Deixar
Eu deixei que a minha vida, escolhas, maturidade, e, situação econômica dependessem das decisões de uma pessoa que não contava comigo para o resto de sua vida. Eu fiz dela a minha vida. Aquela menina de cabelos pretos, que pintava as unhas de azul, recitava poemas modernos e que tinha uma tara por iludir e machucar.
Enquanto você lê, imagina que ela era o lobo mau? Bem, desiludindo sua mente, digo que não há, nem nunca houve lobo mau entre nós. Éramos jovens, nada inocentes, e, muito despudoradas. Loucas, cada uma a sua forma. Eu na jovialidade e alegria de viver e sonhar, ela com seus anti-depressivos, anti-histamínicos e anti-sociais... Tudo demais!
Tínhamos os pés no chão, de fato, mas, a cabeça vivia na lua, estrelas... Astros que eram testemunhas do que sentíamos (e sentimos). Ainda dói, pensar que Amanda me abandonou para seguir carreira solo na vida! Somos cúmplices de coisas que ninguém mais pode ser, aguentamos coisas que ninguém aguentaria... Em maior parte, eu aguentei e vivi um inferno particular, digno de um clichê literário... E, qualquer dia, ele pula dos meus dedos e mente para alguma prateleira de uma livraria qualquer, num canto embolorado, onde apenas aficionados conseguem chegar. E, vai por mim, a chegada nem vai valer tanto a pena...
É apenas a história de uma garota que de tão normal, foi iludida de que era diferente, pela necessidade que a sua mente criou de ela ser outro alguém.












