Dracarys pt.1 || POV
Novembro sempre foi um mês propício para os alunos novos começarem a tentar uma aproximação maior com os dragões aos quais chamariam de parceiros pelo restante do ano letivo. Antes disso, precisavam se acostumar um com o outro e, basicamente, os dragões necessitavam sentir um tipo de segurança que, ao menos em tese, emanaria da pessoa com quem voaria. Aquele deveria ser o caso de Irina e ela realmente gostaria que fosse, até mesmo porque se sentia ligada à Bart como se ele fosse um amigo de infância. Todavia, não era o que o dragão realmente deixava escapar quando a notava se aproximando. Espécie diferente aquela; romena como ela, mas as semelhanças paravam naquela mera casualidade --- não era como se seres mágicos como Bart ligassem realmente para a própria nacionalidade. Antes mesmo de se aproximar, o ser parecia ter sentido a sua essência, e Irina quase se deixou levar pelo medo, os olhos arregalados enquanto a boca se abria de forma escabrosa, certa de que Bart a mataria naque--- Ele nunca faria isso, pensou. Assim como outros espécimes de dragões, ele era apenas incompreendido, e, na verdade, buscava um pouco de amor de seu parceiro --- não, Irina jamais se consideraria sua amazona, por mais que a instrutora parecesse deixar aquilo bem claro. Ela só era uma bruxa. Quem lhe garantia que Bart não era, na verdade, um animago preso, tal como ela suspeitava que Togepi era? Portanto, franzindo o cenho, a loira cerrou os punhos, pondo-se diante do dragão com uma careta desafiadora, as sobrancelhas franzidas de forma a se tornar um pouco mais ameaçadora; o que, obviamente, não funcionou tão bem quanto desejava.
Ela era completamente insana se pensava que conseguiria domar um bicho daquele porte da forma com a qual estava lidando com ele e, antes mesmo de tentar se aproximar um pouco mais, a loira meramente se sentou no chão, cruzando as pernas de forma pouco descarada enquanto o encarava. Uma das mãos foi de encontro ao queixo, e Irina teve que semicerrar os olhos assim que a criatura se eriçou, mas conseguiu se manter parada o suficiente para que não notasse o seu medo --- ela não tinha medo, na verdade. Estava acostumada com dragões; convivia com dragões; amava dragões. Seu Charmeleon tinha acabado de evoluir para Charizard e, ao invés do que Ash passou com o Pokémon, ele parecia acolhê-la razoavelmente bem. Por que seria diferente com Bart? Ele era tão talentoso quanto seu Charizard, quase tão mortífero e mal-humorado, também. Por isso que ela fora escolhida para ser o seu par, na verdade. Os mais incisivos haviam ganho como parceiros dragões mais amáveis e, além de tudo, Irina sempre gostara de um desafio. Bart podia ser orgulhoso --- ela o conhecia há pouco mais de dois meses, mas havia sido o suficiente pra traçar pelo menos um pouco da personalidade da criatura em sua mente, mapeá-la de forma a usá-la para que ele confiasse nela --- quase como se fosse sua missão de vida. Nos últimos meses, Irina praticamente respirara as notícias do dragão; se estava bem, mal ou se havia comido os carneiros de praxe diários.
“Juro, Bart. Não vou te machucar.” Murmurou, mais pra si do que para o dragão, assim que ele bateu uma das enormes patas no chão, ocasionando na própria falta de equilíbrio da Dalca. Por alguns segundos ela chegou a pensar que não ia conseguir --- não ia conseguir fazer daquele Chifre-Longo um aliado ---, que era fraca demais para aguentar o desafio que ele oferecia, mas, tão logo os chifres cintilaram contra a luz solar, já parca devido à chegada do inverno, Irina cerrou os olhos uma última vez antes de se levantar, pouco sem jeito, e se aproximar do animal. De início, Bart parecia ter ficado confuso com a sua aproximação, assim como o restante dos alunos naquela classe, mas tão logo o choque passou, Irina levou uma rabada tão forte que poderia tê-la destruído, não fosse o feitiço protetor da instrutora, que parecia estar gritando consigo. Estranhamente, Irina não se importou; estranhamente, continuou se aproximando da criatura, sabendo, decerto, que não deveria estar fazendo aquilo. Merlin, ela sabia que não era uma aluna excepcional, mas ao menos naquilo ela era boa --- sempre tinha sido especialmente dada a cuidar de animais e criaturas no geral, preferindo relações interpessoais entre humanos e seres mágicos. Não podia falhar. No que mais Irina seria boa o suficiente? Ela não sabia. Bart estava lhe testando das formas mais cruéis que ela poderia imaginar, mas ela não iria se dar por vencida.
Oh, não. Ela o cativaria, e então saberia que, ao menos algo fizera de certo, que não era uma pária que não sabia sequer como tratar um ser tão esplêndido como aquele. As escamas verde-escuras foram a última coisa que viu antes de desmaiar com mais uma das rabadas do dragão, que parecia mais ultrajado do que tudo por Irina ter mantido a aproximação. Flashes confusos perpassando seus olhos enquanto deixava a consciência se desvanecer.
Fora de combate.









