Train Wreck
Kinzo Ozu, Cheol Paek e Kuna Mashiro
O começo do fim.
— Você não deveria ter ajudado eles, você acabou de foder com a vida de todo mundo, Kinzo Ozu. — Kuna Mashiro, líder do esquadrão dos ministeriais de rua, andava de um lado para o outro, reclamando. — Você não esperava que eu fosse ver um dos meus irmãos quase morrerem para um lobo, e simplesmente ficasse assistindo. — Franziu o cenho, respondendo em tom casual. — Você estragou tudo. Se pelo menos tivesse matado Renji Abarai, poderíamos ter colocado que foi parte da retaliação pela morte do meu chefe, mas não, chegou você e seu amigo e não fizeram nada! Absolutamente nada. Pior ainda. Agora eles sabem que você existe. Sabe o tamanho do problema em que estamos? Se eles sabem, se alguém do Ministério tinha duvidas, agora na sua testa vai ter um alvo. — As mãos fizeram um desenho no ar, como se estivesse mostrando um letreiro gigante. — Ministério do Japão tem um funcionário que é irmão de uma procurada do Ministério, que em meio a uma chacina, deixou que não apenas um procurado saísse livremente, mas três. — Fez uma pausa, respirando fundo. — Ah, é claro. Isso se não sobrar para o seu irmão também, por se tornar cúmplice. Kinzo apenas permaneceu em silêncio, durante todo o resto do esporro, porque não ia argumentar. Não quando ele precisava permanecer ali, para saber quais os proximos passos do ministério. Poderia ter um alvo na cabeça dele, contanto que ele pudesse usufruir desse alvo, para manter os Ozu longe da prisão.
Algumas semanas se passaram, sem que realmente houvesse uma movimentação diferente, então, ele acabou encontrando com Cheol. — E depois que vocês discutiram, teve um remember ou ficou para trás mesmo? — O sorriso divertido de Paek era nítido, enquanto analisava algumas runas, em busca de informações. — Eu não vou me meter nisso de novo. — Ozu resmungou, encarando aquelas runas sem entender absolutamente nada. — Pois deveria, se comer ela de vez em quando, o seu sai da reta porque ela ainda vai ter alguma preocupação com você e o meu sai também por te ajudar. — Então você ta preocupado com você e não comigo. — Uma gargalhada escapou do mais velho. — Se eu não estiver vivo, como é que te ajudo? Eu tenho que me priorizar, né? — Então, ele parou de falar, observando o ciclo de runas que se formava no documento que Kinzo havia conseguido. — Você está vendo isso aqui? É thurisaz, é usado junto com rituais para aumentar a força bruta, juntando com esses outros símbolos... Bom, que a Yui não era a única mutante na base da droga, nós ja sabíamos, mas aparentemente, isso não é algo exclusivo do Japão, tem símbolos aqui que são culturalmente de outras nacionalidades. — E isso quer dizer exatamente o que? — Kinzo questionou, ainda sem entender exatamente onde ele queria chegar. — Quer dizer, meu amigo, que a merda é muito maior que o Ministério do Japão e com a fulga da Yui, vai ter retaliação, porque dependendo de onde ela for parar... Vai todo mundo se foder junto com ela. — Os olhos desviaram das runas para encarar os mais velhos. — Você sabe onde isso vai parar. Se Abarai está na escola japonesa, talvez ela vá para lá também... — E isso bota todo mundo em perigo la de novo. — Kinzo finalizou. — Exato. Incluindo eu na ilha vizinha. Aí eu te pergunto, até onde Kuna está sabendo dessa merda toda e ajudando eles? — Ela não está no cargo dela a toa, para você subir no Ministério do Japão, você tem que sujar as mãos com ilegalidades. Eu não quis quando tive a oportunidade, mas ela sim.
Cheol guardou todos os documentos e runas, colocando no mesmo local onde Kinzo lhe entregou, o encarando por alguns segundos. — Sei que você não é língua solta quando se trata de segredo dos outros, mas eu preciso saber na merda em que estou me enfiando, acho bom você começar a falar agora.
O mais velho se jogou em uma poltrona vazia, soltando um suspiro. — Era ela quem drogava a Yui enquanto estava presa no Japão. Era ela quem caçou Kimi por tanto tempo, enquanto ela viajava pelo mundo, e era ela quem rastreava Renji, como um lobo incontrolável. Na cabeça dela, todos eles eram marginais e nunca vítimas e só parou, quando subiu de cargo e o serviço externo passou a ser feito por outras pessoas.
— Então, o que mudou nisso tudo para ela ainda não ter matado nós dois? — Paek questionou, podando até onde era seguro seguir.
— Mudou que eu expliquei toda a merda que aconteceu com eles, porque todos foram sequestrados. Yui na adolescência, Renji quando foi atacado por um lobo e se tornou um feral descontrolado, Kimi quando aprendeu a mexer com magia negra e se tornou perseguida. Ai ela descobriu que toda historia tem dois lados. — E qual lado ela escolheu? — Escolheu não nos matar e nem entregar nossa cabeça. Isso inocenta ela? Não. Mas talvez porque ela esteja percebendo que ficar de um lado só pode acabar com a vida dela também, caso o Ministério sofra retaliação. — Belo momento para ficar em cima do muro. — Cheol resmungou. — Enquanto ela estiver assim, a gente ta no lucro, se a chave da cabeça dela mudar, eu tô morto, literalmente.
A movimentação ministerial estava se formando para a guerra final, o certo e errado as vezes andavam juntos. A integridade de um militar sempre ficava na linha tênue de lutar pela própria vida e ajudar os que precisavam. A escolha final disso tudo, viria quando a bomba explodisse de verdade.












