a frase que seguiu o elogio de sun fez a ansiedade de paxon apertar no peito. seus pais são impossíveis de agradar e, na maioria das vezes, quando paxon apresenta seus amigos ou novos sócios da ong para eles ( não teve a chance de apresentar parceiro algum já que essa é a sua primeira vez em um relacionamento sério ), o casal consegue colocar defeito em cada aspecto que se apresenta. e não é nem discreto; fala na cara e é comum que paxon evite mostrar seu pedaço de mundo para eles. por isso, ele fica incerto sobre kwangsun querer conhecer sua família. quem sabe, seja melhor começar pelos tios. o jeito é não deixar a conversa se estender. “deveria, claro, só não sei se é uma boa ideia te apresentar pros meus pais… não é nada com você, sério, eles que podem ser muito estúpidos quando se trata de gente nova.” ele trata de agarrar mais um copo de champanhe do primeiro garçom que passa com a bandeja cheia e bebe tudo de uma vez, suspirando pesado ao terminar. “ok, vamos lá. se der merda é só ignorar eles. me tornei muito bom nisso.” paxon agarra a mão de kwangsun e entrelaça seus dedos com força. começa a procurar os familiares com os olhos percorrendo o salão, e não há como não avistar sua tia, vestindo a roupa mais brilhante do lugar. ele vai até ela e arregala os olhos ao ver que seus pais e seus tios estão conversando juntos. “boa noite”, pax cumprimenta. “tio bruce, tia chris, a festa está incrível, parabéns!”ele os abraça, mas não ousa soltar a mão de sun. “paxxie, como você está lindo! e… loiro! não nos vemos há tanto tempo!”, sua tia declara, e ele sorri e assente com a cabeça. suas pernas tremem um pouco. “pai, mãe…” pax engole seco, cumprimentando-os com um meio abraço também, mais forte do que pretendia. “quero que vocês conheçam o kwangsun, meu namorado.” os casais se encaram e seus queixos quase chegam ao chão - e as pernas de paxon param de tremer.
talvez, se fosse um pouco mais jovem, kwangsun teria criado caso com a fala de paxon, mas - mesmo que não fosse tão mais velho assim -, sempre foi maduro o suficiente em seus relacionamentos para procurar entender os motivos da outra pessoa. quando paxon conheceu seus pais, eles ainda não namoravam, e mesmo que estivessem juntos agora, sun mesmo ainda não havia contado as boas novas para a família, preferindo fazê-lo quando estivesse em casa. entendia quão grande aquele passo poderia ser e não queria que se apressassem, mas depois de construir tanta expectativa ao redor da ideia de conhecer os sogros, não conseguiu não ficar um pouco desapontado ( embora tenha conseguido esconder ). “não se preocupe com isso, paxon, sério, vamos fazer as coisas no tempo certo,” tentou tranquilizá-lo, mas mal havia acabado de falar e já estava sendo arrastado em direção à família mars. ele tenta o seu melhor para cumprimentar os outros, ser simpático, sorridente e educado, assim como sua mãe havia ensinado para ele e para os irmãos, mas o fato de paxon parecer tão desconfortável e também nunca soltar sua mão o deixa atônito. se ele soubesse que pedir para conhecer os pais dele seria tão problemático, teria preferido apenas continuar com ele afastado dos demais, mas já que estava ali, teria que aguentar. “olá, é um prazer conhecer vocês,” ele diz aos sogros, curvando a cabeça levemente, o sotaque coreano mostrando-se. é constrangedor ficar parado ali, com todos aqueles olhares e a tensão crescente, mas ele fica bem paradinho ao lado de paxon, apenas esperando o que deveria fazer em seguida.













