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CONTA INATIVA. BYE!
Minha dramaticidade era sempre muito complexa e intensa e nada mais no mundo parecia comportar tamanha corrente de ideias maravilhosas que não meu corpo e um palco bem iluminado, e jurava que isso era o que me cabia além de relacionamentos frívolos com outras estrelas sem alma como eu. E então, em uma loja de discos, como nos filmes dos anos 80, ela entrou em meu caminho e nunca mais saiu. E embora eu tenha cometido erros, como usá-la para vencer nas Regionais antes de partir para a UCLA, e estourado ovos em sua cabeça, falava a verdade sobre realmente tê-la amado. Em todas as oportunidades que a nossa vida se cruzaram, fosse como consultor do New Directions ou coach do Vocal Adrenaline, tentei me aproximar novamente dela, admitindo meus erros e torcendo para que ela me escolhesse ao invés de Finn Hudson. Sabia que ele era meu oponente forte, uma vez que foi seu primeiro amor, e que possivelmente apenas por ele Rachel me diria não. Porém a vida tem modos trágicos de ser escrita em alguns capítulos e esse impasse acabou se resolvendo de uma forma muito dolorosa. Passou-se muito tempo até que novamente nos vissemos, e então estava em Ohio, naquele auditório da escola que serviu como pano de fundo de nossa relação. Mesmo com sua recusa em participar da peça que eu estava como protagonista, sabia que precisava arriscar. Eu estaria em New York, ela estaria em New York. E pela primeira vez em anos, ela me disse sim novamente.
Obviamente que nem tudo foi flores, ainda estava lutando para conseguir meu lugar ao sol e a Broadway me passava grandes rasteiras como negar papéis que eram claramente meus por desentendimentos com o resto do elenco. Mas para alguma coisa esses empecilhos me serviram e então comecei a produzir meus próprios shows e ser o protagonista deles. Foi assim que consegui meu primeiro Tony, em um monólogo intenso em que narrava as desventuras que me levaram de uma pessoa insensível a alguém que realmente se importava. Agora estava em uma nova empreitada, escrevendo sobre Jane Austen e a colocando em um pedestal, porque se Lin-Manuel Miranda conseguiu vencer o Tony com sua produção sobre Alexander Hamilton, eu também poderia vencer falando de outra celebridade histórica. A escolha para o papel principal era bem óbvia, é claro; não tinha mais ninguém que conseguisse atuar com todas as emoções que eu precisava do que Rachel. Ela entendia meus direcionamentos e meu texto e enquanto estávamos ainda na época de montagem do musical, foi minha parceira criativa e não sabia o que seria de mim sem ela. De um modo geral, não tinha nenhuma área de minha vida onde Rachel não fosse minha parceira ideal.
Quando visitamos nossos pais em Ohio, deixei implícito para seu pai que iria pedi-la em casamento assim que tivesse uma condição de vida mais estável, o que pretendia assim que abrisse o musical no Broadway. Apesar de ter diversos pontos que ele gostaria que eu me atentasse, como as experiências traumáticas de minha namorada sobre noivados anteriormente, ele me disse que acreditava em minhas mudanças e que eu poderia amá-la e respeitá-la por todos os dias de minha vida. Com sua benção, retornamos a New York City, sendo que eu tinha muitas coisas para preparar.
Todo musical tem diversas versões antes de chegar na sua versão final. Na primeira apresentação, para os patrocinadores, ele tem a versão bruta, com um número x de músicas, que podem ser encurtadas, modificadas, alteradas de ordem ou até mesmo cortadas. A segunda versão, a que estreia, geralmente tem as suas modificações quanto às notas e ao compasso, podendo ficar mais rápidas ou mais lentas. Essa versão é a que se populariza e que faz o boca a boca acontecer, ganhando grandes proporções. E bootlegs. Tudo bem que ao encontrar um novo de Hamilton, eu assistia milhares de vezes quando colocava as mãos em uma versão a qual não pude ter o privilégio de assistir, mas isso se devia ao meu trauma de perder a escalação de King George para aquele garotinho sorridente demais. Porém o ponto era que àquela altura, as pessoas saberiam quais eram as músicas que compunham Jane Austen Sings e qualquer alteração nova seria amplamente comentado no meio musical. Ótimo. Era exatamente o que queria.
Conseguimos pagar nosso investimento em torno de cinco meses depois de abrirmos em off-Broadway, toda noite assinavamos playbills e tiravamos selfies com diversos teatro-fãs e sabia que as coisas estavam indo para o caminho certo. E eu sabia que não sentiria toda aquela felicidade e sentimento de dever cumprido se não tivesse Rachel o tempo todo ao meu lado. Em dois anos de off-Broadway, sempre que conseguiamos conquistar mais uma meta, levava minha namorada para jantar em um lugar caro, celebrando o que tínhamos alcançado, e sempre fazia questão de lhe dizer o quanto que ela era importante para mim, para meu amadurecimento, para a minha vida. Todo dia era uma chance de confessar meu amor a ela, porque Rachel merecia todo o amor e devoção.
