[Photo ID: Appa the skybison is drawn flying in a simple style in front of the bisexual pride flag consisting of the colours pink, violet and blue. Underneath the text says "I'm Bison" in a pink, violet and blue gradient. The drawing is watermarked with @flameyohotdamn. End ID]
Jeon Jungkook
Autora: Agness Saints
Gênero: Comédia, Romance
Sinopse: Parecia piada, quatro anos de um relacionamento frustrante havia chegado ao fim, mas Haneul ainda te atrapalhava a vida. Se ele não tivesse arranjado um namoro relâmpago, você não precisaria demonstrar que está bem também, que não ficou para trás. Você não precisaria, principalmente, contratar aquele maldito acompanhante de aluguel.
Moreno. 1,80 de altura. Porte atlético. Bonito. Inteligente.
Educado. Agradável. Sabe estabelecer uma conversa.
Sem compromisso emocional, apenas financeiro.
Valor sob consulta.
Interessados: [51] 5782-4158
Esquece o “parecia”, a vida é mesmo uma piada pronta.
Contagem de palavras: 5.874
Avisos: +16. A história faz parte da série puerlistae au.
Parte: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16
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Moreno. 1,80 de altura. Porte atlético. Bonito. Inteligente.
Educado. Agradável. Sabe estabelecer uma conversa.
Sem compromisso emocional, apenas financeiro.
Valor sob consulta.
Interessados: [51] 5782-4158
O anúncio feito à mão em um post-it verde neon ainda tem cola no verso e letras falhas pela caneta com pouca tinta, as pontas estão amassadas e a escrita é corrida, quase um grito silencioso de desespero. Respiro fundo, mirando-o escondido no meio do capítulo de Direito Financeiro. Eu ainda consigo ouvir Sorn, minha colega de quarto e melhor amiga, dizer “o único problema é que o número de celular é de Busan” quando me entregou o pedaço de papel ontem à noite. E eu não sei exatamente no que me preocupar mais, no fato de Sorn achar que o único problema no anúncio completamente duvidoso e furreca é o interurbano ou eu estar tentada a aceitar essa ideia absurda.
Fecho o livro com rapidez quando um grupo de calouros passa pela minha mesa e solto, em seguida, um palavrão sôfrego de susto. Enquanto eu os observo caminhar por entre as cadeiras da biblioteca e desaparecer por um dos milhares de corredores daqui, eu penso se essa decisão me levará ao fundo do poço de vez.
Ou mais ao fundo ainda, levando em consideração que eu já me considero lá.
Sucumbo sobre a cadeira, cansada de tentar arranjar soluções para um problema tão idiota. Tão idiota. Ex-namorados deveriam desaparecer do mundo no momento em que nos desligamos deles, não colar em nossas vidas como sanguessugas cretinas. Ainda mais colar em nossas vidas como sanguessugas cretinas trazendo a atual namorada junto. Namorada há duas semanas.
Duas semanas.
Isso é ridículo.
Passo meus olhos pela biblioteca vagarosamente, mas não existe ninguém mais aqui além de mim e os recém-chegados estudantes já desaparecidos. Trago então o livro para a beirada da mesa e o abro novamente no exato capítulo onde o miserável anúncio descansa. Quem quer que seja esse cara, escolheu a cor do post-it mais sem graça dos blocos padrões. E tem uma letra horrorosa também. Além de não ser nada caprichoso na hora de manusear o papel. E algo no fato dele não perceber que o escrito está de cabeça para baixo, considerando que a cola no verso está embaixo e não em cima como deveria estar, me deixa realmente incomodada.
Mas em momentos difíceis como esse, eu não sou capaz de julgar alguém, não é?
Quando meus olhos sobem para o saguão outra vez, eles captam uma Sorn extremamente agitada vindo em minha direção, os cabelos curtos presos com várias presilhas para livrar seu rosto dos fios. Nós marcamos de nos encontrar aqui logo após o almoço, antes de suas aulas da tarde começarem. Mas enquanto eu a vejo com as dezenas de livros que ela costuma sempre carregar consigo, além de uma mochila esfarrapada e óculos de grau pendendo na ponta do nariz, eu me pergunto se realmente foi uma boa ideia a chatear com essa história outra vez, ainda mais na semana de entrega de trabalhos.
– Eu acho que eu vou enlouquecer até o fim desse semestre. – É a primeira coisa que ela fala quando afasta a cadeira em minha frente com um dos pés e joga as coisas que carrega em cima da mesa, ignorando por completo toda a política de silêncio do lugar. – É sério.
Franzo o cenho consideravelmente assim que ela solta um suspiro sofrido e se senta, no canto de sua boca ainda resta um pouco do açúcar de confeiteiro do possível donut que comeu de sobremesa. E, pelo meu olhar estar fixado no lugar, ela se olha no reflexo do celular. Durante o tempo em que a manga de seu suéter é responsável pela limpeza, eu miro mais uma vez o post-it ainda escondido.
