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Ela. Quem é ela? Aqui quem fala, sou eu. Aquela que acreditou, que teve esperança. Eu que sempre esperei algo a mais de você, sempre dei mais pra você e nunca ganhei nada. Sempre eu, no meio de tanto luxo e pouco amor.
Tchê
E me dei conta que não importa da onde você é, em que país vive, qual educação recebeu, o que faz, o que pretende, quanto tem no banco, se é bonito ou feio. O que vale é o que a gente carrega no peito.
Clarissa Corrêa. (via tekpix)
Preenchi de você, minha mente vazia.
Anderson Pacheco (via tekpix)
Que roupa você veste, que anéis? Por quem você se troca? Que bicho feroz são seus cabelos, que à noite você solta? De que é que você brinca? Que horas você volta? Seu beijo nos meus olhos, seus pés, que o chão sequer não tocam. A seda a roçar no quarto escuro, e a réstia sob a porta. Onde é que você some? Que horas você volta? Quem é essa voz? Que assombração seu corpo carrega? Terá um capuz? Será o ladrão? Que horas você chega? Me sopre novamente as canções, com que você me engana. Que blusa você, com o seu cheiro, deixou na minha cama? Você, quando não dorme, quem é que você chama? Pra quem você tem olhos azuis, e com as manhãs remoça. E à noite, pra quem você é uma luz debaixo da porta? No sonho de quem você vai e vem, com os cabelos que você solta? Que horas, me diga que horas, me diga, que horas você volta?
Chico Buarque. (via amei-xas)
Não, não minha mãe. Há dor no mundo, há injúria e discórdia entre homens perante o comodismo de tragar um cigarro culpando os pulmões da melancolia. Não há explicação para uma navalha que não se vê, nem teme, nem o sangue jorra na palma quando perfuram sua carne. Mas há lágrimas, aos lábios crispados de soluços corajosos, diante de um silêncio do guerreiro flácido do infinito. Não luto, nem minha armadura é polida, raios concorrentes tocam a ferrugem envelhecida. A pátria foi esquecida no instante que a terra migrou para meus ombros e de lá não há notícias de colheitas fartas. Então beije o solo que já chorou num feriado em meios berros, e árido das lágrimas que remendei nas íris negras. O meu deserto é seco, e frio. De ventania arisca e dias que horas caíram em dissabores por receio de retratos.
Perdoe-me, mas há frio e sou fenda como o plano que teu pé bate na negligência de não perceber o pedregulho. A poeira dança nas veias de alvenaria, sem sol para sorrir. Eu quis o mundo e a poesia me quis. Logo caí numa cadeira ranzinza, curvada, sonora.
Não, não minha mãe, cubra com teu manto pueril e descola estes lábios pálidos. Não enrijeça teus olhos, pois não bastam os meus. Faça-me pequena e de horas longas, porque o mundo me engole e vomito sons que sábias choram. Cubra meus ombros, pois os pés tornam-se gélidos, e encontro-me com meias. Sendo que estrelas passam e senti pena do brilho que faleceu ao sol arredio. Apesar de que ainda resisto, até as rosas são incapazes de ferir todos os pés ousados que lhe esmagam, não há espinhos suficientes para sangrar, e ainda jazem belas e rubras. Nuas. Tive que tocar o chão com o mar que não disponibilizei para o mundo, não sabe se entristeci pelo balão que tomava cor sem sopros clandestinos, ou o céu que encontrava-se só.
Não, não minha mãe. As promessas nunca foram falhas, nós que falhamos sempre de dedos cruzados. E ao observar a criança valsar em notas nefastas, sorria como um indivíduo que carregava o piano aos dedos, e ainda sim, melodiava sorrisos de giz. A criança repartiu tua alma aos meus olhos. Quanto a mim, não dancei.
Chorei por quarenta e cinco minutos.
Eu queria colo, amor, carinho, felicidade. Queria alguém que fosse meu de verdade. Não me importa se o sentimento fosse ilusão, mas queria que fizesse bem ao meu coração. Você diz: Mas que besteira e eu retruco: Quando se tem solidão, nada é brincadeira.
