Reflexo da solidão por Fellipe Rebouças
Eram 3:33 da madrugada, depois de um encontro não amigável. Em uma noite fria, Magno, que se erguia de seu leito, sentia-se ameaçado pelo temporal que caía lá fora, a forte chuva o amedrontava, pois, o menor contato com a água o destruiria por completo. Frequentemente, nesse horário, quando as noites eram chuvosas, escutava barulhos de batidas no vidro que sempre o incomodaram, mas apenas naquela noite resolveu investigar, já que não conseguia recarregar suas energias. Seus pensamentos não o deixavam descansar, ocupavam todo o espaço em sua mente. Ser diferente não era um problema, mas quando começou a ser julgado por aqueles que confiavam, começou a questionar a si mesmo. Seu jeito de ser diferente dos outros começou a virar um fardo. Sua versão era incompatível com a dos demais, e isso se tornou como um vírus que o corroía por dentro, fazendo com que Magno quisesse desligar para sempre.
Pisava fundo na madeira oca que compunha o chão de sua casa, o rangido que vinha da madeira, perturbava Magno. Conforme se aproximava da janela, os barulhos que o incomodavam se distanciaram. A dúvida tomava conta de si, já não conseguia mais processar o que acontecia, seu algoritmo não conseguia responder seus questionamentos. Decide mudar de rota, já que havia percebido que os barulhos não vinham lá de fora. Ao perceber isso, sentiu que se intensificaram. Escutava barulhos diferentes acompanhando os já conhecidos, eles vinham do banheiro. Magno, se movendo na ponta dos pés, completamente aterrorizado, ia checar os sons macabros e ensurdecedores que vinham da janela do banheiro, tinha uma sensação que nunca havia sentido, um medo de algo que não conhecia. Ao entrar no banheiro, virou-se para a janela, o barulho não vinha de lá. Magno paralisou, completamente estático, ao perceber que os barulhos vinham, na verdade, do espelho atrás dele.















