Cadê o bolo que tava aqui?
O barulho do mar e o vento do litoral me tranquiliza e me faz pensar em muito do que eu vi em minha vida. Foram grandes aventuras, eu diria. Até porque sou nativo dessa cidadezinha, conheço e sei aonde todos moram, já os visitei. Alguns me recebem bem, até me oferecem alguma comida a qual aceito sem titubear. Querido por uns, odiados por outros., Diria até que já fui expulso de algumas casas à vassouradas. Nota-se que tenho meus vizinhos preferidos e sempre os visito, é meu passatempo favorito.
Certo dia percebi um movimento diferente e eu, particularmente, não gosto muito de gente nova mas sou nascido e criado em cidade pequena, minha essência é ver o que os outros estão fazendo para... pensar. Fofocar não é minha praia, sou solitário e nem tenho pra quem contar tudo que vejo. Gosto é de ver as pessoas se moverem e como elas se comportam. As vezes é a fuga de realidade que eu preciso. Felizmente gostei bastante dos convidados, muito animados e empenhados na cozinha e não posso negar que é o meu tipo favorito. Na minha primeira visita todos estavam dormindo e aproveitei para provar um pouco do jantar que estava servido na cozinha. Confirmei o que eu já sabia: cozinheiros natos. Realmente é o meu tipo favorito. Confesso que provei mais do que deveria e fui pego. No susto, corri e que vergonha! Sou muito cauteloso mas perco um pouco do meu juízo quando me deparo com uma comida bem feita. Pois bem, fugi ao ser flagrado e tudo desandou nessa nova amizade que mal havia começado e eu já estava mal visto. Mas de verdade? Isso sempre acontece. Como disse, perco tudo quando o assunto é comida. Minha criação foi sem grandes banquetes então comida pra mim sempre é algo que me afeta até os ossos.
O céu azul foi dando lugar à noite e, quando percebi, chegou a hora dos parabéns. Era aniversário de um dos convidados. Claro, sei o que significa: mais comida. Fiquei atento pois, bom... minha presença já era desgostosa então não tinha o que fazer senão usar isso ao meu favor. Fiquei olhando de longe toda a movimentação das minhas novas inamizades, todos os redor da mesa, sempre falando alto e se divertindo.
Aos poucos, cada um foi se afastando da mesa e seguindo para dentro da casa. Quando o último saiu, não tive dúvidas, era esse o momento. Mas eu tinha que ser rápido, eles eram muitos e poderia acontecer o mesmo de mais cedo e eu não tinha mais cara de pau para enfrentar tamanha vergonha. Então fui, rápido e sempre atento a qualquer passo. Fugi a tempo mas ainda estava próximo o suficiente para ouvir:
O GATO COMEU O BOLO!