E entre devoções, o grande ato se aproximava. Sabia que tinha que ir fundo para conseguir o meu objetivo, por isso comecei a estudar Sondheim com afinco. Apenas o criador de West Side Story seria capaz de me guiar para o caminho que eu precisava. Escutei por meses suas composições, observando como ele construía seus versos e melodias, e como elas representavam as urgências de um amor tão puro e sincero. Divagava demais pensando em modos como poderia fazer minhas próprias composições e montar aquele ato que era mais importante até que ter meu nome sendo chamado no palco mais uma vez para me entregarem um prêmio. Recebemos o sinal verde para levar nossa produção para teatros maiores, finalmente chegando a Broadway. Éramos grandes! E para celebrar algo grande, eu tinha a maior das declarações a ser feita.
Passávamos o texto no teatro, todos os atores circulando o palco, ao contrário de todos os nossos outros ensaios que aconteciam no New 42nd Street Studios. A abertura estava chegando, teríamos o ritual da manta no dia seguinte, mas pedi como uma superstição e exigência que aquele último ensaio fosse feito ali. Não entenderam a urgência do meu pedido, é claro, então tive que colocar em pratos limpos o que queria fazer e então me deram o passe. Aparentemente, artistas são sensíveis em algum nível em sua totalidade. E então chegamos a uma cena nova, um devaneio sobre Mr Darcy, onde o co-protagonista encarnava o personagem e falava sobre seus sentimentos sobre Elizabeth. Ninguém entendeu bem porque não ensaiamos antes essa parte durante as seis semanas anteriores, mas eu batia o pé que tinha que acontecer ali, o primeiro e único momento.
Respirei fundo, subindo no palco, o roteiro em minhas mãos.
— Então, Jonathan, eu sei que você está ansioso por essa parte, mas acredite em mim, eu estou mais ainda. E por isso, se me permite, eu vou demonstrar exatamente como essa cena irá funcionar, okay? — Me dirigi então a Rachel, esticando minha mão em sua direção e dobrando um dos meus joelhos para que a cortejasse no ato. Assim que seus delicados dedos tocaram os meus, a guiei para o centro daquela roda, com gentileza, balançando a minha cabeça em sua direção. — Primeiro você irá olhá-la nos olhos, com todo o amor e carinho do mundo. Porque ela é digna de todo afeto possível. Afinal, ela é uma mulher incrível, vencedora de seus medos e traumas, forte, independente e que soube fazer de seus erros ensinamentos para si e para os outros. Ela é a mulher que você ama e admira e nada no mundo pode desfazer o impacto que ela tem em sua vida. — Abri um sorriso para Rachel, entrelaçando nossos dedos, enquanto as luzes eram ligeiramente modificadas, deixando apenas um halo sobre nós dois de maneira natural e progressiva. — Depois disso, você irá abrir um sorriso para ela, e ela vai sorrir de volta, lhe abençoando com a imagem mais linda no mundo inteiro e você pode até mesmo pensar “Uau, eu estou completamente enfeitiçado por esse sorriso, e como ele consegue ser assim tão brilhante?”. E mesmo que fique completamente embasbacado, você vai dizer… — E então me abaixei, um joelho no chão e outro dobrado em exatos noventa graus, a coluna ereta e a cabeça levemente posta para trás, fitando os olhos da mulher que sempre amei. — Você é a razão pela qual meus pensamentos tortos se transformaram em uma noção mais clara. Todos os meus julgamentos e preceitos foram alterados a partir do momento em que tive a honra de ouvir suas palavras e elas me trouxeram luz, inteligência, compreensão, além de despertar em mim sentimentos que por muito tempo imaginei que não seria capaz de permitir que tomassem conta de minha racionalidade. Amor é uma palavra muito utilizada e muito subestimada, mas compreendo o fascínio por ela uma vez que depois de você, experimentei a sua verdadeira forma. — Fiz uma pausa, pressionando gentilmente seus dedos nos meus, sorrindo abertamente e sentindo cada batida de meu coração contra as minhas costelas, reverberando por cada célula de meu corpo emocionado. Abandonei o roteiro que ainda segurava em uma de minhas mãos, buscando em meu bolso pela caixinha azul Tiffany’s que continha o anel de noivado vistoso e delicado, exatamente como eu via a mulher que tomou meu coração no primeiro olá. — Eu amo você, Rachel, e sempre irei amar. E se o teatro é nossa igreja, o palco é o nosso altar, este é o local certo para esta pergunta. E neste altar, eu te pergunto, com todos os meus verdadeiros e profundos sentimentos expostos: Você quer casar comigo?
