Um Novo Czar
A revista Forbes colocou Vlamidir Putin, presidente da Federeção Russa, como a pessoa mais poderosa do planeta pela quarta vez consecutiva. Barack Obama, por sua vez, figura no 48º lugar. Das eleições americanas ao Brexit à queda de Aleppo na Síria, Putin lidera a reformulação da ordem geopolítica global.
Putin reencarna o saudosismo russo das glórias passadas e, embora seja considerado controverso no Ocidente, é extremamente popular na Rússia com uma taxa de aprovação de 90% após a anexação da Crimeia, na Ucrânia. Uma verdadeira "#putinmania" mesmo entre seus opositores que aprovaram a invasão em território ucraniano. Esta coesão interna lhe propulsiona a fazer o que bem entende.
Além disso, Putin exerce sua influência através do apoio a partidos populistas na Europa. Nigel Farage, um dos expoentes da campanha pelo Brexit, não esconde sua admiração pelo presidente russo. Donald Trump, o fanfarrão presidente eleito dos EUA, também elogiou publicamente o líder russo e nomeou como Secretário de Estado (uma espécia de "diplomata-mor") Rex Tillerson, homem de negócios do petróleo com grandes laços com Moscou.
Para a surpresa de poucos, foi destaque na imprensa que o próprio Putin autorizou ataques cibernéticos com o objetivo de influenciar o resultado nas eleições americanas através da divulgação de e-mails comprometedores do staff da campanha de Hillary Clinton.
Considerado um dos grandes players na guerra na Síria com a queda de Aleppo, Putin contará com uma América "pacificada" a partir do ano que vem com Trump na Casa Branca e uma Europa fragilizada com a crise provocada pela saída do Reuno Unido do bloco europeu. Se Putin foi "excluído" do G8, por exemplo, por suas aventuras no Leste Europeu, não foi o suficiente para que ele não aproveitasse a ocasião a fim de reorganizar o cenário geopolítico estreitando seus laços com a China ou, ainda, criando uma união com ex-repúblicas soviéticas, a União Econômica Eurasiática, em vigor desde janeiro de 2015.
Também é válido recordar a grande depedência da Europa do gás russo que vem de grandes tubulações que cruzam todo o continente, este comércio acaba sendo um ponto chave nas negociações com o bloco, mesmo com as sanções atualmente impostas.
Em 2017, a Rússia comemorá o centenário da Revolução Russa, mas Putin está cauteloso. O tom das comemorações será muito mais voltado paras as conquistas da URSS tirando o foco da palavra "revolução". Cem anos após a queda do último Romanov, a "Mãe Rússia" se depara com um novo Czar no poder.