Será mesmo que não existe outra opção nesse mundo? Eu ainda tenho tempo para encontrar algo melhor do que um anúncio feito em um post-it, não é? Quer dizer, talvez até lá eu consiga arranjar um namorado, ou um encontro qualquer, certo? Até porque o aniversário de Eubin é só daqui há... 22 de abril é... Espera, é daqui três dias?
– E então? – A voz de Sorn me faz olhar para ela de súbito. O fato deu perceber que resta tão pouco tempo me deixa mais nervosa do que antes, mas ela parece não perceber. – Já ligou para o cara do anúncio?
– Erm, não, eu...
Engulo a seco, ainda perdida na novidade. Parece que foi ontem mesmo que iniciávamos o período. O que exatamente aconteceu com todo esse tempo que passou?
– Você ainda está pensando se é uma loucura completa? – Ela pergunta, os olhos pesados atrás dos óculos de grau e um bocejo sendo solto discretamente pelo canto da boca. – Nós podemos fazer o levantamento dos contras e prós, caso você queira outra vez.
O lance é que eu quero mesmo fazer um levantamento dos contras e prós com Sorn de novo, por mais que pareça ser tarde demais, por mais que não haja outra saída para meu problema. Só que um alerta no meu cérebro está indicando que essa não é a melhor hora para se fazer isso, não quando Sorn está enterrada em trabalhos acadêmicos, energéticos ruins e dezenas de horas de sono perdidas. Puxo o ar com força, a frase “falta apenas três dias” ecoando nos meus pensamentos sem parar, enquanto os olhos sonolentos de minha melhor amiga dançam de um lado para o outro tentando ao máximo não fecharem. Seguro uma vontade súbita de enumerar todas as desvantagens em meio a um desespero claro, o fato de faltar tão pouco tempo me pegou mesmo desprevenida, mas não é como se eu pudesse simplesmente ignorar toda a agenda lotada de Sorn e todo seu precioso tempo gasto até agora para me ajudar.
– Eu vou ligar para ele hoje quando chegar. – Digo, não tendo a mínima certeza sobre isso. – Está decidido.
– Mesmo? – Sua desconfiança é camuflada completamente pelo seu cansaço e, por mais que ela queira parecer disposta a montar uma lista sobre os benefícios de contratar um completo estranho para me ajudar, seus olhos sonolentos não mentem o quanto ela quer mandar esse problema para o raio que o parta. – Nós podemos tentar achar outra solução caso você...
– Não. – Interrompo-a, me sentindo verdadeiramente mal até mesmo por chamá-la até aqui; vejo seus olhos correrem sorrateiramente até o relógio em seu pulso e me sinto ainda pior. Mesmo que tenha levado menos de vinte minutos de seu dia, ela poderia ter usado esse tempo para resolver coisas que realmente importam para ela, não resolver problemas que envolvam o ex-namorado da melhor amiga. – Eu me viro, Sorn, é sério.
Ela suspira alto e assente. Sorn não parece tentada a discutir mais sobre o assunto, como também parece feliz por deixar de lado um problema. Enquanto eu fecho o livro outra vez com o maldito-bendito-sei-lá-o-que post-it dentro, vejo-a arrastar a cadeira para trás e se erguer em uma falsa agitação.
– Se você não se importar, eu estou indo, tudo bem? – Diz, recolhendo seus livros sobre a mesa. – Marquei com a Sra. Kim daqui dez minutos para a revisão do meu roteiro. Você se importa?
– Ah... Não! Não, claro que não. – Sorrio frouxo, chegando à conclusão de que ela está realmente cansada por nem sequer questionar a vinda inútil de poucos minutos até a biblioteca. – Nos vemos à noite.
Sorn assente aérea, uma das presilhas do lado esquerdo soltando-se dos fios finos de seu cabelo. Meu sorriso desconexo ainda está no rosto ao passo que a vejo se virar e partir para a saída da biblioteca da faculdade. Assim que a perco de vista, um soco invisível me acerta em cheio no peito, a realidade caindo sobre a mesa sem panos quentes para acobertar.
Eu estou fodida. E perdida.
Enterro meu rosto em minhas mãos, tentando encontrar algum meio, qualquer um, para solucionar meu problema sem precisar contatar quem quer que seja o dono do anúncio. Mas o curto prazo que tenho não me dá muita alternativa. E isso não está me ajudando em nada a manter a calma.
Quando meu namoro de quase quatro anos com Haneul chegou ao fim há cinco meses, eu sabia que as coisas não seriam fáceis. Não só porque Haneul é filho dos amigos dos meus pais, mas porque nossas vidas já haviam sido traçadas por eles desde que nascemos. E tudo, além de planejado, estava dentro do combinado; nós começamos a namorar no colegial, entramos em ótimas faculdades em Seoul, nos formaríamos e depois um casamento lindo no campo seria realizado. Ninguém nunca pediu nossa opinião, mas era assim que seria feito. Só que apesar de saber que seria difícil lidar com toda a ira de minha mãe pelo fim do nosso relacionamento, eu não estava contando que Haneul encontraria uma namorada há duas semanas do nosso primeiro encontro oficialmente separados.
