Valentina Nixon, discurso pós cerimônia do Grammy, onde ganhou dois dos mais importantes da noite sozinha. Em 2050 (?)
Eu acredito que não é muito comum ver mulheres asiáticas, elas sendo imigrantes, descendentes ou uma herança, assim como eu, no mundo das artes e no entretenimento. Pode ser por que a maioria das pessoas digam que a gente não faz parte do padrão de beleza ou dos requisitos pra consumo ou só não tem interesse no que essas garotas chang (sobrenome usado como palavra pejorativa pra menosprezar, generalizar e ofender asiáticos, todos eles, principalmente na América) tem pra tentar dizer. Então, quando digo que não deve ser comum pras pessoas verem mulheres asiáticas na mídia e sendo realmente reconhecidas, é porque elas não têm o interesse de nos enxergar, mesmo. Minha mãe é uma das pessoas mais incríveis e talentosas que eu já conheci, mas a maioria das pessoas não fazem ideia que ela seja a mente por trás da Miss e ficam muito chocadas quando descobrem que ela é a responsável por 90% de tudo, desde as roupas e até os projetos sociais. Então, a mãe do meu namorado, que é uma diplomata, e ainda assim uma apoiadora das artes e uma das mulheres mais corajosas e fortes de todas, que não conseguia ser ouvida e respeitada sem ouvir alguma piada nojenta sobre preferirem que ela estivesse em um prostibulo como todas as outras asiáticas bonitinhas, também ofendendo e menosprezando as garotas imigrantes que são obrigadas a trabalhar nesse mercado e serem usadas de diversas maneiras e não tem apoio ou direito algum, e até a tia de Victor, que é só uma das modelos mais bem pagas do mundo e tenta o tempo todo fazer com que as pessoas enxerguem que não, asiáticos não precisam ser inteligentes e sabichões o tempo todo e que ela mesma não é, por uma dislexia e discalculia. E ainda abro espaço para Katherine Abrams, que ainda não tive a oportunidade de conhecer por ai, que é uma das atrizes mais talentosas da face da terra e uma inspiração pra garotas ou jovens adultas como eu. Sério, um Oscar! A mesma premiação que batia palmas quando pessoas faziam yellow face, premiaram alguém tão fantástico e presente quanto ela e que sempre trás em seus discursos como se deve dar palco para nós, as garotas chang, pelo que nós somos, e onde nós quisermos estar. Eu cresci ouvindo que podia tudo e sendo incentivada a ser sempre persistente e corajosa, ao passo que já ouvi que nunca ia chegar a lugar algum ou ser respeitada por não ser branca ou magra o suficiente, e agora posso dizer que depois de todos esses anos, todas essas críticas e todas essas mulheres, eu me tornei quem eu sou e me sinto no direito e honra de repassar tudo o que elas me ensinaram. Que não importa a cor ou formato dos seus olhos, a cor da sua pele, as etnias depositadas em você ou o que as pessoas digam pra te ofender e diminuir, você é muito mais do que tudo isso, e tem o direito de querer honrar todos os milhares de anos de raízes que existem em você, ou só conquista e a sua própria honra e espaço, porque você importa e é o seu próprio padrão.
O meu lugar é no palco, ganhando dois dos maiores prêmios da noite, cantando e me apresentando como sempre sonhei e sendo apoiada por todas as pessoas que eu amo, e se eu tenho isso no meu coração, eu estou certa e não preciso me encaixar em absolutamente nada do que as outras pessoas digam.













