seus dedos moviam-se com rapidez, as cartas faziam um som agradável ao serem trocadas e mexidas a seu bel-prazer. atos como aqueles mantinham sua memória terrena viva, de uma mãe mistica que mal conhecera, uma figura quase que fictícia. percebeu que não estava mais sozinha, porém se demorou para levantar a cabeça e, quem sabe, reconhecer a pessoa. não gostava de ser importunada, principalmente pela maioria das almas. —— já que atrapalhou a minha paz, deixe-me ler as suas cartas. ou será que tem medo? —— uma leve provocação, seus lábios outrora carmesim mostravam certa diversão, que não chegava aos olhos. —— creio que algumas divindades não aprovam tal arte, mas nenhum de nós está nas boas graças deles, se estivéssemos não estaríamos aqui. —— colocou cinco cartas em cinco fileiras, o simbolo de um olho cercado em luzes e símbolos adornava as costas do objeto. —— escolha um monte. vamos lá, vai ser divertido, e se não acredita não há nada a temer, não é?