Entrei no carro e pensei que seria só mais uma viagem, afinal a palavra "viagem" nunca teve o mesmo sentido pra mim e pro resto do mundo. Não precisava fazer malas pra viajar, nem ir tão longe.. poderia viajar até a pizzaria e lá ficar observando as pessoas pensando o que se passa em sua cabeça e coração. Por um bom tempo foi assim, não escrevia, só via, calada; as pessoas correndo rápido no metrô ou os casais tomando café, pensando: "Como será que ao mesmo tempo, o tempo passa tão rápido pra uns e para pra outros?" o amor faz mesmo coisas impossíveis. Procurei inspiração, novos hobbies, tentei enlouquecer e depois me isolar, sentei e lembrei de pessoas me dizendo o quanto meus conselhos eram bons.. abri arquivos antigos e li um por um dos textos, pensando: "Porque diabos achavam essas tolices tão boas?" e notei, que talvez não escrevesse tão bem assim, mas entendesse um por um dos sentimentos dos outros. Menina boba! não se lembra que pra entender tudo isso tu tivestes que viver uma por uma das emoções? então agradeci baixinho, por mais uma vez ter sofrido, e aprendido. No carro, o vento balançava o meu cabelo e eu nem ligava pro frio, abria os braços como se pudesse colocar uma fantasia de super heróina e sair voando.. então coloquei na minha cabeça, pra ser mulher não precisava deixar de ser menina. Uma ladeira tão alta que dava pra ver a cidade de cima, por um momento não pensei nas pessoas, olhei pra todas aquelas luzes e quis me tornar uma. A primeira a direita depois da padaria, olhei pra casa dele e pedi pra todos os anjos o seguirem onde for, porque eu demorei mas entendi, que nunca estaria sozinha. O vento aumentou e a garoa fina começou a bater no meu braço, libertei-me das palavras antiquadas das pessoas de coração ruim, guardei a saudade comigo e ao invés de amar alguém, me amei. Voei livre, viajei sozinha e pensei que talvez essa fosse a minha hora, vai menina, deixa que o mundo te conheça! Abri a porta do carro e decidi que a partir dali iria viajar mais, e sonhar todos os dias, abri um novo arquivo e escrevi "Quando pó me faço, do pó renasço" limpei a poeira dos livros, dos textos e saias, quando o despertador tocou.. Oba, hora de viver!