Ela. Quem é ela? Aqui quem fala, sou eu. Aquela que acreditou, que teve esperança. Eu que sempre esperei algo a mais de você, sempre dei mais pra você e nunca ganhei nada. Sempre eu, no meio de tanto luxo e pouco amor.
Tchê
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Ela. Quem é ela? Aqui quem fala, sou eu. Aquela que acreditou, que teve esperança. Eu que sempre esperei algo a mais de você, sempre dei mais pra você e nunca ganhei nada. Sempre eu, no meio de tanto luxo e pouco amor.
Tchê
Eu queria colo, amor, carinho, felicidade. Queria alguém que fosse meu de verdade. Não me importa se o sentimento fosse ilusão, mas queria que fizesse bem ao meu coração. Você diz: Mas que besteira e eu retruco: Quando se tem solidão, nada é brincadeira.
Tchê
É que você sabe, até mesmo quando se estourar uma bola, vão ter crianças sangrando.
Tchê
Pede perdão pro meu ódio, ele me fez assim. Hoje sou só um, mas amanhã posso ser mil.
Ser racional em meio a tanta ilusão.
Me esgotei, ser marinheiro da vida me cansa. Navegar por esses mares me trazem saudades que jamais serão curadas, decepções que são bem mais que águas passadas, dores que são como os tubarões: Matam. Em concepção de marinheiro a vida é tempestade, aquela que bagunça, assusta, complica qualquer escolha tua. Desde que somos jogados nesse mar nos acostumamos apenas a ganhar e quando começamos a perder, afundamos. Aprender a nadar somente os mais espertos sabem e eu já desisti. Desisti por falta de incentivo, por falta de um colete salva-vidas. Nesse mar, esperanças são como caudas de arraias num mar raso: Ferem. Queimam. Nessas ondas escuras talvez boiem as respostas, indo daqui pra ali entre trovões e risos de sereias.Talvez encalhadas em alguma ilha. Risos que me assustam, me fazem voltar à terra onde só os fracos ficam, onde gera à insuficiência, insegurança. Talvez essas ondas um dia me engulam e por fim estarei num lugar seguro, sem correr o risco de me afogar novamente. Talvez eu finalmente ache meu convés para limpar, esfregar, e cuidar. Então, será este meu porto seguro, minha idealização do que desejo? Talvez um papagaio ao ombro, talvez um motim que eu lidere. Alguma emoção, alguma agitação menos agitada que essa trovoada infinita. Os ventos não soprariam mais e a calmaria chegaria até mim. Então estarei satisfeito, sem precisar ser pescado pelo amor e cair na sua rede de ilusões. Não preciso mais me preocupar com as noites frias nem dias escaldantes. Agora sou só eu e meu corpo vazio, meu peito feito deserto sem nenhum risco de sentimentos. Me tornei ativo e ciente dos meus atos, finalmente livre de qualquer tempestade, longe dos mares. Mas desejo que não seja uma calmaria tão calma, afinal, uma brisa que sopra de vez enquando revitaliza a alma. Mas a sua ventania carrega e destrói. Quero, pra mim, apenas meu convés, meu cobertor nas noites frias, e uma lagoa nos dias escaldantes. E minha calmaria não tão calma.
Tchê - O marinheiro.
Escolhi minha profissão muito cedo e todos perguntavam: - Por que queres ser astronauta? - Quero flutuar. - Podia repetir todos os dias à mesma resposta que nenhum dos adultos entenderia. Ser astronauta é bem mais que entrar num foguete e ir para o espaço, é flutuar sobre os teus amores e problemas, é ter noção do quão as estrelas são enormes e como é lindo ver o planeta lá de cima. É estar sempre fora de orbita e não precisar seguir as leias da terra, do ser humano. É estar fora do alcançe até mesmo da maior força de atração conhecida. Quando sou astronauta estou inerte, inatingivel, e estou até mesmo fora de suas medidas tempo. Fora de alcance em todos os aspectos. Quando sou astrounauta, sou muito mais do que apenas flutuante. E então, por homem das estrelas ser, logo sumo, fico invisível, não sinto e nem faço sentir. Termino minha jornada em meio constelaçoes, talvez sendo constelação, deixo uma longa história, repleta de ilusões para, ao menos assim, inerte, invisível, sem mais existir, fazer com que as novas adultos lembrem de mim.
Tchê
Desiste, você nunca vai descrever uma pessoa corretamente.
Tchê