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@t-saturnami
Despedida
Oi. Eu só quero falar que sinto sua falta. As vezes, me pego ouvindo suas músicas favoritas. Tantas bandas que eu nem conhecia, e bem, hoje sou fã de carteirinha e tudo. Leio seus textos, sempre de dois em dois dias. Não sei o motivo disso. Acho que é para fingir que sou capaz de ficar sem pensar em ti. Mas, eu ainda penso… e muito. É muito difícil ficar aqui e saber que você está ai. Milhares de quilômetros longe de casa. Longe de mim e do meu gélido coração. E olha, eu ainda tenho aquela foto que tiramos na praça da cidade. Registros de momentos felizes que jamais irão voltar. Achei alguns rabiscos naquela agenda surrada pelo tempo. Eram nossos planos. Talvez, você nem saiba sobre eles. E meu Deus, olhe esses poemas que eu escrevi para te entregar quando você completasse 18. Por acaso, este dia é hoje. 18 de janeiro Choro, como se você estivesse morto. Todavia, eu que estou. Apenas, desejo-te reciprocidade. E que você saiba lidar com isso. Amava dizer essa frase. Porém, não tanto quanto amei você. E, ainda amo. Desculpa.
eu odeio o amor porque quando alguem que eu amo vai embora
eu nao consigo me desfazer das coisas que foram deixadas para trás.
é como se minha mente fosse um casa e todo mundo que eu amo tem um quarto;
a pessoa parte,
mas eu mantenho tudo igual.
a cama está arrumada, o quarto está limpo.
as janelas estão abertas, os quadros estão como foram deixados.
ainda tem alguns fios de cabelo no chão,
o livro caça-palavras que amava jogar,
a musica preferida ainda está a tocar;
a tv ainda está ligada naquele filme que nao terminamos mas que ainda continua a passar.
você pode voltar.
mas não vai voltar.
e o que eu faço com as coisas deixadas?
se eu não consigo trocar a roupa de cama,
não consigo limpar o chão,
não consigo fechar as janelas e jogar os quadros fora,
meu deus;
como eu queria conseguir me livrar dos fios de cabelo que restaram de alguém que nao mora aqui mais,
mas que eu amava tanto mexer até que dormisse.
não consigo jogar o maldito livro fora mesmo não tendo a menor paciência com caça-palavras.
"creep" ainda está tocando;
"diário de uma paixão" ainda está passando;
e eu me odeio por ser como o Noah
construindo uma casa como você queria
sabendo que você jamais me amaria
e que nunca vai ser seu lar.
Futuro eu
Sei que seus pais te ensinaram a temer o mundo, mas as coisas aqui fora não são tão cruéis como dizem nas histórias. Pode tirar a camuflagem, estamos sós e eu sou capaz de ver além da sua epiderme. Sua alma transborda amor, então por que você não se permite vivê-lo? Quase sempre machuca, mas isso não significa que você precisa desistir de amar.
Vejo lágrimas escorrerem pelo seu rosto enquanto encara o espelho, que tem fotos da sua infância ao redor. Você se questiona sobre o motivo de não ser mais aquela criança sonhadora. Como desconfiei, por trás da sua pose resistente e do sorriso encantador existe um ser frágil que mostra-se inseguro ao esconder-se atrás das cortinas com medo da luz do sol. Deixe a luz entrar, pequeno. Estou aqui, pois sei que precisa de mim, apesar de você frequentemente tentar me afastar como tática de defesa.
Quando alguém tem depressão, um dos primeiros impulsos é isolar-se e, com a mordaça na boca para abafar o som, gritar por socorro, porque, no fundo, a pessoa quer ajuda, mas não quer incomodar ninguém. E então, ninguém é incomodado. Dói saber que você está passando por isso, meu primeiro amor. Podes silenciar o mundo, mas minha voz sempre estará audível ao seus sentidos. Você não pode fugir de si.
No fim de tudo, sempre tivemos um ao outro, não é mesmo? Ninguém te conhece tão bem como eu porque ninguém conhece nada além de si mesmo. Nossa alma transborda o mesmo amor e nós compartilhamos o mesmo medo do mundo. As coisas aqui fora não são tão cruéis como ouvimos nas histórias, acredite em mim. E por mais que esteja difícil agora, nós vamos passar por isso outra vez, carregando nos ombros o céu. Somos fortes, não somos?
I will become everything I said I would be.
And, baby, that’s show business for you. New album The Life of a Showgirl. Out October 3 ❤️🔥
https://taylor.lnk.to/TSTheLifeofaShowgirl
Album Producers: Max Martin, Shellback and Taylor Swift 📸: Mert Alas & Marcus Piggott
game over
Eu vou deixar o quarto escuro e cinza, sem frestas nem entradas para que a luz ilumine as paredes arranhadas. Caos. E caso não tenha percebido, também vou trancar as portas já que não sei me abrir com as pessoas. Sou apenas os erros que enxergam em mim, nada além. Vou caminhar trilha acima, em linha reta, pois não sei o caminho de volta. Apatia. Sinto que nunca serei especial ou amado novamente. Não dou a mínima para viver, mas caralho, sua ausência é a presença que me segue. Me telefone quando entender aquela piada que contei ou quando seu novo namorado falar algo esotérico que te faça lembrar de mim. Eu só queria ser seu. Só queria saber o que sente quando te abraço no escuro e quando tiro fotos suas para guardar o toque suave dos seus olhos sob a luz do sol.
