WEB: Paixão Sem Limites
Capítulo 27
Sophia narrando
– Sophia?
O tom preocupado de Micael me espantou; abri os olhos depressa e os estreitei no escuro para vê-lo caminhando na minha direção.
– Oi – respondi.
– Não estava achando você. O que está fazendo aqui? Não é seguro.
Eu estava de saco cheio daquele papel de irmão mais velho. Sabia me virar sozinha. Ele precisava me dar mais espaço.
– Está tudo bem. Pode voltar lá e continuar com os seus amassos na mesa.
A amargura na minha voz era transparente. Não consegui evitar.
– Por que você está aqui? – repetiu ele devagar, dando outro passo na minha direção.
– Porque eu quero – respondi também devagar, olhando para ele com raiva.
– A festa é lá dentro. Não era isso que você queria? Um bar country com homens e bebidas? Se ficar aqui fora, vai perder.
– Micael, não chegue mais perto.
Ele deu outro passo na minha direção; agora, apenas uns dois centímetros nos separavam.
– Não. Quero saber o que aconteceu.
Alguma coisa dentro de mim deu um estalo e levei as duas mãos ao peito dele. Eu o empurrei com toda a minha força. Ele cambaleou um pouco.
– Quer saber o que aconteceu? VOCÊ, Micael. Foi isso que aconteceu.
Passei por ele pisando firme e comecei a andar em direção ao estacionamento escuro. Uma pegada forte envolveu o meu braço e me deteve; dei um tranco para tentar me desvencilhar, mas não adiantou. Micael estava me segurando firme e não parecia disposto a me soltar.
– Que papo é esse, Sophia? – perguntou, puxando-me de volta até junto do seu peito.
Eu me contorci, lutando contra o impulso de gritar. Detestava o jeito como o cheiro dele deixava o meu coração disparado e meu corpo latejando. Precisava que ele mantivesse a distância. Não que ficasse esfregando em mim aquele corpo delicioso.
– Me solta – disparei.
– Só quando você me disser qual é o problema – respondeu ele, zangado.
Eu me debati nos seus braços, mas ele não cedeu nenhum centímetro. Que coisa mais ridícula. Ele não queria ouvir o que eu tinha para dizer, mas mesmo assim eu queria falar. E sabia que iria afetá- lo. Que estragaria toda aquela sua ideia de amizade.
– Eu não gosto de ver você tocar outras mulheres. E detesto quando outros homens apertam a minha bunda. Quero que seja você a me tocar assim. Só que você não quer e eu preciso aceitar isso. Agora me solte!
Libertei-me com um safanão e corri em direção ao Range Rover. Podia ficar escondida ali até ele estar pronto para me levar para casa. Meus olhos começaram a arder por causa das lágrimas e corri mais depressa. Quando cheguei ao carro, dei a volta até a lateral e me recostei ali, de olhos fechados. Acabara de dizer a Micael que queria que ele apertasse a minha bunda. Que burrice! Ele tinha me dado um quarto só meu e oferecido a sua casa até o meu pai voltar para eu poder juntar dinheiro. Agora eu acabara de lhe dar todos os motivos para me pôr para fora. As travas do Range Rover se abriram com um clique e, quando abri os olhos, vi Micael vindo na minha direção a passos largos. Ele iria me levar para casa e me pôr para fora. Parou do meu lado e abriu a porta traseira com um tranco. Ele iria me obrigar a ir atrás. Que humilhação.
– Entre ou vou jogar você lá dentro – rosnou ele.
Eu me sentei no banco de trás antes que ele me empurrasse. Só que ele não fechou a porta comigo lá dentro. Pelo contrário: entrou atrás de mim.
– O que você está fazendo? – perguntei um segundo antes de ele me apertar contra o assento e tapar a minha boca com a sua.
Bastou um movimento da sua língua para eu abrir os lábios. O contato do metal dentro da minha boca era excitante. Nessa noite, o gosto de hortelã da boca de Micael não estava misturado com mais nada; eu poderia passar horas saboreando aquele gosto sem me cansar.
Ele segurou os meus quadris com as duas mãos e me mudou de posição até uma das minhas pernas ficarem em cima do banco, com o joelho dobrado, e a outra ainda no chão. Separou as minhas pernas e se acomodou entre elas. Afastou a boca da minha e desceu pelo meu pescoço dando beijos ávidos. Quando deu uma mordidinha no meu ombro nu, uma onda de excitação percorreu o meu corpo.
Suas mãos então encontraram a barra da minha blusa.
– Tire isso – falou, e então puxou a roupa por cima da minha cabeça e a jogou sobre o banco da frente sem tirar os olhos do meu peito. – Tire tudo, Sophia. – Levou uma das mãos às minhas costas e, em menos de um segundo, abriu o meu sutiã, puxando-o pelos meus braços e jogando-o no banco da frente junto com a blusa. – Foi por causa disso que tentei ficar longe. Por causa disso, Sophia. Não vou conseguir parar, não agora.
