After all this time I am back to digital art. Let’s see how it turns out 😶
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After all this time I am back to digital art. Let’s see how it turns out 😶
oh well… I guess no one really expected them to be all harry potter related… right?
also, mind me, I love this brush
Isolation + rain + afternoon tea + good music = a Marauders drawing! 🥳
I have wanted to draw them for centuries! Finally had the courage to do kkk 😜 I know it is still messy but I will change. Maybe I’ll outline and add shades of black/gray 🤔
Aluado & Almofadinhas completou 11 anos hoje!
Fanfic Torta de abóbora (Wolfstar)
Era mais um dia normal em Hogwarts. Dois garotos sentados na mesa da grifinória do Grande Salão, conversando. - Sirius, por Merlin, porque
“Are you okay?” Murmurou ao sentar-se ao lado de @aluametraiiiu, sem se importar com a forma como a grama pinicava suas pernas por debaixo da saia. Provavelmente ficaria com alergia no final do dia, mas naquele momento, não estava se importando tanto assim. “Você disse que estava bem, mas você não me parece bem. Me desculpe se eu estiver sendo enxerida demais...”
O Lobo e o Gato
Nas minhas andanças por essa mata fechada e escura, volta e meia eu me deparo com ilustres figuras que sabe-se lá o porquê aceitam a árdua tarefa de andar ao meu lado. Pegam o fardo pesadíssimo que é partilhar de minha penosa existência, e de minha deplorável e autodepreciativa caminhada.
Negligente como sou, autodestrutivo, mesquinho e odioso. Sanguinário, ardiloso… Sangrando e pingando o tempo todo, sempre com esse maldito sorriso no rosto, sempre com essa falsa positividade e essa necessidade extrema de fugir de qualquer reflexo que eu possa ver nos espelhos de água pela floresta fechada. Fugindo de qualquer reflexo de minha cara acabada e de minhas olheiras enormes, fugindo de qualquer indício da depreciação e da miséria que me sujeito. Fugindo de qualquer sentimento que possa me tirar dessa maquiação toda, qualquer reflexo que possa desbotar essa máscara que me disponho a vestir ante a minha decrepitude que não tenho coragem de encarar.
E mesmo assim, fantásticas e ilustres figuras aparentemente enxergam algo em mim que os faz querer ficar e talvez caminhar um pouco comigo…
Primeiro tinha uma corsa. Dei-lhe um bote um dia e ela quis ficar. Andava sobre uma rédea curta e era esquiva como só ela. Dava-me coices o tempo todo, e queria correr, mas no seu encalço eu ia, conforme ela saltitava e parava, esperando eu alcançá-la, de forma que no seu joguinho, ela me tinha nas mãos, sempre esquiva, e sempre me pondo no movimento de perseguí-la.
Depois encontrei um beija-flor. Com esse pássaro esfarrapado eu decidi não cometer o mesmo erro de idealizar como fiz com a corsa. Eu via a corsa como a própria lua, a minha razão de viver, minha maior paixão, e todas essas pataquadas de besteirol adolescente. Com o beija-flor eu decidi enxergar ele só pelo que ele era: Simples, mirrado, gentil e bonito. Sem idealizações. Mas eu levei isso muito a sério: Ocorreu uma idealização inesperada, uma exacerbação de todas as qualidades, e para todos os mirabolantes e desgraçados defeitos do beija-flor, ao invés de entender o que eu sentia a respeito deles, eu simplesmente os maqueei através de uma máscara de “ah, ela é assim mesmo”, “ah, isso tem uma justificativa, porque se aconteceu A na infância dela, é normal que ela reproduza hoje B na vida, de forma que obture aquela relação frustrada”. O grande problema do beija-flor foi ignorar o imenso mal que ela me fazia. Foi passar por cima de todo e qualquer sentimento ruim porque ela ameaçava voar, e eu queria que ela ficasse mais um pouco. A miserável não tinha esforço nenhum pra estar ao meu lado, agia como se a minha presença fosse completamente descartável, e como se eu que tivesse que ceder sempre, mesmo quando estava certo, em prol daqueles caprichos infantis e estúpidos.
O beija-flor as vezes tinha o peso de um mamute em minhas costas: Afinal, eu deixei ela subir, e nunca pedi pra descer. Abriguei-lhe do frio da noite, recolhi ela sobre o teto de minha toca, apresentei-a a minha matilha e trouxe ela para meus dias cotidianos, o que me proporcionou vários momentos bons. Mas quando suas asas feridas se curaram, ela simplesmente alçou voo para outro ninho, dormiu com outro predador (o da pior espécie, o predador que se faz de vítima), e depois voltou com a cara deslavada pra voar acima de mim contando vantagem, e cagando na minha cabeça com a sua ingratidão. Eu deveria ter comido aquele beija-flor sujo antes dele me tirar tanta coisa…
Atualmente limpei o cocô de pássaro da cabeça e me recuperei do rombo que aquele beija-flor ingrato deixou em minha vida, juntei todos os cacos dos inúmeros bebedouros que eu deixei apostos pra ele, joguei fora sapatos e quinquilharias, usei com gosto seus cosméticos e sabonetes, risco as folhas em branco com seu material de escrita. Fiz o possível pra tampar esse rombo absurdo que esse pássaro desgraçado deixou em meu peito, essa amargura de nunca ter expressado, de ter aguentado suas bicadas incessantes contra minha cabeça, de ter aguentado ele pedacinho por pedacinho comendo as partes moles do meu corpo e depois querendo se aconchegar e me roubar calor. Parasitado por um pássaro.
