‧₊˚ Escrita por Alyena em conjunto com o Icyhotproj com foco no shipp Todobaku no mundinho de Harry Potter.
‧₊˚ Tentei fazer algo mais puxado pro vintage, pois achei que combinaria melhor. E só sei que amo recortar as cabeças dos personagens de uma cena do anime e encaixar em corpos reais, muito divertido~
‧₊˚ Harry Potter + bnha = tudo pra mim ❤
‧₊˚ Caso se inspire, me credite! Uso de artes oficiais!
chanbaek ⋯ au!hp ⋯ slytherpuff
Oh, to be loved... (PT-BR)
Sinopse: Chanyeol sempre se perguntou se seria amado de verdade. Baekhyun carrega essa resposta há três anos. Entre caos familiar e primeiros beijos, eles descobrem que o amor verdadeiro vale qualquer sacrifício - até se jogar na frente de um balaço.
CAPÍTULO ÚNICO
Como eu consegui estragar tanto assim? , pensou, passando a mão pelos cabelos desgrenhados. A última pergunta sobre poções curativas havia ficado em branco em sua mente, exatamente a área em que ele mais se destacava. Mas como poderia se concentrar quando sua cabeça fervilhava com pensamentos sobre a oportunidade perdida?
Mahoutokoro. A palavra ainda doía como uma ferida aberta. A escola japonesa de magia, tão rígida e prestigiosa que oferecia apenas uma única vaga para intercâmbio internacional. Uma vaga que era sua por direito, conquistada com noites em claro estudando, com dedicação que sangrava pelos poros, com uma paixão pela magia que seus pais jamais conseguiriam compreender.
— Chega, Chanyeol. Já não basta a vergonha de ter que inventar histórias para encobrir que um Park passa o ano inteiro naquela sua escola de anomalias na Escócia? Não vamos mais sustentar essa fantasia doentia. — A voz de seu pai, um rosnado baixo onde cada sílaba pingava desprezo, ainda ecoava em seus ouvidos. Ele havia falado sem sequer olhar para o filho, como se a simples menção daquele mundo fosse algo imundo, algo que ele queria longe de sua casa e de sua vida.
Nem mesmo a diretora McGonagall, com toda sua autoridade e determinação, havia conseguido encontrar uma brecha legal. Afinal ele tinha apenas quinze anos e era um bruxo menor de idade, nunca poderia nem sair do continente sem uma autorização.
Chanyeol seguiu caminhando sem rumo pelo corredor vazio, quando uma figura se desencostou da parede e entrou em seu caminho, forçando-o a parar bruscamente. Era Seiji Montrose, o corvino que ficara em segundo na seleção, que tinha um sorriso presunçoso no rosto.
— Park — disse, a voz escorrendo falsa simpatia. — Ouvi as novidades. Que pena.
Chanyeol tentou dar um passo para o lado, mas Montrose espelhou seu movimento, mantendo-se como uma barreira.
— Na verdade — continuou Seiji, o tom escorrendo um sarcasmo venenoso —, suponho que eu deveria te agradecer. Aos seus pais trouxas, principalmente. Diga a eles que mandarei lembranças do Japão.
Ele inclinou a cabeça, analisando Chanyeol com um ar de superioridade.
— Sejamos sinceros. A vaga para Mahoutokoro, um lugar de precisão e brilhantismo, indo para um... Lufano ? Sempre pareceu um erro de cálculo. É um destino para um Corvino. Felizmente, a ordem natural das coisas sempre encontra um jeito de corrigir essas pequenas distorções.
Chanyeol sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos, mas não disse nada. Não havia nada para dizer. Montrose tinha razão, a oportunidade da sua vida havia se perdido, e não havia nada que pudesse fazer para resgatá-la.
O corvino se afastou com um sorriso vitorioso, deixando Chanyeol sozinho com seu desespero crescente. As lágrimas que ele havia estado segurando finalmente começaram a escorrer pelo seu rosto enquanto ele cambaleava em direção às margens do Lago Negro.
O local estava tranquilo, apenas o som suave da água lambendo as pedras da margem quebrava o silêncio. Chanyeol se deixou cair pesadamente em uma das rochas maiores, finalmente permitindo que toda a dor e frustração viessem à tona.
— Era só uma coisa... — sussurrou, a voz quebrando em um soluço contido. — Eu só queria que uma coisa desse certo e agora parece que perdi qualquer chance de ter algo certo na vida.
Como se respondendo ao seu lamento, um tentáculo massivo da lula gigante emergiu graciosamente da água escura, movendo-se com uma elegância quase hipnótica. Os tentáculos se curvaram em sua direção, como se o animal mágico pudesse sentir sua angústia.
— Você vive em um mundo só seu, não é? Cercado pelos seus, mas ainda assim diferente, como se ninguém pudesse realmente te ver. — Chanyeol murmurou, estendendo a mão trêmula, um sorriso triste passou por seus lábios. — Eu sei como é isso.
A lula gigante moveu seus tentáculos suavemente, criando ondas concêntricas na superfície do lago, e Chanyeol quase pôde imaginar que era uma forma de consolo. Ele deixou mais lágrimas caírem livremente, todo o peso da decepção e da rejeição familiar finalmente encontrando uma saída.
— Eu estudei tanto — sussurrou, a voz embargada. — Eu queria tanto provar que podia ser mais do que eles pensam... Mas talvez eles estejam certos. Talvez eu seja apenas um erro, uma anomalia que eles têm que suportar.
Foi então que ouviu passos suaves se aproximando. Chanyeol rapidamente tentou limpar as lágrimas, mas já era tarde demais. Uma figura familiar emergiu das sombras das árvores próximas.
Byun Baekhyun.
O sonserino mais popular de Hogwarts estava ali, suas vestes verde-escuras ondulando suavemente na brisa fresca do final da tarde. Sob a luz dourada do sol que começava a se pôr, seus cabelos negros pareciam brilhar ainda mais, e seus olhos escuros estavam fixos em Chanyeol com uma expressão de preocupação genuína que o ele nunca havia visto antes.
— Chanyeol? — A voz de Baekhyun era suave, quase hesitante. — Você está... você está bem?
O lufano abaixou a cabeça, envergonhado por ter sido pego em um momento tão vulnerável.
— Eu... eu deveria voltar para o castelo — murmurou, começando a se levantar.
— Espera. — A mão de Baekhyun tocou levemente seu ombro, impedindo-o de partir. Sua voz, no entanto, perdeu toda a suavidade e ganhou um tom cortante. — Eu ouvi o que aquele verme do Montrose disse para você. Ignore-o. A opinião de gente como ele não vale o ar que gasta para falar.
Chanyeol olhou para ele com surpresa.
— Você... você estava lá?
— Eu te vi saindo da sala de exames. — Baekhyun admitiu, uma leve vermelhidão subindo por seu pescoço. — Você parecia... destruído. Eu só queria ter certeza de que estava tudo bem.
— Por que você se importaria? — Chanyeol perguntou, genuinamente confuso. — Nós mal conversamos...
Baekhyun hesitou por um momento, seus muitos pensamentos travando uma batalha interna. Então, lentamente, ele se sentou na rocha ao lado de Chanyeol, mantendo uma distância respeitosa mas reconfortante.
— Porque eu sei o quanto isso significava para você — disse suavemente. — Todo mundo em Hogwarts sabe o quanto você se dedicou para conseguir aquela vaga. E eu sei como é ter sonhos que outras pessoas não conseguem entender.
Chanyeol o olhou com novos olhos.
— Baekhyun...
— Seus pais são... limitados — Baekhyun disse, a palavra soando como um insulto velado. — Você é brilhante, Chanyeol. Qualquer escola de magia se orgulharia de tê-lo. Se eles não enxergam isso, o problema é deles. E acredite, "limitados" é o maior elogio que eles jamais ouvirão de mim.
As palavras de Baekhyun o atingiram não como um bálsamo, mas como uma lufada de ar puro em um quarto que esteve abafado por anos. Chanyeol sentiu um nó doloroso em seu peito finalmente começar a se soltar, e as lágrimas que vieram a seus olhos desta vez não eram de tristeza, mas de um alívio tão avassalador que quase o fez engasgar. Ninguém nunca o havia defendido. Ninguém nunca o havia visto daquela forma.
A confissão escapou de seus lábios antes que ele pudesse contê-la, a cabeça baixa para que Baekhyun não visse as novas lágrimas.
— Eu não conseguia ler as perguntas nos N.O.M.s. — A voz dele tremeu, mal passando de um murmúrio. — Eu só conseguia ouvir a voz deles na minha cabeça... dizendo que eu era ingrato. Que eu já tinha Hogwarts, já tinha a magia, e ainda queria mais.
Uma lágrima solitária escapou, e ele a secou com raiva.
— Eles não autorizaram porque acham que eu não mereço. Que a felicidade que eu conquistei sozinho era um exagero que eles precisavam cortar. Como se eu fosse... um erro que eles são forçados a sustenta
Baekhyun se moveu, diminuindo a distância entre eles na rocha. Ele esperou até que Chanyeol, hesitante, erguesse o olhar. A intensidade nos olhos do sonserino era fria e analítica.
— Olhe para mim. — A voz dele era baixa, mas ressoava com uma certeza absoluta. — Ingrato? Eles te dão o mínimo e esperam que você renuncie a tudo que é em troca? Isso não é amor, Chanyeol. É controle.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Nunca mais confunda o medo deles com uma falha sua.
A intensidade nos olhos de Baekhyun fez o coração de Chanyeol tropeçar no peito. Não era uma sensação estranha, era... calor. Um calor que começou em seu esterno e se irradiou por cada veia, aquecendo a pele e afugentando o frio que parecia morar nele há tanto tempo.
— Baekhyun... — começou a dizer, mas as palavras morreram em seus lábios quando percebeu o quão próximos eles estavam agora.
O sonserino estava se inclinando para mais perto, seus olhos alternando entre os olhos de Chanyeol e seus lábios. O mundo parecendo encolher ao redor deles, e a brisa do fim da tarde prendia suas respirações.
— Chanyeol — murmurou, sua voz rouca com uma emoção que o Park não conseguia identificar completamente. — Eu...
E então, no calor daquele momento suspenso no tempo, com os últimos raios de sol pintando o lago de laranja e os tentáculos da lula gigante criando um balé silencioso na água, Baekhyun fechou a distância entre eles.
O beijo foi suave no início, hesitante, dando a Chanyeol todo o tempo do mundo para se afastar. Mas quando ele não recuou, quando suas mãos encontraram instintivamente o caminho para os ombros de Baekhyun, o beijo se aprofundou.
Era doce e salgado ao mesmo tempo, doce pela suavidade dos lábios de Baekhyun, salgado pelas lágrimas que ainda manchavam o rosto de Chanyeol. Era reconfortante e eletrizante, familiar e completamente novo. Por um momento, todo o resto do mundo desapareceu. Não havia N.O.M.s falhados, não havia Mahoutokoro perdida, não havia pais desaprovadores ou colegas cruéis. Havia apenas eles dois, e a sensação de que talvez, apenas talvez, Chanyeol não estivesse tão sozinho quanto pensava.
Quando finalmente se separaram, precisando de ar, o mundo voltou a existir com uma pressa violenta. Chanyeol piscou, ofegante, e viu seu próprio espanto refletido nos olhos escuros e arregalados de Baekhyun. Mas por baixo da surpresa, havia algo mais no olhar do sonserino: uma admiração genuína que fez Chanyeol corar violentamente.
Foi então que o som estridente de sinos do toque de recolher ecoou pelos terrenos de Hogwarts, cortando o momento como uma faca.
Chanyeol saltou para trás como se o som fosse um choque físico. A realidade e as consequências. Ele tinha beijado Byun Baekhyun . O pânico, frio e avassalador, tomou conta de seu rosto.
— Eu... eu tenho que ir — gaguejou, sem conseguir encará-lo. Sem esperar por uma resposta, ele saiu correndo em direção ao castelo, deixando Baekhyun sozinho nas margens do lago.
Baekhyun ficou ali, sentado na rocha, os dedos tocando inconscientemente seus próprios lábios. Seu primeiro beijo. Havia sido com Park Chanyeol. O garoto por quem era secretamente apaixonado desde... bem, não desde sempre, mas parecia uma eternidade. A paixão havia começado no terceiro ano, quando a Sonserina e a Lufa-Lufa passaram a dividir a aula de Transfiguração. De repente o mundo do Byun começou a orbitar em volta de uma estrela… alta e desajeitada com cara de cachorrinho abandonado, naquelas aulas ele sentiu seu coração tropeçar pela primeira vez.
Um sorriso bobo começou a se formar em seu rosto, mas foi interrompido quando um tentáculo da lula gigante emergiu da água com mais força, respingando a água gelada do lago sobre ele.
— Obrigado pela ducha fria — murmurou para a criatura, mas seu sorriso não desapareceu completamente.
Foi então que as palavras cruéis de Seiji Montrose voltaram à sua mente. O sorriso no rosto de Baekhyun se desfez instantaneamente, como uma máscara de vidro caindo e se quebrando. A alegria em seus olhos foi substituída por um brilho frio e calculista. O idiota havia ferido seu Chanyeol quando ele já estava em seu momento mais vulnerável, havia pisoteado nos sonhos dele só por puro sadismo.
Baekhyun se levantou da rocha, ajeitando suas vestes com um movimento predatório que seus amigos conheciam muito bem. Seus olhos brilhavam com uma determinação perigosa enquanto ele murmurava para a escuridão crescente, a voz baixa e letal:
— Parece que um certo corvo terá suas asas arrancadas por uma cobra hoje à noite.
[...]
As últimas semanas de férias se arrastaram como uma sentença para Chanyeol. Desde que voltara de Hogwarts, ele mal conseguia olhar para o próprio reflexo sem ser assombrado pela memória daquele fim de tarde nas margens do Lago Negro.
O beijo.
O beijo com Byun Baekhyun
Toda vez que fechava os olhos, sentia novamente os lábios quentes e macios pressionados contra os seus, o cheiro do perfume caro e a sensação de dedos entrelaçados em seus cabelos. Era impossível processar que seu primeiro beijo havia sido com ele — o príncipe de Sonserina, o garoto mais desejado de toda Hogwarts, aquele que podia ter qualquer pessoa que quisesse.
“Por que ele me beijou?”
Se perguntava pela milésima vez, ajeitando a gravata desconfortável que sua mãe havia escolhido para o evento.
“Foi só pena? Impulso? Será que nem lembra?”
A Casa dos Park estava agitada há dias. O noivado de Chanseok, o filho mais velho, seria o evento social da temporada. Empresários importantes, políticos locais, famílias da alta sociedade, todos estariam lá para testemunhar a união entre os Park e os Hayes, duas das famílias mais influentes da região.
— Park Chanyeol! — A voz estridente de sua mãe cortou sua lembrança. — Venha aqui imediatamente!
Ele suspirou, endireitando os ombros antes de descer as escadas. O hall havia sido transformado em algo saído de uma revista, com arranjos florais elaborados e decoração em tons de rosa e dourado. Dezenas de pessoas já circulavam pelo ambiente, conversando em grupos seletos.
— Ah, finalmente. — Sua mãe o examinou com um olhar frio e calculista. — Você está apresentável. Lembre-se: nada de conversas estranhas, nada de mencionar aquela sua escola ou fazer suas esquisitices. Como sempre, se perguntarem, você está estudando em um internato preparatório tradicional. Entendeu?
— Sim, senhora — as palavras saíram automáticas, um roteiro ensaiado.
— E sorria um pouco, pelo amor de Deus. Você parece que está indo para um funeral.
“Talvez eu esteja” , pensou Chanyeol, forçando os cantos dos lábios para cima.
As próximas duas horas foram uma sucessão interminável de apertos de mão forçados e conversas superficiais. Foi durante uma dessas conversas forçadas que sua tia Seoyeon decidiu atacar, como sempre fazia em reuniões familiares.
— Nossa, Chanyeol, — disse com aquele sorriso falso que nunca enganava ninguém — você cresceu, mas continua tão magrinho. Olha só o Chanseok, que homem ele se tornou! Já noivo, assumindo os negócios da família… — Ela suspirou dramaticamente. — Quando você vai seguir o exemplo do seu irmão?
— Eu ainda estou estudando, tia. — A voz saiu mais tensa do que pretendia.
— Ah, sim, esse tal internato. — Ela trocou um olhar cúmplice com a mãe dele. — Sabe, Chanyeol, não é todo mundo que precisa de uma educação tão... especial. O Seok se formou aqui mesmo no St. Augustine e olha onde chegou. Às vezes é melhor ser normal, não acha?