Ele abaixou a cabeça e pôs um dos meus mamilos na boca. Chupou com força, e senti uma explosão entre as pernas. Dei um grito, agarrei os seus ombros e me segurei ali. Vi quando ele pôs a língua para fora e fez o piercing de metal deslizar pela minha pele. Era a coisa mais erótica que eu já vira na vida.
– Você tem gosto de bala. Garotas não deveriam ter um gosto doce assim. Que perigo – sussurrou ele contra a minha pele, roçando o nariz no meu colo enquanto sorvia uma inspiração audível. – E o seu cheiro é incrível.
Os lábios dele tornaram a encontrar os meus enquanto uma das suas mãos grandes cobria o meu seio para apertá-lo de leve e, em seguida, beliscar o mamilo. Eu também queria sentir mais. Desci as mãos pelo seu peito e as enfiei por baixo da camiseta. Tinha olhado para aquele peito o suficiente para conhecer exatamente o seu aspecto. Agora queria saber qual era a sensação de tê-lo sob as mãos. A pele morna que cobria os seus músculos rijos era lisinha. Passei os dedos por cada dobra da sua barriga tanquinho e decorei aquela sensação. Não tinha qualquer garantia de que aquilo fosse se repetir, e queria tudo de uma vez.
Micael levou uma das mãos às costas e tirou a camiseta, que jogou para o lado antes de voltar a devorar os meus lábios. Levantei o corpo mais para perto dele. Nunca tinha ficado sem blusa com nenhum cara. Queria sentir o peito nu dele contra o meu. Ele pareceu entender o meu desejo e apertou-me com força nos braços, puxando-me para junto de si. A umidade da sua boca tinha esfriado o meu seio, mas o calor da sua pele me surpreendeu.
Gritei e o puxei mais para perto, com medo de ele se afastar. Tinha conseguido o que queria desde que o vira na varanda com aquela menina. Era entre as minhas pernas que ele estava agora. Aquela era a minha fantasia.
– Doce Sophia – sussurrou ele, puxando o meu lábio inferior para dentro da boca e o chupando.
Mudei de posição debaixo dele para tentar posicionar o seu pau duro entre as minhas pernas. Eu latejava; queria sentir a ereção dele contra o corpo. Micael desceu a mão para acariciar o meu joelho, em seguida a fez subir pela parte interna da minha coxa. Deixei a perna abrir mais; queria-o mais perto ainda. O meu desejo aumentava e saber que a mão dele estava perto de onde vinha aquela sensação me deixava tonta. Na hora em que ele deslizou o dedo pelo fundo da minha calcinha de seda, estremeci e soltei um gemido.
– Calma. Só quero ver se lá embaixo é tão doce quanto o resto – disse ele com uma voz rouca.
Tentei dizer alguma coisa, mas não consegui fazer mais nada a não ser me lembrar de respirar. Encarei os seus olhos e os vi adquirir um brilho enevoado. Ele não desviou o olhar quando enfiou um dedo por baixo da borda de renda da minha calcinha.
– Micael – sussurrei, apertando o seu ombro sem tirar os olhos dos seus.
– Shh, está tudo bem – falou ele.
Eu não estava com medo. Ele estava tentando aliviar o meu medo, só que eu não sentia nenhum. A excitação e o desejo eram demais. Eu precisava que ele se apressasse. Alguma coisa ia aumentando dentro de mim que eu precisava alcançar. O desejo latejante crescia.
Ele enterrou a cabeça no meu pescoço e deixou escapar um longo e fundo suspiro.
– Que delícia – grunhiu.
Comecei a abrir a boca para lhe implorar que não parasse. Precisava dele. Precisava da liberação que sabia estar próxima. Ele fez o dedo escorregar por cima do meu sexo molhado e senti os dedos dos pés se curvarem e o corpo se levantar de um jeito incontrolável. Foi quando o seu dedo me penetrou. Bem devagar. Gelei, com medo da sensação que viria a seguir. Seu dedo grosso foi entrando mais fundo e tive vontade de agarrar a mão dele e empurrá-la com mais força. Aquilo era bom demais. Demais.
– Caralho. Puta que pariu. Molhadinha, quentinha... tão quentinha. E, nossa, como você é apertada.
A respiração de Micael estava agora ofegante no meu pescoço e as coisas que ele me dizia só me deixavam mais excitada. Quanto mais safadas as suas palavras, mais o meu corpo reagia.
– Micael, por favor... – supliquei, controlando o impulso de segurar a mão dele e forçá-lo a aplacar o desejo que latejava sob o seu toque. – Eu preciso...
Eu não sabia do que precisava. Apenas precisava.
Ele levantou a cabeça, subiu com o nariz pelo meu pescoço e deu um beijo no meu queixo.
– Eu sei do que você precisa. Só não sei se vou conseguir aguentar ver quando conseguir. Você me deixou maluco, garota. Estou me esforçando muito para ser um bom rapaz. Não posso perder o controle no banco de trás de um carro, porra.
Balancei a cabeça. Ele não podia parar. Eu não queria que ele fosse um bom rapaz. Queria-o dentro de mim. Agora.
