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Na tentativa de aproximar-se do irmão novamente, ela o chamou para jantar consigo em casa na noite da véspera de Natal. Não teriam pratos típicos nem nada do tipo, sequer teriam o pai dos dois para acompanha-los, uma vez que este se dissera ocupado com um concerto especial de Natal no Japão. Tudo ficou, basicamente, pela conta da garota. Ela foi um tanto mais cedo para a casa, assim que fez sua parte nas decorações da escola e passou algum tempo com seu amigo, ela foi direto para o apartamento dos Uematsu preparar o que seria a tal ceia natalina fraterna que ela mesma propôs.
Suspirou quando chegou na residência já muito conhecida e conseguiu colocar suas compras no chão, cansada de carrega-las. Tirou os sapatos e levou tudo para a cozinha, onde ela prepararia um curry com frango empanado e bolo. Não era nada elaborado, até porque Arashi era um desastre ambulante e provavelmente derrubaria tudo, se queimaria, cortaria um dedo fora ou todas as opções anteriores. Não sabia exatamente quando o seu irmão chegaria, mas não tinha exatamente marcado um horário com ele. Apenas disse para que ele passasse a noite com ela na casa dos dois e que chegasse não muito tarde.
Perdeu bastante tempo deixando tudo praticamente pronto e só então foi tomar banho e, ironicamente, se arrumar para comer em casa. Tinha como plano usar uma roupa especial que alugara para o Natal não por ter sido contagiada com o tal espírito natalino – a dubladora odiava essa época e esta, por sua vez, jamais tivera sido festiva em sua família – ou coisa assim, apenas queria colocar um sorriso no rosto de Joonki, nem que fosse perdendo a própria moral. Era um vestido de “mamãe Noel”, um pouco curto, vermelho com detalhes brancos. Ela calçou saltos pretos pequenos e ajeitou o cabelo com direito até mesmo a uma coroinha pequena, cheia de pedrinhas de nenhum valor e, assim que saiu do próprio quarto, deu de cara com o mais velho.
— Aniki! — Sorriu e se indispôs automaticamente a falar coreano, sendo melhor na língua do país natal de ambos e, como de costume, o chamou pelo apelido carinhoso que, mesmo nas brigas, ela jamais deixara de proferir.
The Nutcracker.
spa-anarchy:
Personagens: Park Daesung, Arashi. ( @spa-arashi ). Classificação: Livre. Observações: Log Pública, 23 de Dezembro, SOPA - 5PM.
Aquela semana estava finalmente acabando, depois de dias de sono desregulado, cansaço constante e dedos doloridos de tanto trabalhar; mas foram bons momentos que valeram muito à pena. Tinha um dinheiro extra sobrando, poderia fazer suas compras de Natal e como um bônus havia comprado para si um ingresso para uma das peças que estava em cartaz no Charlotte.
Claro que por estar acostumado à programar as coisas para fazer sozinho, não tinha um outro ingresso quando ofereceu-se para levar Arashi consigo, e por isso teria de comprar um novo. No entanto, como que por destino, ou só por sua lábia mesmo, Daesung conseguiu um ingresso extra durante suas noites de trabalho. Ainda que Daesung não transpareça isso ele sempre foi uma pessoa muito reservada, do tipo que faz as suas coisas sem precisar da opinião de terceiros ou de pré-julgamentos; faz o que lhe dá vontade sem precisar de nenhum sermão. Sempre se virou muito bem sozinho e por isso estava mais do que acostumado a lidar com tudo sozinho também. E apesar de ser do tipo reservado, Daesung estava longe de ser alguém não comunicativo, por isso tinha bastante influência onde quer que passava.
Sua lábia era um de seus pontos fortes, tal como sua sinceridade; ou ele gostava de pensar assim. E enquanto pessoas ‘normais’ dormem, a noite ferve em determinados bairros de Seoul. Itaewon por exemplo era um deles, e o bar em que Daesung trabalha de vez em quando podia ser considerado um dos que nunca dorme, e está sempre entupido de todo tipo de gente. Uma dessas noites de trabalho ele deu a sorte de encontrar-se com alguns roteiristas e apresentou-se -obviamente- como um futuro à ocupar tal cargo. A conversa foi tão proveitosa que, sem precisar se esforçar demais, um dos caras com o qual conversara lhe ofereceu a chance de ir ver a peça do Quebra Nozes no Charlotte; justamente a peça à qual ele já tinha um ingresso e precisava de outro. Destino? Talvez. A questão era que, agora além de ter o ingresso extra, Daesung ainda teria a oportunidade de conhecer melhor os bastidores, nada mais justo do que dar à Arashi a mesma oportunidade como presente de Natal, como havia se oferecido à fazê-lo.