Chanyeol cerrou os punhos discretamente. Normal. Como se ele tivesse escolhido ser diferente.
— Chanyeol tem seu próprio caminho — disse sua mãe, mas o tom não era defensivo, era desculpas.
— Claro, claro. — Tia Seoyeon sorriu condescendente. — Ainda bem que vocês têm o mais velho para carregar o nome da família, não é? Pelo menos um filho que deu certo.
A frase pairou no ar, brutal e definitiva. Chanyeol murmurou uma desculpa qualquer e se afastou, abrindo caminho entre os convidados com a urgência de um homem se afogando. A porta de vidro que levava ao jardim pareceu um portal para a salvação. O ar frio da noite atingiu seu rosto, e ele respirou fundo, o oxigênio gelado queimando seus pulmões, mas limpando a névoa de humilhação.
Foi quando seus olhos se ajustaram à penumbra do jardim que ele o viu. Do outro lado do gramado, parcialmente oculto pela sombra de um salgueiro, estava uma figura que não pertencia àquele lugar. Não era a roupa trouxa, um terno escuro bem cortado, mas a postura. Uma elegância relaxada, uma confiança silenciosa que Chanyeol só via em bruxos de famílias antigas. O cabelo escuro, o perfil afiado sob a luz que vinha da casa...
O ar ficou preso em sua garganta. Baekhyun?
Não , ele recuou um passo, sacudindo a cabeça. Você está quebrando. Está tão desesperado para escapar que sua mente está criando alucinações.
[...]
Algumas horas antes
— Outra vez, nada — Baekhyun rosnou, amassando o pergaminho com frustração. A caligrafia apressada de sua coruja espiã informava apenas que "o jovem Park foi visto lendo no jardim". Inútil. Semanas de relatórios inúteis. Semanas em que a imagem do rosto chocado de Chanyeol fugindo dele o assombrava todas as noites.
“ Será que eu o assustei? Será que ele achou que era uma piada?”
A incerteza o estava corroendo por dentro, mas ele ainda não tinha encontrado a oportunidade perfeita para falar com ele.
— Jovem senhor — a voz aguda de LiuBai, seu elfo doméstico pessoal, ecoou pelo quarto suntuoso —, a coruja trouxe mais informações sobre a casa do jovem Park.
— E? — Baekhyun se virou, a esperança faiscando em seus olhos.
— Hoje à noite é a festa de noivado do irmão mais velho. Muitos convidados, muito movimento. — Os grandes olhos do elfo brilharam com uma astúcia que ia além da de um simples servo. — Talvez seja a oportunidade que o jovem senhor procura?
Baekhyun ponderou, os dedos tamborilando em sua escrivaninha de carvalho. Infiltrar-se em um ninho de trouxas barulhentos. Era arriscado, estúpido, perigoso, mas ao mesm tempo era perfeito. Ele não aguentava mais um dia sem saber o que Chanyeol pensava.
— Prepare uma veste para mim, LiuBai — ordenou. — E a poção para desodorizar trouxas. Não quero ficar com o cheiro deles impregnado.
Duas horas depois, Baekhyun estava encolhido atrás de uma sebe no impecável jardim dos Park. Foi fácil localizar Chanyeol, um farol de infelicidade em um mar de sorrisos falsos. Alto demais, curvado em um terno que não parecia seu, ele tinha a exata postura de quem rezava para que o chão o engolisse. O coração de Baekhyun apertou.
Mas foi quando a brisa trouxe fragmentos da conversa que seu sangue ferveu.
"...pelo menos um filho que deu certo."
Baekhyun viu o rosto de Chanyeol se contorcer em uma máscara de dor silenciosa, viu-o se afastar com os ombros tensos. A raiva que tomou conta do sonserino foi fria e precisa.
Como aqueles vermes medíocres ousavam?
Como ousavam tratar seu Chanyeol, brilhante, gentil, a alma mais resiliente que ele já conhecera, como algo descartável?
— LiuBai — sibilou, a voz baixa e perigosa, sabendo que o elfo estava por perto.
Pop. O elfo apareceu ao seu lado, praticamente invisível contra a escuridão.
— Jovem senhor?
— Preciso de uma distração. Algo que cause confusão suficiente para eu tirar Chanyeol daqui sem ser notado. — Os olhos de Baekhyun brilhavam com uma luz predatória na penumbra. — E que, de preferência, ensine a essa gente que há consequências em menosprezar quem não devem.
— Que tipo de distração o jovem senhor deseja?
Baekhyun olhou para a fonte ornamental e para os arranjos florais perfeitos, um sorriso cruel se formando em seus lábios.
— Use sua criatividade. Mas lembre-se: o alvo não é o Chanyeol. Apenas... crie um caos memorável o suficiente para estragar a noite de todos os outros.
LiuBai sorriu, uma expressão um tanto assustadora em um elfo doméstico.
— LiuBai entende perfeitamente, jovem senhor.
[...]
Chanyeol ainda tentava convencer a si mesmo de que Baekhyun era uma alucinação quando um som borbulhante e úmido cortou o ar, vindo do jardim. Um gorgolejar nojento.
Primeiro foi a fonte. Alguns convidados se viraram a tempo de ver a água cristalina ser substituída por um líquido espesso e marrom que fedia a esgoto. Gritos de nojo ecoaram, mas foram imediatamente abafados por uma nova onda de pânico vinda do buffet.
A comida apodrecia com um som sibilante e úmido, se desfazendo em tempo real, liberando uma nuvem física de podridão que fez os convidados recuarem, engasgando. Os arranjos florais murcharam instantaneamente, suas cores vibrantes se tornando um preto fúnebre e pegajoso.
No meio do pandemônio, um único som se ergueu, mais aterrorizante que qualquer grito: a voz de seu pai.
— CHANYEOL!
O nome dele, cuspido como uma maldição. O som fez o mundo parar. De repente, cada par de olhos naquela sala — chocados, enojados, curiosos — estava fixado nele. Ele era o centro do desastre.
— O que diabos você fez dessa vez? — O rosto do Sr. Park estava de um vermelho furioso enquanto ele marchava em sua direção.
— Eu não...
— NÃO MINTA PARA MIM! — O pai o agarrou pelo braço, o aperto como ferro, as unhas cravando em sua pele. — Você é a única aberração nesta casa capaz de fazer... isso !
Chanyeol olhou ao redor, o pânico subindo por sua garganta como bile. Como ele poderia provar sua inocência? Para eles, sua magia não era um dom; era uma falha, a fonte de todo o mal.
— Por favor — tentou, a voz esganiçada. — Eu juro, não fui eu. Eu nem...
Mas seus pais não estavam ouvindo. A festa havia se tornado um pandemônio. Convidados fugiam do fedor, copos se estilhaçavam, e o bolo de três andares foi ao chão, um monumento de açúcar destruído no mármore.
— Décadas — sussurrou a mãe de Chanyeol, mas não havia tristeza em sua voz, apenas o gelo da humilhação social. Seus olhos não estavam em Chanyeol, mas no desastre, calculando os danos à sua reputação perfeita. — Décadas construindo nossa reputação nesta cidade, e você... você destruiu tudo em cinco minutos
— Mãe, eu...
— CALE A BOCA! — O pai o agarrou pelos ombros, sacudindo-o com força, fazendo o mundo de Chanyeol girar. — Chega de magia, chega de aberrações! Você não vai voltar para aquela escola de anormais no ano que vem!
As palavras o atingiram com a força de uma Maldição Imperdoável. Não voltar para Hogwarts. O mundo de Chanyeol, já frágil, se estilhaçou. Hogwarts não era uma escola. Era sua casa. Sua vida. O único lugar onde ele podia respirar.
Seus olhos procuraram o jardim automaticamente, uma prece desesperada, mas o lugar onde vira Baekhyun estava, e sempre esteve, vazio. A esperança era uma alucinação, afinal.
— Subam esse moleque para o quarto — ordenou seu pai aos empregados, que se aproximaram com os rostos cheios de pena. — E tranquem a porta. Não quero ver a cara dele por meses.
Enquanto era arrastado escada acima, a última coisa que Chanyeol viu foi o bolo de noivado espatifado no chão, uma metáfora perfeita para sua vida.
[...]
Baekhyun assistiu a tudo, paralisado e escondido nas sombras, o horror gelando seu sangue. Cada grito, cada acusação injusta, era uma facada em seu peito. Quando o pai de Chanyeol o agarrou, um rosnado involuntário escapou dos lábios de Baekhyun. Ele deu um passo à frente, a varinha já em sua mão, antes de se forçar a parar. Intervir agora só provaria que eles estavam certos. Só condenaria Chanyeol ainda mais.
Ele viu, impotente, enquanto Chanyeol era arrastado para dentro, derrotado.
— LiuBai — sibilou, a voz carregada de um pânico desesperado —, desfaça isso. Agora. Faça tudo voltar ao normal.
— LiuBai não pode, jovem senhor — a voz do elfo era um sussurro aflito, cheio de um pesar genuíno. — A magia da travessura foi tecida. Ela deve seguir seu curso. Desfazê-la abruptamente deixaria um rastro que o Ministério detectaria em segundos.
Baekhyun cerrou os punhos, a madeira da varinha se cravando em sua palma. A luz do quarto de Chanyeol se acendeu no segundo andar, e lá estava ele... uma silhueta solitária sentada na cama, um prisioneiro em seu próprio quarto, ainda vestindo o terno amarrotado da festa que deveria ter sido sua humilhação, mas que se tornou sua prisão.
“O que foi que eu fiz?” O pensamento não era uma pergunta, era uma condenação. Ele, seu elfo e sua magia poderosa, haviam invadido o frágil mundo de Chanyeol e o quebrado. Ele não o salvara; ele o havia enjaulado.
E agora Chanyeol estava lá em cima, sozinho, sem dúvida se culpando, pensando que sua própria magia havia se voltado contra ele, carregando um fardo que pertencia a Baekhyun.
Ele ficou ali, no frio crescente da noite. Apenas aquela única janela permaneceu acesa, um farol de sua culpa. Ele a observou por uma hora, talvez mais, até que a escuridão finalmente a engoliu.
Só então ele se virou, o movimento rígido e doloroso. Pela primeira vez ele causou um desastre do qual não se orgulhava, afinal o resultado foi ver seu lufano sendo tratado como um criminoso.
[...]
A Mansão Byun parecia ainda mais imponente à luz do luar, suas torres góticas e gárgulas ornamentais criando sombras dramáticas nos jardins perfeitamente cuidados.
Baekhyun aterrissou suavemente nos portões, sua silhueta refletida no mármore negro do caminho. Antes mesmo que pudesse alcançar a porta, ela se abriu com um rangido teatral que seus pais adoravam manter para "atmosfera adequada".
LiuBai apareceu ao seu lado e pegou a vassoura das mãos do Byun, fazendo uma reverência profunda antes de desaparecer com outro pop silencioso.
— Baekhyun-ah — A voz melodiosa de sua mãe ecoou pelo hall. — Que bom que voltou, querido. Sua presença é requerida no escritório, temos uma carta muito interessante do Ministério para discutir com você.
“Merda” , pensou Baekhyun.
Encontrou os pais no escritório. Lorde Taekros Byun estava de pé atrás da poltrona de couro de sua esposa, Madame Serin, os dedos enredados em seus longos cabelos negros. Ambos ergueram o olhar quando Baekhyun entrou, o mesmo sorriso divertido e ligeiramente perigoso espelhado em seus rostos. O pergaminho do Ministério estava casualmente colocado ao lado dela, como se fosse uma nota social qualquer.
— Meu pequeno causador de problemas — disse Taekros com um gesto teatral, mas um sorriso nos lábios. — Sente-se. Vamos desvendar esse drama.
Baekhyun obedeceu, sentindo o peso do julgamento silencioso dos retratos de seus ancestrais alinhados nas paredes. Seus olhos, tão astutos e determinados quanto os dele, pareciam sussurrar: "Um Byun não é apanhado."
Seorin apontou para o pergaminho com o selo do Ministério.
— Parece que nosso LiuBai se empolgou um pouco... Magia residual de elfo em um evento dos trouxas e na presença de dois menores identificados... você e... ah, que interessante... o jovem Park Chanyeol. Aquele talento nascido-trouxa da Lufa-Lufa. — Seus olhos se fixaram em Baekhyun, uma sobrancelha perfeitamente arqueada. — Estávamos cientes de seu interesse pelo garoto. Mas admito que subestimamos a intensidade do seu cortejo.
O rosto de Baekhyun aqueceu, mas não de vergonha. Era a cor da frustração pura. Claro que eles sabiam. Ele nunca escondeu seu fascínio por Chanyeol. O que o humilhava era o fato de que sua primeira grande tentativa de agir sobre essa paixão havia resultado em um fracasso tão espetacular e, pior, tornado público para sua família.
Taekros emitiu um som baixo, quase um rugido de satisfação.
— Um caos em uma celebração de trouxas? Que peça de teatro deliciosamente vulgar. Um nascido-trouxa com poder suficiente para incitar tal pandemônio... e cativar a atenção de um Byun. Isso é... notável. — Ele se virou para a esposa, um brilho de genuíno interesse nos olhos. — Parece que criamos um romântico estratégico, amor.
— Estratégia é uma palavra generosa para isto, querido — contrapos Serin, seu olhar nunca deixando Baekhyun, um sorriso quase imperceptível tocando seus lábios. — Baekhyun-ah, meu filho, não questionamos sua motivação. A lealdade a um interesse romântico é uma virtude Byun, ainda que... vigorosamente executada. Questionamos sua tática . Empregar a magia da família, nossos elfos, em um palco tão... mundano ... e sem a devida consulta? E, crucialmente, qual era o objetivo final?
A pergunta, feita com uma doçura cortante, arrancou o ar de Baekhyun. Eles não estavam irados pelo caos, mas pela falta de sofisticação ao ter sido detectado pelo Ministério da Magia.
— Eu... fui lá pra falar com ele — a voz de Baekhyun saiu mais fraca do que ele gostaria. — Depois do que aconteceu... depois do beijo... a gente não se falou. Eu fui um covarde. E eu percebi que não podia deixar ele no escuro, pensando que aquele beijo não significou nada pra mim. Eu precisava me explicar. Dizer que eu me importo.
Ele respirou fundo, olhando para as mãos.
— Eu sabia que ia ser um evento horrível pra ele. Achei que se eu causasse uma distração... algo que chamasse a atenção de todo mundo... eu poderia roubar um minuto com ele. Só um minuto. Ordenei ao LiuBai que causasse um alvoroço. Só um pequeno alvoroço. — Sua voz falhou. — Mas eu estava com raiva. Eu vi eles humilhando ele, tratando ele como se a magia dele fosse uma doença. Aqueles... trouxas . E a minha raiva... deve ter passado pra ordem. O LiuBai exagerou. E deu tudo errado. Chanyeol levou a culpa por algo que eu causei.
A palavra "culpa" ecoou na sala. Baekhyun se lembrou do olhar confuso e machucado de Chanyeol sendo levado embora.
— Uma combinação clássica para o desastre. Nunca peça uma distração pra uma criatura mágica se você quer um sussurro. Eles só sabem fazer estrondo. — comentou Taekros, como se estivesse analisando uma peça de teatro, com um misto de reprovação e diversão.
— Um plano que termina com o objeto de sua afeição pagando o preço é, por definição, um plano falho, Baekhyun — observou Serin com sua franqueza habitual. — Um Byun protege o que é valioso, não o coloca na linha de fogo.
Nesse momento, uma pequena figura irrompeu na sala. Baekyeon a irmã mais nova, com a varinha de brinquedo em punho.
Hades, o gato, começou a brilhar com um intenso tom de púrpura neón, miando ofendido.
— Ah, magnífico! — Taekros suspirou, lágrimas de orgulho brilhando em seus olhos. — Que precisão! Já supera os feitiços de muitos do terceiro ano, minha pequena serpente! A translucidez cromática é impecável!
Baekyeon deu uma risadinha e tentou escapar, mas seu pai, com um sorriso largo, girou elegantemente a sua própria varinha. Uma barreira invisível e suave impediu-a de alcançar a porta, fazendo-a ricochetear para trás.
Ele apanhou-a ao colo.