Eu sabia como lidar com toda a paranoia de meus pais sobre casamentos e em como eu estava ficando velha para arranjar um marido, mas nunca na minha vida eu conseguiria lidar com isso e com o fato de ser a única no relacionamento a não seguir em frente. Se Haneul aparecesse desacompanhando, da mesma forma como eu planejava fazer, tudo estaria perfeito. Mas eu deveria saber que isso aconteceria, não é? Quer dizer, eu só descobri que ele era um mimado de merda há cinco meses quando eu rompi nosso namoro. Havia tantas cobranças vindas dele sobre encontros e falta de tempo, que eu simplesmente preferi ser lançada à fúria de mamãe do que ter que passar o resto da minha vida com alguém que não apoiava meu plano de carreira. Era verdade que antes de entrar na universidade eu estava contente com o trajeto que meus pais haviam traçado para mim, eu gostava de Haneul e saber que todos nos apoiavam era ótimo. Mas assim que me vi com a possibilidade de um ótimo diploma, eu quis ter uma vida totalmente diferente daquela. E exatamente por querê-la tanto que não medi esforços para terminar o namoro. Haneul deixou claro desde o início que meus estudos não eram tão importantes quanto os seus e não entendia toda a minha urgência em precisar estudar para as provas finais ao invés de vê-lo em seu campus do outro lado da cidade.
Esse pirralho cretino arranjou uma namorada em cima da hora de propósito, eu sei disso. Até porque ele sabe muito bem o quão tradicionais meus pais são e o quanto eles prezam muito mais um casamento do que um diploma. E ele sabe que minha vida, apesar de já estar ridiculamente complicada de levar por todos os sermões diários de mamãe, se tornaria um inferno se eu fosse a única desacompanhada no aniversário de Eubin.
Se a vida acadêmica não estivesse tão complicada como está, eu arriscaria ir sozinha a esse encontro, mas a Lei de Murphy é realmente incrível e não falha nunca. Eu não quero ter mais um motivo para perder cabelos no banho. E, pensando bem, essa é uma ótima razão para eu estar realmente considerando agora a ideia do cara do post-it uma bela solução para os meus problemas.
Eu estou, definitivamente, no fundo do poço.
Junto minhas coisas dentro da mochila e vou para o dormitório. O caminho até lá é uma montanha como sempre é, mas apesar de cansativo o nervosismo me faz completar o trajeto em tempo recorde, me aninhando ao aquecedor do quarto em menos de dez minutos. O ambiente é iluminado pela luz cinzenta do dia nublado, ela passa pelas janelas fechadas e cai sobre as camas em uma sintonia monótona. Respirando fundo pelo que deve ser a décima vez nos últimos minutos, termino de digitar o número informado pelo post-it. E, enquanto meu corpo cai sobre minha cadeira em frente à escrivaninha, eu penso que devo ter mesmo enlouquecido.
– Ok, se não atenderem em três toques, você desiste. – Digo para mim mesma, olhando para a tela do celular antes de apertar o maldito botão para iniciar a chamada. – Vamos lá, você consegue.
Fecho os olhos e me concentro em qualquer barulho que possa vir do outro lado da linha. Minha garganta está seca e eu sinto uma tremedeira idiota bater em meus joelhos. É o fim dos tempos, eu sinto que é.
Tuuuuuuuuu
Um.
Tuuuuuuuuu
Dois.
Tuuuuuuuuu
Três.
– É isso aí. – Encerro a chamada sem pensar duas vezes, minhas palmas das mãos suadas marcando a tela do celular. – Eu sabia que isso não ia dar certo. É bem provável que esse número seja falso, não é? Com toda a certeza foi uma brincadeira de primeiro de abril atrasada que alguém fez com o amigo. Ninguém iria colocar um anúncio por livre e espotâ...
– Dumb dumb dumb dumb dumb...
Meu coração sobe para a garganta quando meus olhos caem sobre o aparelho telefônico recentemente deixado em cima da cama. Red Velvet anuncia uma nova chamada e o número não é de nenhum dos meus contatos, muito menos anônimo, ele é do maldito acompanhante de aluguel.
Engulo a seco em um nervosismo claro, eu já nem mais consigo mentir para mim mesma. Aperto as pernas e tomo o celular nas mãos outra vez, mirando a tela por um tempo. Eu sinto uma gota de suor escorrer pela minha mandíbula e morrer no início de minha gola alta, enquanto meus pés tamborilam no piso de assoalho. E, mesmo tudo parecendo levar horas até que eu tenha a coragem de aceitar a chamada, quem quer que seja responsável por aquele anúncio parece determinado a saber quem o ligou.
