Como posso dizer isso sem soar clichê? Sem que aparentemente as pessoas me escutem mas não me ouçam, não me compreendam?
Nos meus sonhos ela continua, como uma sombra no canto me olhando e esperando o momento para me abraçar. Ela arranha as parades do meu ser.
Muitas das vezes acredito que o melhor é a ignorância, o instinto, do que acreditar e pensar que há possibilidade de melhorar.
Tudo conspira para que não haja melhora. Será que a humanidade deu certo? Será que esse sistema é de fato humanidade? Como alcançar o plano que está além do nosso, quando essa realidade nada mais é do que uma jaula?
Lágrimas já não são suficientes, não há sexo que dê prazer, não há comida que satisfaça, não há bebida que tire a sede, não há ouvidos que sequer ouçam, muito menos olhos que vejam que tudo isso se tornou nada.
É essa eterna aflição que como um ácido corrói a vida cotidiana, esta que deveria ser tão agradável, tão mais leve. A geração anterior prende a próxima geração com termos como “there’s no free lunch”, com pensamentos do tipo “a vida é dura!”, “você não quer saber de nada”... A geração anterior se agarra a uma ideia de que durará para sempre, e a geração atual sabe que não terá seu espaço. É um quadro sem respiro, sem margem, abarrotado de cores e texturas. Nem uma pincelada a mais cabe na tela que um dia era, de certa maneira quase vazia.
Eterna aflição que é ser humano, ter humanidade, no meio de um monte de humanos que se contentam em ser apenas seres. Não sofrem, não amam, não sentem... Talvez seja essa a definição de sociedade. Viver uma bolha que está preste a estourar mas nunca estoura.
É aquele respiro antes da batalha, é a quantidade de zeros de uma conta bancária. Aliás, bancos, eles são as novas igrejas... É lá que todos buscam a sua salvação. E quanto mais gente tenta se salvar, mais gente se perde. Poucos com muito, muitos com pouco. Todo mundo perde.
Até quando? Eu não sei.