Todos os dias pareciam iguais desde que pusera os pés naquele lugar. Sabe aquela sensação de um feriado que se arrasta e você simplesmente não sabe mais o que fazer com ele até se entregar a um estado de marasmo absoluto? Pois bem, era a sensação que acometia Sally naquele momento. A diferença era que no seu caso o feriado era permanente. Sentia-se como um animal selvagem afastado de seu habitat natural, entre as barras de ferro de uma jaula conceitual. O exílio parecia pior do que o cárcere propriamente dito, pois o exílio lhe proporcionava por vezes uma ilusão de liberdade, e era extremamente frustrante lembrar que não passava de mera sensação. Uma sensação como aquela, ao fitar o mar. O vento nos cabelos, agitando as mechas negras de forma quase violenta enquanto os olhos se perdiam no mar de um azul tão profundo quanto suas próprias íris. De pé naquele píer, debruçada sobre o parapeito a ilha não se assemelhava tanto a uma prisão. Mas não iria se deixar enganar.
Deixou escapar um suspiro pesaroso e suas pálpebras pesaram sobre os olhos incomodados com a luz que os inundava. Precisava fazer algo, não podia deixar que o tédio a consumisse daquela forma. Introspecção não combinava em nada com sua personalidade expansiva, sentia-se quase outra pessoa quando deixava que sua mente vagasse daquela forma, tirando-a de seu eixo. Sally só não fazia ideia do como isso não se tratava de mera sensação.