Ele está respondendo e, em algum lugar no âmago de Nicole, isso é igual a uma chance. Tem uma chance, ele está lhe dando uma chance, afinal, está respondendo. Poderia ter imediatamente chamado o segurança, dito que ela era louca e tê-la jogado para fora do local… mas não o fez. Não. Storm estava lhe respondendo. Isso por si só é uma vitória para Gauthier. Seria um motivo para sorrir, não fossem as farpas sendo trocadas. E disso não o culparia. Fixava-se em seu rosto distraído mas tenso, enquanto proferia as suas palavras e também enquanto ele lhe respondia, sendo dessa vez chamada para observar seus dedos na mesa. Sabe o que aquilo quer dizer e queria derrubar a conexão dele com aquela saída. “Não me importo com você, não preciso de você, não quero lidar com você… Sabe o que isso tudo realmente significa, darling?” sua voz se tornou baixa e suave, embora ainda com seu timbre meio rouco, polar oposto a dele. “Que você não quer que eu vá embora.” sussurrou a última parte, atrevida, colando de volta sua atenção no rosto machucado dele.
“Não se atreva a dizer que eu não me respeito,” ele atingiu uma veia ao dizer isso e a encenação que ela insistia em manter, de fria e distante foi jogada pela janela. “Você pode achar o quanto quiser que o que eu fiz foi só para te magoar, mas não abra a boca para tentar insinuar que eu não me respeito.” As costas viradas na sua direção e Nicole por mania ou instinto se perguntou se ele ainda tem o mesmo número de cicatrizes ali ou se ganhou mais algumas, ainda que soubesse a resposta. Isso, no entanto, foi como dar um soco no próprio estômago. Viu-se com os braços ao redor do corpo dele, beijando as marcas na pele quente do até então namorado, perguntando a ele se seria possível que o número não aumentasse. Essa memória logo após uma ofensa dele… Nicole quase desejou voltar no tempo e dizer que ela é quem não se importava. Mas seria uma mentira.
As duas palavras dele fizeram com que seus olhos piscassem algumas vezes, incrédulos. “Storm…” Por mais raiva que sentisse, foi como se seu coração tivesse encontrado uma forma de se livrar de todo o peso em um mero segundo e ele flutuou por seu corpo, Nicole até se sentiu tonta. Ele se voltou na sua direção e ela prendeu a respiração. Que maldição é essa que se sente tão ligada a ele, tão atraída, que nem ouvindo um milhão de vezes da boca dele que não lhe quer mais é o suficiente para deixá-lo ir? E o que é que explica a sua cabeça convencida de que ele pode falar e falar, mas no fundo está mentindo? A mão áspera tocou seu rosto e um suspiro apressado deixou seus lábios, algo do qual ela imediatamente se arrependeu. Aquele par de olhos lhe observando e a mão em seu queixo acarretaram na volta do aperto em seu peito, e no aumento da velocidade das batidas de seu coração. E, seja pela intensidade da fala alheia ou pela sua vontade que aquilo não acabasse, Nicole se calou e deixou que Storm falasse tudo que tinha para falar, sentindo cada palavra sua, novamente, cortar-lhe a pele com o poder da dor e da mágoa no discurso dele.
Ela sabe do que fez e sabe o que ele pensa a respeito. Mesmo se não soubesse, a presença das lágrimas no seu olhar e a tensão em sua voz seriam o bastante para que ela ficasse sabendo. E ela queria ser mais paciente, queria ser mais compreensiva, queria… “Eu também te amei. Isso nunca foi uma mentira,” sem tom ameaçador, sem deboche, só Nicole sendo honesta. “E sim, você está certo, eu não pensei duas vezes antes de fazer o que eu fiz, mas sabe quem é que pensa duas vezes antes de trair, Storm? Quem planeja fazer de novo.” Ouviu sua voz quebrar, mas ignorou. “Eu não pensei porque foi algo momentâneo. Foi um erro. Provavelmente o pior erro da minha vida, pelo visto, mas foi um erro. Eu não planejei te destruir, eu não planejei destruir a gente, eu não passei meses numa sala escura me perguntando qual seria a melhor forma de te fazer doer. Eu te amava.” A presença do verbo no passado foi uma surpresa para si, uma da qual se sentiu feliz de ter acontecido porque não sabe se conseguiria se salvar caso tivesse dito em voz alta que ainda o ama. “Eu te amava e eu nunca desejei que o que a gente tinha acabasse.” Nicole respirou fundo, juntando coragem.
