Sentado no chão da cozinha, já tinha esvaziado todas as garrafas de cerveja e engolido todos os comprimidos que achou perdido nas gavetas. Respirou fundo e uma tosse incessante lhe atacou. Riu em meio a sua própria situação, tirou a caixa de cigarros do bolso, vazia. Seu celular tocou, levantou para pegá-lo. Abriu a mensagem. Era ela. Não leu. Atirou o aparelho contra a parede, não precisava mais daquilo. Não precisava de mais nada. Saiu. Tropeçou pelo caminho, parou na banca de jornal em frente ao seu prédio, comprou uma caixa de cigarros. Sentou-se na calçada e acendeu um, tragou como se aquela droga fosse sua salvadora. Pelo menos ela lembrava-se dele. Era muito melhor que alguns desencontros amorosos que se veem por aí. Era muito pior que alguns outros. Ficou ali até todos os cigarros acabarem. Levantou-se para comprar outro. - Não vou te vender mais disso, filho. - Disse o senhor que praticamente escondia as caixas. - Eu te pago o que quiser, só me dê mais uma caixa. - Ouviu Matt dizer e riu sem graça, não era questão de dinheiro. Matt sabia bem. - Eu tenho uma filha na sua idade, está terminando a faculdade e é o meu maior orgulho. Minha esposa me deixou quando nossa filha ainda era jovem. Eu fiquei quase como você, talvez não tão ruim, mas ás vezes a gente precisa tomar uma dose de realidade e ficar de porre por um mês inteiro. Quando a bebida é muito forte, ou não a bebemos mais ou aprendemos a engoli-la do jeito mais difícil. Mas a gente sabe que aquela dose foi boa, não é? Não dá para simplesmente largar um velho vício. - Aquele velho tava de sacanagem. Porra. Matt riu, colocou as mãos no bolso como se não tivesse escutado as sábias palavras daquele senhor. - Ela acaba comigo, diz que me ama e depois some. Diz que me ama e namora sério com outros que jamais irão ouvir essa frase dela. Diz que me ama e não acredita que eu a amo. Estou cansado dessa merda toda. Não vou beber mais. - E deu as costas ao dono da banca como se tivesse acabado de ter conversado com seu Deus e tivesse recebido uma bronca. O senhor apenas observou os passos desengonçados de Matt a se afastar e sorriu. Sabia que Matt era do tipo que gostava de beber.
Matthews Rizze. Último drinque.







