Art by Alcaide
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Art by Alcaide
April Birthdays Post #2
Happy birthday to my two favorite people: Rafael Taylor (April 20th), and Beth Stanfield (April 25th)
And a belated happy birthday to the following:
Amanda Alcaide (April 11th), Cruz Delgato (April 12th), Anthony Lombardo (April 19th)
Tryon World Equestrian Games 2018 - Grand Prix Special | © Kimberly Loushin
Claudio Castilla Ruiz & ALCAIDE : 74.103 %
Art by Alcaide
As Arcas de Montemor-o-Velho
O Castelo de Montemor-o-Velho, mesmo nos dias de hoje, não é um lugar que receba a luz do sol de bom grado. Ergue-se sobre a vila como uma mandíbula de pedra, mastigando o nevoeiro que sobe do Baixo Mondego. As suas muralhas não guardam apenas o silêncio dos séculos, mas o peso de uma lenda que se recusa a desvanecer: a história do Alcaide austero, da filha reclusa, do cavaleiro condenado e das duas arcas—uma promessa de opulência, a outra, um sopro de morte.
Era o ano de 1872 quando Elias Varela, um antiquário falido e um homem de moralidade elástica, chegou a Montemor-o-Velho. A lenda das arcas era do seu conhecimento há anos, um sussurro persistente em tavernas e leilões de antiguidades. Ao contrário dos românticos que viam a história como uma parábola sobre o amor e a ganância, Elias via um mapa do tesouro. Ele não temia a peste; ele temia a pobreza.
Elias era um homem magro, de olhos penetrantes e um bigode que lhe cobria o lábio superior como um morcego pendurado. Tinha a ética de um escavador de túmulos e a persistência de um carvalho. Instalou-se na única hospedaria da vila, um lugar onde as sombras pareciam mais densas do que a mobília.
A sua investigação começou com o terreno dentro das muralhas do castelo. O lugar onde a lenda situava o enterro das arcas era um descampado irregular, um solo de ninguém entre as ruínas das casas medievais e o que restava da torre de menagem. Ninguém na vila se aventurava a escavar ali, mesmo para plantar uma batata que fosse. O medo da peste era real, visceral.
Elias, no entanto, obteve a permissão do governador civil, um homem que ele subornou com uma garrafa de vinho do Porto velho e promessas vagas de uma parte do tesouro. O governador riu-se, achando que o forasteiro era um excêntrico inofensivo.
Durante a primeira semana, Elias trabalhou sozinho, à noite, sob a luz fantasmagórica da lua, ou na ausência dela, com uma lanterna de azeite que mal furava a escuridão. Escavava metodicamente, movendo a terra húmida e fria, os seus ouvidos sempre atentos aos passos ou aos sussurros do vento.
A lenda do Alcaide tornava-se cada vez mais real para ele. Conseguia imaginar a figura austera, consumida pelo ciúme possessivo, um homem que via a afeição como um roubo pessoal. E a filha, um tesouro de beleza e pureza, aprisionada não por grades, mas pelo amor sufocante do pai.
A solidão no castelo era opressiva. O vento que soprava do rio trazia consigo o cheiro a lodo e a melancolia. A cada noite, Elias sentia que se aproximava de algo mais do que arcas enterradas; sentia que se aproximava da raiz do mal, da raiva congelada do Alcaide.
Na nona noite de escavações, a sua pá bateu em madeira maciça. O som surdo e oco fez o coração de Elias disparar. Limpou a terra com as mãos trémulas. Era uma tampa de madeira escura, reforçada com ferro forjado, surpreendentemente intacta.
Era uma das arcas.
A excitação inicial foi rapidamente substituída por uma hesitação. Qual delas era? A do ouro ou a da peste? A lenda dizia que os recém-casados fugiram, deixando ambas para trás. Nunca ninguém as abrira.
Elias recuou, ofegante. Olhou para o céu noturno, para as estrelas indiferentes. O dilema era uma tortura. A ganância e o medo lutavam dentro dele. Se a abrisse ali, e fosse a peste, estaria condenado.
Decidiu desenterrar a segunda arca primeiro. Trabalhou febrilmente, o suor a misturar-se com a terra. Não muito longe da primeira, encontrou a segunda, idêntica na forma e nos materiais.
Duas arcas idênticas, dois destinos opostos.
Elias não conseguiu mais trabalhar. Sentou-se entre as duas, a mente a rodar. A escolha era tudo. A filha do Alcaide e o cavaleiro tinham evitado a escolha, fugindo para uma vida de pobreza e liberdade. Elias Varela nunca se contentaria com a pobreza.
Passou o resto da noite a ponderar, a olhar para as arcas na penumbra. Quando o sol começou a nascer, pintando o céu de um vermelho doentio, tomou a sua decisão. Precisava de um local seguro para abrir as arcas, longe das muralhas amaldiçoadas.
Contratou dois homens da vila, homens desesperados por dinheiro, que concordaram em transportar as arcas para a sua hospedaria, desde que não perguntassem o que continham. Envolveram-nas em sacos de serapilheira e, sob o olhar desconfiado dos poucos locais que já estavam de pé, levaram-nas para o quarto de Elias.