– Por favor, não seja um bom rapaz. Por favor – implorei.
Micael soltou uma expiração entrecortada.
– Caralho, gata. Pare com isso. Eu vou explodir. Vou lhe dar o que você quer, mas quando eu finalmente entrar em você pela primeira vez não vai ser esparramada na traseira do meu carro. Vai ser na minha cama.
Ele começou a mexer a mão antes de eu conseguir reagir e os meus olhos se reviraram nas órbitas.
– Isso. Goze para mim, doce Sophia. Goze na minha mão para eu sentir. Quero sentir você gozando.
Essas palavras me precipitaram pela beira do abismo que tanto vinha tentando alcançar.
– Micael!
Pude ouvir o grito alto que me escapou da boca enquanto eu me entregava à mais completa felicidade. Sabia que o estava chamando, gritando o seu nome e talvez até o arranhando, mas não conseguia mais me controlar. O êxtase era demais.
– Ahhh, isso. Isso, assim. Porra, assim. Que linda você é.
As palavras dele me alcançavam, mas eu me sentia muito distante. Quando recobrei os sentidos, estava sem forças e com a respiração ofegante. Eu me forcei a abrir as pálpebras para ver se o havia machucado com a minha reação descontrolada ao que sabia ser o meu primeiríssimo orgasmo. Já tinha ouvido falar muito a respeito, mas nunca conseguira ter um sozinha. Com certeza havia tentado algumas vezes, mas a minha imaginação não era suficiente. Depois dessa noite, estava certa de que isso não seria mais um problema. Micael acabara de me proporcionar material suficiente e ainda nem tinha tirado a calça.
Ergui os olhos e o vi me encarando, com o dedo na boca. Levei alguns instantes para entender que dedo era aquele. O arquejo chocado que acompanhou essa compreensão fez Micael dar uma risadinha enquanto tirava o dedo da boca e sorria.
– Eu tinha razão. Aí em baixo é tão doce quanto o resto de você.
Se não estivesse tão exaurida, eu teria enrubescido. Tudo o que consegui fazer foi fechar os olhos com força outra vez. Ele riu mais alto ainda.
– Ah, doce Sophia, o que é isso? Você acabou de gozar gostoso na minha mão e deixou até uns arranhões nas minhas costas para servir de prova. Não vá se fazer de encabulada agora. Porque, gata, você vai estar nua na minha cama antes que esta noite acabe.
Entreabri os olhos para ele, torcendo para ter escutado direito. Eu queria mais daquilo. Muito mais.
– Vamos vestir você de novo, depois vou procurar Lua e ver se ela quer carona ou se já encontrou um caubói para levá-la para casa.
Eu me espreguicei e consegui menear a cabeça.
– Está bem.
– Se eu não estivesse duro feito pedra, talvez ficasse aqui admirando essa expressão preguiçosa e satisfeita nos seus olhos. Gosto de saber que fui eu quem a provocou.
Micael não estava mentindo quando disse que queria me vestir: recolocou o meu sutiã e me deu um beijinho no ombro antes de enfiar a blusa pela minha cabeça.
– Prefiro que você fique aqui enquanto vou procurar a Lua. Com esse ar satisfeito na cara, está para lá de sexy. Não quero acabar brigando com alguém.
Mais elogios. Não sabia se algum dia iria me acostumar com aquilo vindo dele.
– Eu vim aqui com a Lua porque estava tentando incentivar a minha amiga a não transar com caras que nunca iriam considerá-la mais do que uma diversão. Aí você veio junto e olhe eu aqui no banco de trás do seu carro. Sinto que devo uma explicação a ela.
Micael demorou para responder. Passou algum tempo me estudando, mas no escuro não consegui ler muito bem a expressão do seu rosto.
– Estou tentando entender se a sua intenção é dizer que estava fazendo aquilo que a incentivou a não fazer. – Micael tornou a se inclinar por cima de mim e enfiou a mão nos meus cabelos. – Porque agora que eu provei não vou querer dividir. Isto aqui não é só diversão. Acho que estou ficando viciado.
Meu coração deu um pinote dentro do peito e eu respirei fundo. Nossa. Então tá. Ai, meu Deus. Micael abaixou a cabeça e me deu um selinho antes de passar a língua pelo meu lábio inferior.
– Hummm, é. Fique aqui. Vou pedir para a Lua vir falar com você.
Balancei a cabeça. Ele se afastou de mim e, antes de eu conseguir recuperar o fôlego, já tinha saído pela porta e caminhava em direção ao bar. Ele podia até pensar que estivesse viciado, mas não tinha ideia das sensações que havia provocado em mim. Pelo menos ele conseguia andar. Eu jamais teria sido capaz de me levantar assim tão cedo.
Eu me sentei, vesti a minha saia e escorreguei até junto da porta. Tinha que sair e passar para a frente, mas ainda não confiava plenamente nas minhas pernas. Será que aquilo era normal? Um cara podia fazer você se sentir daquele jeito? Talvez houvesse algo de errado comigo. Eu não deveria estar reagindo assim a Micael... deveria?











