Ela me olhou com olhos de desespero. Disse que estava doendo demais seu coração, que a vida estava confusa. Eu quis mandá-la embora. Eu tenho cara de psicóloga? Droga. Pensei mais. Me acalmei. Não podia fazer isso, seria cruel. Eu sou cruel? Não. Eu só preciso de um tempo, pensei. Porque é maravilhoso saber que existem pessoas que, de alguma forma, confiam e precisam de você, mas as vezes é desgastante. Quando se está transbordando de dor, enxugar as lágrimas de outras pessoas é dolorido. A gente quer se esconder do mundo todo. Então o amigo bate á porta, e a gente atende. E ele entra com sua dor. E a gente abraça. Por amor. Mesmo afogando em tristeza. Segura a barra. Mais tarde me permito chorar, agora não. Dói as vezes. Cansa, de vez em quando. Mas se for pra viver, quero viver assim, de amor.
— A menina e o violão.