do outro de seu celular nem algumas horas depois do término oficial, ainda o sabia de cabeça, e poderia facilmente pedir em caso contrário para william. “eu… só não faço ideia do que eu vou fazer.” murmurou baixinho, fechando os olhos por um momento. “ele disse quando iria voltar?”
Observou as feições de Alina se transformarem entre o momento que a mais nova proferiu seu nome até o momento em que soube que Ethan não estava em casa. Um finco se formou entre as sobrancelhas de Evans, enquanto tentava desvendar o motivo que a tinha levado até ali naquelas condições, afinal não precisava de muito para notar que a mulher não estava bem e mesmo que William já tivesse prometido dezenas de vezes que não se envolveria nos problemas do irmão, o resultado sempre acabava sendo o oposto. Em relação à Alina isso se acentuava, uma vez que ela tivesse se tornado alguém constante na vida dos irmãos e, de alguma forma, o mais velho dos Evans tinha desenvolvido uma posição de proteção para com ela há algum tempo, ainda que isso se limitasse a apenas se certificar de que o irmão não estivesse fazendo nenhuma merda.
Fechou a porta no momento em que ela o acompanhou, já considerando que Ethan tinha aprontado alguma. Deveria ter se dado conta no momento em que o mais novo saiu pela porta da frente sem dar muitas explicações sobre para onde iria ou quando voltaria. William deixou que Alina tomasse seu próprio tempo para se acomodar, enquanto seguiu rapidamente para a cozinha pegando um copo de água, voltando a tempo de terminar de ouvir o pedido de desculpas da mais nova. “Ei, não se preocupa com isso, só estava cercado pela papelada como sempre, isso pode esperar” assegurou erguendo ambas as sobrancelhas para dar ênfase as palavras, colocar o copo com água nas mãos delicadas da outra, logo indicando com um aceno rápido para que ela bebesse. “Realmente não sei para onde ele foi dessa vez…” respondeu baixo. Um suspiro breve escapou pelos lábios de Will, enquanto tateava os bolsos para pegar o celular, pronto para ligar para o idiota do irmão. Mudou de ideia, no entanto, convencido de que a prioridade talvez fosse ajudá-la e compreender minimamente a situação antes de acabar piorando as coisas. “Ok, uh… Por que você não senta um pouco? Você veio dirigindo até aqui?” indagou, tentando mudar um pouco o foco da mais nova, guiando-a para se sentar no sofá. “Você ‘tá precisando de alguma coisa? Olha, Alina, eu realmente não sei o que está acontecendo, mas posso ver se consigo algo até ele aparecer, ou…” se interrompeu, pressionando levemente os lábios.