mourn me
I’ll write a drabble about my character mourning your character’s death. (tw: suicídio ).
Preto não lhe caía bem. Constatou assim que viu seu reflexo no espelho do dormitório. Cada movimento parecia lento demais, pensado demais ainda que fosse algo tão simples. Desde colocar o paletó escuro até ajeitar os fios coloridos do cabelo, sua mente estava em alguma dimensão distante e inalcançável, buscando qualquer meio de livrar-se da realidade dura daquela manhã tão incomum. Todos os anos que havia passado junto da família não haviam o preparado para algo tão pesado e tão cruel, ainda que tivesse perdido a mãe, nunca se compararia ao acontecido da noite anterior. Por que sempre parecia tarde demais para que pudesse consertar algo? As pontas dos dedos estiradas nunca eram o bastante para impedir que algo escapasse para longe, nem que se esforçasse e esticasse os braços até o seu limite, nunca conseguia alcançar e era sempre inevitável observar que as pessoas partissem sem volta. Recordou-se de anos antes, quando vira pela última vez o sorriso da mãe, tão tristonho, atravessando a porta de sua antiga casa rumo a outra cidade distante demais para que pudesse vê-la com frequência. Sabia que não a veria, sabia que havia a perdido porque nunca havia entendido seus sinais de tristeza ou visto em seus olhos o quanto a genitora parecia desesperada por alguma coisa. Sunmi também parecia desesperada, mas achou que, dessa vez, conseguiria prendê-la em seus braços forte o suficiente para que também não partisse.
Novamente, em vão.
As pontas dos dedos alcançaram os fios castanhos e os braços a envolveram com bastante força assim como tanto queria, contudo, a figura sem vida que jazia naquele cômodo frio há muito havia partido, sem que pudesse fazer algo efetivo o bastante para impedir. O frasco de remédio nas mãos pequenas e geladas denunciavam a tentativa bem sucedida de suicídio, e, o destino cruel fizera que mais uma vez fosse ele a presenciar a miséria alheia, só que sem conseguir salvá-la mais uma vez. Recordou-se de checar o pulso e ligar para os médicos, de cobri-la com uma de suas cobertas na esperança de que aquele corpo gelado se aquecesse, mas no fundo sabia que já estava feito e não poderia reverter o acontecido. Sunmi não iria voltar. Nenhum de seus cuidados fora o bastante para preservar a vida tão frágil de sua amiga chegasse ao fim. Suspirou alto, estava exausto de ter passado mais uma noite em claro. Exausto de todas as formas possíveis, do mais físico ao mais emocional. Abaixou a cabeça sob o móvel perto da cama, deixando os soluços chorosos que havia guardado por tantas horas preencherem o cômodo, até então, vazio. A dor de uma perda tão grande era nova e tão insuportável que lhe parecia faltar ar nos pulmões. Talvez fosse sua culpa mais uma vez. Talvez simplesmente não merecesse ter pessoas boas consigo, porque não conseguia sequer expressar o quanto as amava. Os pensamentos eram altos demais, imbatíveis demais para simplesmente engarrafá-los como fazia há tanto tempo com tantas coisas. — Sunsun… — Sussurrou com a voz embargada e sem saber como completar a frase, apenas tornava a repetir o mesmo apelido inúmeras vezes, até que os olhos estivessem doloridos demais para mantê-los abertos.