— Venha, prodígio, vamos testar se consegue alterar a cor das chamas da lareira sem incinerar as cortinas. — Virou-se para a esposa. — Querida, você é a melhor para lidar com nosso filho. Tenho que ir, assuntos prementes de magia experimental me aguardam.
Serin esperou que a porta se fechasse e voltou-se para Baekhyun, o tom agora sério e maternal.
— A nobreza de nossa casa, meu bem, não reside em subterfúgios ou em tramoias mal concebidas. Um Byun assume seus erros de frente e conquista o que deseja com inteligência e coragem.
— Não demore para contar a verdade para esse garoto. Toda ela. O beijo, o arrependimento, a tentativa falha de ajudar. Deixe claro: 'A culpa foi minha, não sua'. Senão, você vai machucá-lo não com feitiços, mas com sua covardia. — Ela fez uma pausa. — E se continuar tomando decisões por ele, 'pelo bem dele', você não é melhor que aquela família trouxa medíocre que ele tem.
As palavras atingiram Baekhyun como um feitiço de gelo. Ela estava certa.
— O que eu faço? — sua voz saiu quebrada, a fachada do sonserino confiante completamente despedaçada.
— Você vai até ele — disse ela, firmemente. — E se explica. Como um homem, não como um garoto assustado. — Ela se ergueu, passando a mão pelo cabelo dele. — E querido... se a magia escolheu aquele garoto, se ele é tão especial a ponto de fazer você perder a cabeça assim, ele merece saber que tem ao seu lado alguém disposto a ser tolo e corajoso por ele.
Enquanto subia a escadaria de mármore para o seu quarto, Baekhyun parou em frente à galeria de retratos de seus ancestrais. Todos o encaravam com a mesma determinação afiada que ele via em seu próprio reflexo.
A promessa queimou em seu peito, mais forte que qualquer feitiço. Ele tinha feito tudo errado. Mas não ia fugir de novo.
“Nunca mais. Nunca mais ninguém fará Chanyeol sofrer. Especialmente eu.”
[...]
O quarto de Chanyeol era a sua prisão dourada. Faltava um dia para o Expresso de Hogwarts partir, e cada segundo que passava era um grão de areia caindo em uma ampulheta que media o fim de sua vida como a conhecia. As duas semanas de confinamento o haviam deixado com a companhia de livros trouxas que ele não lia e de pensamentos que giravam em um ciclo torturante.
Ele se levantou e foi até a janela, um ritual que repetia dezenas de vezes ao dia. O jardim, quase recuperado do desastre da festa de noivado, era um lembrete constante da injustiça que o aprisionara. Mas o caos daquele dia era apenas um eco de um desastre mais antigo, o do final do quinto ano.
Sua mente o arrastou de volta para as margens do Lago Negro. No último dia de aula ele tinha ido para lá fugindo de tudo, chorando, escondido do mundo, quando uma figura se sentou ao seu lado.
Baekhyun.
Chanyeol fechou os olhos, a lembrança ainda vívida o suficiente para fazer seu coração doer. A sensação dos lábios de Baekhyun contra os seus, quentes e surpreendentemente macios. O cheiro do perfume caro misturado com algo que era puramente ele.
E então, o pânico.
Aquele calor, aquela gentileza... era demais. Intenso demais para sua mente já em frangalhos. E ele fizera a única coisa que sabia fazer quando estava sobrecarregado: ele correu. Fugindo (de novo) de volta para o castelo, deixando Baekhyun sozinho na margem do lago.
O verão inteiro foi uma consequência daquele ato de covardia. Como ele poderia mandar uma coruja? O que ele diria? O silêncio se estendeu, alimentado por sua própria vergonha.
E agora, para onde ele voltaria, mesmo que conseguisse escapar? Kyungsoo, já tinha partido para a França.
A ideia de um plano de fuga parecia fútil. Usar magia era suicídio ministerial. Pedir ajuda? A quem? A solidão era uma parede alta e lisa.
O nome de Baekhyun surgiu, como sempre fazia, uma mistura de esperança e mortificação.
Ele se afastou da janela e voltou para a cama, o peso da realidade esmagando a calidez da lembrança. Seu melhor amigo se fora. O garoto que o beijou provavelmente pensava que ele era um covarde. E ele estava preso.
O silêncio que se seguiu à sua conclusão desesperada — sozinho, completamente e irremediavelmente sozinho — foi quebrado. Não por uma voz familiar, mas por uma batida firme e autoritária na porta da frente, um som que não pertencia à monotonia controlada daquela casa.
Chanyeol ouviu os passos apressados de sua mãe, sua voz tensa e irritada. Uma discussão abafada. Minutos depois, a chave girou na fechadura de seu quarto.
— Chanyeol — a voz dela era uma ordem disfarçada de pedido —, desça. Temos uma visita.
Confuso e receoso, ele obedeceu. E parou no meio da escada, o ar faltando em seus pulmões. Sentada impecavelmente na sala de estar, fazendo seus pais parecerem meros alunos em detenção, estava a diretora de Hogwarts.
— Professora McGonagall?
— Sr. Park — ela assentiu, mas seus olhos penetrantes estavam fixos nele, e por um instante, Chanyeol sentiu um calor que não vinha do sol. — Tive uma conversa muito... esclarecedora com seus pais sobre seus planos educacionais. Sente-se.
Ele se sentou na beirada de uma poltrona, as mãos suando.
— Chegou ao meu conhecimento que o sr não retornaria a Hogwarts — começou ela, direta. — Devido a um... incidente.
A vergonha o atingiu como uma onda física. Ela sabia. O mundo inteiro sabia.
— Incidente este que, segundo o relatório oficial do Ministério da Magia, não teve absolutamente nenhuma participação sua — McGonagall continuou, sua voz cortando o ar como vidro. — O senhor é, para todos os efeitos legais, inocente.
A palavra ecoou na mente de Chanyeol. Inocente? Ele olhou para seus pais, que se encolheram no sofá.
— Professora... — começou seu pai, com um tom arrogante. — O que acontece no mundo de vocês não nos diz respeito. Nossa decisão é sobre garantir que Chanyeol tenha uma vida normal, respeitável.
McGonagall arqueou uma sobrancelha, uma expressão que faria um Ministro da Magia repensar suas decisões.
— "Respeitável", Sr. Park? Seu filho foi selecionado para um intercâmbio em Mahoutokoro, uma honra acadêmica de prestígio internacional que ele perdeu por sua recusa. Ele tem o potencial para posições de grande influência e poder. Acha mesmo que trocá-lo por uma escola trouxa qualquer é uma decisão "respeitável"?
— Nós não queremos aberrações nesta casa! — explodiu a mãe de Chanyeol.
— Então sugiro que tomem cuidado — retrucou McGonagall, a voz baixando para um nível perigosamente calmo. — Porque a magia suprimida tem o hábito de se manifestar de formas... incontroláveis. Imagine, se quiser, um outro surto mágico imprevisível durante um de seus jantares de gala. Um escândalo que nem todo o seu status conseguiria abafar. O Ministério teria que intervir. Aurores, Obliviadores... uma mancha permanente em sua reputação perfeita.
O silêncio que se seguiu foi total. Chanyeol viu a cor sumir do rosto de seus pais. McGonagall não estava mais falando de educação; estava falando de destruição social. A única ameaça que eles entenderiam.
— Ele é um bruxo. Um fato imutável — declarou a diretora. — A única escolha que os senhores têm é se ele se tornará um bruxo controlado, brilhante e que trará honra ao nome da família em círculos de poder que vocês nem imaginam... ou uma bomba-relógio esperando para destruir tudo que vocês construíram. A decisão é sua.
Chanyeol observou, fascinado, a batalha silenciosa. Não era sobre amor. Era sobre medo.
— Ele pode voltar — disse seu pai finalmente, a voz tensa. — Mas sem problemas.
— Excelente — McGonagall se levantou, vitoriosa. — Sendo assim, o Sr. Park virá comigo agora. Ele precisa comprar seus materiais e eu o acompanharei pessoalmente até a plataforma amanhã.
Ela se virou para Chanyeol, com um olhar cúmplice sobre os óculos, entregou-lhe o pergaminho oficial.
— Esta é sua cópia do relatório do Ministério. Creio que achará... esclarecedor.
Chanyeol pegou a carta com mãos trêmulas e, quando seus olhos percorreram o texto oficial, seu coração quase parou:
"Incidente mágico registrado em residência trouxa. Elfos domésticos sob comando realizaram magia não autorizada. Menores de idade presentes no local: Park Chanyeol e Byun Baekhyun. Nenhuma magia realizada pelos menores detectada."
Byun Baekhyun.
Ele estava lá. Ele realmente estava lá. E de alguma forma... seus elfos haviam causado toda aquela destruição.
Mas por quê?
[...]
Baekhyun estava deitado no chão de seu quarto, encarando o teto ornamentado quando LiuBai apareceu com um pop discreto.
— Jovem senhor — o elfo disse, seus grandes olhos brilhando de excitação — LiuBai tem notícias importantes.
Baekhyun se sentou imediatamente. Nas últimas semanas, havia mandado sua coruja espiã vigiar a casa dos Park quase constantemente, esperando por qualquer sinal de mudança na situação.
— O que aconteceu?
— A diretora McGonagall esteve na casa dos Park hoje — LiuBai relatou. — Ela saiu com o jovem Park e o acompanhou até um lugar no mundo bruxo. Ele estava carregando um baú escolar.
O coração de Baekhyun disparou.
— Ele... ele vai voltar para Hogwarts?
— Parece que sim, jovem senhor. A coruja relatou que houve uma longa conversa na sala, e depois os pais trouxas pareciam... menos hostis.
Baekhyun se levantou de um pulo, uma mistura de alívio e nervosismo tomando conta dele. Chanyeol ia voltar. Ele havia conseguido, ou melhor, a professora McGonagall havia conseguido resolver a situação.
Mas isso também significava que ele teria que enfrentar Chanyeol em Hogwarts. Teria que explicar tudo. Teria que lidar com as consequências de suas ações.
E se ele me odeia? A dúvida familiar voltou a atormentá-lo. E se descobriu que fui eu e nunca mais quer me ver?
Mas então se lembrou das palavras de sua mãe: Se esse garoto é realmente tão especial quanto você acredita, então ele merece saber que tem alguém disposto a lutar por ele.
— LiuBai — disse finalmente, a determinação voltando à sua voz — prepare minhas coisas. Vamos voltar para Hogwarts.
E desta vez, ele não fugiria. Não importava o que acontecesse, ele diria a verdade para Chanyeol. Toda a verdade.
[...]
O balanço suave do Expresso de Hogwarts era um som familiar, mas, pela primeira vez, não trazia conforto a Chanyeol. Encostado na janela de um compartimento vazio, ele se sentia um estranho em seu próprio caminho de volta para casa. A ausência de Kyungsoo ao seu lado era uma dor aguda, um lembrete constante de que enfrentaria o sexto ano sozinho.
Mas sob a melancolia da solidão, uma ansiedade mais complexa fervia. A carta do Ministério, que ele já sabia de cor, estava guardada em seu malão. Byun Baekhyun . Uma parte dele, a parte confusa, exigia respostas. Queria encontrar o sonserino e confrontá-lo sobre o caos do noivado, sobre o beijo, sobre o silêncio. A outra parte, a exausta, só queria paz. Queria esquecer tudo, focar nos estudos e sobreviver ao ano letivo sem mais drama. Ele suspirou, a decisão se solidificando com pesar. Esquecer. Era mais seguro.
Foi então que a porta do compartimento deslizou, revelando a fonte de todo o seu dilema.
Baekhyun estava parado ali, as mãos nos bolsos de suas vestes impecáveis, mas sua postura era tensa. Ele parecia ter ensaiado mil frases e esquecido todas no instante em que seus olhos encontraram os de Chanyeol.
— Desculpe — disse Baekhyun, a voz mais baixa que o normal. — Os outros vagões estão cheios. Posso?
O coração de Chanyeol deu um salto. Ele apenas acenou, as orelhas esquentando.
Baekhyun entrou e sentou-se no banco oposto. O silêncio que se instalou era denso, carregado com o peso de tudo o que havia acontecido. Por um momento, Chanyeol pensou que seu plano de "esquecer" seria fácil; bastava não dizer nada.
— Você não estava chorando, estava? — perguntou Baekhyun, o tom genuinamente preocupado, quebrando o silêncio.
A pergunta pegou Chanyeol desprevenido, e sua boca se moveu mais rápido que seu cérebro, o sarcasmo sendo (incrivelmente) sua única defesa.
— Por quê? Vai me dar outro beijo?
Assim que as palavras saíram, Chanyeol se arrependeu, o rosto queimando. Mas para sua surpresa, um pequeno sorriso genuíno curvou os lábios de Baekhyun.
— Se você me pedisse, eu não negaria — respondeu ele, a voz baixa e séria, mantendo o olhar de Chanyeol.
O ar no compartimento, antes pesado, de repente ficou mais leve. Chanyeol se pegou sorrindo de volta, um sorriso pequeno, mas real. Naquele momento, eles não eram o garoto quieto e o senhor popular com um milhão de coisas não resolvidas. Eram apenas... eles. E, para o espanto de Chanyeol, estar ali com Baekhyun pareceu a coisa mais natural do mundo.
A intensidade do olhar de Baekhyun, no entanto, o deixou sem graça, e ele sentiu a necessidade de quebrar o silêncio.
— Foi mal... eu não devia ter dito aquilo sobre o beijo — murmurou Chanyeol, olhando para as próprias mãos. — É que... — ele hesitou, tomando coragem — aquele foi meu primeiro beijo. Então eu fico meio... sem saber como agir.
Baekhyun o encarou, a surpresa genuína em seu rosto suavizando ainda mais suas feições. Ele não zombou, nem pareceu presunçoso. Apenas processou a informação por um instante.
— Seu primeiro? — perguntou ele, a voz baixa e com um leve tom de alívio.
Chanyeol assentiu, esperando o golpe, a piada. Mas ela não veio.
— Então nós temos isso em comum — disse Baekhyun, e a sinceridade em sua voz quebrou as últimas defesas de Chanyeol. — Porque aquele também foi o meu primeiro beijo.
Chanyeol ergueu o olhar, incrédulo.
— Seu? Duvido. Você é... você.
— Por que a surpresa? — Baekhyun inclinou a cabeça, o olhar percorrendo o rosto de Chanyeol como um mestre avaliando uma obra de arte. — Você visita centenas de galerias, vê milhares de cópias... mas guarda seu apreço para a obra-prima. Eu não ia gastar meu primeiro beijo em uma imitação.
A revelação pairou no ar. O primeiro beijo dele também . A pequena chama de esperança que Chanyeol tentava apagar voltou a brilhar.
— Então por que... — ele começou, a pergunta mais importante de todas, prestes a ser feita.
A porta do compartimento deslizou abruptamente.
— Opa, desculpem — Minseok apareceu, o distintivo de monitor brilhando em seu peito. — Baek, a reunião de monitores. O professor Frank está chamando.
Baekhyun fechou os olhos, uma expressão de pura frustração em seu rosto. Ao abri-los, olhou para Chanyeol, e havia uma promessa ali.
— A gente... a gente se vê no castelo? — ele perguntou, levantando-se a contragosto. — Precisamos terminar essa conversa.
Chanyeol apenas conseguiu acenar. Enquanto a porta se fechava, ele notou o distintivo no peito de Minseok. Ele também poderia ter sido monitor este ano, mas os candidatos ao intercâmbio só podiam aceitar o cargo no quinto ano. Outra coisa que ele havia perdido.
Mas a melancolia durou pouco, substituída por uma urgência ansiosa. O dilema de antes, de esquecer ou confrontar, havia desaparecido. A conversa fora... fácil. Natural. Agora, mais do que nunca, ele não queria apenas respostas; ele queria mais daquela sensação.
Ele precisava terminar aquela conversa. E, pela primeira vez, a ideia não o assustava. Pelo contrário, o enchia de uma expectativa que ele não ousava nomear.
[...]
Com a promessa feita no trem ainda ecoando em sua mente, Baekhyun chegou a Hogwarts com uma única missão: encontrar Chanyeol. No entanto, parecia que o universo, que por anos havia conspirado para mantê-los em órbitas separadas, agora conspirava ativamente para impedir qualquer colisão. De repente, todos em Hogwarts precisavam de um pedaço de Byun Baekhyun.
A primeira tentativa veio no início das aulas de Feitiços da sexta-feira quando Baekhyun chegou propositalmente atrasado, com um plano simples: a maioria das mesas estaria ocupada, dando-lhe a desculpa perfeita para se sentar no único lugar vago... ao lado de Chanyeol. Seus olhos encontraram imediatamente a mesa no meio da sala onde o lufano estava sozinho. Perfeito.
