O Necessário Refúgio
Necessito de um refúgio, um espaço vazio, Onde eu me afogue em minhas próprias mágoas, E, ao me erguer, estas se dissipem, Soltas, perdidas nas águas do mar, A caminho do esquecimento eterno. Não apenas as tristezas, Mas também os pensamentos sombrios, Qualquer vestígio de depressão, Ou os devaneios que rondam a mente.
Preciso de um espaço sagrado, Onde não há mãos que me toquem, Mas onde minha própria consciência Se torne a guardiã do meu ser, Pois já não espero nada de ninguém, Às vezes, nem de mim mesmo.
Preciso de um lugar, Onde, após o choque de um banho gelado Em um dia quente, Eu apenas feche os olhos, Me perca em meus próprios pensamentos, E confie que, ao abrir os olhos novamente, Eu renasça, um pouco mais inteiro.
Preciso de um refúgio, Um mergulho profundo em águas calmas, Onde, ao submergir, Eu me torne alguém novo, E, com o turbilhão das águas, Leve consigo todos os meus fardos, Desaparecendo pelo ralo da piscina, Para nunca mais retornar.
Onde até meu brilho interior Se torne mais forte, E a escuridão que habita o peito, Ilumine-se pela luz da primeira pessoa Que, ao me encontrar, decida ficar, Pois não será qualquer alma, Mas aquela que, com o tempo, Me ajudará a ser alguém novamente.














