Ela riu, “se você não entendeu, creio que seria grego para mim.” Kimberly podia apemas dizer que gostava da ideia de uma dose única de vacina, independente do que fosse. Ela imaginava que Sebastian não faria a população tomar algo desnecessário. Ou talvez fosse algo diferente, apenas mais efetivo. De qualquer forma, ela confiava nas escolhas dele suficientemente, ao menos naquele âmbito. Ela poderia nunca ter pensado muito naquilo anteriomente ─ nunca ter pensado no lado político das coisas ─ mas aquilo parecia beneficiar as castas mais baixas. “Talvez os relatórios tenham que ser traduzidos para pessoas comuns… afinal, se você não entende, o que será da maior parte da população?” Não era muito um questionamento, apenas um pensamento que havia lhe escapado. Quanto mais tempo passava ali, mais notava que talvez sua falta de interesse fosse porque simplesmente não entendia. Ela tinha muito mais coisas para se preocupar no seu dia a dia do que tentar decifrar o que o governo falava. Para Kimmy, como seis,era importante saber o tratamento que Sebastian tinha com os funcionários do castelo, então foi um alívio saber que eram, de alguma forma, desprovidos de rigidez. Ela não esperava que fossem completamente informais, mas chances eram de que algumas daquelas pessoas viram Sebastian crescer, etntão eram quase uma família ─ na visão dela. “Eles realmente não gostam de serem perturbados,” ela concordou em um leve soriso, com as poucas broncas que havia levado antes de mostrar que poderia se virar numa cozinha. “Mmmmm, eu não posso sair contando tudo para você, não é mesmo?” Não apenas para manter algum mistério, mas Kimmy ainda queria se proteger. Ela não poderia se proteger de tudo, mas com outras selecionadas se aproximando dele, ela estava confusa com o quanto podia se doar. Kimmy definitivamente não queria ser a pessoa que manteria sem coração trancado com medo de se machucar, mas ela também não queria entregar tudo de cara, sem nem saber onde se encontrava. Achar o equilíbrio era o mais difícil. Ela sentiu as bochechas corarem, sem ter tido a inteção de uma confissão. Ela gostava de passar o tempo com ele, e não deveria se preocupar com isso, certo? “Porém…?” Perguntou, querendo saber o resto da frase. “Por mais que eu goste de levar os créditos, Sebastian, não é nada demais…” ela deu de ombros. Para Kimmy, aquilo era o mínimo que podia fazer. Não era como se tivesse feito nada demais ─ não tinha perseguido estrelas. Ela sempre tinha mantido uma distância segura de Sebastian, deixando que ele desse sempre abertura primeiro ─ principalmente após o desentendimento inicial. Talvez ali, Kimmy havia notado que ele tinha um limite diferente o qual ela tinha que respeitar. Porém, ela sentiu-se forçando um pouco o limite auto-imposto ─ Kimmy deslizou seu braço sob o dele, até entrelaça-lo a sua cintura num semi-abraço. Ela teve que olhar para cima antes de falar, “mas eu cozinharia todos os pratos se fosse ajudar a ver esse mesmo sorriso── só levaria alguns anos,” ela brincou, antes de se afastar dele e sentar. As entradas já estavam servidas debaixos do prato. Talvez ela tivesse ido um pouco além com a mistura do refinado com o comum ─ tinha feito uma opção de canapé de salmão seguido de um caldo de legumes (ao menos tinha conseguido maneirar nas porções). “Ei── eu tenho que usar os meus pontos fortes,” ela disse com uma risada. “Brincadeiras a parte, Bash, eu… não sei se seria justo eu falar mais alguma coisa,” ela mordeu o lábio inferior, confuse. Por um lado, que ele escolhesse com o coração seria o desejo dela ─ quer fosse ela ou não. Mas falar aquilo… Ela não sabia se Sebastian se importaria. “Bom, maldade seria você deixar de comer a sobremesa,” ela decidiu não falar nada.
Ele abriu a boca para se explicar e então acabou rindo e então levou o indicador até a ponta do nariz dela. "Tenho quase absoluta certeza que seria tão determinada que poderia aprender grego ou a língua da qual falei em uma semana." Ela um elogio e, como vindo dele, nem sempre um bom elogio ou uma forma bastante compreensível de se fazer um complemento. Mas ele queria dizer que, pela forma como conhecia Kimberly, seu jeito astuto e determinado, ela poderia fazer o que bem quisesse e seria ótima nisso. "Mas compreendo. O que quis falar foi... bem, uma aliança foi formada para uma pesquisa na área da saúde infantil e isso nos trouxe um progresso em tanto essa semana." Sua mão escorrega para fazer um suave afago nas bochechas macias de Kimmy antes de recolher a mão de volta e suspirar perante a colocação seguinte dela. "É, não está errada. Mas eram arquivos medicinais então compreendo o fato de estarem em outra língua para mim, com os nomes dos insumos que foram consumidos para realização e introduzidos nessa última fase. Porém, pretendo que haja um plano mais simplificado para ser repassado para a população. Pessoas comuns são o que nos movem." Não queria que desconfiassem ou que não compreendesse. Educação de qualidade para maior parte da população, preferencialmente para toda ela, estava na lista de pontos dele mas ainda assim termos técnicos iam além de educação básica, nem mesmo ele compreendia. Sua infinita lista de melhorias nunca pararia de crescer, mas sempre teria como principais fatores a saúde e educação. “De fato não gostam, mas tenho um crédito por lá eu acho. Anos morando aqui e algo assim.” Brincou com uma risada suave e um dar de ombros. Como sempre, estar na companhia da Rogers trazia uma certa calma a ele. Algo até mesmo além daquilo, era como se a presença da outra lhe reconfortasse de alguma forma não compreendida pelo príncipe. As conversas poderiam ser sobre assuntos profundos ou leves e mesmo assim seriam conversas boas. “É... você tem um ponto.” E então ele quase hesitou antes se completar a frase deixada no ar da outra vez. “Porém... apreciaria não precisar desvenda-las. Ainda que eu saiba que não posso pedir muito, sei que sou terrível em demonstrar meus sentimentos.” Seu suspiro quase saiu tristinho, não era uma incapacidade mas sim uma dificuldade dele. Mas parecia inútil tentar ter qualquer pensamento que não alegre enquanto a outra lhe dirigia tais palavras. “Posso, talvez, fazer isso dessa sua afirmação no futuro, então esteja preparada. Mas de fato não posso dizer que não me contenta muito saber que preparou algo para nós. Independente do que for, o importante é o gesto e... bem, e o carinho que teve ao pensar nisso tudo.” Ele não resistiu ao passar os dedos suavemente pelos fios sedosos dela, tomando cuidado para não despenteá-la mas com a pretensão de um carinho. Não era tão bom nos pequenos gestos, mas ainda assim tinha os seus momentos impulsivos em fazê-los. “Acho que seria, sim, justo! Por favor, não guarde suas palavras comigo. Sabe que, se deseja me dizer algo, pode sempre ser sincera consigo mesma e seguir sua intuição.” Colocou enquanto se colocava em seu assento, dando a ela um olhar do qual ele imaginava que transmitia o que sentia ao dizer aquilo. Kimberly estava segura ao seu lado para falar o que desejasse, se realmente desejasse dizer algo. “Sobremesa é algo a parte. Como um complemento essencial a qualquer refeição. Estou ansioso para saber o que preparou para hoje!”