Mas sua estratégia foi por água abaixo quando uma voz desconhecida e excessivamente animada o interceptou.
— Ah, Sr. Byun, que ótimo! — disse o Professor Gomez, o substituto temporário de Feitiços, um bruxo baixo com um bigode que parecia ter vida própria. — Junte-se a nós! Estava justamente sorteando as duplas para o Feitiço de Animação de hoje!
Antes que Baekhyun pudesse protestar, pequenos pergaminhos saíram voando da varinha do professor, cada um carregando o nome de um aluno.
— Kim Jongdae, você fará par com... Liam Vance! — anunciou Gomez, enquanto os pergaminhos dançavam no ar. — Baekhyun Byun, sua dupla será... Im Jae-beom! E, finalmente, Chanyeol Park... você trabalhará com Finnian O'Malley!
Baekhyun assistiu, a mandíbula cerrada, enquanto Chanyeol se levantava e se dirigia para a mesa de Finnian no outro lado da sala. Por um breve instante, seus olhares se cruzaram sobre o burburinho da classe. Não havia engano: a mesma frustração impotente que Baekhyun sentia estava perfeitamente espelhada nos olhos de Chanyeol antes que ele se virasse.
[...]
A biblioteca ao final da tarde era um santuário. O único som era o sussurro ocasional de páginas se virando sozinhas para se limparem e o cheiro de poeira mágica e pergaminho antigo. Baekhyun entrou, usando a desculpa de procurar um livro de Runas, mas seus olhos varriam o local com um propósito diferente. Ele procurava por cabelos escuros e ombros largos...
E então ele o viu. No canto mais afastado, sob a luz dourada de uma única vela flutuante, Chanyeol dormia.
Sua cabeça estava aninhada sobre os braços cruzados, o rosto virado na direção de Baekhyun. As pestanas longas criavam sombras suaves em suas bochechas, e seus lábios estavam ligeiramente entreabertos. No sono, ele parecia mais jovem, despojado de toda a ansiedade que carregava durante o dia. Livros de Poções avançadas estavam espalhados ao seu redor, a caligrafia cuidadosa em seus pergaminhos era uma prova do esforço que o levara à exaustão.
O coração de Baekhyun deu um salto. Era a oportunidade perfeita. Silêncio. Privacidade. Ele poderia simplesmente tocar o ombro de Chanyeol, acordá-lo gentilmente e... finalmente, ter a conversa que o consumia.
Sua mão se moveu por conta própria, os dedos pairando a centímetros do braço de Chanyeol. Mas ele parou. Olhou para a mancha de tinta nos dedos do lufano, para a exaustão gravada em seu rosto, mesmo no sono. O plano egoísta de Baekhyun, sua necessidade desesperada por alívio, pareceu subitamente cruel. Acordá-lo agora seria apenas para satisfazer sua própria ansiedade, não para ajudar Chanyeol.
Recuando a mão, ele tirou sua capa, feita sob medida para o sonserino e com o brasão dos Byun bordado discretamente no interior. Com um cuidado que ele raramente dedicava a qualquer coisa, ele o colocou sobre os ombros largos de Chanyeol, cobrindo-o até a cintura. O lufano suspirou suavemente no sono, aconchegando-se inconscientemente no calor sem acordar.
A conversa podia esperar. O conforto de Chanyeol, no entanto, não.
Com um último olhar demorado, Baekhyun se virou e saiu da biblioteca tão silenciosamente quanto entrou, deixando o livro de Runas e sua própria angústia para trás.
[...]
Os dias seguintes se tornaram um borrão de quase-encontros e olhares furtivos. A gentileza na biblioteca agora tina um tanto de arrependimento por parte de Baekhyun; sua paciência estava se esgotando. Cada oportunidade perdida aumentava sua frustração. Ele precisava ser mais direto. Mais ousado.
Desesperado por uma abordagem direta, Baekhyun recorreu ao método mais clássico: um bilhete.
"Encontre-me na torre de Astronomia à meia-noite. - B".
Ele o enviou por uma coruja emprestada, o coração martelando enquanto a observava voar até a mesa da Lufa-Lufa. Ele viu Chanyeol receber a mensagem, viu os olhos dele se arregalarem ligeiramente ao ler o conteúdo e, crucialmente, viu o aceno quase imperceptível que ele deu antes de guardar o pergaminho.
À meia-noite, Baekhyun estava no local combinado, o vento frio chicoteando suas vestes. Meia-noite e quinze. Meia-noite e trinta. O relógio bateu uma da madrugada. E o topo da torre permaneceu vazio. A decepção era uma pedra fria no estômago de Baekhyun. Ele havia sido ignorado.
O que Baekhyun não sabia era que, no corredor úmido perto das cozinhas, Chanyeol batia no barril errado pela quinquagésima vez, sussurrando maldições. A senha rítmica da Lufa-Lufa, havia sido temporariamente alterada por causa de uma pegadinha dos alunos do terceiro ano, e agora o barril o encharcava com vinagre a cada tentativa falha. Ele estava preso, a corredores de distância, tão frustrado quanto Baekhyun se sentia rejeitado.
[...]
O Salão Principal fervilhava... Baekhyun mal tocou em sua comida, os olhos fixos na mesa da Lufa-Lufa... É agora ou nunca , pensou.
Sentar-se na mesa de outra casa iria gerar um burburinho que no passado ele evitaria que Chanyeol tivesse que escutar. Mas era uma questão de vida ou morte.
Ele se levantou, ignorando os olhares surpresos. Cada passo parecia levar uma eternidade... Ele estava a apenas três passos da mesa.
Chanyeol, que o viu se aproximando, ergueu o olhar, uma expressão de surpresa e talvez esperança em seu rosto.
— BYUN BAEKHYUN!
A voz da Professora McGonagall cortou o ar com a precisão de um feitiço. Baekhyun congelou.
— Sua presença como monitor é necessária. Imediatamente.
Ele lançou um olhar desesperado para Chanyeol. Por um segundo, a frustração compartilhada passou entre eles, clara como o dia. Mas então Baekhyun se foi, deixando Chanyeol o observando se afastar, e a oportunidade mais ousada de todas perdida no meio do grande salão.
[...]
— Terminamos por hoje, Baek. Nenhuma gárgula cantando ópera ou qualquer outra coisa entediante nesta ronda igualmente entediante — disse Minseok, ao final da ronda dos monitores.
— Ah, que alívio — a voz de Baekhyun pingava sarcasmo. — Agora posso voltar para a minha agenda lotada de... nada que importe. Qual é o ponto de ser o príncipe da Sonserina se eu não consigo nem cinco minutos com a única pessoa que eu quero ver?
— Calma, vocês vão se falar.
— "Calma"? — Baekhyun repetiu a palavra como se fosse um sabor ruim. — Que conselho tão... prático. E completamente inútil. O universo não se importa com a minha calma, Minseok, ele se diverte com a minha frustração. E a comédia de hoje inclui um treino obrigatório. Talvez um balaço perdido me dê um pouco de paz. Seria... eficiente .
Ele se afastou, deixando Minseok balançando a cabeça enquanto se dirigia a contragosto para o campo de quadribol.
[...]
O dormitório lufano parecia estranhamente vazio sem a presença de Kyungsoo. Chanyeol estava sentado em sua cama, encarando a capa da Sonserina pendurado em sua cadeira como se fosse uma acusação. A capa de Baekhyun.
Ele havia tentado devolvê-lo duas vezes, mas sempre desistia ao ver Baekhyun rodeado de amigos, rindo, sendo o centro das atenções. A simples ideia de se aproximar, de enfrentar os olhares e as fofocas, fazia seu estômago revirar.
“Covardia” , pensou amargamente.
A raiva por ter ficado preso do lado de fora da Sala Comunal na noite do encontro na Torre de Astronomia ainda era recente. Horas batendo no barril errado, encharcado de vinagre, para só no dia seguinte o monitor-chefe anunciar casualmente que a senha rítmica havia sido alterada. Baekhyun deve pensar que eu não fui porque não quis , a dúvida roía seu peito. Deve achar que o estou evitando.
E talvez estivesse. Toda vez que via Baekhyun, cercado de pessoas que gravitavam ao seu redor, Chanyeol se sentia pequeno, insignificante. Como poderia se inserir naquele mundo brilhante? “ Kyungsoo estaria me chamando de idiota agora” , pensou com um sorriso triste.
Determinado a focar em algo que podia controlar, Chanyeol se levantou abruptamente, pegando sua mochila e os pergaminhos de Poções. O Professor Zhang havia mencionado que alguns musgos raros, perfeitos para o Filtro da Paz, cresciam na sombra das arquibancadas do campo de quadribol.
[...]
O sol da tarde deixava o campo de Quadribol inteiramente dourado. Para Baekhyun, voando em círculos durante um treino obrigatório, a luz era apenas um lembrete irritante de mais um dia desperdiçado. Sua mente não estava no jogo, mas na frustração de semanas de tentativas falhas. Ele repassava cada desencontro: o sorteio na aula de Feitiços , sua própria hesitação na biblioteca, o bilhete para a Torre de Astronomia que resultou em um silêncio esmagador. Sua paciência estava no fim. Seus olhos, por hábito, varriam constantemente os arredores do campo, procurando por uma silhueta alta e desajeitada.
Enquanto isso, Chanyeol caminhava na sombra das arquibancadas. Sua missão era simples: encontrar o tal musgo que o Professor Zhang havia mencionado. Com a mente finalmente focada em uma tarefa que podia controlar, ele ignorou o mundo ao seu redor . O som de um treino de quadribol era familiar e fácil de ignorar; para ele, eram apenas vultos no ar, um barulho distante. Ele não notou os uniformes verdes, não registrou a presença específica do time da Sonserina, e certamente não percebeu que o centro de todas as suas ansiedades estava voando em uma vassoura a menos de alguns metros de distância.
Foi então que o caos irrompeu. Um balaço, ricocheteando de forma errada no bastão de um batedor, quebrou a formação de treino, voando descontroladamente em direção às arquibancadas. Sua trajetória o levaria diretamente a Chanyeol.
Do alto, Baekhyun viu tudo em câmera lenta: o borrão preto furioso, a figura distraída que ele rapidamente recnheceu com a cabeça baixa, a colisão iminente.
— CUIDADO!
O grito desesperado de Baekhyun ecoou, mas Chanyeol, absorto em seus pergaminhos, não reagiu a tempo. Não havia tempo para desviar. Não havia tempo para pensar.
Baekhyun agiu por puro instinto. Com um movimento fluido e desesperado, ele se projetou para fora de sua vassoura. Sem hesitação, ele se jogou no ar, interceptando a trajetória do balaço com o próprio corpo.
O impacto foi brutal, um som seco e terrível que fez todo o campo de treinamento se calar instantaneamente.
Chanyeol finalmente ergueu o olhar, confuso pelo grito, apenas para ver o corpo de Baekhyun desabar no chão como um boneco de pano, inconsciente antes mesmo de tocar a grama.
[...]
O mundo de Chanyeol se resumiu a um túnel de pânico e adrenalina. Ele nunca havia corrido tão rápido. Seus conhecimentos de primeiros socorros, estudados para os N.O.M.s, surgiram em sua mente enquanto ele verificava a respiração de Baekhyun e estabilizava seu corpo. Com a ajuda de outros jogadores, conseguiu levitá-lo cuidadosamente até a enfermaria. Madame Longbottom imediatamente assumiu o controle, ao mesmo tempo que elogiava as ações rápidas de Chanyeol, dizendo que provavelmente haviam impedido um dano pior.
Três horas depois, Chanyeol permanecia sentado na cadeira ao lado da cama, recusando-se a sair. Suas roupas estavam manchadas com uma mistura de terra e sangue, mas ele não se importava.
Quando Baekhyun finalmente abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi o rosto preocupado de Chanyeol, iluminado pela luz suave da enfermaria.
— Não foi a melhor forma de conseguirmos um tempo, né? — Baekhyun murmurou, a voz rouca, mas conseguindo esboçar um sorriso fraco.
— Você quase morreu, idiota — Chanyeol respondeu, sua voz tremendo de emoção reprimida. — Isso não é engraçado.
Baekhyun tentou se sentar, fazendo uma careta de dor.
— Você está bem? O balaço não te acertou?
— Se EU estou bem? — Chanyeol o encarou, incrédulo. — Você se jogou na frente de um Balaço! Teve três costelas rachadas e uma concussão!
— Mas você está bem. — Baekhyun repetiu suavemente, como se isso fosse a única coisa que importava. Um pequeno sorriso cansado brincou em seus lábios, e pela primeira vez, ele não sentia nenhum nervosismo perto de Chanyeol, apenas um alívio quente e profundo. — Então valeu a pena.
Chanyeol sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele balançou a cabeça, sem palavras para responder àquela lógica absurda. Em vez disso, seu lado prático assumiu o controle.
— Não se mexa — disse ele, a voz firme, mas gentil. — Madame Longbottom disse que suas costelas precisam de repouso absoluto. Fique quieto.
Ele se levantou e pegou um copo d'água, ajudando Baekhyun a dar um gole. O gesto era cuidadoso. Chanyeol olhou para o rosto pálido de Baekhyun, para os hematomas que começavam a aparecer, e uma clareza fria e focada tomou conta dele. Era o instinto que lia nos livros sobre Medibruxaria. O paciente era a única coisa que importava. E Baekhyun era seu paciente agora. O resto — a festa, o beijo, seus pais — era apenas ruído de fundo.
— Você não precisava ter ficado — murmurou Baekhyun, recostando-se nos travesseiros, os olhos nunca deixando o rosto de Chanyeol.
— Depois do que você fez? Claro que precisava — respondeu Chanyeol, ajeitando o cobertor sobre ele.
— Bom — Baekhyun sorriu, um sorriso genuíno e sonolento. — Porque eu não queria que você fosse a lugar nenhum.
O coração de Chanyeol falhou uma batida com a simplicidade da confissão. Ele se sentou novamente, sentindo o rosto esquentar.
— Madame Longbottom te deu uma poção Wiggenweld e uma poção da paz. Elas vão fazer efeito logo. Tente dormir.
Baekhyun o observou por um longo momento, os olhos começando a ficar pesados novamente.
— Ok... — sua voz era um sussurro sonolento. — Mas você... você vai estar aqui quando eu acordar?
A pergunta era vulnerável, despida de toda a arrogância sonserina. Chanyeol sentiu seu coração apertar.
— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu ele, a voz baixa e firme.
Baekhyun deu um último sorriso satisfeito antes de seus olhos se fecharem. E Chanyeol ficou ali, velando por ele, sentindo o peso das últimas semanas finalmente se dissipar, substituído por um sentimento novo e assustadoramente simples: ele precisava cuidar de Byun Baekhyun. A ideia não o apavorava. Pelo contrário, parecia a coisa mais certa do mundo.
[...]
O ar da enfermaria tinha um cheiro estéril de poções e lençóis engomados que Baekhyun já não suportava mais. Por isso, foi com um alívio imenso que ouviu Madame Longbottom anunciar sua alta. Impaciente para se livrar do cheiro e da dor remanescente, ele terminava de se vestir quando as vozes familiares de Jongdae e Minseok ecoaram pela enfermaria vazia.
— Finalmente, o herói está livre — anunciou Jongdae, com um sorriso maroto. — Quase achamos que você ia instalar uma cama permanente aqui.
— Foi por pouco. Só passamos rapidinho ontem e hoje — completou Minseok, se acomodando na beirada de uma cama vazia. — O alvoroço na porta era tanto que até a Madame Longbottom brigou. Os monitores tentaram dispersar a galera, e até o Professor Zhang deu uma passada para acalmar os ânimos. Nada funcionou.
Baekhyun franziu a testa.
— Alvoroço? Do que vocês estão falando?
Jongdae riu.
— Suas fãs, Baek. Um enxame delas. Choramingando, querendo entrar, assustando todos que tentavam visitar o grande herói Byun Baekhyun. Foi um espetáculo patético.
— Foi, até seu lufano favorito aparecer. — Minseok pegou a história, os olhos brilhando de diversão. — Chanyeol chegou com uma cara séria que eu nunca vi. Parou na frente delas, todo altão, e disse, numa voz tão baixa e firme que até nós nos arrepiamos: “Da próxima vez que eu vier buscar o Baekhyun, não quero ver nenhuma de vocês aqui. Ou vão descobrir que a minha paciência é bem mais curta que a dele.”
