Carta de Atena para Hermes: "A Humanidade"
Hermes, a Terra assusta-me. Quando aqui cheguei há algum tempo, achei ver nos humanos o brilho da vida, não o jogo de interesses que antecipava para o dia de hoje. Pensei que irias adorar, sendo o comércio a tua arte, mas isto é diferente — não é arte, é morte. Os humanos prometem coisas que não cumprem, amam num dia e no outro já se esquecem, e falam com uma certeza daquilo que não sabem. Falta-lhes sabedoria e muito amor. Entendes agora porque nunca me quis apaixonar? Só quando conhecem a dor parecem entender os valores do outro, da realidade e da sabedoria. Hermes, poupa-te de viajar para aqui, pelo menos por agora, temo que isso te afete. No entanto, admito que na minha cidade ainda vislumbra esperança. Vi uma jovem dançar cheia de sonhos perto das oliveiras que presenteei à minha amada cidade. Ela parece acreditar que ainda há alegria de viver, mesmo que seja só um pouco. Eu vi isso quando ela dançou. Eu senti isso. Mas também senti a justiça percorrer as minhas veias e a fúria ao perceber o estado atual da humanidade. Contudo, talvez haja esperança, ainda que mínima. Regresso amanhã, se nada mudar. Vejo-te na biblioteca de sempre.
Com prudência,
Atena
autoria: @thevalleyswhereflowersgrow












