choro bebendo iogurte, vendo the office, pensando nas coisas que queria ter sido e no porquĂȘ elas nĂŁo foram. nĂŁo tem poesia ou beleza. ganhei uma cortina nova. meu quarto parece mais inteiro. dormi com uma garota incrĂvel. ela diz que sou calma. penso que toda pressa ficou naquela noite em outro peito. agora sĂł vago e toco a vida com uma pele mais lenta e preguiçosa de quem precisa esperar uma cicatriz fechar antes de urgir de novo. tenho medo. de nunca ser feliz. mas suspeito que jĂĄ sou. penso nas coisas nĂŁo ditas. sempre elas. falo com o espelho. digo: por que vocĂȘ acha que tudo acabou como acabou? como vocĂȘ dorme a noite sem pensar nisso? me conta dos Ășltimos dias, dos planos, dos terrores noturnos. me diz o que falta, o que aperta, o que freia. eu queria tudo. eu quis tanto tudo. e depois fui embora porque tudo Ă© muito e eu nĂŁo soube nem por onde começar a por a boca. queria contar dela. de como ela nĂŁo Ă© igual a nada que veio antes e isso Ă© a coisa mais otimista que eu podia dizer. ela nĂŁo Ă© igual a vocĂȘ. e vocĂȘ diria que tĂĄ tudo bem. talvez esteja. Ă© sĂł que sĂŁo uma da manhĂŁ e eu quis ver the office porque Ă© minha comĂ©dia favorita, mas tĂŽ chorando. nĂŁo parece tudo bem. vai ficar, vocĂȘ diria. mas a gente jĂĄ nĂŁo conversa mais entĂŁo sou eu que tenho que dizer.











