aos danados brancos, poema de Claude McKay [tradução de André Capilé]
achas, tu, que não sou um exu, uma besta?
achas, tu, não devia eu portar uma AK
e abater, um por vez, dez de vocês por cada
queimado e morto mano meu de pele preta?
não te iludas do lance, por ti, ser bem feito
cubro-te a aposta — e bato: não sou filho de África,
preto da terra preta onde os atos são pretos?
porém, da escuridão, por Zambi foi arrastada
minha alma e disse: até tu deves ser um lume
a inflamar sobre o continente anoitecido,
tua cara de poente no ocaso entre os alvos
para que prove a ti mesmo o valor do cume;
antes de o mundo ser pela noite engolido,
mostra tua luminária; vá alto, para o alto!
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To The White Fiends
Think ye I am not fiend and savage too?
Think ye I could not arm me with a gun
And shoot down ten of you for every one
Of my black brothers murdered, burnt by you?
Be not deceived, for every deed ye do
I could match — out-match: am I not Afric’s son,
Black of that black land where black deeds are done?
But the Almighty from the darkness drew
My soul and said: Even thou shalt be a light
Awhile to burn on the benighted earth,
Thy dusky face I set among the white
For thee to prove thyself of highest worth;
Before the world is swallowed up in night,
To show thy little lamp; go forth, go forth!
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Claude McKay (1889-1948), a.k.a. Festus Claudius McKay, foi um escritor e poeta. Figura seminal do Harlem Renaissance. O poema acima é parte do livro Harlem Shadows (1922): disponível no endereço abaixo em versão eletrônica e integral:
http://www.harlemshadows.org/?fbclid=IwAR0Dvg3FIbSfMTSV6UckbNu312fptoWjYnYQF79e2kttOcd-jkC-rzlNOC4