“E você tem razão. Eu não tenho direito nenhum aqui, nem estou planejando ter. Você acha que eu não tenho noção do tanto de erro que eu cometo? Acredite em mim, se alguém sabe, esse alguém sou eu. E vir aqui foi só mais um deles, é claro. Eu ia embora, mas aí eu vi aquelas duas… Não importa. Você não se importa.” Frisou as últimas palavras só agora permitindo se sentir ofendida por elas, olhando fundo nos olhos dele. “Eu também não me importo. Okay? Eu não tô nem aí porque eu queria te ver. Eu não ligo para o cheiro do sangue, eu não ligo para a iluminação péssima disso aqui, eu nem ligo para o quanto o meu coração ainda dói vendo os frutos da sua luta mais recente, eu tô pouco me fodendo pra tudo isso porque eu. queria. te. ver.” Seus olhos marejados e a voz trêmula, tudo o que ela mais queria agora era tocar ele. “Eu paguei pelo meu erro. Te perdi e agora estou aqui te ouvindo repetir que não se importa comigo. Você acha que eu te magoei? Mas e você que não consegue superar o que eu fiz e faz questão de me magoar toda vez em que eu apareço na sua frente? Você diz que não se importa mas faz de tudo para que eu sinta dor. Isso é você tentando equilibrar as escalas? Você quer me fazer sofrer como eu te fiz sofrer?” Um sorriso forçado surgiu em seus lábios, uma risada fragilizada. “O quanto mais eu preciso chorar, Storm? Quantas vezes mais eu tenho que repetir que me arrependi, que eu me destruí no dia em que destruí a gente? Huh? Me diz. Porque se for para sempre, vai ver eu aceito a sua condição e desapareço da sua vida de uma vez por todas. Nem sei porque ainda tento, você nunca escondeu que prefere que eu morra a aparecer na sua frente de novo. É isso o que você quer, não é?”
Era engraçado que, embora toda a dor e ressentimento, ao olhar pra ela, Storm ainda se perguntava se ela havia estado com alguém desde tudo, se havia se apaixonado, se havia entregado seu corpo a outro, se dividia a cama com alguém, se ainda pensava nele, se ainda o desejava como ele a desejava, a verdade era que por muitas vezes Storm tentara seguir em frente, tentara amar, se envolver, até mesmo tentara apenas transar, e embora houvesse tido sucesso na última, era sempre o rosto de Nicole que vinha a sua mente enquanto se deitava com outras, e eventualmente ao ápice do momento era o nome dela que escapava de seus lábios, talvez por isso havia desistido de transar por transar, lhe trazia mais frustração do que prazer. ela estava debaixo de sua pele daquele jeito. e embora sua razão quisesse ser capaz de negar veemente que ele não queria que ela estivesse ali, seu coração gritava pelo oposto, ele queria tocar-la, dizer o quanto havia sentido sua falta, talvez até perdoa-la, por que não? mas seu orgulho ainda estava ali, e bem, ele não perdoa tão fácil quanto seu coração. “você deve ter batido com a cabeça em algum lugar, ou talvez ficado louca, quem sabe!” falou com escárnio, negando com a cabeça. “por que diabos eu iria querer você aqui? talvez o drake ainda te queira, você devia tentar com ele, definitivamente vocês se merecem, são da mesma laia.” falou a ultima parte com mais emoção do que esperava, sentindo a voz tremer.
“whatever, o que quer que você diga, meu bem.” a extra dose de sarcasmo não podia faltar, afinal era aquilo que tinha se tornado, um jogo de quem se importava menos em que ele precisava ganhar, afinal tinha pavor em se deixar ser vulnerável, especialmente para ela, ele temia que ela o quebrasse em pedaços novamente. ele não aguentava a ideia de ter seu coração partido mais uma vez, a primeira já havia o destruído o suficiente. e talvez por isso embora sempre soubesse que embora toda a dor e todo o ressentimento, de alguma forma ele sempre estaria lá por ela, e por isso sabia que precisava ser menos duro com ela, ao menos ali naquele momento ela precisava de alguém, e ele, por alguns minutos podia ser grande o suficiente para engolir seu orgulho, ele então coçou a própria garganta. “d-desculpa, não estou tentando ser insensível, não agora...” ele respirou fundo, ainda hesitante. “talvez num futuro você consiga achar uma outra pista, quem sabe, sobre algum familiar ainda vivo, mas particularmente eu seguiria em frente, o passado é passado por uma razão e você devia parar de perseguir ele.” era o que ele de fato pensava, storm nunca tentara contatar nada de seu passado por uma razão: se achava melhor sem todo aquele peso.
fora quando ela falou que nunca desejara que eles acabassem que storm perdeu seu temperamento novamente. “então você não deveria ter me traído!” sua voz soou mais alta do que esperava e ele viu um de seus seguranças entrar na sala, e ele apenas sinalizou para o mesmo sair dali. o que ele não esperava fora a emoção em nicole ou ela simplesmente assumir que ela estava ali por ele porque ela queria ver-lo. e bem, a verdade era aquela, ele não queria deixar-la ir, e bem, por algum motivo ele se sentia vulnerável mas ainda sim era puxado na direção do que em sua cabeça era sua fraqueza, ela. “eu não estou tentando te machucar ollie.” ele falou dedilhando seu rosto mais uma vez mas daquela vez seu toque era diferente, era terno, mas ainda sim firme, uma de suas mãos desceu até o quadril da mulher, o segurando, a urgência que sentia de toca-la naquele momento era assustadora, e bem, era o que estava guiando suas ações, talvez sequer estivesse pensando aquele ponto, storm pôs nicole contra a parede, naquele ponto sequer podia esconder a luxúria em seus olhos, a mão que não segurava seu quadril repousou no pescoço de nicole, suavemente, como se apenas quisesse se lembrar das vezes em que estivera ali durante uma noite de amor. “eu nunca tive a intenção de te machucar.” ele sussurrou perto do ouvido da mulher antes de contra seu melhor julgamento se inclinar para beija-la, não tinha ideia de qual seria a reação dela mas era como se naquele ponto ele sequer pudesse evitar.