– Alô? – Minha voz sai em um fiapo medroso. O fato deu ter enlouquecido por completo me deixando muito mais apavorada do que quem possa ser do outro lado da linha.
– Uh, oi. Quem é?
Levo um tempo pra responder, a voz que me pergunta é grave, mas não a ponto de me assustar. Limpo a garganta em um pigarrear subitamente corajoso.
– Você é o dono dos anúncios no post-it? Do acompanhante de aluguel?
Há um barulho de algo caindo do outro lado da ligação e eu espero um tempo até que sua voz volte em um tom agudo e surpreso:
– Oh, sim! Você quer me contratar?
– Eu... É, eu queria saber quanto você co-
– Eu só trato disso pessoalmente. – Ele me interrompe sem titubear. – Você é da Chung-Ang, certo?
– Hã? Sim, eu peguei seu anúncio do edital e...
– Então venha me encontrar, eu estou no dormitório 507.
Meus olhos se arregalam. O quê? Eu vou precisar ir ao seu dormitório?
– Nós não podemos marcar em outro lugar? Isso é um pouco indecente...
– Eu estou me arrumando para sair, estou te encaixando na minha agenda.
Agenda? É alguma piada?
– E à noite?
– Vou estar fora, se quiser podemos conversar amanhã.
Solto um suspiro aborrecida, tentando entender se a proposta faz sentido junto às minhas exigências. E ela não faz. A verdade é que eu gostaria mesmo de encontrá-lo apenas amanhã, de preferência em um lugar repleto de pessoas e cheio de câmeras de segurança. Mas meu prazo é curto e o aniversário de Eubin já é sábado, eu não tenho esse tempo. Eu não tenho. Eu vou precisar mesmo encontrar com esse maluco no dormitório masculino.
– Eu vou hoje. – Respondo, sentindo o arrependimento bater forte junto ao coração. – Chego aí em quinze minutos.
– Ótimo, vou esperar, mas só quinze minutos. Até daqui a pouco.
– Qual é o seu... Nome?
Mas já é tarde demais e a ligação já foi encerrada, deixando minha pergunta vagando pelo ar sem resposta. Fecho os olhos com força e jogo o celular em cima da cama outra vez, como se de repente o aparelho estivesse distribuindo choques aleatórios. Eu sinto que estou prestes a cometer a maior burrada da minha vida e o pior, consciente disso. Assim que abro os olhos novamente, eles focam no anúncio sobre minha mochila.
Moreno. 1,80 de altura. Porte atlético. Bonito. Inteligente.
Educado. Agradável. Sabe estabelecer uma conversa.
Sem compromisso emocional, apenas financeiro.
Eu riscaria, com toda a certeza, educado. E talvez agradável também. O lance de saber estabelecer uma conversa ainda não, mas só ainda. Algo me diz que no final a única característica intacta será moreno.
Essa experiência nem começou e já é a pior da minha vida.
Enfio no bolso de minha jaqueta a carteira e o post-it verde neon por motivo algum, colocando os sapatos antes de seguir pelo corredor vazio. O prédio dos dormitórios femininos está deserto como sempre está nas tardes de meio de semana, o que, de certa forma, faz com que meu nervosismo já instalado há horas na boca de meu estômago comece a crescer a cada passo dado. É como se eu estivesse prestes a cometer um crime, um assassinato, algo tão horrível que o arrependimento já me dá calafrios nas costelas.
É o quarto 507. Penso alto por não querer esquecer, enquanto entro no elevador e espero pacientemente até que ele chegue ao primeiro andar. Os números no painel eletrônico parecem se arrastar e eu me encolho no canto da caixa de metal como se eu estivesse sendo vigiada pelo próprio governo coreano. Todos os contras e prós que levantei durante o dia não existem mais, eles estão misturados sem nexo algum em meus pensamentos à medida que o aviso mental me alerta dos poucos dias para o aniversário de Eubin.
Eu não tenho escolha, eu sei disso.
Desço do elevador sentindo as pernas endurecerem em protesto, meu corpo todo parece se negar a seguir em frente e, assim que passo pelas catracas do dormitório feminino, eu o obedeço. Vejo-me parada então em meio ao hall do prédio, na divisa de dormitórios, não porque eu simplesmente desisti do plano, mas sim pelo simples fato de encontrar as deslembradas catracas para a ala masculina.
É óbvio que o acesso é restrito e é óbvio que eu esqueci por completo disso.
Solto a respiração pesada em protesto, um grunhido de raiva crescendo no peito. Não existe a menor possibilidade de um salto, até porque eu com certeza cairia. Eu não faço exercícios físicos há o quê? Dois anos? E também existe o orgulho e a coisa toda de regras da faculdade que realmente me incomoda quebrar. Não entrando no mérito deu me sentir aliviada pelo destino ter posto uma encruzilhada no meio do caminho para que eu não encontre um completo estranho em seu dormitório. Isso é como um aviso do universo, não é? Eu creio que sim. Talvez se eu simplesmente o esperar aqui... Por quinze minutos... Ele mesmo disse que não me esperaria, não é? Pode ser que ele apareça daqui a pouco, certo?
