Mais uma vez, me jogo no caos da vida, recolhendo os cacos e seguindo em frente. Novos lugares, novos rostos, um novo capítulo. Entrego-me ao meu próprio fogo, tocando e abraçando a minha pele. Me apaixono de novo por mim mesma, e por todas as coisas que me fazem ser eu, dessa vez sem pedir desculpas pelo que fui, porque sei quem sou. Me permito e me envolvo, construo um lar em outro corpo. Festa, whiskey, um banquete selvagem que os começos sempre proporcionam. Até que, de novo, a versão repaginada de uma velha história toca a campainha. Agora, a vilã da trama, simplesmente por não ser mais uma cópia. Não sou a canção previsível, a princesa dos contos de fadas. Sou selvagem, direta, quente, não consigo passar despercebida. Talvez muito paciente, simples demais, compreensiva demais, livre demais. Cumprindo papel de amiga, amante, até mãe, sempre com colo, conselhos, e desejos. Cerveja e música, fogo, dor e despedidas. mas quando não somos só nós, tudo que antes encantava vira defeito, divertida, extrovertida, espontânea, única. Tudo muda, agora é exagerada, exibida, imprevisivel, desajustada. Voltando mais uma vez pra mim com as mãos livres, pés cansados, cabelos ao vento, voz firme e alma pesada. Reinventando lugares, ressignificando canções, renascendo de algo que dói porque esfriou, porque agora não tem mais o tom, o ritmo, a cor, o gosto. Porque eu sou eu. Como ele disse: uma pena, mas eles não te veem como eu vejo.