Baekhyun parou de se arrumar, a imagem clara em sua mente. Seu estômago deu uma volta doce.
— Ele... ele disse isso?
— Disse e sumiu dentro da enfermaria como se nada tivesse acontecido — confirmou Jongdae. — As garotas ficaram paralisadas. Foi glorioso.
Um sorriso largo e maravilhado estampou no rosto de Baekhyun.
— Ele é incrível.
Jongdae e Minseok fizeram sons de nojo simultâneos, fingindo engasgar.
— Por Merlin, Baek, guarda esse olhar apaixonado para quando ele estiver aqui — disse Jongdae, revirando os olhos.
— Vocês são uns hipócritas — Baekhyun acusou, apontando o dedo para os dois. A verdade é que o time de quadribol da Sonserina tinha até um bolão de apostas sobre quando os dois iriam finalmente se assumir.
O trio conversou mais um pouco, mas Minseok e Jongdae saíram na frente. Baekhyun foi deixado para trás e se despediu da Madame Longbottom antes de finalmente deixar o local. De frente para a porta, parado um pouco afastado, com as mãos nas costas e uma expressão levemente nervosa, estava Chanyeol.
— A sra.Longbottom me avisou que você ia sair — ele disse, evitando contato visual direto. — Pensei que... você poderia precisar de ajuda para carregar suas coisas. — Ele gesticulou para a pequena bolsa com os pertences do sonserino.
Baekhyun sentiu seu coração acelerar. A desculpa era perfeita.
— Ah, sim. Obrigado, Chanyeol. As costelas ainda doem um pouco.
Ele entregou a bolsa e Chanyeol a pegou como se fosse um artefato frágil. Caminharam lado a lado em um silêncio inicialmente constrangedor, mas confortável.
— Ouvi um boato — Baekhyun começou, seu tom de voz dramático e provocador. — Dizem que um certo aluno da Lufa-Lufa aterrorizou um grupo de admiradoras inocentes na porta da enfermaria. Que comportamento tão agressivo para alguém tão bondoso.
Chanyeol corou instantaneamente, olhando para os pés.
— Aqueles seus amigos fofoqueiros — murmurou, lembrando que a dupla tinha presenciado esse momento na noite anterior. — Elas não eram 'inocentes'. Estavam atrapalhando sua recuperação.
— Meu herói — Baekhyun cantarolou, satisfeito ao ver as orelhas de Chanyeol ficarem vermelhas.
— Pare com isso — Chanyeol resmungou, mas um pequeno sorriso teimou em aparecer em seus lábios.
E assim uma nova rotina se estabeleceu. Chanyeol tornou-se a sombra oficial de Baekhyun. Ele carregava seus livros, cortava ingredientes nas aulas de Poções, caminhava lado a lado nos corredores. Baekhyun fazia graça, reclamava das restrições, mas secretamente adorava a atenção
As pessoas comentavam, é claro. Sussurros os seguiam pelos corredores. Chanyeol, no entanto, sustentava-se na narrativa de que estava apenas pagando uma dívida de vida, cuidando de quem o salvou. Era uma desculpa que funcionava até para ele mesmo.
Duas semanas antes do Halloween, Baekhyun já não precisava mais de ajuda para carregar seus livros. A desculpa oficial de Chanyeol para estar constantemente ao seu lado estava se esvaindo, e o pânico silencioso de perder aquela proximidade recém-conquistada o fez sugerir, de forma um tanto desajeitada, sessões de estudo para os N.I.E.M.s.
A biblioteca tornou-se o lugar deles. Longe dos olhares curiosos, a conversa fluía para águas mais profundas. Baekhyun, mais à vontade do que nunca, os entretinha com imitações teatrais de seus pais. Ele encenou a carta recebida de seus pais após o acidente, engrossando a voz: "Apenas um Byun teria a elegância de quase morrer dramaticamente..." — ele parou ali, um rubor sutil em suas bochechas, decidindo omitir a parte que vinha a seguir: "...para salvar seu amado."
Chanyeol ria, uma risada genuína e rara que fazia o peito de Baekhyun se aquecer. Em troca, o lufano oferecia fragmentos de sua própria vida, evitando cuidadosamente o tópico de sua família, mas falando com uma saudade palpável de Kyungsoo e do silêncio opressor de seu dormitório agora vazio.
Foi numa dessas noites, enquanto o único som era o virar de páginas, que a coragem de Chanyeol finalmente venceu sua hesitação. Ele parou de folhear seu livro, o silêncio se estendendo.
— Baekhyun... — sua voz saiu mais baixa que o normal — sobre aquele dia...
O olhar de Baekhyun se ergueu do pergaminho, a surpresa dando lugar a uma compreensão instantânea. Ele viu a seriedade no rosto de Chanyeol, o peso da pergunta não dita, e seu coração deu um salto.
Agora? Aqui?
Não.
A confissão que ele planejava precisava de mais do que a luz empoeirada da biblioteca.
Ele ofereceu um sorriso suave, mas seus olhos eram sérios.
— Eu quero e vou te contar. Tudo. Mas não aqui, não no meio de um dever. Eu... preciso fazer isso direito. Você pode esperar só mais um pouco?
Chanyeol o observou, vendo a sinceridade no pedido. A decepção que sentiu foi breve, rapidamente substituída por um calor de confiança. Baekhyun não estava o dispensando; estava pedindo paciência. E por ele, Chanyeol podia esperar. Ele apenas assentiu, e o momento passou, mas deixou para trás a certeza de que a amizade deles havia se tornado algo mais sólido, mais profundo.
[...]
Foi alguns dias depois, ao buscar um livro escondido na seção de Feitiços Avançados, que Baekhyun ouviu vozes familiares. Ele reconheceu o tom fofoqueiro de alguns colegas.
— ... aposto cinco galeões que o Byun convida a Davies, da Corvinal. Ela é bonita e popular.
— Bobagem. Depois de todo o drama, ele vai querer alguém que não dê trabalho. Alguém... conveniente — Baekhyun já ia se revelar, entediado, quando ouviu o próximo comentário.
— Ele está passando muito tempo com aquele lufano... o grandão, do intercâmbio que não deu certo.
Risadas sarcásticas ecoaram.
— Park? Sério? Um ninguém nascido-trouxa? Ah, por favor, ele provavelmente está se aproveitando da situação para ganhar um pouco do status do Byun. Um parasita social.
Baekhyun cerrou os punhos, a raiva subindo. Mas antes que ele pudesse explodir, uma voz feminina da Grifinória interveio, firme:
— Melhor não se meter nisso. Todo mundo ficou sabendo que aquele “ninguém” botou todo mundo pra correr da enfermaria sem levantar a voz. Ele é com certeza mais do que a gente consegue ver.
Foi a deixa que Baekhyun precisava. Ele saiu de trás da estante com toda a pompa de um Byun, um sorriso afiado no rosto.
— Exato. E não acredito que estou concordando com uma grifinória — disse ele, a voz gelada. O grupo congelou. — Park Chanyeol é mil vezes o bruxo que qualquer um de vocês será. E já que tocaram no assunto do intercâmbio... isso me lembra uma história triste.
Ele se encostou na estante, o tom mudando para uma falsa melancolia.
— Vocês se lembram de Seiji Montrose? Ele também tinha uma opinião muito... vocal sobre o Chanyeol ter perdido a vaga para Mahoutokoro. E então, a coisa mais estranha aconteceu. Uma investigação anônima foi aberta sobre ele, totalmente do nada. Descobriram todo tipo de infração... coisas que ninguém nem sabia que eram proibidas. Foi uma má sorte inacreditável.
Ele olhou para o teto, como se estivesse se lembrando de um detalhe trágico.
— A última vez que soube, ele foi transferido para aquele instituto em Gales. Um lugar para... acalmar os ânimos. Uma carreira tão promissora, jogada fora por... azar. — Ele finalmente baixou o olhar para o grupo, o sorriso sumindo, dando lugar a uma expressão fria. — Parece que o azar persegue as pessoas que falam mal do Chanyeol. Eu tomaria muito cuidado no lugar de vocês.
Ele se endireitou, ajeitando as vestes.
— Park Chanyeol não é "conveniente". Ele é uma escolha. A minha escolha. E eu não tolero que falem mal do que é meu.
Ele deu meia-volta, deixando o grupo em estado de choque absoluto, seu coração batendo forte não de raiva, mas de uma excitação resoluta. A conversa idiota lhe dera a clareza perfeita.
Era hora de convidar Chanyeol para a festa de Halloween.
[...]
O final de tarde no pátio era tranquilo, um dos poucos momentos de paz que Chanyeol conseguia encontrar entre os estudos e a agitação constante de Hogwarts. Ele caminhava de volta à sala comunal da Lufa-Lufa, os braços carregados de pesados volumes encadernados, a mente absorta em revisar mentalmente as propriedades das poções mais complexas.
Foi então que uma voz familiar cortou o ar, fazendo-o erguer os olhos instantaneamente.
— Chanyeol!
Era Baekhyun. Parado sob a torre do relógio, com a luz dourada do crepúsculo iluminando seus cabelos, ele parecia quase... nervoso. Chanyeol sentiu um sorriso imediato e involuntário surgir em seu rosto.
— Ei. Suas costelas? Tudo bem? — perguntou ele, aproximando-se, sua preocupação habitual com o bem-estar de Baekhyun vindo à tona antes de qualquer outra coisa.
— Quase como novas, obrigado. Olha, eu... — ele pareceu hesitar, e Chanyeol notou um leve brilho de suor em sua testa. O Sonserino parecia genuinamente... apreensivo. — A festa do dia das bruxas é na próxima semana.
Chanyeol assentiu, um pouco confuso com a mudança repentina de assunto. Por que Baekhyun estava tão tenso falando do evento?
— Ah, sim. Todo mundo está falando sobre isso. Você... você vai? Quer dizer, claro que você vai. — Ele sentiu um aperto no peito ao dizer aquilo. É claro que Baekhyun iria. Byun Baekhyun não ia a festas, ele era a atração principal. — Você provavelmente tem uma fila de pessoas para escolher.
— É sobre isso que eu quero falar — Baekhyun forçou as palavras, o coração batendo forte. — Eu não quero escolher ninguém da fila. Eu quero... eu quero que você seja meu par.
O mundo parou.
Por um segundo, Chanyeol ficou absolutamente certo de que tinha ouvido mal. Seu cérebro simplesmente se recusou a processar as palavras. Ele viu a boca de Baekhyun se mover, os sons chegaram aos seus ouvidos, mas o significado... o significado era impossível.
— Eu? — A palavra saiu como um sopro atordoado, um eco de sua própria incredulidade.
— Sim, você — a confirmação de Baekhyun veio firme. — A menos que... você não queira. Tudo bem se não quiser.
Não querer? A ideia era tão absurda que a resposta explodiu dele.
— Não! — O grito saiu alto demais, fazendo-o se encolher, mortificado, as orelhas queimando. — Quero dizer... sim. Sim, eu quero ir com você.
A transformação no rosto de Baekhyun foi deslumbrante. A tensão evaporou, substituída por um sorriso tão amplo e genuíno que pareceu iluminar o pátio.
— Sério?
— Sério — Chanyeol confirmou, retribuindo o sorriso, ainda atordoado. — Eu adoraria.
— Ótimo! Perfeito! Então está combinado! — Baekhyun falou rapidamente, a felicidade o dominando. — Eu... eu preciso ir. Fazer... coisas de monitoria! Te vejo depois!
Um riso incrédulo escapou de seus lábios, um som de pura e simples alegria. Ele balançou a cabeça, pensando no rumo bizarro que sua vida havia tomado. O sexto ano mal estava na metade, e sua vida já havia mudado mais do que em todos os anos anteriores juntos.
[...]
O Salão Principal estava irreconhecível. O teto encantado imitava um céu noturno estrelado, salpicado de morcegos espectrais que pareciam brincar entre as luzes das velas flutuantes. Centenas de abóboras flutuavam, cada uma com expressões diferentes, lançando reflexos laranja-dourados sobre os rostos dos estudantes. O cheiro de torta de abóbora e canela se misturava ao aroma doce de poções efervescentes. Fantasmas dançavam no ar, provocando risadas e alguns sustos leves nos novatos.
Quando a grande porta se abriu, um silêncio momentâneo se espalhou pelas mesas mais próximas. Byun Baekhyun entrou, impecável em suas vestes a rigor, mas não era ele o foco principal dos olhares. Era a pessoa ao seu lado. Park Chanyeol, ereto e ligeiramente nervoso, parecia mais confiante com a mão firme de Baekhyun apoiando suas costas.
Os sussurros começaram imediatamente.
— É ele, o lufano que o Byun salvou...
— Eles vieram juntos?
— Ele até que é bonito quando não está escondido atrás de livros...
Baekhyun sentiu Chanyeol enrijecer ao seu lado com o peso dos olhares e sussurros. Sem hesitar, ele colocou uma mão firme na parte inferior das costas de Chanyeol, um gesto protetor que pareceu criar uma barreira invisível ao redor deles.
— Ignore-os — murmurou Baekhyun, a voz apenas para Chanyeol. — Eles são apenas ruído de fundo.
Ele olhou para o rosto pálido de Chanyeol e viu a sobrecarga em seus olhos. O plano inicial de fingir um pouco de normalidade, talvez sentar com seus amigos e conversar um tanto, evaporou. A única coisa que importava era tirar Chanyeol daquele mar de curiosidade. A culpa em seu estômago era um peso frio, e ele sabia que não conseguiria se confessar no meio daquele barulho.
— Sabe de uma coisa? — ele se inclinou, o tom conspiratório. — Cansei da festa. Vamos dar uma volta.
Sem esperar por uma resposta, ele guiou Chanyeol suavemente através da multidão, na direção de uma varanda lateral que ele conhecia bem, um refúgio escuro e tranquilo com vista para os jardins iluminados por lanternas.
Lá fora, o som da festa era um zumbido distante, e a única luz vinha das estrelas e das abóboras distantes. A solidão do local era um contraste gritante com o caos do Salão Principal.
— Chanyeol, eu preciso... eu preciso te contar a verdade — começou Baekhyun, a voz tensa, agora que não havia mais para onde fugir. — Sobre tudo.
Chanyeol se virou para ele, o corpo inteiro focado, esperando. Baekhyun engoliu em seco, forçando-se a manter o olhar de Chanyeol, embora cada instinto lhe dissesse para fugir.
— A razão pela qual eu te beijei no lago,a razão de tudo, na verdade... é porque eu sou completamente, desesperadamente louco por você.
Ele desviou o olhar por um momento. As palavras agora saindo em uma torrente apressada.
— Eu gosto de você desde o terceiro ano. Desde o dia em que eu, brilhante como sempre, consegui te acertar com um polvo na aula de Transfiguração… e ele grudou no seu rosto. — Um sorriso breve, quase envergonhado, atravessou seus lábios. — E, em vez de se irritar ou me amaldiçoar, você gargalhou. Gargalhou como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Foi naquele instante que meu coração decidiu se rebelar contra mim.
Ele voltou a encarar Chanyeol, a voz agora mais urgente, cheia de uma sinceridade crua.
— E foi por isso que eu fui à sua casa nas férias. Eu precisava te dizer que aquele beijo significou tudo para mim. Que eu não me aproveitei da sua vulnerabilidade, que não foi por pena. Mas… eu vi como sua família te tratou. E eu perdi a cabeça.
A culpa escorria em cada palavra, corroendo a firmeza da confissão.
— O caos na festa… foi culpa minha. LiuBai seguia minhas ordens, e a minha raiva estragou tudo. Eu nunca quis que você fosse castigado ou humilhado por causa deles. Eu sinto muito, Chanyeol. Por tudo.
Ele terminou, o peito ofegante, o silêncio da varanda amplificando cada batida de seu coração aterrorizado. Ele ficou ali, exposto, esperando a raiva, a decepção, a rejeição.
Chanyeol permaneceu em silêncio por um longo momento, o olhar fixo no rosto ansioso de Baekhyun, processando a torrente de informações. Lentamente, como se movido por uma força que não controlava, ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— Sobre a festa... — começou Chanyeol, a voz incrivelmente calma. — Eu sei, Baekhyun.
Baekhyun piscou, a confusão substituindo o medo.
— Como?
— A carta do Ministério. A cópia que a Professora McGonagall me entregou — explicou Chanyeol. — Nossos nomes estavam nela. Juntos. Eu soube que você estava envolvido desde o momento em que li.
