— blurryface.
@spa-kevin
Em algum ponto da noite, a festa ficou simplesmente chata para Arashi. Sozinha e sentada no balcão, a garota viu uma garrafa de vodca quase no fim e decidiu que acabaria com a ela. Bebeu em pequenos goles, mas rapidamente e dessa vez sem misturar nada. Nem se preocupou com copos, simplesmente tomou tudo direto do gargalo, querendo ficar realmente bêbada e não conseguindo, nem mesmo quando terminou com aquela afronta ao seu estômago que já reclamava de todas as coisas que ela misturou e expressava seu descontentamento ardendo. Tinha falhado na única missão do dia que era beber até ter coragem de fazer várias idiotices e depois contar ao irmão para irritá-lo, pois ela não conseguia esquecer o quão chateada estava com a ausência dele em sua vida. Levantou-se e o mundo girava ao seu redor e fez questão de despedir-se apenas por educação, por mais que boa parte da festa estivesse ocupada com a boca em outra pessoa.
De celular na mão, sua aventura pelos corredores foi lenta e ela sequer cogitou ficar por ali, por mais que a dona da festa tivesse insistido que havia quartos disponíveis para todos. Mandou algumas mensagens, checou redes sociais – um grande erro – e decidiu que seria melhor ela não ficar ali, mas também não queria ficar sozinha. Recordou-se de que um dos garotos avisou que, caso alguém precisasse, poderiam recorrer ao seu apartamento e, mesmo que não estivesse tão ébria quanto gostaria, estava o suficiente para achar que seria uma ótima ideia para entrar em contato com ele. Nem sabia como tinha o número dele, talvez tivesse pego na escola ou mesmo na festa, talvez alguém tivesse lhe passado.
Provavelmente ela devia soar bem mal mesmo, pois o garoto não pareceu hesitar em passar o endereço à japonesa, que tampouco se segurou na hora de se enfiar em um táxi para o apartamento do rapaz.
Foi apenas quando ele abriu a porta que ela se deu conta de seu estado: enfiada em umas roupas que cheiravam à bebidas variadas que ocultava totalmente o perfume que tinha passado mais cedo, com o rosto ligeiramente avermelhado de torpor e frio e com vontade de chorar por razão nenhuma. — Talvez isso tenha sido uma péssima ideia, né, Kevin? — Pensou em dar meia volta, mas ficar escorada no batente da porta fazia o mundo ser menos rápido sem suas rotações.