Apesar de não comemorar a data propriamente dita, Daesung ainda queria presentear seus amigos como uma forma de agradecimento por serem simplesmente aquilo, seus amigos. Ele nunca os teve em abundância, e por isso era muito raro que estivesse sempre cercado de gente, preferia estar sozinho, mas isso não queria dizer que gostava da ideia de não ter nenhum amigo. E ficava feliz de poder ter alguns com quem passar o tempo fossem tempos bons ou ruins.sua
Tinha marcado de encontrar Arashi às 5PM no portão da escola, e por isso, começou a se arrumar com antecedência, e por estarem indo à um teatro já poderia aproveitar a deixa para conversar com a vice-presidente do clube sobre a peça que teriam de apresentar no fim de semana para a escola, de tema natalino. Dae nunca foi do tipo que se arruma demais para sair, então bem antes da hora marcada ele já estava pronto: vestia uma calça jeans escura, um tênis, camisa social branca com alguns botões abertos sem estar presa na calça, e por cima de tudo a jaqueta de couro que já era quase uma segunda pele sua. Como sabia que provavelmente Arashi demoraria um pouco mais para se arrumar, o moreno apenas guardou os ingressos no bolso interno da jaqueta, pegou seu maço de cigarros, o celular e a carteira e deixou o dormitório, seguindo para o ponto de encontro que havia marcado com Arashi.
Assim que deixou os portões da escola sentiu-se, enfim, livre para tirar um dos filtros de nicotina do maço juntamente do isqueiro, para acendê-lo ao que colocou entre os lábios e tragou a nicotina para dentro de si, guardando o isqueiro de volta no bolso antes de retirar o celular de lá e digitar uma mensagem rápida para Arashi. “Estou do lado de fora da escola.”, e depois de enviar recostou-se no muro da escola, esperando o tempo passar até a hora em que a japonesa se juntaria à si.
Aceitou o convite do amigo de imediato, uma vez que partilhavam do mesmo interesse sobre atuação. Claro que cada qual com suas preferências e aptidões. Chegava a ser surpreendente que Arashi e Daesung se dessem tão bem, desde que foram postos para trabalhar juntos na presidência do Clube de Teatro. Ele a ajudara imensamente a se habituar a escola cheia de idols e ao mesmo tempo, não a fazia se sentir um verdadeiro alienígena por ser estrangeira e por ter o sotaque forte, ao menos nos primeiros dois meses, até ela passar a falar como uma nativa (que sempre esquecia como eram as palavras naquele idioma).
Dizer que ela ficou ansiosa a semana toda era uma mentira. Estava irritada e tivera uma semana de cão, mas a medida que o dia 23 foi chegando, ela melhorou aos pouquinhos, encontrando uma razão boa para aguentar mais um diazinho. Adorava ir ao teatro e a concertos, desde pequena. Em geral ia com seu pai e irmão aos espetáculos musicais, mas as peças eram raras. Seus pais (e seu irmão, sempre maduro demais para a idade), desgostavam das temáticas infantis e espetáculos muito coloridos, preferindo coisas sóbrias. Toda a vida fora assim, não era à toa que Arashi se compararia facilmente a uma paleta de cores que perdeu a saturação ao longo do tempo. Mas ainda se empolgava com as coisas que amava.
Costumava ser pontual, portanto, se policiou para não atrasar, arrumando-se com antecedência. Uma das coisas que a Koex lhe ensinou era estar sempre pronta a ter uma foto tirada ou seja: arrumar-se com esmero. Futuramente, a orientação sempre lhe viria a ser útil e ela o seguia sempre. Isso também não significava que ela parecia pronta para fazer um show cada vez que saía nem nada do tipo. Se enfiou em uma calça jeans com rasgos propositais acima dos joelhos, colocou uma blusa preta de mangas longas e com a gola um pouco alta, mas frouxa e, por cima, um casaco que cobria seu quadril, branco com linhas e botões pretos. Calçou um sapato de salto baixo e pegou uma bolsa branca, deixando os cabelos negros e longos soltos.
Quando recebeu a mensagem dele, estava quase no portão da escola e precisou olhar para os lados para encontra-lo. Adoraria ter feito uma expressão mais contente, mas ela acabou torcendo o nariz para o cigarro. — Você vai acabar com seus pulmões, sua voz, sua vida. — Reclamou sim, sem receio de fazê-lo sentir-se desconfortável pelo cigarro, mas talvez nem conseguisse considerando a amizade dos dois.
sana +pink sweater w/ black hair
shin shin to.. 森々と
Hanoi, July 28th 2016
It’s raining outside.
spa-hayul:
BOLD all that applies to your muse! Feel free to add more!