O quarto era pequeno e frio. As arcas, agora desembaladas, dominavam o espaço. Elias pagou aos homens e trancou a porta.
O cheiro a terra húmida e a mofo enchia o ar. Elias tentava raciocinar logicamente. O Alcaide era um homem cruel e calculista. Teria ele tornado óbvia a diferença entre as arcas? Provavelmente não. Ele queria que a escolha fosse uma tortura, um derradeiro castigo psicológico.
Elias escolheu a arca da direita. A fechadura estava enferrujada, mas com um pouco de força e uma chave de fendas, cedeu com um clack metálico.
Aproximou-se da arca com uma lanterna. A hesitação voltou a paralisá-lo. E se a peste, a doença medieval que dizimara cidades, ainda lá estivesse, adormecida, à espera de ser libertada com o ar?
O Alcaide era um monstro, sim, mas a peste... a peste era o horror absoluto.
Elias respirou fundo, fechou os olhos e levantou a tampa rapidamente.
Um cheiro. Um cheiro forte e inconfundível a mofo, a humidade e... a tecidos antigos. Abriu os olhos. A luz da lanterna revelou pilhas de tecidos de seda, brocados, veludos. Tudo podre e consumido pelo tempo e pela humidade, mas eram tecidos, não a substância negra da doença.
Era a arca do ouro, de certeza! O ouro devia estar por baixo dos tecidos!
Com mãos frenéticas, Elias afastou os farrapos podres. Por baixo, havia uma camada de poeira e... nada mais. A arca estava vazia, excepto pela podridão dos tecidos.
O coração de Elias afundou-se. A arca da direita era uma farsa. Uma piada cruel do Alcaide. Não havia ouro, nem peste. Apenas desilusão e tempo.
Restava a arca da esquerda.
Aproximou-se da segunda arca, agora com um medo diferente. Se a primeira era uma farsa, a segunda... a segunda tinha de ser a verdadeira. O ouro ou a peste.
O pânico começou a apoderar-se dele. A arca vazia parecia rir-se dele. O Alcaide era mais inteligente do que ele pensava. A farsa era a arma mais cruel.
"Tinha de haver um vencedor nesta história", murmurou Elias para o quarto vazio.
Destrancou a segunda arca. A fechadura rangeu.
Desta vez, não levantou a tampa. Apenas a entreabriu ligeiramente. Encostou o nariz à fresta.
Um cheiro. Mas diferente do primeiro. Não o cheiro a mofo e tecidos. Um cheiro a terra, a raízes, e a algo mais subtil, quase floral, mas com um toque de podridão.
O medo gelou-lhe o sangue. Aquilo tinha de ser a peste. O cheiro da morte, disfarçado sob um perfume doentio.
Fechou a tampa de imediato, suando profusamente. Estava lá. O horror absoluto estava a centímetros dele. A arca da direita, a farsa. A arca da esquerda, a morte.
Elias ficou paralisado. Estava preso no quarto com a peste. Podia fugir, sair da hospedaria e da vila, mas a arca ficaria lá, um perigo para todos. E a ganância, aquela ganância persistente, sussurrava: "E se for a do ouro, afinal? E se o Alcaide, na sua arrogância, a tivesse tornado óbvia demais?"
A lenda dizia que as arcas foram deixadas para trás. Os amantes escolheram a vida. Elias Varela tinha escolhido a ganância, e agora enfrentava a morte.
A noite caiu novamente sobre Montemor-o-Velho. Elias não se moveu do quarto. Sentia o cheiro da peste a impregnar o ar, a entrar-lhe nos pulmões. A loucura começou a instalar-se. Via a face do Alcaide nas sombras do quarto, o seu sorriso cruel.
De madrugada, a febre tomou conta de Elias. Delirava, vendo ratos a sair de debaixo da porta, os olhos vermelhos. O cheiro floral e podre era a única coisa real.
O proprietário da hospedaria encontrou-o na manhã seguinte. Elias estava morto, o corpo retorcido de terror, os olhos fixos na arca da esquerda.
O proprietário, um homem supersticioso, não tocou em nada. Chamou as autoridades. As arcas foram queimadas no pátio do castelo, sem nunca terem sido abertas por mais ninguém. A história de Elias Varela tornou-se apenas mais um capítulo da lenda.
Hoje, se visitar Montemor-o-Velho, ainda sentirá o peso daquela história. A lenda persiste, mas com um aviso adicional: A ganância de um homem moderno encontrou o seu fim, não por amor, mas pelo medo da peste e pela desilusão da farsa. O Alcaide, no final das contas, venceu.
Moon Knight vol 1 34 (1983) . Primal Scream . Written by Tony Isabella Art by Bo Hampton Colors by Christie Scheele Lettered by Rick Parker Edited by Danny O'Neil Cover by Bill Sienkiewicz . Moon Knight investigated an attack on the Raiders and ended up fighting Alcaide... . #moonknight #alcaide #billsienkiewicz #80s #bohampton #raiders (på/i New City, New York) https://www.instagram.com/p/CcwtYZNquQm/?igshid=NGJjMDIxMWI=
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FECHA 1692
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