Olho em volta, mas, mesmo conseguindo enxergar boa parte das áreas comuns dos dormitórios masculinos, não vejo movimento algum. Tudo parece vazio e ridiculamente pronto para que alguém quebre as regras sem ser visto. Penso em mandar uma mensagem avisando meu futuro contratado, mas o celular foi deixado em cima da cama com toda a minha aparente dignidade. Encosto-me em uma das catracas, conformada pela mudança repentina de planos, quando, sem aviso prévio, meu corpo sofre um solavanco de nervosismo assim que o sino suave do elevador reverbera pelo primeiro andar.
Meus olhos correm ansiosos e apavorados até a porta sendo aberta, meu coração a mil no peito à medida que a figura de um garoto me toma a atenção toda. A cor do fim da mais bela tarde tinge os fios de cabelo moldados em leves ondas propositalmente jogadas para trás, e a sensação de um dia quente de verão me toma o corpo todo ao passo que o garoto se aproxima. Os detalhes de seu rosto genuinamente sendo destacados pela distância já não tão longa, a boca cheia rosada e os olhos cravados em mim com a mais singela curiosidade. Sinto minha saliva descer como arame farpado pela garganta, ele é tão gracioso e bonito que eu me sinto corar de vergonha.
– Olá, desculpa, – pede assim que dou um salto assustado no lugar – mas foi você quem ligou para saber sobre o anúncio do acompanhante?
Levo algum tempo para perceber que as palavras foram, de fato, direcionadas a mim. Meus olhos se perdendo em cada detalhe ridiculamente angelical que seus traços moldam. A cor laranja de seus cabelos lhe cai tão bem que por um instante me pergunto se é possível terem a criado apenas para tingi-los.
– Você não é moreno e nem tem 1,80 de altura.
Minha voz sai sem permissão e eu me arrependo copiosamente quando a primeira reação que recebo é um levantar irônico de sobrancelhas.
– Bela observação, – diz, o tom de voz é suave como uma pluma – mas eu não sou o Jungkook.
– Jung...?
– Jungkook, o dono do anúncio para quem você ligou. – Explica, passando pelas catracas e parando em minha frente. – Eu sou colega de quarto dele. Ele esqueceu que você não tem como subir em nosso dormitório, então aqui está a minha chave de acesso. Deixe com ele depois que sair.
– Eu não... Eu não... – Pisco algumas vezes, olhando para o cartão sendo estendido para mim. – Eu não posso o esperar aqui? Ele disse que estava de saída, eu posso o encontrar aqui, não é?
– Ele vai se reunir para um trabalho em uma das mesas do segundo andar, não vai sair do prédio hoje. – Esclarece e, enquanto eu moldo meus lábios em um pequeno “oh” de entendimento, ele me estica novamente o cartão. – Aproveite, não há ninguém nos corredores. Eu preciso ir agora.
– Obrigada. – Sorrio sem graça, pegando a chave de acesso.
Eu nunca o vi por aqui, eu lembraria caso tivesse. Suas bochechas têm uma tonalidade rosa natural que saltam diante dos meus olhos quando ele sorri, o casaco preto parece lhe agasalhar bem e por mais que meu cérebro tenha bloqueado de nervosismo meu olfato, eu acredito que ele cheire à felicidade e ternura. Doce feito mochi de morango com doce de feijão branco.
Talvez eu deva me aventurar mais pelas catracas da ala masculina caso isso signifique encontrar garotos como ele.
Enquanto o vejo passar pelas portas de vidro e se dirigir para qualquer lugar lá fora, eu solto um suspiro pesado que me traz de volta a cruel realidade. Meu corpo sucumbe em fracasso quando meus olhos caem sobre as malditas catracas outra vez. O sentimento de culpa despenca sobre meus ombros de uma forma muito mais violenta que antes. Eu estava certa de que o destino havia me enviado um aviso claro sobre isso, já havia me conformado sobre a mudança de planos e sobre não precisar obstruir nenhuma regra para me encontrar com um estranho em seu dormitório. Mas, talvez, o destino tenha mesmo enviado um sinal e agora seja apenas um teste da vida, não é? Talvez seja um teste para medir minha lealdade às leis que um dia eu vou lutar para que sejam cumpridas.
Fecho os olhos com força, abrindo-os apenas para mirar as informações no pedaço de plástico preso em meus dedos.
Park Jimin - Arquitetura.
Suspiro derrotada. Não tem jeito, não existe outra solução. Eu vou mesmo fazer isso. E eu espero, de verdade, que a vida entenda a gravidade da situação. E que entenda que eu realmente estou arrependida por estar passando o cartão de um completo estranho para entrar na ala masculino dos dormitórios.