Eyes: Blue | Green | Brown | Hazel | Black | Grey | Other Hair: Blonde | Brown | Black | Red | Ginger | Grey/White | Multi-color | Other Body Type: Skinny | Slender | Slim | Built | Curvy | Athletic | Muscular Skin: Pale | Light | Fair | Freckled | Tan | Olive | Medium | Dark | Discolored
Gender: Male | Female | Trans | Cis | No Gender | Other Sexuality: Heterosexual | Homosexual | Bisexual | Pansexual | Asexual | Demisexual | Other Species: Human | Undead/Vampire | Shapeshifter (Weres) | Demon | Angel | Witch/Wizard/Sorcerer | Incubus/Succubus | Other
Education: High School | College | University | Higher Education Living Situation: Lives alone | Lives with parents/guardian | Lives with significant other | Lives with a friend | Drifter | Homeless | Lives with co-workers Parents/Guardian: Mom | Dad | Adoptive | Foster | Grandparents | Family friend Relationship: Single | Crushing | Dating | Engaged | Married | Separated | It’s complicated
I’ve been: In Love | Hurt | Sick | Abused I have a(n): Learning Disorder | Personality Disorder | Mental Disorder | Anxiety Disorder | Eating Disorder | Substance-related Disorder Things I’ve done before: Drank alcohol | Smoked | Done drugs | Stolen | Self harmed | Starved myself | Had sex | Had a threesome | Gotten into a fist fight | Gone to the hospital | Gone to jail | Used a fake ID | Gone to a rave | Killed someone
Positive Traits: Affectionate | Adventurous | Athletic | Brave | Careful | Charming | Confident | Creative | Determined | Fearless | Generous | Honest | Humorous | Intelligent | Loyal | Modest | Patient | Selfless Negative Traits: Aggressive | Bossy | Cynical | Envious | Fearful | Greedy | Gullible | Jealous | Impatient | Impulsive | Insecure | Irresponsible | Possessive | Sarcastic | Self-conscious | Selfish | Unstable
— guns for hands.
Aquele evento tinha a esgotado porque ela simplesmente não estava exatamente empenhada. A vida da japonesa andava corrida e não só isso como no meio da semana, ela decidira ter uma crise que simplesmente obliterara seu humor. Inspirou fundo e deixou o ar sair sonoramente pela boca e, ainda que não tivesse fechado os olhos, não via nada ao seu redor. Ainda tinha que se acostumar com aquela sensação de muita gente olhando para ela enquanto ela estava sobre um palco, agora mais do que nunca. As câmeras não a assustavam tanto quanto fazia os olhares das pessoas, muito mais afiados e prontos a registrarem deslizes. Em meio aquela preparação que somente aguardava o resultado de ensaios exaustivos durante toda a semana verterem sobre o palco, alguém colocou a mão sobre o ombro tenso da japonesa, que rapidamente se voltou para a direção da mão desconhecida.
Seus olhos arredondados encontraram uma expressão reconfortante de calma no rosto de um colega e, involuntariamente, ela acabou sorrindo, desconcertada por todo o seu nervosismo e ansiedade. Realmente, não conseguia desatar todo o seu estresse da semana do dia do evento em si. Ainda tinham um pouco menos que cinco minutos e ela pediu licença para ir ainda mais para o fundo dos bastidores. Correu atrás de sua bolsa, com os saltos pequenos fazendo baques secos no piso e quando alcançou seus pertences, sentou no banco mais próximo para ter apoio. Com a bolsa no colo, ela vasculhou por todos os bolsos – inconscientemente passando a checar se tudo estava do jeito como ela guardava, sem sinais de que tinham mexido nas suas coisas – e encontrou o que queria: o pequeno frasco de ansiolíticos que tinha seu nome no rótulo. Como parte de seu ritual obsessivo, derrubou todas as pílulas em sua mão e contou todas à medida que ia colocando-as de volta no pote, deixando apenas duas para fora. Essas, Arashi engoliu sem água, sentindo-as entalarem desconfortavelmente em sua garganta.
Guardou a bolsa num local inacessível, praticamente decorando a posição na qual a tinha deixado e voltou para a beira do palco, arranjando uma garrafinha de água no meio do caminho para ajudar os remédios a descerem. Finalmente chegou a hora de se apresentar e ela, mais uma vez, inspirou fundo, como se aquilo ajudasse os remédios a fazerem efeito mais rápido. Que fosse psicossomático, ao menos deu certo e, uma vez no palco, ela iniciou a cena como fizera inúmeras vezes naquele mesmo auditório vazio.
— two door cinema club.
spa-anarchy:
A ideia já tinha sido exposta por ambos tinha alguns dias, mas nenhum dos dois tinha de fato pego o roteiro para ensaiarem juntos. Mas a experiência que já tinham como responsáveis pelo clube de teatro tornava tudo natural, ou ao menos Daesung esperava que assim fosse; era natural no dia a dia, por que não seria quando agora precisavam apresentar realmente para um público? O nervosismo fazia parte da ideia geral, mas o moreno conseguia conter isso de forma quase imperceptível, com exceção de suas mãos que ficavam passando sobre o roteiro que estava segurado, os dedos correndo sobre as falas que se seguiam.