Quero deixar em você um sabor agridoce, não para que me procure no fundo de garrafas de vinho, mas para que saiba que te amei até quando não podia mais amar. Você era o céu alaranjado do amanhecer e eu desvaneço em escarlate todo crepúsculo. Tão forte e intenso como a superprodução de um álbum pop. Muita coisa acontecendo no fundo, sobrepondo e sobressaindo ao tom da sua voz dizendo que não aguenta mais. E eu sei que tenho culpa disso.
Lágrimas nos olhos, vendo suas fotos submersas em arrependimentos. Podia ter feito mais. Podíamos ter feito mais. Nossos planos não eram diamantes, contigo eu construiria cada um deles até com o metal mais insosso que o universo tenha criado. Eu queria o simples. Demandei o difícil. Não sei transpor rios ou vocalizar meus sentimentos. Você não me entenderia nem caso eu fosse um bug dentro do seu jogo favorito. Você não me entendeu quando eu era o melhor da festa e apenas queria que dissesse algo, fizesse algo. Me enxerga, caralho.
O que você vê quando olha em minha direção e meu sorriso escapa? Sério, o que você vê quando eu caio no sono e fico livre de todo o peso do mundo? Você me ama? Você quer ser meu? Desculpa por interromper seus dias de chuva e as mentiras que contou para estar com ele. Você realmente me ama ou tudo isso é apenas um ruído branco? Estou convencido de que não entenderia o turbilhão de possíveis futuros que transitam na minha mente enquanto você sorri e alguma besteira escapa dos seus lábios. É, você não entenderia, mas eu preciso te contar de alguma forma. Na pausa entre as canções, nos segundos depois que pula de uma pedra dentro da cachoeira. Preciso que saiba que te amo e que o amor por si só não é suficiente.
a pior parte da nossa despedida é essa maldita eterna esperança que me faz olhar pela janela e te imaginar voltando.
evy
Três ancestrais
Meus três ancestrais me encontraram em um sonho. A indígena escravizada, o negro escravizado e o português escravizador.
A indígena disse se chamar Iara. Minha mãe a conhece. Já me contou de suas vestes brancas quando a encontrou pela primeira vez penteando seus cabelos após se banhar nas águas. Assim como minha mãe, Iara também me chamou por filho. Me disse para ter cuidado com a mata. Para ter cuidado com a prata. Para ter cuidado com o branco, pois sua mera presença faz adoecer. Beijou minha testa e me disse para dormir em paz. Amanhã ainda estaremos em guerra.
O negro disse se chamar Preto. Me disse que apagaram seu nome verdadeiro. Já não se recorda o caminho para a terra de onde veio. Minha mãe já me disse que tive medo de Preto, mas amansei depois que ele me tomou em seus braços. Preto me chamou por filho. Me disse para ter cuidado com a cidade. Para ter cuidado com a prata. Para ter cuidado com o branco, pois sua intenção é me esgotar de trabalho para fazer mais dinheiro para si. Beijou minha testa e me disse para dormir tranquilo, pois amanhã ainda serei explorado, mas, se suportar, hei de morrer livre um dia.
O português não me disse seu nome. Disse que não me interessa pois ele já me conhece. Me mostrou com muito orgulho que conhece toda a minha família, até aos ancestrais dos meus ancestrais. Me disse que, se eu seguir o seu caminho, um dia, talvez, quem sabe, eu possa conseguir algo parecido. Minha mãe já me contou como o português disse que a amava e a abandonou sem o reconhecimento do seu fruto. Sem me chamar de filho, o português me chamou de sócio. Me disse para ter cuidado com Iara. Me disse para ter cuidado com Preto. Me disse que não gostam de trabalhar. Me disse que tem um futuro melhor pra mim junto de seus outros sócios. Me prometeu que não serei só mais um e me mandou dormir rápido porque seu dinheiro não espera a boiada passar.
Levantei cedo. Preparei um café amargo. Olhei para a mata da minha janela. Olhei para a cidade da minha porta. Nada me assusta tanto quanto a natureza enganadora dos que prometem demais.
Você só lembra da chuva quando o sol quase te mata em dias quentes. Você só lembra de mim quando precisa de algo. E eu espero que realmente esteja sendo feliz nos dias que minha existência sequer passa pela sua mente. Porque agora você tem novos amigos. Agora você namora. Agora você trabalha. Agora a vida é incrível. Tão grandiosa que não sobra espaço para mim. E eu entendo. Entendo quando você diz que minha tristeza é só drama. Entendo quando você diz que devo me esforçar mais. Entendo, pois para você que está de fora, tudo é tão fácil. A vida muda as pessoas. As pessoas mudam de vida. E, talvez, a paz mundial seja apenas uma questão de querer. Mas você não quer a chuva. Não quer o sol. Você é um impasse eterno. Indecisão. Yin e yang. Você é tão vazio e tão completo sem mim. Que, as vezes, me pergunto: Por que volta? Porém, me alegro em te ver. Até que você fica cansado. Levanta. Sai pela mesma porta de sempre. E eu me pergunto: Por que me abandona? E então, percebo que me tem em suas mãos. Tolo, sempre estarei aqui. Esperando o dia que irá lembrar de mim. Voltará e dará reinício ao ciclo da minha dor. Você só lembra da chuva quando o sol quase te mata em dias quentes. E eu estarei eternamente aqui. Disfarçado em dias nublados. Só que dessa vez, não posso garantir que será por você. Ou por qualquer outra pessoa. Além de mim.