Moro em um país que sangra;
Sangra desigualdade social, sangra hipocrisia, sangra um falso moralismo que rasga a pele, nos revira o estômago vomitando o pouco de esperança que ainda restava;
Choro por um país de riquezas, praias, florestas, cavernas, animais e dono de um povo que já amou viver, um povo que erguia sua bandeira e comemorava, abraçava e sambava a magia de ser brasileiro. Hoje sem esperança choro por um país que viu tua fauna e flora pegar fogo; de braços cruzados viu tua preservação, tua cultura, teu amor em ser diferenciado com tudo que é de bom pegando fogo; fogo que ninguém sabe da onde vem, mas o carro do fazendeiro que cria gado pinga álcool e cheira a cinzas.
Moro em um país que ao perder a esperança elegeu o falso Messias, o falso profeta que fala sobre Deus e pátria sem conhecer nenhum dos dois, sangro por um país que ao falar dele lágrimas saem mais rápido do que palavras.
Que Brasil é esse que não parece nada com o que cresci e quero preservar?
Que país é esse que tem pessoas que escolhem ser más de graça, que a aparência grita mais alto que o bem estar?
Choro, sangro e escrevo por um Brasil que ainda tento ter esperança em lutar.
Independência ou morte é realmente nossa questão, e hoje temos muito mais da morte; morte pela fome, pelo frio, pelas queimadas, pela tristeza, pelo DESGOVERNO.
Troco a Independência que bate no peito e prega a mentira de que não estamos sangrando enquanto morremos, pela Independência que prega a DEMOCRACIA.
Choro, escrevo e sangro por um Brasil que já foi um país de todos.
Independência ou morte para quem? A morte sempre é para nós.
Lamentos de um 7 de setembro em meio a um desgoverno.