Acordar numa tarde de sábado, com uma mulher que você sequer lembra o nome. Enxaqueca e cansaço. Ele olha para a moça ao seu lado, "bonita até", pensa sozinho. Veria seus amigos amanhã e com certeza falariam sobre ela, perguntariam como havia conseguido trazê-la para casa. Tentou lembrar-se de como realmente havia conseguido trazê-la para casa. Ah, era hoje seu aniversário. Tinha usado isso como a desculpa para o desencadeamento de uma conversa. Sorriu sozinho, era um dia normal, cercado por solidão e sorrisos falsos. Era uma vida normal, cercada por solidão e sorrisos falsos. Já estava sentado na cama, mas era hora de levantar-se agora. Foi o que fez, procurou na mente o nome da mulher que dormia serena em sua cama. Não pôde se lembrar graças à ressaca. Suspirou, passou sua mão na nuca e foi ao banheiro, tomou uma ducha gelada e só de toalha fez um café, tomando-o puro de pé no meio da cozinha. Ouviu passos em busca dele e a moça, com cara de sono, lhe encarava curiosa. Ele lhe ofereceu uma xícara da bebida que fizera e sem falar nada, somente a afirmar com a cabeça, ela se aproximou enquanto Matt lhe oferecia o café. Ainda não se lembrava o nome dela e pior que isso, sabia muito bem que ela se lembraria do dele. Ela fitou-o, analisando cada pedaço de Matt e assim terminou o café, deixando a xícara na pia e perguntando se poderia usar o chuveiro. Não negou o pedido, não poderia. Quando ela finalmente afastou-se, voltou para o quarto vestir-se. Ela saiu do banho e encontrou-o sentado na beirada da cama com uma expressão visivelmente triste. Talvez fosse por pura pena, mas ainda assim o abraçou por trás, passando seus braços pelo tronco dele e apertando o corpo de Matt. Beijou seu pescoço e pediu uma carona para casa, que ele aceitou e tomou rápidas providencias para fazê-lo.
Deixou-a em casa. Voltou para a própria. Observou o apartamento vazio, meio bagunçado e nem um pouco reconfortante para ele naquele momento. Era seu aniversário afinal, o que faria? Nada faria. Nada queria. Sentou-se no sofá sem ligar a TV. Sentia fome, mas não sentia vontade de comer. Sentia sede, mas não poderia ser saciado. Sentia frio, mas não sabia como aquecer-se. Sentia as paredes a engoli-lo. Não havia ninguém ali para que pudesse ajudá-lo a esconder sua infelicidade. Não havia ninguém, nunca houve. Sempre odiara seu aniversário, mesmo sem saber o motivo. Aquilo não fazia mais diferença.