Não gosto que me comparem.
Aquele que sabia que não valia o quanto pesava.
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Não gosto que me comparem.
Aquele que sabia que não valia o quanto pesava.
O desespero do restaurante por quilo
A regra básica do restaurante por quilo é: comer tudo que você não come em casa. Assim como a regra do buffet livre: comer tudo – e repetir. Então, pode-se até pular a parte da salada se você for desses. Ou se você for das saladas, pega uma azeitona preta grega, uma mussarela de búfala, uma pêra com vinho ou uma salada de camarão.
Partiu para a junk food. Lógico que se tiver um bolinho de bacalhau, uma batata frita ou um nugget, você vai pegar. É a parte mais gostosa. Tenho certeza que você comeria um prato inteiro só com essas frituras. Mas tem que maneirar, porque não pega bem.
Aí você vai pra parte quente. Arroz de pato, bacalhau, medalhão de mignon, lasanha de salmão, enfim, todos aqueles pratos que você só encontra em restaurante. De acompanhamento, arroz à piamontese, batata rústica, um macarrão gratinado, tomate recheado...
Aí você passa por aquele peixe com uma cara ótima e pega. Passa na churrascaria, pega uma carninha, uma linguiça e coração – porque você ama coração. Passa ali pelo frango grelhado que tá com uma cara boa e pega, depois o peito de pato e o lombo de porco. Salmão, camarão, vaca, galinha, pato, porco. Seu prato parece um zoológico.
No final, você ainda dá aquela olhada, volta ali no tomate, pega mais um, pega um tiquinho de salpicão, porque a sua avó fazia um delicioso e você sentiu saudade, pega um ovinho de codorna, um pouquinho de tabule e corre pra balança pensando que se ainda sentir fome, dá pra pegar uns sushis ali no buffet japonês.
O preço do seu prato te assusta, assim como o tamanho (e a altura), e você senta num canto, meio isolado, para saborear o próprio desastre gastronômico.
Na primeira garfada, o coração de galinha já não parece tão apetitoso. A salada está com uma cara estranha e a batata frita está fria. Mas o que te resta, a não ser comer, não é mesmo?
Quando acaba, você se sente a pessoa mais obesa do mundo, toma um refrigerante, dá aquela respirada profunda e levanta para pagar. Mas, no meio do caminho, veja só, seu olhar esbarra no buffet de sobremesa e você parte para a ignorância: pega um pedaço de todas as tortas e doces. Menos as frutas, porque essas você tem em casa.