High Hopes presents: The newbies heirs
Uriah Lynn, filho de Ryder Lynn e Marley Rose;
Kathleen “Katy” Traynor, filha de Marley Rose e Charles Traynor;
Eliza Traynor, filha de Marley Rose e Charles Traynor;
Elio Lynn, filho de Ryder Lynn e uma mulher desconhecida;
Cyrus Duval, filho de Kitty Wilde e Nick Duval;
Leah Duval, filha de Kitty Wilde e Nick Duval.
Todos sediados em New York City.
Jonathan Groff on Jimmy Kimmel Live! along with the cast of Frozen (video)
Q's: Mãe/Pai de duas cópias suas que nada tem a ver um com o outro.
Jonathan Groff attends the world premiere of Disney’s “Frozen 2” at Hollywood’s Dolby Theatre on Thursday, November 7, 2019 in Hollywood, California.
Por 15 anos, eu tive uma mãe. Talvez não exatamente uma mãe, mas a convivência com uma mulher que tinha me dado a luz, me ensinado como me portar frente a imprensa e enchido a minha cabeça com histórias sobre o glamour de ser modelo e que era tudo uma questão de ser confiante em si mesma até nas piores horas. Também convivi com a mulher que lutava todo dia por um pingo de atenção de seu marido 25 anos mais velho, que a traía com mulheres ainda mais novas do que ela, se mantendo naquela rotina de rockstar mesmo já não estando mais a frente de uma banda por anos. E então um dia ela não aguentou mais a melancolia de ter dado de si e ser ignorada e colocou um fim naquilo tudo de uma maneira trágica. Demorou tempo demais para que eu entendesse seus motivos, que eu perdoasse meu pai por permitir que aquilo acontecesse, que colocasse em minha cabeça de que nada tinha a ver comigo.
Mas só fui entender de fato que ela me amava quando as contrações começaram, depois de um jantar beneficente, com meu pai arranhando seu Royce ao arrancar de qualquer jeito para me levar ao hospital. Vestindo aquela roupa horrorosa e com os cabelos embolados em um coque e amarrados para cima, eu reclamava e xingava todo mundo naquele lugar, chamando de incompetente e que era só me abrir e arrancar a criança para fora já que minha carreira tinha ido pelo ralo por ela e que eu não tinha mais nada para oferecer ao mundo. Eu chorava muito, demais, naqueles últimos meses, pensando que não era mais nada, nem mesmo a garota que minha mãe tinha ensinado tudo que sabia para seguir com seu legado. Eu caguei em seu legado.
— Okay, garoto, já deu. Você precisa sair daí de dentro. — Falei para a minha barriga, depois de passar por mais uma longa contração e receber a notícia de que minha dilatação era o suficiente para que ele viesse ao mundo, então começando os procedimentos para o parto. — A gente já entrou em incompatibilidade e você precisa se virar sozinho. Seu avô disse que eu posso ficar com você, mas não acho que vai rolar. Você está me dando essas dores todas desde agora, imagina mais tarde, quando crescer. — E então algumas lágrimas começaram a se formar no canto dos meus olhos e as sequei com as pontas dos dedos. — E então você vai se meter com pessoas erradas e vai acreditar em palavras fáceis. E mesmo que eu passe uma vida inteira dizendo para você que a confiança vem dentro de você, você vai procurá-la em aprovação de algum idiota mais velho, de uma porção de outros modelos que cheiram pó para perder o apetite, em aplausos e apalpadelas de desconhecidos. E tudo que eu te ensinei vai pelos ares quando você menos perceber. E talvez eu não esteja próxima o suficiente para te ajudar a sair dos seus problemas. — E então coloquei dois dedos entre meus dentes para conter um soluço, sentindo que iria gritar a qualquer momento. — E você deveria ser o amor da minha vida e eu deveria dedicar tudo que sou e tenho a você, mas talvez seja tarde demais. Talvez não tenha me sobrado mais nada pra isso.
— Senhorita Jones? — A enfermeira me chamou, me fazendo erguer a cabeça em sua direção. — Pronta para colocar esse meninão no mundo?
Apenas confirmei com a cabeça, em meio às lágrimas, me sentindo incapaz de dizer que sim com sinceridade.
Meu pai esteve ao meu lado, o tempo todo, inclusive quando o desespero começou na sala de parto porque Owen não chorava. Aqueles segundos de silêncio, e então correria, me fizeram arregalar os olhos e encarar a única pessoa que me apoiava naquele momento de baixa em minha vida.
— Por que ele não tá chorando? PAI, POR QUE ELE NÃO TÁ CHORANDO? — Comecei a me desesperar, querendo avançar para ver o que estava acontecendo, até que precisaram me conter com anestesia, enquanto levavam meu bebê para outro lugar, numa pressa e desespero sem fim. — Owen. Meu bebê...