– Vamos lá, você consegue.
O nervosismo é tanto que eu nem sequer consigo mais lembrar como é o rosto de Jimin e, tomada por uma onda de coragem repentina, eu passo pela catraca após o bip habitual de livre acesso. Minhas pernas tremendo nos primeiros passos até o elevador, mas, por puro medo de ser pega, elas me levam rapidamente até seu interior. Diferente da vinda, o painel eletrônico parece voar pelos andares e, em o que parecem ser segundos, chego ao quinto piso.
Não há ninguém pelos corredores, nenhum barulho sequer ou uma luz acessa pela movimentação. Não há nada além de mim e minha respiração ofegante. Eu definitivamente me sinto em um filme de ação, terror, suspense ou sei lá qual gênero o personagem se sente a ponto de vomitar tudo o que comeu no dia. Minhas botas de couro fazem um barulho alto sobre o piso de cerâmica que eu nunca nem sequer havia reparado e enquanto ando minuciosamente sobre o quinto andar, eu me pergunto se a vida é ridícula dessa forma mesmo.
Avisto finalmente o quarto 507 não muito longe daqui e encerro a distância em um caminhar tortuoso ao som do calçado rangendo contra o chão. Penso em usar a chave pelo desespero, entrar sem pedir licença e me esconder debaixo de sua escrivaninha. O movimento é tão automático que me pego parando há centímetros do leitor de códigos. Mas por mais nervosa e vulnerável que eu esteja, não é a ideia mais genial do mundo entrar no quarto de um completo desconhecido, certo? Até porque eu prefiro ser pega do que... Espera. O que exatamente aconteceria comigo caso eu fosse pega por aqui?
Não tenho tempo de pensar sobre a resposta ou sequer respirar direito, a porta do dormitório 507 se abre em um solavanco oco, o vento da ação chacoalhando meus cabelos para frente junto a barra de meu suéter longo. No meio de meu emaranhado de fios de cabelo sobre os olhos, eu tenho a absoluta certeza que vejo Jungkook.
E ele, definitivamente, tem 1,80 de altura.
Se antes Jimin me levava a um passeio em um dia de verão, agora eu sinto que Jungkook ateou fogo em meu corpo inteiro. Eu me sinto quente. Quente demais. Não há nada de meigo, terno ou suave, ele é um monstro. Ombros largos, olhos sinuosos e músculos por toda a parte. Por toda a parte. É um festival de ofensa gratuito. O cabelo castanho bagunçado cai sobre a testa e quase alcança os olhos tão negros como chocolate amargo. O nariz pode ser um pouco grande para o resto do seu rosto, mas minha atenção é voltada completamente para a boca bem delineada e sua mandíbula bem marcada. Tão marcada que é capaz de cortar.
Eu realmente preciso frequentar mais as catracas da ala masculina.
– Você deve ser a garota que ligou há pouco, isso?
– _____. – Falo em uma voz que não parece ser minha, enquanto tiro com rapidez os fios de cabelo dos olhos. – Você é o Jungkook?
– Sou. – Ele cruza os braços por um instante, seus músculos saltando por debaixo da camiseta de manga longa ridiculamente fina. – Está aí há quanto tempo?
– Acabei de chegar.
– Eu estou saindo. – Avisa sem rodeios, me fazendo recuar quando dá um passo a frente para fechar a porta atrás de si. – Podemos conversar amanhã?
– O quê? – É como se eu tivesse sido puxada para a situação real, meu cérebro buscando rapidamente a conversa recente por telefone com ele. – Não, eu disse que precisava ser hoje.
– Você demorou muito para chegar, eu tenho hora marcada.
Olho para meu relógio de pulso rapidamente e franzo o cenho em irritação, eu atrasei um minuto.
– Não é uma conversa muito extensa. – Digo desaforada, vendo-o dar os primeiros passos para longe de seu dormitório. – Se você me falasse por telefone quanto é o seu valor, eu não precisaria nem estar aqui.
– Eu não falo por telefone por questões de segurança.
– Segurança?
– É, – sua voz reverbera pelo corredor sem maiores dificuldades – eu não confio muito em...
– Você pode falar mais baixo, por favor? – Interrompo-o incomodada. – Eu não quero ser pega aqui.
Jungkook para de andar apenas para me olhar de cima a baixo por um instante, parecendo voltar em sua decisão de dizer o que queria dizer e retomando seu caminho. Ele solta um suspiro tedioso enquanto chama o elevador, o volume de sua voz a seguir não muda em absolutamente nada:
– Enfim, meu preço é 100 mil wons.
– 100 mil wons?! – Dessa vez a voz que reverbera é a minha em um quase grito apavorado. – Mas eu quero te contratar só por algumas horas.
– O valor é fixo.
– Isso é sério? – Não evito um sufoco de pavor. – É caro demais! Eu consigo pagar um churrasco completo para três pessoas com isso.