A mente de Baekhyun girou. A carta de advertência, era tão óbvio.
— Então... todo esse tempo... — gaguejou ele, incrédulo.
— Eu sabia — confirmou Chanyeol, dando mais um passo, quase imperceptível. — E esperei você me contar. Mas... o resto... — Ele o olhou com uma admiração genuína. — O que você disse sobre o terceiro ano... a aula de Transfiguração, com o polvo? Você se lembra disso?
Baekhyun apenas assentiu.
— É a minha lembrança favorita.
Um quebra-cabeça que intrigava Chanyeol há anos de repente se montou em sua mente. Os olhares nos corredores, a proteção silenciosa, o beijo no lago ... nada daquilo havia sido aleatório.
— Eu passei semanas achando que eu não era bom o suficiente — ele admitiu, a voz baixa e incrédula, quase como se estivesse rindo de si mesmo. — Que você era... demais pra mim.
Ele balançou a cabeça, o quebra-cabeça finalmente se encaixando.
— Mas não é sobre isso, não é? Nunca foi. O fato de você... gostar de mim... por tanto tempo...
Ele parou, tentando encontrar a palavra certa, mas nada parecia suficiente para encapsular a enormidade da revelação. A escolha, a sensação de finalmente ser visto.
Então, como não conseguia expressar por palavras, Chanyeol decidiu mostrar.
Ele fechou o espaço restante entre eles em um único passo. Uma de suas mãos subiu para a nuca de Baekhyun, os dedos se enredando nos cabelos macios com uma posse gentil que fez o sonserino prender a respiração. E o beijou.
Para Baekhyun, foi um choque elétrico. Um segundo ele estava se preparando para a rejeição, e no seguinte, a boca de Chanyeol estava na sua, firme e cheia de uma certeza que o deixou sem ar. Um som surpreso morreu em sua garganta, e suas mãos, antes pendendo inúteis ao lado do corpo, voaram para se agarrar à frente das vestes de Chanyeol, como se precisasse se segurar para não cair.
Este beijo não era como o primeiro. Não havia a hesitação tímida ou o sal das lágrimas. Era uma resposta. Uma afirmação. Era Chanyeol dizendo tudo o que não conseguia articular: " Eu entendo. Eu sinto o mesmo. Eu escolho você. " Ele derramou todo seu alívio e a esperança recém-descoberta no beijo, afundando-se na sensação de finalmente estar em casa.
Baekhyun derreteu contra ele, respondendo com uma avidez que guardara por anos, a ansiedade se transformando em pura adoração. O beijo se aprofundou, tornando-se uma conversa sem palavras, uma promessa silenciosa trocada no ar frio da noite, com o som distante da festa servindo como trilha sonora.
Quando finalmente se afastaram, ambos estavam ofegantes, as testas coladas uma na outra. A luz distante das abóboras dançava nos olhos escuros de Baekhyun, que agora brilhavam com lágrimas, mas desta vez, eram de pura felicidade.
— Ok... — sussurrou Baekhyun, um riso trêmulo escapando de seus lábios. — Isso foi...
Chanyeol sorriu, a confiança recém-descoberta brilhando em seu rosto. — Achei que seria mais eficiente que palavras.
Foi nesse momento de paz perfeita que a bolha deles foi invadida. Do corredor, uma onda de aplausos exagerados, assobios e gritos de "FINALMENTE!" ecoou pela varanda. Baekhyun nem precisou olhar; ele reconheceu o tom provocador de Jongdae e Minseok, claramente se divertindo às custas dele.
O barulho, no entanto, atraiu a atenção indesejada. Um grupo de garotas de várias casas se aglomerou perto das colunas, olhando descaradamente para eles. Seus olhos estavam fixos em Baekhyun, cheios daquela admiração possessiva que ele sempre atraía. Uma delas até ousou acenar, ignorando completamente Chanyeol.
Um sentimento estranho e primitivo borbulhou no peito de Chanyeol. Era possessividade. Sua mão, que ainda repousava na cintura de Baekhyun, apertou-se quase imperceptivelmente.
— Só porque minha casa é conhecida por ser bondosa e paciente — ele murmurou, a voz um rosnado baixo que só Baekhyun podia ouvir, surpreendentemente ameaçador —, não significa que eu não saiba lançar uma boa azaração. Se elas não tirarem os olhos de você, talvez eu precise… de cobaias para o feitiço.
Baekhyun se virou para olhá-lo, os olhos arregalados de surpresa. Por um segundo, ele ficou pasmo. E então, uma risada maravilhada e incrédula explodiu de seus lábios, um som tão livre que fez o coração de Chanyeol acelerar novamente.
— Park Chanyeol — disse ele, ofegante, um sorriso deslumbrante no rosto. — Isso é ciúme? — Ele se aproximou, baixando a voz para um sussurro cúmplice. — Você com ciúmes é a minha nova coisa favorita no mundo.
Chanyeol corou, mas não negou, um pequeno sorriso malicioso surgindo em seus lábios.
— Não se preocupe, querido — Baekhyun tocou o próprio distintivo de monitor escondido no bolso. — Se você azarar alguém por mim, eu juro por Salazar que uso isto aqui para garantir que a vítima receba uma detenção por... perturbar a paz. Uma causa mais do que nobre.
Chanyeol balançou a cabeça, ainda rindo baixinho da audácia dele. O ar entre eles estava leve, cheio de uma promessa silenciosa. Foi essa nova e confortável certeza que fez Baekhyun se sentir seguro o suficiente para revelar a próxima fase de seu plano.
Ele se afastou um passo, assumindo uma expressão mortalmente séria, embora seus olhos ainda brilhassem de alegria.
— Ok. Agora, as regras. Para que isso funcione, precisamos seguir o roteiro.
Chanyeol o olhou, a confusão divertida em seu rosto.
— Roteiro?
— Encontros em Hogsmeade. Passeios no lago. Pelo menos três antes de eu poder te pedir em namoro oficialmente. — Baekhyun enumerou os itens nos dedos, como se estivesse planejando uma estratégia de batalha. — Não quero te assustar.
Chanyeol o encarou, um sentimento de carinho tão intenso que quase doeu. Aquele era o Baekhyun de verdade: o garoto que podia ser ferozmente protetor em um minuto e um planejador romântico e exagerado no seguinte.
— Você se joga na frente de um balaço por mim, mas tem medo de me assustar com um pedido de namoro?
— Prioridades, Park. Prioridades — respondeu Baekhyun, com toda a seriedade que conseguiu reunir, antes de se render e rir junto com ele.
Eles voltaram para a festa de mãos dadas, uma declaração silenciosa para todo o Salão Principal. E, pela primeira vez, os olhares e sussurros que os seguiram não importavam. Eles dançaram desajeitadamente com os fantasmas, roubaram doces das mesas flutuantes e riram até suas barrigas doerem, completamente perdidos um no outro, uma ilha de felicidade no centro de seu próprio universo recém-formado.
[...]
A normalidade havia se tornado a nova rotina de Chanyeol, e era gloriosa. Nas semanas que se seguiram à festa de Halloween, a promessa de Baekhyun de "seguir o roteiro" se materializou em encontros em Hogsmeade e longas caminhadas ao redor do Lago Negro. E, para o horror de alguns sonserinos puristas e a diversão de todos os outros, Baekhyun havia basicamente se mudado para a mesa da Lufa-Lufa durante as refeições.
Foi em uma dessas manhãs, durante o café, que o caos chegou pelo correio.
Uma coruja de aparência particularmente exausta deixou cair um envelope vermelho e fumegante bem ao lado do prato de torradas de Chanyeol. Ele congelou. Baekhyun, sentado ao seu lado, olhou para o envelope e um sorriso de puro deleite se espalhou por seu rosto.
— Oh, isso vai ser bom.
Antes que Chanyeol pudesse tocar no Berrador, ele se abriu sozinho e a voz indignada de Kyungsoo, magicamente amplificada para o volume de um trovão, explodiu pelo Salão Principal.
“PARK CHANYEOL, COMO VOCÊ OUSA NÃO ME CONTAR ANTES QUE ESTÁ DE NAMORICO COM O SENHOR-TODO-POPULAR-SONSERINO-MEGA-GOSTOSO BYUN BAEKHYUN! ACHEI QUE ÉRAMOS AMIGOS, E NÃO É PORQUE EU ESTOU AQUI SENDO ENFEITIÇADO POR AQUELA VEELA MALDITA DO KIM QUE É MOTIVO PARA VOCÊ NÃO TER ESCRITO PARA MIM ANTES. PELOS DEUSES, MELHORE!”
O Berrador se rasgou em pedaços e o silêncio que se seguiu foi absoluto. Garfos pararam a meio caminho da boca. Cada estudante e professor no salão virou a cabeça em sincronia, olhando de um Chanyeol vermelho-beterraba para um Baekhyun que parecia estar se divertindo imensamente.
Lentamente, saboreando o momento, Baekhyun se levantou com um sorriso presunçoso. Ele passou um braço pelos ombros de Chanyeol, puxando-o para perto em um gesto de posse inequívoco.
— Agradeço o anúncio — disse ele, dirigindo-se ao salão como se fosse seu público. — E só para confirmar o que berrador disse: sim, ele é meu. Considerem-no fora do mercado. Permanentemente.
O Salão Principal irrompeu em um pandemônio de sussurros e risadinhas. Chanyeol queria que o chão o engolisse. Seu rosto inteiro queimava de vergonha. Mas por baixo disso, uma onda de calor se espalhou por seu peito. A vermelhidão em suas orelhas não era só de embaraço; era porque ele achou o jeito mandão e possessivo do sonserino a coisa mais sexy que já tinha ouvido.
Baekhyun sentou-se novamente, pegando um pedaço de torrada do prato de Chanyeol como se nada tivesse acontecido.
— Gosto do seu amigo — disse ele, com um sorriso de canto. — Ele sabe causar.
Chanyeol apenas afundou o rosto nas mãos, sorrindo contra as palmas, sentindo-se ao mesmo tempo o garoto mais sortudo e o mais envergonhado de toda Hogwarts.
[...]
O inverno em Hogwarts cobria os campos de um manto branco e silencioso. Enquanto muitos alunos partiam para o conforto de suas casas, Chanyeol se via diante de uma perspectiva que, meses atrás, teria considerado um pesadelo: passar as férias de Natal na mansão da família Byun.
A ansiedade o consumia durante a viagem no trem. Ele, Park Chanyeol, um nascido-trouxa, filho de trouxas que mal compreendiam seu mundo, iria se hospedar no seio de uma das mais antigas, ricas e “supostamente” excêntricas linhagens de sangue-puro. Sua mente invocava imagens de salas escuras e comentários cortantes sobre sua linhagem.
A carruagem parou diante da mansão Byun, um casarão de torres pontiagudas e janelas altas, coberto por trepadeiras escuras que pareciam ter raízes na própria pedra. Lanternas vermelhas de papel balançavam junto das guirlandas natalinas, numa mistura inesperada de festa e mistério.
No portão, dois guerreiros de pedra negra guardavam a entrada. Esculpidos com tamanha perfeição que pareciam respirar, tinham olhos de jade que cintilavam à luz das tochas, e Chanyeol juraria que eles o seguiram quando passou.
A porta principal abriu-se com um rangido profundo, como se a casa protestasse contra qualquer intruso. O frio da noite foi varrido por um calor dourado que escapava de dentro.
Baekhyun, ao seu lado, parecia quase saltitante.
— Pronto? Eles mal podem esperar.
— Eu também mal posso esperar para não ser amaldiçoado — murmurou Chanyeol, meio a sério.
A entrada era ampla e decorada com uma árvore de Natal colossal, cujos galhos eram adornados com bolas de vidro que mostravam miniaturas de cenas de batalhas históricas de quadribol. Fadinhas presas na grinalda da escadaria cantavam em um coral perfeitamente sincronizado, embora o repertório incluísse um hino funerário élfico sombrio entre os clássicos natalinos.
E a primeira coisa que quebrou as expectativas de Chanyeol foi um elfo doméstico. Não era um ser maltrapilho, mas uma figura impecável vestindo um fraquinho minúsculo e uma gravata-borboleta. Suas orelhas grandes ergueram-se com dignidade.
— Bem-vindo ao lar, jovem senhor Baekhyun. Bem-vindo, jovem senhor Park. Os Mestres os aguardam no Salão de Inverno — disse o elfo, com uma voz profundamente grave, fazendo uma curva perfeita.
Enquanto seguiam por corredores sombrios, iluminados por tochas que queimavam com chamas azuis, Chanyeol viu outros elfos. Todos vestiam trajes impecáveis — vestidinhos de veludo, coletes bordados — e executavam suas tarefas com uma serenidade e elegância assustadoras.
No Salão de Inverno, uma sala com estantes altas de livros e uma lareira enorme onde as labaredas dançavam em cores douradas e prateadas, finalmente conheceu os Byun.
Byun Taekros, o patriarca da família, era um homem alto, de presença imponente, bigode perfeitamente aparado e olhos tão inteligentes que pareciam despir a alma num único olhar. O robe de veludo verde-escuro que usava cintilava sob a luz da lareira, e o sorriso que abriu foi caloroso, embora carregasse uma intensidade quase intimidadora.
— Jovem Park! — exclamou, com uma voz robusta que encheu a sala. — Finalmente. Baekhyun já nos ensurdeceu com suas histórias a seu respeito. É uma honra recebê-lo em nossa casa. Espero que aprecie o nosso… caos controlado.
Byun Seorin, por sua vez, era a personificação da elegância. O vestido escuro que usava caía sobre o corpo como seda líquida, e o coque intrincado brilhava com grampos de jade. Aproximou-se com passos graciosos e tomou as mãos de Chanyeol entre as suas, que eram surpreendentemente quentes.
— Ignore-o, ele adora teatralidade — disse ela, rindo com suavidade. — Seja muito bem-vindo, Chanyeol. Estamos genuinamente felizes por você estar aqui.
Foi então que um vultinho surgiu detrás do sofá: uma garotinha de vestido vermelho escuro e sapatos de fivela reluzentes, apertando contra o peito um boneco de duende com uma expressão mal-humorada.
— Baekyeon, querida, pare de atormentar o duende e venha — chamou Taekros, a voz ressoando com afeto. — Conheça nosso convidado de honra. Este é o Chanyeol.
A menina o encarou com olhos escuros e astutos, avaliando-o como se fosse mais velha do que parecia. Aproximou-se devagar e fez sinal para que ele se curvasse. Quando Chanyeol obedeceu, ela sussurrou em seu ouvido, numa voz carregada de segredo:
— O Baekhyun-oppa tem um caderno escondido só com desenhos do seu rosto. Eu vi.
Em seguida, recuou triunfante, como quem concluía uma missão de espionagem. Chanyeol ficou imediatamente vermelho, enquanto Baekhyun congelava, o sorriso habitual substituído por uma máscara de fúria gélida. Seus olhos se estreitaram perigosamente na direção da irmã.
— Byun Baekyeon — disse ele, baixo e cortante, cada sílaba impregnada de gelo. — Nós vamos ter uma conversa séria sobre o conceito de propriedade privada.
A menina apenas mostrou a língua antes de se refugiar atrás da mãe. Taekros, porém, soltou uma gargalhada estrondosa que ecoou pelas paredes do salão.
— Esplêndido! Um segredo revelado e a primeira disputa territorial por causa de afeto! Ah, o drama é delicioso!
[...]
O jantar de Natal na Mansão Byun foi uma experiência deliciosamente estranha e a coisa mais próxima de um verdadeiro lar que Chanyeol já havia sentido. A comida era sublime: um peru que se auto-fatiava e servia os pedaços mais suculentos em seu prato, e um purê de batatas que formava pequenos redemoinhos encantados e mais uma infinidade de pratos jamais vistos, até mesmo nos banquetes e Hogwarts.
A conversa durante o jantar era um espetáculo à parte. Chanyeol se viu alternando entre um debate animado com Taekros sobre as nuances da teoria de feitiços e as risadas que não conseguia conter enquanto Seorin contava histórias embaraçosas da infância de Baekhyun. A mais recente envolvia uma tentativa de Baekhyun de provar que podia falar com o rio nos fundos da propriedade, o que quase resultou em seu sequestro por um Kappa que havia escapado da mala do tio Jung. Ao seu lado, a pequena Baekyeon ria com a boca cheia de pudim, que levitava até ela em uma colher flutuante.