Acordei um tempo depois, agitada. Me pediram por calma, e quando percebi estava amarrada a cama. Aparentemente eu me desesperei e esperneei até apagar. Me explicaram que Owen tinha se enrolado em seu cordão umbilical, que não estava respirando direito e seu coração parou por alguns segundos, mas que estava bem. Ficaria em observação, mas que isso acontecia e na maioria dos casos tudo terminava bem. Um novo choro desesperado e aliviado saiu de meus lábios, me fazendo soluçar com o rosto em mãos. A única coisa que me fez parar de chorar foi a promessa da enfermeira de que me traria o meu filho para ver por alguns minutos. Ele foi trazido a mim em sua mantinha com as suas iniciais bordadas. Imediatamente eu comecei a rir de nervosa, principalmente porque ele bocejava. Havia escapado da morte e agora bocejava!
— Okay, primeiramente esqueça tudo que eu te disse antes. — Falei assim que Owen veio para os meus braços. Ele me olhava sonolento, como se perguntasse do que diabos eu estava me referindo. — Você nunca mais vá para lugar algum, okay? Seu coração parou, seu moleque, e o meu também. E eu não poderia mais fazê-lo bater se você não estivesse mais aqui nesse mundo. — E pela milésima vez uma lágrima escorreu por meu rosto. — E talvez eu tenha pensado que não havia mais vida depois que sua avó me deixou, mas ela existe. Especialmente agora que você está aqui, nos meus braços. E se ela sentiu ao menos o mínimo que estou sentindo por você nesse instante, então eu posso ter certeza de que tudo o que ela me ensinou era para chegar em algum lugar. Não sei exatamente onde, e talvez ela também não soubesse. Mas existe algum lugar para ir. Para irmos. — Engoli em seco enquanto Owen fazia um bando de boinhas de baba, me encarando e rindo. Ele era simplesmente perfeito. — Ainda não sei bem o que fazer com a minha vida. Não sei como recomeçar do zero, porque eu nunca estive assim tão perto do zero. Mas eu prometo a você que irei tentar. E sempre que precisar começar do zero, eu vou tentar de novo. Todos os dias. Porque você é meu filho e eu sou sua mãe, e esse sentimento é insubstituível. Isso é uma promessa, Owen, e eu juro que ela vai durar até depois que eu esteja em um caixão. Você é o amor da minha vida, e tudo que eu tenho e que sou é seu. Para sempre.
E então dei um beijinho em sua testa, o fazendo soltar mais bolinhas de babas enquanto ria, e eu consegui sorrir de volta, sabendo que Owen era o que me faria levantar todos os dias e nunca me deixar ser consumida pela mesma melancolia que minha mãe. Faria isso por mim e por ele, custasse o que fosse me custar.
Sendo bem sincera, eu não esperava muita coisa de alguém para me envolver com ele. Bastava entender de teatro, saber que minha carreira é a coisa mais importante do mundo, a melhor ganhadora de Oscars era a minha mãe e de Tonys era a minha tia, Idina Menzel era Deus, junto com Barbra e Anaïs Mitchell, que baseball poderia ser um esporte chato, mas minha família valorizava mais do que qualquer coisa, não existe melhor rainha na Disney que a Elsa e que um dia eu iria batizar uma legião de crianças com nomes de Frozen já que minha irmã não deu a mínima para a minha sugestão de nomear Morgan como Olaf. Também teria que entender que eu tenho a necessidade de viver o drama, sentir em cada vibração do meu corpo, que choro com uma facilidade extrema, que se tiver uma oportunidade de fazer uma cena, eu irei, que se tiver uma oportunidade de eu me vestir de uma das princesas Disney, eu vou me vestir, a mesma coisa é válida para figurinos de personagens da Broadway que eu ame muito. E se alguém falar mal de Hadestown acabou o mundo pra mim.
Viu? Sou uma pessoa de gostos muito simples e não é nada absurdo demais para pedir de alguém com quem iria encenar cenas românticas, mas na vida real.
Mas misteriosamente, não tinha acontecido de me alguém conseguir preencher todas as exigências da minha lista. O que estava tudo bem, sabe. Era como Aurora dizia, éramos princesas e merecíamos o melhor. Okay, ela acrescentava um "podemos nos dar ao luxo de apoiar o apocalipse e a epidemia de sapinho entre as outras pessoas, mas não nos deixar contaminar", mas essa parte eu não achava assim muito adequada. Em todo caso, estava confortável em viver em meu pequeno mundo de atriz promissora com agenda corrida, fugindo uma vez ou outra da presença de Laura Porter e todo o seu ar de diva e de Gemma Motta e sua certeza de que é preciosa demais para esse mundo, mesmo que nas audições da vida acabássemos esbarrando. E então aconteceu.
Naquele ano, iríamos encenar no teatro da escola Casablanca, apenas um dos clássicos insuperáveis e imbatíveis. Obviamente que me inscrevi para protagonista e acompanhei as audições para o papel de protagonista masculino com atenção, afinal seria com quem iria contracenar. E minha nossa… Que vergonha alheia eu senti.
