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A vida profissional Têm o mesmo nome, o mesmo sobrenome. Ocupam a mesma casa e calçam os mesmos sapatos. Dormem no mesmo travesseiro, ao lado da mesma mulher. A cada manhã, o espelho lhes devolve a mesma cara. Mas ele e ele não são a mesma pessoa: — E eu, o que tenho a ver com isso? — diz ele, falando dele, enquanto sacode os ombros. — Eu cumpro ordens — diz, ou diz: — Sou pago para isso. Ou diz: — Se eu não fizer, outro faz. Que é como dizer: — Eu sou o outro. Frente ao ódio da vítima, o verdugo sente estupor, e até uma certa sensação de injustiça: afinal, ele é um funcionário, um simples funcionário que cumpre seu horário e suas tarefas. Terminada a jornada extenuante de trabalho, o torturador lava as mãos. Ahmadou Gherab, que lutou pela independência da Argélia, me contou. Ahmadou foi torturado por um oficial francês durante vários meses. E a cada dia, às seis em ponto da tarde, o torturador secava o suor da fronte, desligava da tomada a máquina de dar choques e guardava os outros instrumentos de trabalho. Então se sentava ao lado do torturado e falava de sua mulher insuportável e do filho recém-nascido, que não o deixara grudar o olho a noite inteira; falava contra Orã, esta cidade de merda, e contra o filho da puta do coronel que… Ahmadou, ensanguentado, tremendo de dor, ardendo em febre, não dizia nada.
Eduardo Galeano (📖 O Livro dos Abraços)
O Nazista e o Psiquiatra, de Jack El-Hai
Por Livros & Grimórios Há livros sobre o nazismo que mostram a barbárie.E há livros que fazem algo ainda mais perturbador: tentam entender a mente por trás dela. O Nazista e o Psiquiatra reconstrói um dos encontros mais estranhos do pós-guerra: o diálogo entre o psiquiatra americano Douglas Kelley e Hermann Göring, um dos principais nomes do regime nazista, durante os julgamentos de…
Vitória da democracia contra a banalidade do mal
Vitória da democracia contra a banalidade do mal
Já no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022 fiquei surpreso com a resiliência de Bolsonaro que conseguiu avançar para o segundo turno muito próximo de Lula e com possibilidade de vencê-lo. Esse choque se repetiu no último dia 30 de outubro quando Bolsonaro conseguiu reduzir muito a vantagem de votos de Lula e quase saiu reeleito. Apesar da negligência na pandemia, da inflação que…
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A Banalidade do Mal...
A Banalidade do Mal…
A Banalidade do Mal é uma importante linha de pensamento de Hannah Arendt, fruto da forte experiência da filósofa política em Jerusalém, durante o julgamento e testemunhos de Eichmann, Nazi responsável pelo embarque em massa de judeus para os campos de extermínio. Solicitada a cobrir o acontecimento para um órgão de imprensa, que terminou com a condenação do soldado do III Reich à morte, a…
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Um passo além da banalidade do mal, por Eliane Brum
Um passo além da banalidade do mal, por Eliane Brum
Peço uma espécie de licença poética à filósofa Hannah Arendt, para brincar com o conceito complexo que ela tão brilhantemente criou e chamar esse passo a mais de “a boçalidade do mal”. Não banalidade, mas boçalidade mesmo. Arendt, para quem não lembra, alcançou “a banalidade do mal” ao testemunhar o julgamento do nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, e perceber que ele não era um monstro com um…
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Banalização do Mal #1
Eu não me considero pessimista.
Não mesmo.
Me considero bem realista e, as vezes, otimista.
A través dessa ótica enxergo o nosso mundo e as sociedades que vivem nele.
Há muita dor e coisas terríveis, um estado calamitoso de conformidade com o mal. Ele chega a ser quase uma instituição transcendental pertencente a todas as esferas da humanidade.