Numa rara pausa na algazarra, enquanto Chanyeol saboreava uma sobremesa que mudava de sabor a cada colherada, ele sentiu o olhar gentil de Seorin sobre ele.
— Você está muito quieto, querido — disse ela, a voz suave, mas cheia de uma percepção aguda. — Está tudo ao seu gosto? Queremos que se sinta em casa.
Chanyeol sentiu-se aquecido pela sinceridade dela. Ele olhou ao redor da mesa, para a genuína confusão no rosto de Baekhyun sobre por que a história do Kappa ainda era engraçada, e para a alegria descarada de Taekros. Era tudo tão... normal, em sua estranheza. Ele respirou fundo, a coragem vindo daquele sentimento de aceitação.
— Está tudo perfeito, Sra. Byun. É justamente isso o que me surpreende — confessou ele, sentindo-se um pouco ousado. — Pela forma como as famílias de sangue-puro são descritas, eu… bem, eu esperava uma recepção diferente. Talvez não tão calorosa. Especialmente considerando que eu sou um nascido-trouxa.
Taekros e Seorin trocaram um olhar cheio de compreensão, seguido por um sorriso quase cúmplice dela.
— Ah, querido Chanyeol. Você está pensando nas famílias certinhas, as que se acham no topo do mundo por puro acidente de nascimento. Elas são… como livros com capas bonitas e páginas em branco. Muito barulho por nada.
O patriarca dos Byun assentiu, erguendo uma sobrancelha de forma expressiva, antes de falar.
— Sangue-puro, por si só, é um conceito tão… limitante. Tão sem imaginação. Qualquer um pode manter uma linhagem. Mas iniciar uma? — Seus olhos brilharam com entusiasmo genuíno. — Isso é verdadeiramente notável. É a magia no seu estado mais puro e potente! A Ministra Granger é a prova viva! Uma força da natureza que surgiu do nada para desafiar e remodelar o sistema! É absolutamente inspirador!
Madame Seorin inclinou-se para ele novamente, sua voz baixa e confidencial, como se compartilhassem um segredo maravilhoso.
— As famílias tradicionais e chatas preocupam-se apenas em preservar. Nós, os Byun, somos tradicionais, mas curiosos. Valorizamos a magia viva, a inovação, o singular. E você, meu querido, é excepcionalmente singular. O primeiro bruxo de sua linhagem! Isso não é uma mancha, é uma medalha de honra.
Chanyeol ficou embasbacado, sentindo o peso de anos de insegurança simplesmente se dissolver. A vida inteira ele se sentira como uma anomalia, uma exceção às regras. Mas ali, naquela sala, diante daquela família excêntrica, sua origem não era uma fraqueza; era sua maior força.
Com o peso de anos de insegurança finalmente retirado de seus ombros, Chanyeol se sentiu mais leve do que nunca. A família se mudou do salão de jantar para a grande sala de estar, onde uma montanha de presentes estava empilhada sob a árvore de Natal de cobras prateadas. A atmosfera era de uma algazarra alegre, com papel de embrulho que se desfazia em pó brilhante e risadas que ecoavam pela sala.
A felicidade foi interrompida de forma brusca. A pequena Baekyeon, que havia ganhado um kit de doces mágicos experimentais, comeu uma goma que deveria mudar de cor, mas que, em vez disso, começou a inchar rapidamente em sua garganta.
O riso da menina parou. Ela levou as mãos ao pescoço, os olhos arregalados em pânico silencioso. Seu rosto começou a adquirir um tom azulado perigoso.
O ar parou.
— Querida! — Serin gritou, o rosto pálido.
— Baekyeon! — Taekros se levantou abruptamente, a voz um trovão de pânico. — LiuBai! Chame o Sr. Oh! Agora!
Mas Chanyeol já estava em movimento. Em um instante, o convidado tímido desapareceu, dando lugar a um profissional calmo e focado.
— Deitem-na de lado, no tapete! — sua voz cortou o pânico, cheia de uma autoridade que ninguém ali jamais ouvira.
Baekhyun, paralisado por um segundo, obedeceu instintivamente, ajudando a deitar a irmã. Chanyeol ajoelhou-se ao lado dela e, com uma calma que contrastava com a súbita tensão, agiu.
— Anapneo — conjurou ele, o feitiço desobstruindo as vias respiratórias da menina com precisão.
Ela ofegou, o ar voltando a seus pulmões, mas seu corpo tremia com espasmos, e sua magia infantil crepitava de forma instável ao seu redor.
— Firmare Internum . O feitiço estabilizador, complexo e muito acima de seu nível escolar, envolveu a pequena Baekyeon em um brilho dourado e suave. As faíscas se extinguiram e seu corpo parou de tremer. Um choro de susto e alívio finalmente veio, alto e saudável.
Meia hora depois, a calma havia retornado. Baekyeon, após ser examinada pelo Medibruxo da família, o Sr. Oh, já dormia tranquilamente no colo de Serin no andar de cima. Chanyeol, Baekhyun e Taekros desceram com o velho bruxo para a biblioteca.
— Eu devo dizer, Sr. Park — começou o Sr. Oh, os olhos experientes brilhando com respeito. — Aquele Firmare Internum foi executado com uma precisão que não vejo desde os meus tempos jovem curandeiro. A reação alérgica estava causando um espasmo mágico. Você impediu um colapso que poderia ter sido grave. Meu neto, Sehun, deveria ter metade da sua seriedade nos estudos.
Taekros, com os olhos marejados de alívio e um orgulho avassalador, colocou uma mão pesada no ombro de Chanyeol.
— Incrível. Simplesmente incrível. — Ele se virou para o médico com um sorriso teatral. — Parece que o senhor pode se aposentar, Sr. Oh. Já temos um médico residente na família! Ele já consertou o Baekhyun de um encontro desastrado com um balaço e agora salvou a herdeira mais nova.
Baekhyun, que observava tudo com admiração, não conseguiu se conter. Ele passou um braço pelos ombros de Chanyeol, o peito estufado de orgulho.
— Estão vendo? Eu não disse que meu namorado era um gênio?
Um silêncio momentâneo e divertido caiu sobre o grupo. Chanyeol corou, virando-se para Baekhyun.
— Que namorado, não lembro de ter recebido um pedido?
O sorriso de Baekhyun não vacilou; tornou-se mais largo, mais predatório.
— Oh, não me entenda mal. A informação está correta, apenas foi... prematuramente divulgada — ele deu uma piscadela para Chanyeol. — Para que seja oficial, o protocolo da família exige uma joia. Vou buscá-la no cofre.
A promessa pairou no ar, mais brilhante e mais quente que qualquer fogo da lareira, deixando Chanyeol com o coração aos pulos e a certeza de que aquela noite ainda estava longe de terminar.
[...]
Já passava da meia-noite. Chanyeol estava sentado na beira da cama, vestindo um pijama de algodão macio que encontrara sobre os lençóis, simples (dentro do que os Byun consideram simples) e confortável. Sua mente repassava os eventos do dia em um loop vertiginoso: a recepção calorosa, o pânico nos olhos de Baekyeon, a sensação da magia de cura fluindo através dele, a mão pesada e orgulhosa de Taekros em seu ombro, e a voz de Baekhyun o chamando de "gênio"... e, mais tarde, de "namorado". Um sorriso bobo teimava em aparecer em seus lábios. Ele estava quase cedendo ao sono, sentindo-se mais em casa do que jamais se sentira, quando ouviu uma batida suave na porta.
A porta se abriu para revelar Baekhyun. Ele também havia trocado de roupa, vestindo um pijama de seda escura sob um luxuoso roupão de veludo em um cinza bem escuro, bordado com as iniciais dele. Ele não entrou completamente, apenas se encostou no batente, um brilho travesso em seus olhos que afastava qualquer cansaço.
Foi nessa quietude que Baekhyun se virou para Chanyeol, os olhos brilhando com uma promessa.
— Venha — sussurrou ele. — Tenho algo para te mostrar.
Guiado pela mão firme de Baekhyun, Chanyeol o seguiu por corredores escuros que ele ainda não havia explorado. As sombras dançavam nas paredes enquanto passavam, e os retratos que os observavam pareciam conter segredos milenares.
O corredor terminava em um pequeno jardim de inverno, iluminado apenas pela lua que brilhava através de um teto de vidro. No centro, uma parede inteira era coberta por vinhas prateadas e vivas, cujas folhas tremulavam suavemente, apesar da ausência de vento. As vinhas se entrelaçavam para formar o brasão da família Byun.
— A Guardiã — disse Baekhyun em voz baixa. — Tão antiga quanto a própria casa. Ela só responde à nossa magia.
Baekhyun estendeu a mão, e em vez de tocar nas vinhas, ele conjurou uma pequena esfera de luz prateada na palma da mão, uma manifestação de sua magia pessoal. Ele ofereceu a luz às vinhas. As plantas pareceram se animar, estendendo-se para a luz e absorvendo-a com um brilho suave. Satisfeitas, as vinhas se afastaram do centro, abrindo-se como uma cortina viva para revelar a passagem escura para o corredor dos retratos.
Assim que passaram pela cortina de vinhas, que se fechou silenciosamente atrás deles com um farfalhar prateado, Chanyeol se viu em um corredor de pedra polida, iluminado por lanternas flutuantes que emitiam uma luz quente. As paredes eram ladeadas por pinturas a óleo de gerações de ancestrais Byun, uma galeria de rostos que contava a história de uma linhagem vasta e poderosa.
Baekhyun parou em frente a um retrato de uma bruxa vestida com um quimono de seda celestial, adornado com flores de cerejeira que pareciam desabrochar e murchar lentamente. Seus olhos brilhavam com a sagacidade de quem conhecia mil segredos.
— Minha bisavó Mei, do ramo japonês da família — apresentou Baekhyun, com um tom de reverência e carinho. — Ela adoraria você. Sempre teve um fraco por talentos inesperados e uma paixão por poções inovadoras.
Alguns quadros estavam vazios, e Baekhyun apontou para um deles com um sorriso maroto.
— O General Jian deveria estar aí. Ele está visitando o retrato da tia-avó Suling no salão de música, provavelmente para discutir, pela centésima vez, quem trapaceou naquela batalha mágica do século XVIII. Ele é notoriamente competitivo.
Ele guiou Chanyeol até o final do corredor, onde estava o maior dos retratos: um bruxo imponente, de feições coreanas e um olhar severo, mas justo. Suas vestes eram de um estilo antigo, bordadas com fios de ouro que pareciam brilhar com luz própria.
— E este é o fundador da nossa casa, Haneul Byun. — Baekhyun apertou a mão de Chanyeol, um gesto que o ancorava no presente, e se dirigiu à pintura com uma clareza que ecoou no corredor silencioso. — Vovô, este é Chanyeol. O meu Chanyeol.
O bruxo no quadro ergueu uma sobrancelha, seus olhos pintados percorrendo Chanyeol da cabeça aos pés com uma intensidade que parecia real. Após um momento que pareceu uma eternidade, ele deu um aceno quase imperceptível. Chanyeol sentiu um arrepio percorrer sua espinha; era a aprovação de séculos de magia, de uma história que agora, de alguma forma, ele fazia parte.
Finalmente, chegaram a uma porta de obsidiana maciça, gravada com runas prateadas que pulsavam com uma luz fraca. O cofre da família.
— O cofre só se abre para o sangue Byun... e para aqueles que um Byun confia com sua alma — disse Baekhyun, a voz séria. Ele pegou a mão de Chanyeol gentilmente. — Eu preciso registrar você. Para que este lugar sempre saiba que você pertence aqui.
De uma pequena reentrância na parede, Baekhyun pegou um delicado estilete de obsidiana. Em vez de usar um feitiço, ele tocou a ponta do estilete no dedo de Chanyeol, e uma única gota de sangue surgiu, sem dor alguma. Ele pressionou o dedo do Lufano contra uma runa específica na porta. A gota de sangue brilhou em um tom dourado e, em vez de ser simplesmente absorvida, a runa pareceu bebê-la, e a luz viajou a partir daquele ponto, tecendo uma teia prateada por toda a porta. Com um zumbido baixo e harmonioso, a porta de obsidiana se abriu.
O interior não era uma caverna de ouro, mas uma grandiosa sala iluminada por uma luz mágica suave. Prateleiras de carvalho escuro guardavam artefatos, livros encadernados em couro de dragão e caixas de joias delicadamente esculpidas. Baekhyun caminhou até uma caixa de veludo preto e a trouxe de volta.
Ele se ajoelhou.
O coração de Chanyeol parou.
— Park Chanyeol — começou Baekhyun, a voz, antes tão cheia de confiança, agora tremia levemente. — Eu sei que meu roteiro é ridículo, e que demorei anos para ter coragem. Desde o dia em que um polvo ficou grudado no seu rosto e você apenas riu, eu soube que não haveria mais ninguém. Mas a única parte que importa é esta. Você me salvou de mim mesmo mais vezes do que pode imaginar, e eu me joguei na frente de um balaço por você, o que, francamente, parece um bom começo. Você quer ser, oficialmente e para que todos os meus ancestrais fofoqueiros saibam, meu namorado?
Dentro da caixa repousava um anel de prata, simples à primeira vista, mas com pequenos diamantes que cintilavam como estrelas contidas. Havia nele uma autoridade silenciosa, elegante, discreta, poderosa, como se prometesse proteção e lealdade sem precisar de palavras.
Lágrimas que Chanyeol não sabia que estava segurando escorreram por seu rosto. O garoto que se sentia uma anomalia em seu próprio mundo estava sendo convidado a se tornar uma parte honrada do legado de outra pessoa. Com a voz embargada pela emoção, ele conseguiu sussurrar a única resposta possível.
— Sim.
Baekhyun deslizou o anel em seu dedo, onde ele se ajustou perfeitamente com um calor suave. Ele se levantou e enxugou as lágrimas de Chanyeol com os polegares, o sorriso em seu rosto era a coisa mais brilhante naquele cofre. Chanyeol olhou para o anel, uma promessa sólida em sua pele.
— É lindo, Baekhyun — disse ele, maravilhado.
— Fico feliz que tenha gostado. É um Anel de Vínculo. Vai aquecer um pouco sempre que eu estiver pensando em você — respondeu Baekhyun, o tom presunçoso voltando à sua voz enquanto o abraçava pela cintura. — Esse é só o de namoro, claro. As alianças do casamento estão em outra parte do cofre. Não queremos misturar as coisas, seria uma bagunça.
Chanyeol riu, um som baixo e genuinamente feliz que ecoou na quietude do cofre. Ele balançou a cabeça, o sorriso alcançando seus olhos ainda brilhantes.
— Você é inacreditável — sussurrou ele, a voz cheia de uma adoração que ele não tentou esconder.
Ele se inclinou e o beijou, e o sorriso ainda estava em seus lábios. Foi diferente dos outros. Não começou com a hesitação do lago ou com a urgência da varanda. Começou com alegria. Foi um toque suave, depois outro, um beijo no canto da boca de Baekhyun que o fez rir baixinho contra os lábios de Chanyeol.
Era um beijo que celebrava. Havia apenas a calma feliz de um futuro que acabara de começar. As mãos de Chanyeol não agarraram, elas acariciaram, traçando a linha da mandíbula de Baekhyun, os dedos sentindo a pulsação suave em seu pescoço. Baekhyun, por sua vez, não o segurou com desespero, mas repousou as mãos suavemente em seus ombros, como se estivesse memorizando a sensação.
O beijo se aprofundou, mas não em paixão, e sim em intimidade. Foi um murmúrio de promessas, uma troca silenciosa de devoção. Era a certeza tranquila de que teriam todos os beijos do mundo a partir daquele momento.
Quando se afastaram, ofegantes, mas sorrindo, permaneceram com as testas coladas. Baekhyun pegou a mão de Chanyeol, passando o polegar sobre os diamantes cravejados no anel.
— Isso fica muito bem em você — disse ele, a voz baixa e satisfeita. Olhou nos olhos de Chanyeol, o brilho presunçoso retornando. — Mas saiba… isso é só o começo da coleção.
Chanyeol riu, sentindo o calor do anel em seu dedo como uma promessa tangível de todas as piadas, todos os beijos e todos os momentos que ainda estavam por vir.
— Então… eu mal posso esperar pelo resto — murmurou, meio envergonhado, meio feliz.
[...]