— Mas será que é possível com Hollywood aqui do lado e não tem uma alma viva nessa escola capaz de protagonizar uma peça de escola? — Murmurei aborrecida ao professor que cuidava da peça, que estava me ignorando deliberadamente desde a segunda vez que comentei sem perder o fôlego como o segundo candidato tinha que ter vergonha de aparecer para a audição sem ter o texto decorado previamente.
— Obrigado pela sua presença. Os nomes dos selecionados estarão no mural de avisos no pátio entre as duas escolas. — Ele dispensou o desafinado, me fazendo bater o pé impaciente pelo próximo. Mas o professor começou a recolher os papéis em cima da mesa, pronto para ir embora. — Por hoje, é só.
— Espera, o quê? — Perguntei com a voz puxando um agudo em surpresa. — Mas ninguém foi bom o suficiente.
— Senhorita Sterling, isso é teatro de escola, não uma montagem off-Broadway. Quem conseguir decorar o texto melhor, vence. — Ele me disse, se levantando e saindo do auditório. O fuzilei com os olhos antes de sair muito ofendida atrás dele, parando no meio de uma confusão no corredor dos meninos da St. Jude's.
Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit!
Era uma cena que só não me assustava mais porque eu era uma Cravalho-Sterling e estava acostumada com brigas épicas com direito a gritaria, dedo na cara e alguém com a mão no coração dizendo que iria infarta – geralmente era eu e meus avós quem fazíamos isso. Andei vagarosamente em direção do som, pensando que era algo que Aurora iria amar ver e me perguntei se eu filmasse e mandasse para ela iria contar como um presente. Quando estava a uma distância segura, me esforcei para entender o que estava acontecendo.
— RETIRA, RETIRA O QUE VOCÊ DISSE, SACO DE LIXO. — O mais forte dos dois gritava para o outro garoto. Ele tinha olhos azuis e a expressão de quem poderia acabar com alguém só com o olhar.
— Tá ofendido porque, Fitzwilliam? Mexi com teu macho, foi? — O garoto menor debochava, mas ao mesmo tempo recuava, como se soubesse que iria perder feio para o garoto de olhos azuis. — Ou esse show todo é porque tu quer comer a piranha da irmã dele?
Lennon Fitzwilliam era conhecido como o capitão da equipe de natação. Fora isso, também tinha umas medalhas por fora por ser excelente em soletração, fora todo o currículo por serviços prestados a comunidade. E apesar de sua cara de durão, todo mundo sabia que era um rapaz pacífico e que só se erguia quando achava que as coisas estavam muito erradas. Então era compreensível quando ele simplesmente parou, olhou para a cara do garoto, arqueando uma sobrancelha antes de respirar fundo e dizer:
— Olha só… você já era um babaca por ter chamado de viadinho uma pessoa que nem está mais nessa escola para se defender, fora o comportamento completamente homofóbico, que é inaceitável em plenos anos 40. — Ele esclareceu, como se estivesse dando instruções e satisfações do que estava por vir. — Daí para completar você foi lá e cometeu slutshamming contra Valkyrie, que além de ser a irmã de um dos meus melhores amigos, também não está presente para poder dizer na sua cara que merece respeito e que você não tem o direito de dizer o que ela tem que fazer ou não. — Então suspirou, lançando um último olhar para o garoto. — Não tenho outra saída que não encher sua cara de porrada.
E assim que anunciou, Lennon meteu um soco de baixo para cima no queixo do outro garoto, fazendo um som alto de osso contra isso. Todo mundo no corredor gritou, é claro. Meu grito foi o mais afinado e dramático, preciso ressaltar, enquanto colocava as duas mãos sobre o peito e armava a minha melhor expressão de chocada. Mesmo que na minha cabeça se desenrolasse outro cenário, completamente diferente.
