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A High Hopes Project: Diamond Heart.
COMING SOON!
— Como está sendo estar de volta aos EUA depois de anos no Reino Unido? Sente falta de lá?
— Estou me habituando de volta... Mas, Agnes, preciso falar sobre algo com você.
— Sabe, eu não iria conseguir voltar. Depois de quatro anos, eu só iria me arranjar por Cambridge, morar em um chalé aconchegante e trabalhar em uma floricultura e deixar esse país de lado.
— Agnes, sabe que eu vim para falar dessa sua ideia maluca...
— E o mais interessante disso é que é possível viver essa vida de contos vitorianos, porque teoricamente vivemos muito bem para a maioria das pessoas na América, e se diminuirmos os gastos, sobrevivemos tranquilamente por longos anos.
— Agnes Lawrence, faça o favor de parar de fingir que não está me ouvindo e aceitar que vim discursar contra a sua decisão insana de casar com alguém que nunca viu?
A garota ruiva repousou o chá sobre a mesinha entre as duas poltronas com aspecto caro e clássico. O terninho MaxMara acompanhado da saia lápis era tão branco que a luz que vinha da janela parecia refletir em seu corpo. Uma perfeita e intocável dama da alta sociedade. Até seus enormes cabelos ruivos estavam escovados e posicionados de forma que seus fios caíssem por seu ombro em um perfeito rabo de cavalo. Como se nunca tivessem experimentado da selvageria, antes.
— E do que acha que vai adiantar o discurso? Está decidido, Annika. Irei me casar com Logan com a chegada do Dia de Ação de Graças. — Respondeu, encolhendo ligeiramente os ombros por baixo do tecido caro.
— Você consegue se ouvir? Isso é a coisa mais absurda que já disse, e isso porque te conheço desde quando ainda estava trocando os dentes. — Thompson rebateu, balançando a cabeça em negativa e raiva.
— Eu não entendo todo o rebuliço. — Lawrence falou, balançando a mão no ar, como se espantasse moscas. — Quero dizer, eu aproveitei todos os quatro anos de liberdade que a vida na Columbia me proporcionou. Agora eu vou seguir o caminho que todos os Lawrence seguem: o de manter a empresa e um casamento feliz e rentável.
— Como você vai ser feliz ao casar com um cara que você só trocou e-mails profissionais? Como? — A mais velha parecia em desespero com a calma e convicção da ruiva.
— Temos os mesmos objetivos de vida: fazer com que a Lawrence Corporation continue em alta, porém introduzindo no mercado empresas que estejam preocupadas com o meio ambiente e a resiliência de nossa sociedade. Nos entendemos muito bem. — Esclareceu a seu modo a Thompson, que apenas a encarava como se estivesse vendo a outra perder a sanidade.
— Isso você diz quando vai fechar um acordo milionário com outra pessoa. Não quando vai subir ao altar com ela. — Annika gesticulava na direção de Agnes, completamente incomodada com a resolução desta. — Agnes, eu conheço você. E sei o quanto acredita em finais felizes e em coisas positivas e todas essas baboseiras que me deixam enjoada só de falar sobre. Como em um ano após sair da faculdade você resolveu que estava tudo bem em ser a senhora von Ziegesar? Quero dizer... O que você e esse cara tem a ver? E não me venha com o discurso que vai usar na união das empresas!
A mais nova a encarou com um sorriso gentil, antes de se ajeitar em sua poltrona e soltar um suspiro baixo e contido.
— Destino é algo completamente imprevisível. — Começou, colocando as mãos em seu colo, os dedos cruzados e a postura alinhada. — Eu beijei mais garotos universitários residentes em Manhattan e proximidades do que eu imaginei que um dia faria sendo a garota nerd e invisível do colégio. Eu fui a mais festas open bar em New York do que compareci a jantares de gala em toda a minha vida. Eu fiz mais amigos em eventos aleatórios nesses quatro anos do que em todos os anteriores seguindo meu pai em jantares de negócios. Eu tive uma vida intensa e plena em quatro anos. Aproveitei cada segundo dela. E faz um ano que me despedi de tudo, e me integrei a vida real e adulta. E, bem, agora começa a parte imprevisível, onde recebo essa chance de unir as empresas e seguir com meu projeto de trazer melhorias para as pessoas. E é uma chance de não fazer isso sozinha.
— Eu não consigo acreditar que vai abrir mão de todos os seus sonhos açucarados e positivos por causa de um projeto... — Annika escorou o rosto em seus dedos da mão, sem condições de não reagir àquele discurso de forma enfaticamente negativa. — E vai me dizer que de todas as bocas que beijou na faculdade, nenhuma mexeu com você? Nenhuma seria capaz de impedir que isso acontecesse?
— Não, nenhuma. — Lawrence afirmou de forma simples, e Thompson sabia que era algo sincero.
— Ninguém chegou nem perto?
— No máximo... — E então a ruiva titubeou, abrindo um sorriso agridoce. — No máximo eu conheci esse cara. Que estava interessado em outra pessoa. Que eu nunca consegui trocar mais do que algumas palavras em algumas festas que coincidentemente estávamos.
— Você se apaixonou por alguém com quem nem ao menos conviveu por mais de meia hora? — Annika questionou, a sobrancelha arqueada.
— Se apaixonar é um termo forte. Diria que ele me causou uma forte impressão, desde o primeiro momento em que o vi, e isso porque estava presa numa névoa de algumas rodadas de drinks coloridos e fortes... E então... Eu nunca mais o vi. E a vida seguiu. — Concluiu, dando de ombros.
— Impressionante. Você vai se casar com alguém que nunca viu pessoalmente, estando ainda com sentimentos por uma pessoa que viu em uma festa tempos atrás e que nem ao menos beijou ou conversou ou... Sei lá, se apresentou...
— Eu me apresentei. Acho. Bem, ao menos eu sei o nome dele. — Se defendeu, retomando o chá em suas mãos.
— E por que mesmo que nunca foi atrás do tal cara? — Annika perguntou, sem muita paciência com a moça, a essa altura.
— Porque também tive a impressão de que eu não era o que ele estava destinado a encontrar. — As palavras saíram tão pontuais de seus lábios que ficava claro que aquele assunto morria ali.
E Annika Thompson, fazendo as contas com ela mesma, percebia que era a única herdeira que ainda tinha a cabeça no lugar certo.