Nos meses que se seguiram, a união Byun-Park deixou de ser um escândalo para se tornar uma fascinante parte da rotina de Hogwarts. O brilho possessivo nos olhos de Baekhyun sempre que alguém olhava para Chanyeol por tempo demais era uma visão comum, geralmente apaziguada por um Chanyeol que, com uma paciência divertida, o desarmava com beijos discretos no rosto que faziam o sonserino sorrir.
A proteção, no entanto, era mútua e feroz. Quando um aluno ambicioso tentou enfeitiçar Baekhyun com uma Poção do Amor, foi o faro de Chanyeol para ingredientes que identificou a armadilha antes que ela fosse usada. A fúria silenciosa que se seguiu resultou em uma detenção para o lufano (por duelo ilegal nos corredores) e uma visita prolongada do culpado à enfermaria, um incidente que deixou Baekhyun secretamente extasiado de orgulho.
O esforço conjunto deles em sala de aula foi tão notável que, pela primeira vez em toda a história de Hogwarts, Sonserina e Lufa-Lufa terminaram o ano letivo em um empate técnico pela Taça das Casas, um testamento ao poder do casal mais comentado da escola. Foi nesse semestre que também conquistaram suas licenças para aparatar, um passo crucial para a liberdade que buscavam. O sexto ano de Chanyeol em Hogwarts, que começara com desespero, terminou com uma certeza tranquila.
Mas uma última barreira restava.
A rua onde Chanyeol cresceu era um desfile de sucesso material. Casas grandiosas com gramados perfeitos e cercas vivas impecavelmente esculpidas competiam por atenção. O carro escuro e silencioso dos Byun deslizou pela via, seu luxo discreto tornando os carros importados nas garagens vizinhas estranhamente vulgares. A casa dos Park era a maior do quarteirão, uma construção imponente que tentava ser moderna e clássica ao mesmo tempo, mas que para Chanyeol, agora, parecia apenas... vazia. A fachada que antes o intimidava, agora parecia uma casca frágil e pretensiosa.
Dentro do carro, o silêncio parecia um mundo à parte. Ele ajeitou a gola de sua camisa, as mãos suando frio. Baekhyun, sentado ao seu lado, imediatamente pegou uma de suas mãos, entrelaçando seus dedos com uma firmeza que era um bálsamo para sua ansiedade. O gesto era um lembrete sólido de que ele não estava mais sozinho.
— Lembre-se, você não deve nada a eles — sussurrou Lorde Taekros do banco da frente, a voz calma, mas com um fundo de aço. Seus olhos observavam a casa não com admiração, mas com a análise de um predador.
Madame Serin, ao lado dele, apenas assentiu. Seus olhos percorreram a fachada com um desdém contido — não pela falta de dinheiro, mas pela ostentação sem alma, cada detalhe incapaz de esconder a superficialidade da riqueza.
Apreensivo, mas sentindo o apoio da família que o havia escolhido, Chanyeol saiu do carro. O ar parecia o mesmo, mas ele era diferente. Caminhou pelo caminho de pedras perfeitamente alinhadas, subiu os degraus de mármore polido e tocou a campainha.
A porta se abriu com um tranco, e o rosto de sua mãe se contorceu numa máscara instantânea de desprezo.
— O que você está fazendo aqui? — A voz dela silvava, cortante, como sempre. — Achei que tínhamos sido claros sobre não aparecer até o fim do…
A frase morreu em sua garganta. Seus olhos, antes fixos em Chanyeol, se arregalaram, desviando-se para algo atrás dele. Na calçada, o carro parecia um bloco de obsidiana polida, um predador silencioso em meio aos outros veículos. As figuras que saíram dele vestiam roupas de corte e tecido desconhecidos, movendo-se com uma autoridade que tornava a grande casa subitamente pequena, até insignificante.
Madame Serin avançou, não caminhando, mas deslizando sobre a calçada com a graça calculada de uma pantera. Seu olhar percorreu a Sra. Park da cabeça aos pés, como se catalogasse cada falha e vulnerabilidade.
— A presença de Chanyeol aqui é uma cortesia dele, não uma necessidade nossa — disse ela, a voz melodiosa envolvendo as palavras como veludo sobre lâmina. Passou brevemente pelos olhos da Sra. Park antes de inspecionar a entrada da casa. — Honestamente, acreditávamos que ele já não possuía nada de valor neste lugar.
A Sra. Park recuou um passo, involuntariamente, como se tivesse sido atingida. Atrás dela, o Sr. Park surgiu, confusão ainda estampada no rosto, transformando-se rapidamente em intimidação contida. A riqueza do lugar era óbvia, mas a aura de poder emanada pelos visitantes tornou o ar pesado, quase sufocante.
— Quem são vocês? — gaguejou ele. — O que têm a ver com o Chanyeol?
Um sorriso lento e predatório se formou nos lábios de Taekros, que se adiantou para ficar ao lado da esposa.
— Nós somos o que acontece quando vocês falham — respondeu ele, voz perigosamente suave, o sorriso uma afirmação de controle absoluto. Fez uma pausa, deixando a condenação pairar no ar. — Somos a família que o reivindicou. Mas, para simplificar… ‘sogros’ será suficiente. Por enquanto.
A palavra caiu no ar como uma bomba. O choque no rosto dos pais de Chanyeol foi visceral, mas no semblante da Sra. Park, ele se desfez, estilhaçando-se como vidro. No lugar, surgiu uma expressão que Chanyeol conhecia bem: a ganância. Seus olhos, antes cheios de raiva, agora eram afiados e calculistas. Eles cravaram-se na mão de Chanyeol, que Baekhyun ainda segurava.
E lá estava. O brilho prateado, inconfundível e caro, não era apenas uma joia. Era um símbolo. Uma promessa de uma riqueza e de um status que ela jamais poderia sonhar em alcançar, agora brilhando no dedo do filho que ela sempre desprezou.
Chanyeol ergueu o olhar para os pais, a voz baixa mas firme, quase cortante.
— Vou subir para pegar minhas coisas. Não levarei muito tempo.
Enquanto os passos de Chanyeol ecoavam escada acima, o advogado dos Byun, um homem com olhos de um gavião e um terno que parecia costurado com sombras, deu um passo à frente. Ele não apresentou os documentos; ele os colocou sobre a mesa de centro com a finalidade de uma sentença.
— Um acordo de tutela. Irrevogável — sua voz era desprovida de emoção, um instrumento afiado. — Transfere a responsabilidade legal no mundo trouxa e o bem-estar do Sr. Park para a família Byun. Os termos para a sua cooperação são, digamos, generosos. Assinem.
Não foi um pedido. Foi uma ordem. Diante de um poder que eles não podiam compreender, movidos por uma mistura de medo e ganância, os Park assinaram.
Quando Chanyeol desceu, havia uma nova gravidade em sua postura. Sua mochila estava leve em seu ombro e o restante estava encolhido, seguro em seu bolso, um truque casual de uma magia que ele agora empunhava com confiança. Ele não olhou para seus pais. Seus olhos encontraram os de Baekhyun do outro lado da sala, um porto seguro em meio à tempestade de sua vida passada. Ele caminhou em direção a ele, como se já estivesse em casa.
Foi a Sra. Park quem quebrou o silêncio, a voz pingando uma doçura desesperada e falsa, uma última tentativa patética de agradar os novos patronos de seu filho.
— Chanyeol... você não vai se despedir?
Ele parou, mas não se virou imediatamente. Quando o fez, seu rosto estava calmo, mas seus olhos eram frios como o inverno. O garoto ferido que eles haviam criado não existia mais. Em seu lugar, estava um homem que os olhava de cima a baixo, não com raiva, mas com a indiferença devastadora que se reserva a estranhos.
— Despedir? — repetiu ele, a palavra soando absurda em seus lábios. — Nós nos despedimos no dia em que vocês decidiram que eu era uma vergonha. Isto — ele gesticulou vagamente para a sala, para eles, para a vida que estava deixando para trás — é apenas uma formalidade.
Sem dar a eles a dignidade de outra palavra, ele se virou, pegou a mão de Baekhyun, sentindo o calor familiar do anel contra sua pele. Com um último olhar para a casa que nunca fora seu lar, ele girou.
O CRAC da aparatação foi como uma fratura no próprio ar. Para os Park, foi a prova final e aterrorizante de que seu filho havia sido engolido por um mundo que eles nunca poderiam tocar. Em um instante, ele se foi, deixando para trás apenas o vazio.
Eles aterrissaram no hall da Mansão Byun. O ar ali era quente, seguro, preenchido pelo cheiro de magia antiga e de lar. Antes que Chanyeol pudesse sequer respirar, Baekhyun o puxou para um abraço feroz, segurando-o com uma força que dizia tudo.
— Eu estou tão orgulhoso de você — disse ele, a voz abafada contra o ombro de Chanyeol. Ele se afastou, segurando o rosto do lufano entre as mãos, os olhos brilhando com uma intensidade que espelhava a sua. — Acabou. De verdade. Sua única responsabilidade agora é se tornar o melhor curandeiro que este mundo já viu. De todo o resto… não se preocupe com nada. Nós cuidamos de tudo. Cada ação, cada consequência, cada possível problema… está sob nosso controle. Você não precisa mais carregar nada sozinho.
[...]
O balanço suave do Expresso de Hogwarts era um som que Chanyeol agora associava ao conforto de um recomeço. Desta vez, no entanto, era o início do fim. Sentado no compartimento que haviam reivindicado, ele se encostou no ombro de Baekhyun, sentindo o calor familiar que irradiava dele. A paisagem verdejante da Escócia passava pela janela, um borrão de promessas para o último ano.
Enroscada no colo de Chanyeol, Perséfone, uma gata preta de olhos verdes astutos que Baekhyun lhe dera de aniversário, soltou um suspiro satisfeito em seu sono, o ronronar um motor suave e constante.
— Nosso último ano — murmurou Baekhyun, a voz baixa e quase brincalhona. Ele apertou o braço em volta dos ombros de Chanyeol. — Parece surreal. Sem pais nos controlando, sem colegas nos atormentando… só nós dois. E, honestamente, ainda estou me recuperando do interrogatório rigoroso do seu melhor amigo durante as férias.
Chanyeol riu, lembrando-se da semana em que Kyungsoo visitou a Mansão Byun.
— Ele não te interrogou. Ele só estava... garantindo que minhas escolhas românticas não eram completamente desastrosas.
— Garantindo? — Baekhyun bufou, falsamente ofendido, colocando a mão sobre o peito. — Ele fez uma análise completa da minha linhagem, do meu histórico acadêmico e das minhas perspectivas de carreira em menos tempo do que leva para preparar uma Poção Wiggenweld. Se aquilo não foi uma avaliação para aprovação, então Gilderoy Lockhart realmente mereceu aquela Ordem de Merlim.
— Era só zoeira — Chanyeol defendeu o amigo, embora um sorriso culpado brincasse em seus lábios. — Ele só queria ter certeza de que você era bom o suficiente para mim. Ele te aprovou, no final. Disse que você era "excessivamente dramático", mas que suas "intenções pareciam adequadas".
— Que elogio generoso — disse Baekhyun, revirando os olhos, embora Chanyeol percebesse o brilho divertido neles. — Ao menos aproveitou minha presença ilustre para dissecar cada suspiro trocado com o francês. — Ele se inclinou, cúmplice. — O charme do Kim está duelando com a lógica no cérebro teimoso do Doh. E, sinceramente, meu dinheiro está no Veela.
Chanyeol assentiu, o tom ficando mais sério.
— Ele ama tudo na França, a alquimia, a escola... mas o Jongin o deixa confuso. Ele gosta muito dos sentimentos que o Jongin provoca nele, mas tem medo de que seja só o fascínio da criatura, que o Jongin só queira brincar com ele.
— Uma preocupação válida, mas vinda do Kyungsoo, é pura projeção — analisou Baekhyun com precisão. — Ele passou a semana inteira me testando para ter certeza de que eu era sincero com você, porque é exatamente o que ele teme que o Jongin não seja com ele.
Era verdade. Chanyeol suspirou, um som de puro contentamento.
— Ainda bem que você não é tão complicado. Quer dizer, você se jogou na frente de um balaço e planejou uma invasão à minha casa, mas pelo menos não fez joguinhos demais.
Baekhyun riu baixinho, o som vibrando no peito de Chanyeol.
— Jogos são uma perda de tempo quando se sabe o que se quer. — Ele beijou o topo da cabeça de Chanyeol, a voz ficando mais suave. — E eu sempre soube que queria você.
Chanyeol sorriu contra o ombro dele, o coração tranquilo. Ele se aconchegou novamente, acariciando as orelhas de Perséfone. Eles ficaram em silêncio por um tempo, observando as montanhas se aproximando no horizonte. O trem apitou, um som longo e familiar anunciando que eles estavam quase em casa.
E com a paisagem da Escócia passando pela janela, pela primeira vez, o futuro não parecia uma ameaça, mas uma promessa. Uma promessa de N.I.E.M.s, de uma carreira como curandeiro, de apartamentos com lareiras e de visitas à França para, talvez, ajudar um amigo teimoso a aceitar que ele merecia ser feliz. Uma promessa que ele construiria, lado a lado, com o garoto que o havia ensinado que ele não era uma anomalia, mas uma escolha. A sua escolha.
What I would do
(O que eu faria)
What I would say
(O que eu diria)
The lengths I would go
(Até onde eu iria)
To the measures I'd take to be loved
(As medidas que tomaria para ser amado)
Oh, to be loved by
(Oh, ser amado por)
Oh, to be loved by
(Oh, amado por)
Someone who feels, someone who cares
(Alguém que sinta, alguém que se importe)
Someone who's simply there
(Alguém que simplesmente esteja presente)
Oh, to be loved
(Oh, ser amado)
Oh, to be loved by
(Oh, ser amado por)
Oh, to be loved by you
(Oh, ser amado por você)
The End ?
[...]
O entardecer inundava o elegante dormitório em Beauxbatons, refletindo no mármore claro do chão. Enquanto um conjunto de penas se auto-organizam por cor em um estojo e as vestes de seda azul flutuavam para dentro do armário, Do Kyungsoo estava focado no que realmente importava: arrumar seus preciosos livros de alquimia na prateleira.
Tinham acabado de chegar para o início das aulas, e ele se preparava para ir ao salão de jantar. Foi então que sentiu um calor súbito e familiar tomar conta de suas orelhas.
— Minhas orelhas estão quentes... — murmurou para si mesmo, um pequeno sorriso irônico surgindo em seus lábios. — Quem será que está falando de mim...?
Uma presença sutil se materializou atrás dele, um perfume caro de sândalo e magia. Uma voz, rouca e perigosamente próxima ao seu ouvido, sussurrou.
— Não é fofoca, Soo… é só seu corpo reagindo a mim.
A resposta ácida, uma mistura de química e sarcasmo, formou-se instantaneamente na língua de Kyungsoo. Era o costume, o jogo deles. Desde o sexto ano, quando Jongin ficava irritado por seu poder Veela não funcionar com ele, as provocações eram a linguagem deles. Mas, antes que pudesse disparar a réplica, a imagem de Chanyeol, rindo de forma genuína e relaxada ao lado de Baekhyun na Mansão Byun, surgiu em sua mente. A imagem daquela paz, daquela certeza.
E, de repente, Kyungsoo se sentiu cansado. Exausto de lutar, de competir, de analisar cada movimento como se fosse uma ameaça.
A réplica mordaz morreu antes de nascer. Ele respirou fundo, uma rendição silenciosa. Que Jongin brincasse, então. Talvez fosse mais fácil apenas aceitar e deixar doer de uma vez.
Ele se virou, o rosto neutro, e pegou o chapéu pontudo de seu uniforme de cima da cama.
— É melhor se apressar, o jantar será servido em breve — disse ele, a voz calma, e saiu do quarto sem dar a Jongin a satisfação de uma briga.
Jongin ficou parado, o sorriso flertador desaparecendo lentamente, substituído por uma expressão de confusão.
Aquela não foi a reação que ele esperava. Ele tinha passado as férias inteiras percebendo que o que sentia por Kyungsoo era real, e planejando como, neste último ano, iria finalmente convencê-lo disso. A provocação era para ser um começo, um convite para o jogo que eles sempre jogavam, mas Kyungsoo simplesmente... não jogou.
Sozinho no silêncio do quarto, ele observou a porta fechada. Seus olhos, antes de um castanho escuro, lentamente perderam a cor, transformando-se em um cinza luminoso e rodopiante. Era a cor da sua magia Veela, sim, mas agora era também a cor da sua frustração e de um anseio que não sabia mais como comunicar.
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