Aula 5 - André Cardoso
Mary me empurrou para dentro do apartamento dela.
— Você tinha que tentar esquecer esse cara, amiga – Mary me disse se sentando na poltrona, com as pernas cruzadas, segurando uma caneca de chá e com a postura ereta. Seu rosto era como uma pedra bruta e que
Meus olhos encheram de água. As lágrimas se soltaram de mim como uma correnteza que não conseguia controlar. Joguei a caneta sobre as folhas, soltei o peso no sofá e embaracei meus cabelos.
“Aquele desgraçado não tem o direito de continuar invadindo os meus pensamentos sem eu deixar”, pensei. “Burra, burra, burra”, praguejei mentalmente.
Mary suspirou e aliviou a postura.
— Olha… ele fez merda. E uma merda grande, você sabe disso — sua voz era agressiva e pontiaguda como uma faca. — Me faz perguntar como eram os seus outros namorados...
— Eles não eram assim, tá legal? — Disse, com a voz embargada pelo choro.
Mary soltou a respiração novamente e revirou os olhos, claramente cansada.
— Ele-
— Bateu numa criança. — Mary foi incisiva na sua resposta.
— Mas ela-
— Não tem “mas”. Você bateria em alguma das crianças de Stranger Things? — “Golpe baixo”, pensei.
— Não… — Disse, baixinho.
— Então pronto! — Ela apoiou os ombros nos joelhos. — Ele tá te deixando biruta.
— Você nem me conhece direito!
— Te conheço por três meses, já bastante para saber como uma pessoa se porta quando está no juízo perfeito. — Disse, sentando na ponta da poltrona.
— Ele cagou no pau… — Levantei o rosto para Mary e analisei bem o seu rosto.
— Cagou no pau? Ele pisou na merda e deu uma sambadinha para fechar com chave de ouro. — Mary mantinha um sorriso sarcástico no rosto. — Você precisa esquecê-lo.
Olhei bem para o seu rosto. Era tão diferente dele que me trazia uma paz.
O apartamento dela era bonito, com o chão de madeira escura e as paredes em tom pastel, com quadros de filmes e animes. Nada lá lembrava dele. Era isso que precisava.
— Posso ficar aqui? — Abaixei a cabeça e dei um sorriso acanhado.
Mary se levantou e estendeu a mão para mim.
— Sempre que precisar, minha querida. — Seu sorriso era caloroso e confortável. Me sentia em paz enfim.