Enquanto o beija-flor alçava voou, nessa floresta torpe e escura eu avistei um animal que simplesmente não encaixava com a atmosfera selvagem e bucólica: Um gato doméstico.
Ele me encarava com aqueles olhos inexpressivos de felino e de uma forma despretensiosa e delicada, caminhou, com o cabo dançando, e com aquele desinteresse sedutor em seus passos. Com seu charme ela suscitou minha curiosidade: O que esse animal faz por aqui? E por que não tem medo?
O gato não se intimidou com o ser decrépito e machucado que eu sou, e provou ser um gato vadio, um gato de rua, que carrega também muitas feridas e marcas do tempo e de maus tratos. Carrega no peito um coração grande o suficiente pra sentir por dois, e na cabeça a astúcia de um animal que se filiou ao mais esquisito e cruel dos animais: O homem. Logo, a gata tinha um trunfo que nenhum outro animal daquela floresta tinha: Ela adaptou-se e condicionou seu comportamento pra ser dócil e doméstica, e assim aprendeu e evoluiu com o bicho homem.
Esquiva e inconstante, mas ainda assim charmosa e sedutora, a felina escondeu-se na grama alta, e com grande curiosidade e apreensão eu me enfiei pra procurar ela. Ela mancava e tinha espinhos de roseira enfiados por todo o corpo, e isso me provocou dúvidas. Então veio o choque: Deliberadamente ela, de forma dolorosa, se embrenhava entre os galhos espinhentos de uma roseira, em busca de um acolhimento que aquelas folhas não poderiam dar-lhe, e em sua carência imensa, aceitava ser furada e machucada para que tivesse onde repousar.
Observar essa passividade e essa relação violenta entre a roseira e o gato me deu calafrios.
Lembrei de minha relação com os outros animais, de como a corsa me ludibriava e me atraia pra armadilhas, de como o beija-flor comia de pouco em pouco os meus pedaços moles, e aquilo me revirou o estômago. O gato naquela cena de cortar o coração, como um gato vadio que deita em qualquer canto, mesmo furado ronronava e buscava conforto em meio a uma superfície que nunca a deixaria dormir tranquila.
Naquele momento tomei uma decisão: Faria pelo gato o que ninguém fez pelo lobo. Tiraria ela dessa situação.
Embrenhei-me na roseira e ela de súbito começou a me atacar, me arranhar e tentar me estrangular. Quanto mais perto eu chegava do gato, mais a roseira me machucava, mas mesmo banhado de sangue e suor, eu me motivava pra continuar, e aquele gato miava, mas simplesmente não levantava do seu leito “confortável”, como se tivesse medo de deixar a roseira e vir comigo. Mas rasgando os galhos com os dentes, e proferindo algumas palavras tranquilizadoras, o gato saiu pela brecha que eu abri, e deixamos a roseira pra apodrecer sozinha, atrás no caminho.
Desde então esse gato doméstico machucado tem andado comigo, o lobo fodido e estropiado que manca das quatro patas. Diferente do beija-flor, o gato não tem anseios de subir em mim, diferente da corsa, ele não fica correndo e se esquivando a fim de me atrair. O gato tem seu jeito peculiar de lidar com as coisas: Ele ronrona, roça o rosto nas coisas, chama atenção, mia incessantemente, chora e pede petiscos e carinho nas orelhas. Mas algo sobre os gatos domésticos sempre remete ao seu estado mais primordial e rústico: Por isso eles precisam de arranhadores, ervas de gato, caixas e coisas pra escalar. É algo que simplesmente nunca os deixa. E nesse gato que encontrei, isso se manifesta em súbitas arranhadas e mordidas, que vem de formas inesperadas, geralmente durante os carinhos ou os petiscos, e sempre arrancam sangue. O gato machuca de formas inesperadas, naqueles sentimento súbito de nostalgia de sua natureza como animal, totalmente justificável, mas não menos doloroso - pelo menos isso o beija-flor me ensinou.
Decidi andar ao lado do gato, que abastado de regalias humanas comprou-me roupinhas de cachorro e me paga refeições caras. Seu conhecimento do mundo dos homens se faz totalmente útil, enquanto por minha vez eu tento ensiná-la o que é estar novamente sobre regimento de instintos bem afiados.
Espero não ansiar devorar e consumir. Espero sinceramente que o gato, embora negativo e machucado como eu, fique pra tomar um chá, ou que simplesmente não me abandone como os outros que não aguentam minha presença… Espero não saturar, ou não querer matá-lo.
Vários animais passaram e provavelmente muitos outros ainda passarão, mas a caminhada só para quando ela acaba...
Por Pedro Scarpa.