— Why when you see boys fight does it look so horrible, yet... Feel so right? I shouldn't watch this crap, that’s not who I am, but with this kid… Damn! — Até mesmo o instrumental estava rolando na minha cabeça, enquanto os versos de Fight For Me saíam em um leve murmúrio de meus lábios, vivendo a terceira cena de Heathers com toda a precisão e atualização possível. — Hey, mister no-name kid, so who might you be? And could you fight for me? Hey, could you face the crowd, could you be seen with me and still act proud? — Sim, estava sendo atacada por todos os anos de meus hormônios sendo reprimidos porque não encontrava a pessoa certa, mas naquele momento eles se renderam para o fato de que o garoto estava lutando, literalmente, por uma causa nobre. E se todos os “foi porque mereceu” que Hope emitia quando bateu em garotos babacas em sua vida me ensinaram algo foi que algumas vezes as pessoas podiam sim meter uns pontapés e socos em gente que não era legal e nunca tinha ouvido falar de ser bom e gentil. O garoto que apanhava de Lennon não sabia mesmo ser minimamente civilizado, então merecia. E, minha Elphaba do céu, ele estava mesmo aprendendo uma lição pelas mãos de Fitzwilliam. Minhas pernas bambeavam só de assistir. — Hey, could you hold my hand and could you carry me through no man's land? It's fine if you don't agree, but I would fight for you, if you would fight for me. — Não lutar literalmente. Eu era mais do tipo que gritava, corria e subia em algo que me deixasse mais alta do que o normal. Se Hope estivesse em casa, gritaria e choraria até ela fazer alguma coisa, fosse por arrombamento ou apenas uma barata na sala. Mas era um mero detalhe e eu estava muito emocionada em como os socos eram sincronizados com minha cantoria. — Let them drive us underground. I don't care how far. You can set my broken bones and I know cpr. — E nessa hora eu pude jurar que Fitzwilliam ergueu a cabeça em minha direção e me olhou como se perguntasse o que eu estava fazendo, mas então era a brecha que o garoto esperava e foi acertado em cheio no nariz. Fiz uma careta de dor, me encolhendo como se tivesse alguma chance do sangue chegar até mim e meu conjunto rosa-salmão. — Well, whoa, you can punch real good. You've lasted longer than I thought you would. So hey, mister no-name kid, if some night you're free, wanna fight for me? If you're still alive. I would fight for you, if you would fight for me. — A briga virou uma confusão de braços, até que um inspetor chegou e separou os garotos. Eu era a única garota naquele corredor inteiro, vestida de rosa ainda por cima, mesmo que o uniforme fosse azul e branco, com um passe que já estava vencido. Me mandaram seguir para meu caminho logo e que não tinha mais nada para ser visto ali.
Holy shit. Holy shit. Holy shit. Holy shit!
Todo o barraco se disseminou, os corredores se esvaziando. E eu deveria ir para a minha ala, atravessando o pátio e entrando na Constance Billard para o resto das minhas aulas. Mas o que eu fiz mesmo foi esperar do lado de fora da secretaria, dizendo que poderia depor a favor de Fitzwilliam se fosse necessário, mas apenas olharam para a minha cara e me perguntaram se eu não tinha mais nada para fazer. Ao dizer que não, rolaram os olhos, me ofereceram café e então fiquei sentada esperando por Lennon. Quando ele apareceu, ajustei minha saia dando alguns tapinhas para desamassar.
— Lennon Fitzwilliam, meu nome é Angelina Belle Cravalho-Steling, nome artístico Angie Sterling, e gostaria de dizer que o que precisar de apoio para sua defesa quanto ao caso do corredor, eu sou uma testemunha ocular favorável para o seu caso, além de que super admirei a forma sincronizada dos seus movimentos, aposto que veio de seus anos de natação, e que é algo muito difícil de se realizar levando em conta as condições e o uniforme com blazer de vocês. — Disparei tudo de uma vez, o fazendo piscar algumas tantas vezes, como se estivesse assimilando aquelas informações todas.
— Espera… Eu lembro. Você era a garota cantando Heathers enquanto eu estava brigando. — Ele me disse, apertando um lenço contra o nariz, ainda, franzindo levemente a sobrancelha enquanto fazia as contas.
— Ah… Eu sempre canto quando estou nervosa. — Admiti, ao mesmo tempo em que ocultava o fato de que eu cantava sempre que achava que estava vivendo algo digno de um palco, e não perdia a chance de treinar um pouco do meu talento nato. E então algo me atingiu diretamente no cérebro, fazendo tudo brilhar como uma manhã de primavera. — Espera, você conhece esse musical?
— Ahn… Meu pai produziu a versão ao vivo que foi filmada para o canal da nossa família. — Ele admitiu, tirando o lenço do nariz, com cuidado, checando para ver se tinha estancado o sangramento. — E apesar de todo o contexto absurdo, acho um bom entretenimento. Tirando as partes de morte gratuita. — Ele acrescentou de última hora, como se estivesse julgando a trama.
Meu coração até bateu mais forte por ele saber mesmo do que estava falando.
— Você gosta de musicais! — Exclamei, animada.
— Gosto de tudo que envolva teatro… Só não sou bom em atuação. — Ele confessou, sorrindo sem graça, o que eu achei extremamente adorável.
— Ah, mas tudo é possível com empenho. Se você tivesse incentivo, convívio e ajuda de alguém que se dedica a anos a isso, poderia ter um resultado muito positivo. — Afirmei, me balançando em meus pés, querendo contar que eu atuava desde que tinha dois anos e me balançava na janela de casa cantando a música da Cinderella. Então uma ideia passou pela minha cabeça. — Por que não se inscreve para a peça da escola? Casablanca pode ser seu primeiro estudo em atuação.
