TW: morte, luto
A perda de uma pessoa amada nunca é algo fácil, ainda mais de uma forma precoce e sem qualquer preparo prévio, mas quem esta vivo deve aprender a seguir mesmo com a saudade apertando em seu peito.
Num futuro talvez não tão distante, uma empresa de tecnologia que se especializou em robôs de serviços e androides que serviriam como substitutos para algumas atividades humanas decidiu que era hora de ousar um pouco suas criações. Usando bancos de dados de históricos e rastros de uma pessoa na internet, eles criaram um sistema que simulava as interações e sentimentos humanos, assim essas configurações eram instaladas em um androide onde a aparência seria desenvolvida para ser o mais parecido possível com o humano cujas informações foram colhidas.
O objetivo desse projeto no mínimo estranho era que pessoa que estivessem enlutadas poderiam viver um pouco mais e de forma mais real possível a presença de seu ente querido ao seu lado novamente. A ideia foi um choque de início, já não bastava os robôs tomando o lugar dos humanos em todos os lugares possíveis, agora eles iriam tomar os lugares de pessoas mortas? Parecia bizarro, mas era real e mesmo com o choque de início o primeiro lote dos androides personalizáveis se esgotou como água na seca, provando assim que sim, as pessoas queriam passar por aquela experiência.
Muse A foi uma dessas pessoas que comprou seu exemplar no primeiro lote. Seu companheiro havia morrido há pouco mais de três anos e elu não conseguia viver mais por conta daquela falta que lhe marcava o peito de forma tão dolorida. Elu não conseguia seguir a vida, não conseguia nem mesmo se relacionar com o resto de sua família e tudo parecia se encaminhar para outra tragédia. Foi então que o androide parecia sua melhor escolha no momento.
O robô, ou melhor, o androide, era tal qual ela havia encomendado após preencher os formulários quilométricos para a compra pois quanto mais detalhes elu desse, mais parecido com o verdadeiro companheiro o robô seria. Não era só aparência que era igual, mas a textura da pele, o cheiro do cabelo, tudo era exatamente igual ao que se lembrava e por um momento Muse A acabou pensando que seu sofrimento havia se acabado.
O androide fazia tudo o que o falecido fazia, era igual até mesmo nas brigas que eles tinham eventualmente, parecia que a morte nunca havia entrado naquela narrativa de vida e tudo parecia perfeito. Mas será que estava mesmo? Muse A estava realmente amando um androide e mais ainda, será que é possível um androide desenvolver sentimentos?