Vejo-o entrar no elevador e girar sobre os calcanhares para mim, o olhar tão debochado quanto sua voz.
– Um churrasco completo para três pessoas não vai te acompanhar aonde você quer ir ou vai?
Sinto a necessidade extrema de girar os olhos em fúria, mas me contenho. Moreno, 1,80 de altura, porte atlético e bonito podem até ser verdade, mas educado, agradável e sabe estabelecer uma conversa estão definitivamente riscados da lista. Engulo a seco e entro no elevador junto a ele, me deixando não responder uma pergunta ridícula dessas.
– Para que dia você precisa?
Fico um tempo em silêncio, mirando o botão do primeiro andar sendo acionado por ele.
– Sábado, – respondo vencida – das 19h às 23h.
– Eu não arco com os pagamentos de um encontro, espero que você saiba disso.
Olho para Jungkook de canto dos olhos. Não é como se eu estivesse surpresa, meu anjo.
O caminho até o primeiro andar é curto, mas o silêncio desconfortável até lá parece tê-lo feito durar horas. Eu espero de verdade que isso valha a pena. Definitivamente é uma urgência, uma urgência das grandes. Caso contrário eu já teria mandado esse otário para a puta que... A porta se abre e não leva um segundo para que Jungkook saia em disparado por ela, minhas pernas se apressando para que eu consiga o acompanhar pelo corredor.
– Preciso pagar adiantado ou...?
– Não, o pagamento é só depois do trabalho feito. – Ele para em frente as catracas abruptamente e vira-se para mim, seus olhos me analisam cheios de desconfiança. – Existem regras.
– Regras?
– Nada ilegal ou que eu corra risco de vida, rituais religiosos implicam na minha desistência e o seu dinheiro não será reembolsado. – A cada regra dita seus dedos longos aparecem em minha frente como uma ameaça real. – Não beijo e não abraço, não faço provas por você e nem nada relacionada à universidade. Espero que você tenha o mínimo de noção e entenda que eu não faço qualquer coisa que pareça absurda ao dizer em voz alta e que eu não disse aqui. Alguma pergunta?
Puxo o ar pela boca, eu sinto meu rosto todo derreter de irritação por suas regras idiotas e óbvias.
– Você vai poder conversar comigo durante o seu trabalho ou isso é proibido também?
Seus olhos se estreitam em minha direção.
– Depende do assunto. Eu preciso ir agora. – Diz, apontando para as catracas como se eu fosse um estorvo completo. – Nos vemos no sábado, certo?
– Por que eu sinto como se você estivesse fazendo um favor para mim? – Cochicho para mim mesma, voltando para o hall de entrada e entregando o cartão para ele. – Nos encontramos aqui às 19h. Agradeça ao seu amigo pelo cartão.
Sua sobrancelha se arqueia em petulância.
– Jimin é comprometido.
Meus olhos se arregalam em uma resposta repentina, enquanto meu queixo cai pelo tapa que levei em forma de palavras. O que ele...? Quando penso em lhe devolver a alfinetada, já é tarde demais, Jungkook já me deu as costas e está de volta dentro do elevador.
– Se você se atrasar, eu reduzo o valor pela metade! – Grito furiosa, mas eu sei que ele não pode me ouvir mais, como também sei que essa é a maior mentira que eu já contei na vida. Por mais ridículo que ele pareça ser, eu realmente sinto que ele está me ajudando e que 100 mil wons é até barato para me livrar de uma vida infernal.
Suspiro derrotada, a pequena reverberação de meu grito recente me pega agora os ouvidos e eu me vejo mesmo cavando o fundo do poço para que eu me afunde ainda mais em toda uma situação absurda.
A porta do quarto não demora a se abrir quando termino de organizar meus materiais de estudo para o dia seguinte, revelando uma Sorn extremamente cansada. Ela tira os sapatos de qualquer jeito e nem sequer se importa de vestir as pantufas, entrando cômodo a dentro apenas de meias grossas brancas. A mochila pesada que carrega é abandonada aos pés da cama e os óculos de seu rosto são arrancados sem cuidado algum, seus olhos me analisam por um instante antes de seus lábios se moldarem no que parece ser um sorriso sofrido.
– Está tudo bem?
– Eu vou precisar refazer meu roteiro. – Fala, a voz embargando traiçoeiramente. – Todo ele, o roteiro todo.
Sufoco uma exclamação mal educada, vendo-a então cair sentada sobre o emaranhado de mantas em sua cama que não conseguiu arrumar antes de sair. Seu rosto agora parece desmoronar e seu lábio inferior parece mesmo tremer de tristeza.
– Mas tudo bem, não é? A vida funciona desse jeito, certo?
Penso em dizer algo para lhe consolar, mas falho. A verdade é que eu estava angustiada para conversar sobre o maldito contato com Jungkook de hoje à tarde e não pensei em mais nada a não ser nisso. Tento resgatar alguma palavra de conforto para lhe dizer, mas eu só consigo pensar em xingamentos e mais xingamentos.