Tchê
O tempo passa, e nós mudamos tanto…
Augusto Cury. (via e-fe-me-ro)
O que aconteceu ainda está por vir, e o futuro não é mais como era antigamente.
Renato Russo. (via e-fe-me-ro)
Sentar na cadeira e olhar pro teto é sinônimo de ligar pra você e perguntar sobre nós. — Alô — Você atende com uma voz mansinha, do tipo que parece que acabou de acordar. — Oi? Eu não deveria ligar para você mas estou ligando assim mesmo porque como você sabe, eu nunca faço aquilo que deveria ser feito, só faço o contrário. — Ah, oi. — Você responde seco. — Eu só preciso dessa ligação, tá legal? Mais nada. Depois que eu desligar esse telefone você pode xingar palavrões e me odiar eternamente, mas enquanto eu estiver falando, você vai ficar calado e ouvir toda a merda que eu tenho pra te dizer, embora não tenha mais importância. — Pode falar, eu tô ouvindo. — Foi arrogante, hipócrita e sarcástico em apenas uma frase. — A gente se conheceu quando eu era um monte de nada e você parecia demais pra mim. Quando eu estava desacreditada de tudo e só queria sossego, paz e distância de tudo aquilo que você era. Eu não queria me envolver, juro que não, eu sempre quis que tudo fosse só um joguinho para nós dois, mas não, não foi assim e parece que desde a primeira semana a gente sabia que ia ser diferente e que não dava mais pra correr de tudo que estava chegando. Eu sabia que era amor, eu sempre soube e vivia repetindo que não era, que era carência. Lembro daquele dia que a gente foi comer no meu quarto e eu te servi café e biscoitos, mas você recusou e disse que era alérgico a café e vomitava todas as vezes que comia biscoito doce. Você olhou pra mim com cara de cachorro pidão e eu percebi que você era mais frágil do que parecia ser e que naquela hora, naquela merda de hora, era a hora que eu devia dizer que te amava. E, incrivelmente, você disse “eu te amo” de volta. Aí a gente transou o dia inteiro. Mas dane-se isso, o que importa, o que sempre importou é que a gente se amava de maneira saudável sem muita coisa pra magoar caso alguma coisa acontecesse, alguma coisa do tipo que você fosse embora e parasse de me amar com a mesma rapidez que a gente bebe refrigerante e arrota. E essa porra de “alguma coisa” aconteceu a dez dias atrás quando você riu e disse que tinha me superado. Eu não consigo entender como alguém pode superar algo que tem nas mãos e que até na noite anterior você jurava amar. Engraçado como você esquece tudo que sentia por mim em apenas alguns minutos, pega o telefone, me liga e diz que acabou. Eu nunca vou aceitar o nosso fim, não desse jeito ridículo que acabou. Porque era mais simples você nunca ter aberto a boca pra dizer que me amava. E pior do que você ir embora dizendo que me superou, é saber 10 dias depois que você já tá por aí andando de mãozinha dada com aquela loira que eu sempre detestei e que você sempre olhou pra bunda dela. Eu juro que pensei que você tava sofrendo e arrependido, eu juro, cara. Eu olhava pro telefone, pro computador, pro portão, esperando qualquer sinal seu, sei lá, esperando você me pedir desculpas e dizer que estava com saudades. Então 10 dias depois você já está com outra comprovando pra todo mundo que já me superou. Mas eu só quero entender uma coisa, uma única e maldita coisa que não me deixa dormir: Como você consegue superar alguém que jurou amar a vida inteira, em apenas 10 dias? — (…). — Anda, eu tô esperando a tua resposta. Depois que você me responder, eu prometo esquecer o teu número e nunca mais vou te perturbar. Só me responde como você conseguiu superar alguém que jurou amar a vida inteira, em apenas 10 dias. — Se eu amasse esse alguém mesmo, eu não teria o superado em 10 dias. (Chamada encerrada.)
Café, biscoitos e o seu amor de 10 dias. — Cibele Sena (amargar) (via loadin-g)
Eu causo nas pessoas um tipo de enjôo com meu jeito, com minha carência, com minha ânsia por atenção. Tenho amor incondicional pelas pessoas que entram em minha vida e sinceramente, não sei o quanto isso é bom nos dias atuais.
Cazuza (via presidiario)