“Eu mal consigo
encarar sua foto,
Imagine
o você real...
Perdería-me nos teus
olhos turvos, nas curvas
dos teus lábios, para enfim
padecer por entre teus dedos.
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@solidaodiaria
“Eu mal consigo
encarar sua foto,
Imagine
o você real...
Perdería-me nos teus
olhos turvos, nas curvas
dos teus lábios, para enfim
padecer por entre teus dedos.
não desejo mais do que um amor nu, longe de vaidades, trajes de gala, máscaras e de tudo que for superficial;
eu gosto é da entrega partilhada, do coração na boca, olho no olho, de mãos dadas se amando em público, do nó na garganta e a alma sendo atravessada.
uma vontade constante e incessante
de viver tudo o que não vivi ainda
de ver tudo o que não vi também
de ser tudo o que se pode ser
como um estalo num momento retórico
com o tempo que não cansa de perder tempo
e eu vivendo por viver
sentindo por sentir
estática, sólida, dura, muda
num vão qualquer de qualquer coisa
na beira do abismo
que é a vida e as pessoas
na beira de mim mesma
caminhando em temporais até chegar em casa
sentindo um vazio frustrado dentro de mim
às vezes só querendo ser o que ainda não fui
sentindo esse desejo incansável de fazer algo que não sei o que é
mas que me faz querer continuar
que merda
E hoje é um daqueles dias que minha pouca sanidade resolve se ausentar, e a loucura debochar dos meus pensamentos sãos.
Só consigo ouvir Cartola sussurrar na minha mente “Deixe-me ir , preciso andar, vou por ai a procurar, rir pra não chorar” e o assobio da canção latente.
Cada frase, cada conversa, me angustiam, só há um lugar que hoje me caberá e quando eu ali deixar, terei que mergulhar no meu inferno novamente, esquecendo tudo que lembrei e pensei.
Anulando o pouco da minha existência.
Em meio a toda a dor do luto, da solidão que o vazio trás-me
O motivo por estar acordada ás 05:39 da manhã é você.
Esse você que tocou minha carne, fodeu meus pensamentos e partiu em meio a confusão do silêncio.
Luto sob o torpor da insonia agora para não te procurar, para não mendigar a esmola da tua atenção.
Ontem, voltando da viagem o ônibus passou pelo teu bairro, pela tua rua, pelo ponto em que esperei pra voltar pra casa depois daquela noite.
Eu te via em cada esquina, em cada parada, em cada rosto.
Me perguntando onde vc estaria realmente e fazendo o que, se eu suportaria te ver ao lado de outros.
Sei que doeria.
Mas bem menos do que antes.
Aos poucos estou me desintoxicando das memórias (espero), e perguntando ao meu inconsciente por que te mimetizei tanto, e te eternizei nessas palavras.
-16/09/18
Eu odeio a maneira que você me destrói e em seguida age como se nada tivesse acontecido.
é claro que tu vai dizer que nunca soube o que eu queria e fica fácil pra você se agora já não vale o que passou.
não quero ter notícias suas, não quero ver suas fotos, não quero saber o que você fez com ele na semana passada, eu não quero notícias suas, eu não quero nossos amigos em comum ou nossas lembranças em comum, eu não quero notícias suas porque você me feriu e eu acreditei por muito tempo que você não seria capaz e que aquela ferida jorrando sangue era uma super reação de uma versão super reativa de mim você me fez pensar que eu era louca e exagerada e dramática e eu não quero mais notícias suas. eu não odeio você, mas sinto mágoa e, pelas deusas, não aguento o peso dessa adaga furando a minha pele rasgando a minha alma reduzindo a minha paz ao nada
e aquela vontade de gritar que preenche e toma meu peito....
Abri a boca para soltar um grito mudo Liguei o chuveiro para disfarçar as lágrimas que caíam Temperatura máxima para ver se a dor dispersava Mas ela continuou ali Entre soluços e arranhões Espuma a meus pés E meus olhos não queriam ver nada além da dor Que me arrebenta as cordas vocais com silêncio.
Gritos de desespero que ultrapassam a barreira do som Unhas que marcam e nem dói No fim, desligo o chuveiro Agarro na toalha e o espelho embaciado reflete Não a dor que sinto mas o sorriso que se repete.
Se alguém perguntar isto nunca aconteceu.
Cristina Lemos
Concedo-a
A morte corre em minhas veias... posso sentir assim como o gélido vento de verão que em minha pele toca.
Talvez o vento queira me dizer algo, mas não estou madura o suficiente para escutar suas palavras.
Sinto com o passar do tempo a deterioração da mortalidade humana alastrar-se por minhas carnes, seria pedir de mais que esse processo se acelerasse ?
Minhas grossas e ásperas mãos não vedam completamente meus ouvidos dos agouros velhos e conhecidos do passado de ressoarem em minha mente.
Minhas pernas desajeitadas e irregulares não conseguem ganhar novos terrenos para além dessa lama.
Já entendi que minha casca é minha prisão.
Rendo-me e clamo de joelhos aos céus pela felicidade contida nas vestes maltrapilhas da morte, concedo esta vida para quem quiser-la viver e não somente existir...
Amor? Acho que essa palavra perdeu o seu sentido neste século.
O problema, meu bem, é que se eu desistir de você mato a única coisa viva dentro de mim… É suicídio.
Mas ainda assim, sinto a necessidade de matar a parte que aqui vive