Con(ec)tatos (in)visíveis 02
É muito complicado definir o que é essencial em um momento como esse, porque todo trabalho e toda vida são essenciais na sua essência de ser. No entanto, diante das circunstâncias determinadas pelo novo coronavírus, as pessoas que não se enquadram nas categorias dos serviços considerados essenciais devem (ou deveriam) permanecer em suas respectivas residências. Por isso, mesmo aqueles “não essenciais”, acabam sendo tão essenciais quanto os que são quando respeitam as devidas restrições de convívio. Compreendendo que a responsabilidade pelo outro perpassa a todos.
No que concerne aos indivíduos ditos “não essenciais”, o ato de ficar em casa desencadeia uma busca em se reinventar para superar as adversidades diante da situação vigente. Como por exemplo, visitar pessoas e lugares sem sair de casa, transitar entre shows, seminários e debates on-line. A existência de uma mobilidade digital muda a estrutura de interação entre os indivíduos, fazendo com que esses percursos invisíveis possam amenizar a carência de interagir e de vivenciar situações “fora de casa”.
A sociabilidade é um processo que segue em transformação, especialmente agora com o agravamento do uso das interfaces digitais. Através desta espécie de deambulação pelas redes sociais, consolida-se uma experiência humana cuja sensação de vivenciar uma realidade digital se con-funde com a vivência da realidade propriamente dita. Para aquele sujeito habituado a ser livre para ir e vir, a mobilidade e a espontaneidade inerentes à presença física são fatores essenciais para a construção de uma experiência concreta.
São diversas inquietações sobre o futuro das relações no mundo pós pandemia. Então, o ato de determinar o que é ser essencial é limitador em um momento como esse. E neste contexto vivenciamos na pele a dicotomia desta palavra, pois o conceito do que é essencial perpassa o finito e o infinito, o objetivo e o subjetivo, o coletivo e o individual.