– Você quer sair para comer alguma coisa? – Proponho, desistindo por completo de comentar qualquer coisa sobre minha vida com ela. – Nós podemos sair do campus ou pedir frango frito e beber nas escadas, o que acha?
Ela suspira pesado, quase choramingando.
– Eu realmente queria fazer algo de diferente, mas eu estou tão cansada que... – Seus olhos varrem o quarto e sua frase morre sem explicação. – Tudo bem se eu só dormir?
– Claro! – Levanto-me da cama rapidamente enquanto ela se ergue de forma lenta da sua. Puxo os lençóis de seu colchão e a ajudo se acomodar debaixo das cobertas. – Descanse bastante, vou desligar as luzes.
Ela ronrona um agradecimento e antes mesmo que o ambiente seja iluminado apenas pelas luzes dos postes lá fora, eu consigo ouvir sua respiração pesada se envolver em sono. Solto um suspiro sentido, eu queria mesmo conversar com ela sobre mais cedo e sobre toda a sensação estranha de estar fazendo algo errado, mas não é justo. Dessa vez, eu preciso resolver esse problema sozinha.
Arrasto-me de volta para minha cama e deito sobre as mantas ainda esticadas, eu queria que as coisas fossem um pouquinho mais simples de se resolver. Pego o celular e por um instante apenas miro a tela brilhosa em silêncio, contornando toda a vontade que tenho de romper o combinado ridículo com Jungkook. Por fim, abro uma nova conversa e digito uma mensagem rápida.
[21h47] eu: é a _____
[21h47] eu: é pra usar terno no sábado
[21h48] eu: vc tem?
Olho por um tempo as mensagem solitárias sobrepostas ao fundo branco e agradeço secretamente pela resposta estar sendo digitada agora mesmo.
[21h49] jungkook: ok
Ok?
Giro os olhos, sentindo-me completamente livre por poder fazer isso sem precisar reprimir a vontade como fiz ao longo do dia. Irritada, aperto as teclas em uma mais nova mensagem, parando apenas quando meu celular vibra com o recebimento de uma resposta melhor do que o maldito ok.
[21h50] jungkook: tenho
Dando-me por satisfeita, largo o celular de volta no colchão. No teto branco há dezenas de formas pelas luzes dos postes lá fora, mas nenhuma se parece com uma solução repentina para me salvar. A situação toda é tão absurda que parece um sonho ruim.
– 100 mil wons?! – Dessa vez a voz que reverbera é a minha em um quase grito apavorado. – Mas eu quero te contratar só por algumas horas.
– O valor é fixo.
– Isso é sério? – Não evito um sufoco de pavor. – É caro demais! Eu consigo pagar um churrasco completo para três pessoas com isso.
Vejo-o entrar no elevador e girar sobre os calcanhares para mim, o olhar tão debochado quanto sua voz.
– Um churrasco completo para três pessoas não vai te acompanhar aonde você quer ir ou vai?
Sinto a necessidade extrema de girar os olhos em fúria, mas me contenho. Moreno, 1,80 de altura, porte atlético e bonito podem até ser verdade, mas educado, agradável e sabe estabelecer uma conversa estão definitivamente riscados da lista. Engulo a seco e entro no elevador junto a ele, me deixando não responder uma pergunta ridícula dessas.
– Para que dia você precisa?
Fico um tempo em silêncio, mirando o botão do primeiro andar sendo acionado por ele.
– Sábado, – respondo vencida – das 19h às 23h.
– Eu não arco com os pagamentos de um encontro, espero que você saiba disso.
Olho para Jungkook de canto dos olhos. Não é como se eu estivesse surpresa, meu anjo.
O caminho até o primeiro andar é curto, mas o silêncio desconfortável até lá parece tê-lo feito durar horas. Eu espero de verdade que isso valha a pena. Definitivamente é uma urgência, uma urgência das grandes. Caso contrário eu já teria mandado esse otário para a puta que... A porta se abre e não leva um segundo para que Jungkook saia em disparado por ela, minhas pernas se apressando para que eu consiga o acompanhar pelo corredor.
– Preciso pagar adiantado ou...?
– Não, o pagamento é só depois do trabalho feito. – Ele para em frente as catracas abruptamente e vira-se para mim, seus olhos me analisam cheios de desconfiança. – Existem regras.
– Regras?
– Nada ilegal ou que eu corra risco de vida, rituais religiosos implicam na minha desistência e o seu dinheiro não será reembolsado. – A cada regra dita seus dedos longos aparecem em minha frente como uma ameaça real. – Não beijo e não abraço, não faço provas por você e nem nada relacionada à universidade. Espero que você tenha o mínimo de noção e entenda que eu não faço qualquer coisa que pareça absurda ao dizer em voz alta e que eu não disse aqui. Alguma pergunta?