— Eu não sei… — Lennon me respondeu, me olhando com curiosidade. — Por que gostaria tanto que eu atuasse?
— Porque eu sinto que você pode ser uma descoberta promissora. E eu geralmente não falho com meus instintos. — Afirmei, emanando toda a minha sensatez.
O garoto me olhou desconfiado por alguns segundos, antes de menear a cabeça.
— Tudo bem, posso pensar no caso. Quais os papéis que estão procurando?
— Rick Blaine.
— Mas é o protagonista!
— Eu sei, não é? — Comentei, agitando o ar com uma das mãos. — Mas vai ser moleza. E eu posso ajudar se quiser, eu vou ser parte do elenco. Em um papel importante. — Nem tinha tido a confirmação ainda, mas de certo seria a Ilsa Lund.
Lennon pareceu refletir, antes de me dizer:
— Se eu não tomar uma suspensão, eu irei me inscrever. Mas agora meio que preciso passar na enfermaria. Sabe… — E então apontou para o próprio nariz, me fazendo balançar a cabeça em concordância.
— Okay, okay. Mas qualquer coisa, eu estou sempre no clube de teatro. E no glee club. — Afirmei, antes de vê-lo fazer menção a se afastar, antes de oferecer a mão para mim e apertar com suavidade meus dedos.
— Foi um prazer conhecê-la, Angie Sterling. E obrigado pelos elogios e… Ideias. — Ele me disse, antes de fazer um gesto curto com a cabeça em minha direção.
— Só fiz o que meus instintos disseram. — Respondi em voz baixa, sentindo que estava derretendo por dentro quando aqueles olhos azuis se viraram em minha direção uma última vez.
E então ele foi embora cuidar de seus ferimentos, e fiquei rindo comigo mesma, nas nuvens, pensando que talvez tivesse encontrado uma nova chance de um bom co-estrela. E alguém que fizesse meu coração palpitar com a possibilidade de ser a minha primeira paixão. E estava já completamente apaixonada pela ideia de me apaixonar. Quanto tempo seria o suficiente para perguntar se ele era solteiro e gostava de meninas?
Me lembrava a primeira vez que peguei em minhas mãos a saga Senhor dos Anéis. O modo de criar mundos dentro de mundos, idiomas inteiros e tramas complexas de Eras inteiras me fez, além de virar um fã de Tolkien, acreditar que aquela era a obra mais perfeita existente no mundo. Por muito tempo, sustentei a crença, até que, em um bar próximo do campus da UCLA, Diana Duval entrou em minha vida e disse que estava desacompanhada quando a abordei. Aqueles preciosos segundos onde fui imediatamente absorvido por sua beleza, eu soube que tinha que fazer meu melhor para conquistar a atenção daquela mulher. E posteriormente o melhor para conquistar seu coração. Nada no mundo poderia substituir a felicidade que tinha em dividir minha vida com Diana; eu a admirava por diversos pontos, primeiro por ela não sair correndo quando falei sobre a facilidade com que explodia robôs nos laboratórios, depois por não me achar um anormal por ter mais de 15 anos e ainda organizar campanhas de RPG e gastar um domingo inteiro jogando com um bando de outros nerds adultos, e então por me permitir entrar em sua vida, conhecer sua família e não me expulsar apesar de minhas excentricidades. Meu coração era seu desde a primeira referência ao mundo nerd, mas minha vida inteira estava a sua disposição conforme eu aprendia mais sobre ela. A saga d’O Anel não era a obra mais perfeita do mundo, afinal, e sim a mulher para quem eu estendia meu braço para acompanhá-la, exatamente como uma bela dama como ela merecia.
Tendo a certeza de que não poderia mais viver sem a presença de Diana, me reuni com meus amigos mais antigos e, como se estivessemos projetando uma campanha de RPG magistral, passamos a tarde debatendo o que eu poderia fazer que fosse grande o suficiente para conseguir demonstrar o quanto a amava e o quanto me comprometia a continuar a amando a cada dia. Depois que fizemos até a estimativa de quanto custaria comprar uma ilha e batizar com o nome dela, me joguei no sofá, me sentindo exausto e longe de conseguir achar a exata forma de me declarar para ela. De olhos fechados, tateei o móvel ao lado atrás de um copo de café, mas o que consegui foi derrubar um dos colecionáveis da Liga da Justiça que adornava aquela pequena estante. Me levantei de um salto para recuperar o objeto e impedir que o “bonequinho” se despedaçasse em milhares de cacos, quando olhando para o Batman em minha mão, percebi qual era a minha resposta.
— Senhores. Preciso imediatamente da lista de contatos de vocês. Realizaremos algo épico. — Anunciei, me sentindo completamente empolgado.
