Ah, se a arminha em seus dedos fosse de verdade… Diammond não evitou o rolar de olhos quando a vontade a atingiu com força – àquela altura, o fingir cínico de formalidades entre ambas se fazia desnecessário. Sem a presença dos uma vez costumeiros paparazzis nos tão saudosos eventos de premiação infantil, havia finalmente liberdade para demonstrar o quanto as atrizes se desgostavam (desde o primeiro papel roubado na infância). Por mais que lhe doesse admitir, por vezes Kiefer parecia saber exatamente como desestabilizá-la. Ao ouvir a negativa veemente da outra, Griffin estalou a língua no céu da boca, refletindo bem sobre a reposta que daria. Então notou algo que, inicialmente, havia passado despercebido. “Isso era pra ser veneno?” Replicou finalmente, deixando que um sorriso sorrateiro pontuasse o ar provocativo de suas palavras. A cabeça inclinou para o lado, pensativa na expressão. “Porque, sinceramente, tudo o que eu ouvi foi você dizendo que me abrigaria se eu estivesse em perigo. Está amolecendo, Tasha? Achei que fossemos, sei lá, arqui-inimigas e tudo mais…” O tom confuso era nitidamente falso, com direito até a um biquinho desapontado. As pontas dos lábios de Diammond queriam sorrir, mas conseguiu contê-las. Foi então que aproveitou para dar boa olhada na roupa da colega, demorando-se brevemente nos detalhes de corte e caimento. Natasha tinha destino certo aquela noite, o vestido deixava tão claro como água. Era natural dali, Diammond lembrava; certamente conhecia lugares e pessoas da nata social. Seus olhos semicerraram. Bingo! “O que eu quero? Ora, mas que gentil de você perguntar.” Brincou, tomando espaço para colocar na mesa o motivo de ter ido justo na porta dela, dentre tantas outras opções. Se precisasse fazer um pacto com a diaba para desfrutar de uma noitada em Los Angeles, bom… que fosse! Ah, as coisas que se submetia… “Que tal uma trégua? Eu e você, somente por hoje. Se aceitar, prometo… não gritar.” sugeriu, dando de ombros. “E, quem sabe, não te arrumo uma aspirina. Sair com dor de cabeça não é nada divertido.“ Finalmente sorriu, acompanhando a negativa da fala com um movimento de cabeça.
( FLASHBACK )
“Não, veneno seria se você estivesse chorando, o que não aconteceu. Só estava demonstrando a gentileza comum para as pessoas que tentam roubar os papéis frequentemente.” Demonstrou tédio, enquanto voltava para dentro do quarto, deixando a porta aberta. O que adiantava de fingir que não importava-se com Diammond? Não que realmente se importasse, mas provavelmente se fechasse a porta na cara da jovem, algum paparazzi captaria o momento e tornaria aquilo uma grande coisa. Natasha, mesmo não sendo a garota mais inteligente, certamente era esperta; fingiria que a mudança de cidade tinha sido opcional. Com certeza precisava de novos ares, novas oportunidades. Los Angeles tinha começado a ficar tediosa. Jamais confessaria em voz alta que as coisas tinham começado a ficar complicadas para os Kiefer. “Você acha que eu te quero morta? Oh, sweet, sua presença torna as coisas ainda mais interessantes. Qual é a graça de conseguir um papel facilmente? É muito mais divertido quando podemos humilhar a outra pessoa, demonstrando a superioridade nata. Algumas pessoas nascem com a habilidade, outras têm que esforçar-se ao máximo para isso...” Sua voz saiu alta, enquanto deixava implícita a ofensa. Passou o batom nude nos lábios, que acabava por chamar atenção no vestido que usava. Tudo muito bem pensado, obviamente. A sugestão alheia foi aceita com grande surpresa por Nat, que desviou o olhar do espelho para a morena. Se conseguisse, provavelmente teria arqueado uma sobrancelha. Suspirou, como se fosse uma derrota, balançando a cabeça. Passou pela outra, esperando na parte de fora do quarto. “Só não faça eu me arrepender.” Ditou sem nenhuma hesitação. “Já estou chamando o táxi.”