Estava completamente absorto nos próprios pensamentos, montando mentalmente as cenas escolhidas por eles para interpretar que somente tirou seus olhos dos papéis que tinha em mãos quando ouviu a voz de Arashi ao ‘longe’. Ela não estava longe, quem estava era Daesung, e ele direcionou um sorriso à menor com um aceno em positivo da cabeça, concordando com a proposta. — Yes, partner in crime. — E murmurou uma resposta que seguiu-se de um riso soprado com a referência usada do primeiro filme listado por ela.
— Está pronta? — E ao questioná-la novamente estendeu uma das mãos à menor, deixando no rosto o sorriso de sempre como uma forma de tranquilizá-la. Ou de se tranquilizar. Se nada desse certo, ao menos dariam boas risadas mais tarde de tudo o que se passou. A ideia de ser um criminoso não passava muito longe de ser a realidade do garoto, então já conseguia se imaginar no papel de Clyde sem nem mesmo ter se preparado demais.
Esticou-se felinamente enquanto se espreguiçava. Eram muitos papéis para pouco tempo; a ida e vinda da “sala dos roteiristas” para as cenas dos filmes era rápida e demandava uma naturalidade imensa. Sem mais delongas, Arashi assumiu sua posição numa das cadeiras, iluminadas separadamente do painel onde as imagens seriam projetadas, ainda que a distância dos dois pontos fosse mínima. Os dois transitariam entre aqueles dois cenários em seus papéis, do que seria a vida real para as idealizações dos filmes escolhidos.
Decidiram começar por Bonnie e Clyde simplesmente por uma conveniência narrativa: era o filme mais difícil de fazer ser crível, já que eles não contavam com carros, armas e tiros, e por isso optara, por atuar sobre o trailer antigo. A história do casal do filme era mais famosa que o roteiro do mesmo. — Pronta. — Segurou a mão dele por um instante antes de começar a interpretação.
Andou até o cenário neutro, dando as costas para ele por segundos antes de se virar como quem acaba de entrar esbaforida numa sala. — Yah, eu não aguento mais! Toda hora o chefe reclama da ideia de roteiro que eu apresento pra ele. E a última... Ah, era tão boa. — Caminhou até o lado onde as imagens começaram a ser projetadas. — Essa seria a Bonnie e ela seria namorada do Clyde. Eles são jovens e se amam. — Foi até Daesung e o abraçou por cima dos ombros, em uma versão bem mais inofensiva da cena real onde o casal se beijava. — Eles matam pessoas. — A partir da apresentação dos protagonistas, as frases seguintes, todas estavam escritas no trailer e, consequentemente, nas projeções.
— two door cinema club.
@spa-anarchy
Depois dos testes de regulagem do projetor, a imagem era suficientemente nítida para servir de cenário e suficientemente fraca para não apagar os dois responsáveis pelo clube de teatro. Tinham montado um roteiro bastante simples, mas que parecia funcionar porque, mesmo nos poucos meses em que Arashi estava ali, ela tinha encontrado uma boa química de palco com Daesung. Jamais soube se a razão daquilo era porque considerava a personalidade agradável ou se simplesmente ambos eram bons atores e amigos até. O auditório estava escuro para que o colega de grupo deles testasse a iluminação perfeita para que os dois copiassem alguns diálogos icônicos do cinema.
Sacudiu as mãos aos lados do corpo, moveu os ombros como que para tirar a tensão. Já tinha apresentado peças de teatro antes, mas tudo era muito diferente de dublar. Quando ela tinha apenas a voz para imprimir num personagem, costumava ter reações ou entonações quase que exageradas ou ao menos mantinha essa impressão sobre si. Cuidar da voz, das expressões, dos olhares e ainda lembrar do roteiro era difícil para alguém que tinha ainda que controlar-se para não cair de nervosismo. — Então a gente começa por Bonnie e Clyde, faz o contraponto com Mary Poppins e vai pra Psicose?
Aguardou a confirmação do rapaz para inspirar fundo e encarnar sua personagem: uma roteirista que sonhava em mudar o rumo do cinema com uma grande produção que seria memorável até mesmo cinquenta anos depois discutindo com seu colega com aspirações tão grandiosas quanto, mas com ideias bastante distintas. Dali em diante, as falas os dois já tinham bem memorizadas, mas por via das dúvidas, ela ainda tinha o roteiro nas mãos, ao qual ela passava os olhos uma última vez no aguardo de Daesung começar a cena.