Depois de milhares de ligações, negociações, horas implorando para estranhos colaborarem comigo porque era algo extremamente importante e que poderia pagar pelas despesas e talvez possíveis danos a estrutura, consegui reunir tudo que precisava, ficando para mim a função de controlar minha ansiedade e não estragar tudo contando o plano antes da hora. E esperando que aquilo não fosse o auge da excentricidade e que ela respondesse a minha pergunta antes de me internar em um hospital psicológico.
Alguns dias antes da data, lhe disse que teria que comparecer a um evento de robótica em San Diego, e que gostaria que ela me acompanhasse, afinal era apenas um fim de semana e poderíamos aproveitar o momento como umas férias de mínima duração. Agradeci aliviado quando ela disse sim, e então as coisas começaram a se encaminhar conforme o planejado.
Naquela sexta-feira, San Diego estava fervendo e eu podia fingir que o suor em minha testa era por causa do calor e não porque estava nervoso pelo que ela iria achar de tudo aquilo. Sorria e comentava coisas amenas, calculando quanto tempo iria levar até Diana perceber que estávamos a caminho do Centro de Convenções de San Diego, um lugar atípico para as demonstrações das novidades no ramo da tecnologia associada a medicina. Chegando lá, respirei fundo, desci do carro e abri a porta do mesmo para ela, estendendo minha mão para ela com um sorriso trêmulo em meu rosto.
— Senhorita Duval, sei que esperava ficar terrivelmente entediada em meio a diversos nerds tentando criar robôs-cirurgiões perfeitos, porém tenho que admitir que lhe faltei com a verdade. — Quando seus pés tocaram o asfalto e seus olhos focaram a frente do Centro de Convenções, expliquei afinal do que se tratava. — Gostaria de, nessa tarde, lhe acompanhar a primeira DDC. Diana Duval Convention.
Adentrei o prédio segurando sua mão. A primeira ideia era alugar o Centro inteiro por aquela tarde, mas foi além das minhas propostas mais altas. Então consegui um espaço amplo, no qual enfiei diversos estandes onde momentos da vida de minha namorada eram apresentados, como se estivessem mesmo apresentando novidades sobre uma personalidade do mundo geek. Caminhamos por todo aquele corredor que falava desde sua infância até suas conquistas como a excelente advogada que era, até chegar no lugar onde costumavam ocorrer painéis, subindo no palco enquanto que de plateia estavam todos os Duvals, incluindo Ariel que tinha negociado com os seus enteados que iria dar free-pass na Disney caso nenhum dos dois destruísse nada durante a viagem, e Abernathys e amigos nossos. Em frente todas aquelas pessoas, engoli em seco, segurando suas mãos.
— Todas as vezes que pensava sobre como demonstrar o quanto você é importante em minha vida, eu não conseguia pensar em um cenário grandioso o suficiente. Nem mesmo se conseguisse uma viagem a Marte para dizer que meu amor era do tamanho da distância da Terra ao Espaço, seria o suficiente, e eu já estava em negociações com a Nasa quando percebi isso. Então... Percebi que teria que haver um evento somente seu para comportar o tamanho de sua importância e graciosidade. — Soltei o ar pesadamente, olhando em seus olhos, o que me fazia me curvar ligeiramente para a frente, já que o nosso tamanho era bastante dispare, mas era um dos diversos detalhes que me fazia pensar com todo carinho em nossa relação. — Diana Duval, para mim você é uma heroína. Todos os dias você luta contra o mundo e o vence com habilidade e maestria e constantemente me sinto orgulhoso por você ser essa mulher e advogada incrível. Me sinto também o homem mais sortudo do mundo por ter conseguido conquistá-la mesmo tendo os dois pés afundados no mundo da lua e da fantasia. E em diversos momentos do dia me pego pensando que eu seria tolo se algum momento não lembrasse que você é mais do que qualquer sonho alucinado que eu poderia ter sobre uma vida perfeita. Como sabe, a primeira vez que nos encontramos, estava planejando uma partida de RPG com alguns colegas. O que talvez não saiba é que o momento em que nossos caminhos se cruzaram, os dados foram rolados e sua presença causou um double damage em qualquer chances de eu não saber o que é ser imensamente feliz e compreendido e apaixonado por alguém. Você é a heroína de level alto, com carisma, inteligência e beleza 20 que nunca pensei que poderia existir. E todo ano deveria haver mesmo uma convenção dedicada a homenagear seus feitos e a pessoa incrível que você é. — Então me ajoelhei em sua frente, meus dedos tremendo na mão esquerda, enquanto a direita revirava meu bolso atrás da caixinha de veludo azul, que abri e ergui em sua direção, o diamante de 24k brilhando ali dentro. — Eu sou apenas um tolo de level principiante perto de você, mas ficaria honrado se me permitisse continuar ao seu lado, pelo resto de nossas vidas. Eu amo você, Diana, como nunca achei que seria capaz de amar alguém em minha vida. E neste momento, gostaria de perguntar a você se me daria a alegria infinita de poder chamá-la de esposa?
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